Graffiare #478
07 junho 2010Quando a patuleia vê qualidade, paga. Pão dormido, só de graça.
- Elio Gaspari
Na Folha de ontem, ao comentar o iPad e toda a revolução que ele começou a causar no mercado editorial.
Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos.
Aqui eles têm a intenção de
provocar papos sobre TI e afins.
Quando a patuleia vê qualidade, paga. Pão dormido, só de graça.
- Elio Gaspari
O mês ou as novas? Ambos! E o Graffiti merece 1% do meu tempo.
Jobs: Open, Open, Open em Carta Aberta
Como é estranho ver o Steve Jobs falando sobre "padrões abertos". Mas ele diz a pura verdade em sua carta aberta: Flash é tecnologia proprietária, insegura e dos tempos do PC (leia-se teclado+mouse). Antes, fez questão de lembrar o quanto já foi bom o relacionamento da Apple com a Adobe. O fato é um só: a Adobe dormiu no ponto e perdeu o bonde (da mobilidade). RIP Flash! Já vai tarde.
HP salva a Palm ou vice-versa?
Boa a pergunta da ZDNet. Ok, a HP tá longe de precisar de salvação. Mas, há tempos - desde a época da Carli (aquisição da Compaq, lembram-se?) - ela precisa de um safanão. Êta empresa paradona (apesar dos bons produtos). Mas, sei não. Acho que a aquisição da Palm acontece com uns 3 ou 4 anos de atraso.
O Rio de Janeiro continua lindo... e cheio de problemas.
O alívio dos incompetentes é um bode expiatório de impopularidade inconteste. O Rio encontrou o seu: a divisão dos royalties do ouro negro proposta numa tal emenda do Ibsen. Agora ficou fácil:
Quanta violência! - culpa da emenda do Ibsen.
Falta escola! - culpa da emenda.
Chove alaga tudo! - culpa da emenda.
O Dodô perdeu 2 pênaltis! - culpa da emenda.
Não tem mais Copa! - culpa da emenda.
Não tem mais Rio 2016!! - culpa da emenda
O Love ama a Rocinha!! - culpa da emenda.
Uma brincadeira que fiz no finito me empurrou para cá - aquela sobre o "Crítico de Oficinas". O tema me incomoda desde que comecei a reparar que uma famosa publicação adora anunciar novas profissões em TI que são um tanto esotéricas e estranhas. Detetive de redes sociais, por exemplo. Não dá pra crer na viabilidade ou longevidade de muitos chutes que aparecem lá e em outras paradas. Assim como é impossível apostar em qualquer profissão que possa ser facilmente trocada por aplicações, como é o caso do "detetive" em questão. Há tempos sabemos que as profissões mais quentes e promissoras, particularmente em TI, são aquelas que dependem demais do intelecto e do talento, da criatividade e da sensibilidade. Características que, até onde sei, ainda estão muito distantes de sistemas, robôs e afins.
Mas é ainda mais gritante o fato de algumas das profissões mais atraentes e necessárias serem sumariamente ignoradas pela grande mídia tupiniquim. Não por acaso, também são aquelas que nunca aparecem em anúncios de vagas. Dúvida tostines aqui: não há oferta porque não aparecem na mídia ou não aparecem na mídia porque não existem ofertas?
Não, não estou falando dos Analistas de Negócios. De certa forma eles apareceram (CIO Maganize, IDGNow etc) e cresceram. Empresas como Bradesco, Embraer, Net, Oi e JBS Friboi, dentre várias outras, já têm seus times de analistas de negócios. Os problemas com esta profissão são outros, e merecerão outro espaço e tempo.
O que não aparece no meu radar mesmo, por exemplo, é um cara que faça design. Não estou falando dos "designers" de interfaces nem de artistas pós-modernos. Penso no criador, no arquiteto de produtos. Nunca na nossa história esse tipo de design foi tão necessário. Falamos de inovação e de criação de produtos e serviços "matadores". Pensamos no iPhone e no Facebook, por exemplo. Nos lembramos também dos carros da Toyota, apesar dos recentes pesares. São todos exemplos de um bem sucedido trabalho de design.
Dos outros não sei quase nada, mas na Toyota cada carro é arquitetado (projetado / desenhado) por um engenheiro-chefe. Na Apple parece claro que há um cara que tem a primeira e a última palavras sobre seus novos produtos e serviços. Cadê os nossos "designers"? Se eles existem, onde são formados? E, se existe procura por eles, onde ela é manifestada?
Eu ia esticar o papo, tentando ilustrar a relevância desses caras em bancos, seguradoras e empresas de TI. Aguardarei algum feedback antes de prosseguir. Enquanto isso, deixo uma sugestão de leitura que explica bem a relevância do design no século XXI e os desafios deste novo profissional:Ok, não é nada para me orgulhar. Mas em dezembro eu escrevi que "os Tablets serão o netbook dos anos 2010-2011". Lógico que eu dava como fava contada um tablet da Apple. Assim como é óbvio que eu esperava ver o brinquedinho em todos os noticiários, escalada do Jornal da Globo, primeira página da Folha etc. Desconheço outra empresa que consiga tanta publicidade gratuita de seus produtos. Vou dar um chute aqui: ela ganha, no mundo todo, mais de US$ 200 milhões em exposição. E não é qualquer cantinho de página não. Só na Folha de hoje ela ganhou 2/3 de uma página do caderno Dinheiro. Mas eu abri o post para falar de outra coisa: Quem precisa do iPad?
Vi por aí muita gente reclamando que já tem gadgets demais para carregar. Claro, tem gente que exagera, né? Dois celulares, iPod, notebook, eReader... Desconfio que existam mais viciados em brinquedinhos eletrônicos do que em crack. Bom, quem sou eu para julgá-los? Eles com certeza comprarão uma mochila um pouquinho maior (e mais chique) para hospedar seu novo iPad.
Me interessam os usuários "normais". Eles precisam do iPad? Vou aumentar o escopo: eles precisam de um tablet? Há pouco mais de 6 meses convivo com um, da HP. Por enquanto há apenas uma "killer aplication" que me faz tolerar o Vista e utilizar o brinquedinho: o OneNote, da MS. (Pois é, consegui elogiar alguma coisa vinda de Redmond!). Em 80% do tempo eu vou de Ubuntu mesmo - sem as funcionalidades do Tablet. Neste sentido eu acho que poucas pessoas veriam utilidade em um gadget sem os arcaicos teclado e mouse.
Mas a proposta da Apple é muito diferente. É um iPod Touch com tela de quase 10 polegadas. O iPad não brigará com notebooks. Mas desafiará os netbooks (utilizados exclusivamente para navegação na internet), os e-readers (Kindle) e desconfio que até canibalizará um pouco a demanda pelo iPod Touch. Os preços anunciados (de US$ 500 a US$ 1000) reforçam ainda mais minha suspeita.
Houve um tempo em que eu esperava que celulares e iPods oferecessem aplicações parecidas com aquelas que tenho no laptop ou desktop. Ultimamente ando ansioso para ver portados para estas plataformas algumas aplicações que só vejo no iPod Touch, como a incrivelmente boa e bela "Awesome Note". Ou seja, a Apple merece todo o destaque que recebe da mídia. Seguirá merecendo enquanto continuar reinventando a forma como convivemos com tecnologia. O iPad é outro marco. Previsível e simples. Mas um marco.
Pois é, cá estou novamente brincando de bidu. Meus tiros configuram mais uma lista de desejos do que "previsões" propriamente ditas. Portanto, se acerto ou erro, não faz muita diferença. Acertei, por exemplo, que a Sun não chegaria como empresa independente no final de 2009. Chutei Cisco como a 'comedora' - deu a óbvia e gulosa Oracle. Deve ter gente lá cantarolando um pré-histórico não-sucesso do Genesis, "In the Cage", que fala: "I got SUNshine at my stomach". Haja estomazil! Mas, como sempre, é o lado mais fraco da corda que arrebenta. Que o digam os usuários e fãs do MySQL.
Mas, como a titia Marília Gabriela me lembra quase diariamente, errei tremendamente ao desejar o passamento (sem choro nem vela) de todas as grandes empresas tupiniquins de TI. Elas estão aí, firmes (como prego n'angu) e fortes (como certeza de palmeirenses). E corretíssimas! Não no sentido que nos leva ao DF, obviamente. Estão corretas em suas ofertas - naquela carteira (de produtos) que eu desejei ver num aterro sanitário. Basta ver a lista dos 100 principais CIO's de Pindorama e seus principais "desafios" para 2010. O critério do ranking, segundo a Computerworld, são os "projetos e desafios". Veja os tais projetos e desafios. Avalie a frequência das letrinhas ERP e similares e tire suas próprias conclusões.
Esqueçamos os 20 anos de atraso. Interessam aqui os próximos 10 meses e os próximos 10 anos. Sem ordem ou critério de seleção objetivo como um Caetano. E farei a lista como entradas num microblog que não merecerão - pelo menos não de minha parte - sobrevida no Twitter. Saca só:
Posted in apple_mon_amour, brasil, carreira, google, ibm, it_market, it_people, ms_mon_amour, oracle, previsões, sun | 0 Comments »
Quando você passa horas e até dias dentro de ônibus e aviões não há nada melhor a fazer do que ler um bom livro. Ops.. Há sim. Puxar papo com a bela morena que senta ao seu lado. O problema é que belas morenas andam raras em aviões e ônibus... Pelo menos naqueles que pego. Restam os livros.
Depois de muito hesitar, comprei em Maringá "A Cabeça de Steve Jobs". Explico a hesitação: apesar das credenciais do autor, Leander Kahney, editor da Wired.com, o título me afastou um pouco. Conferi, é a tradução correta do nome original, "Inside Steve's Brain". Não tenho o menor interesse em mergulhar na indecifrável cabeça de Jobs. E não acredito que alguém tenha condições de transcrevê-la, seja em que meio for. Outro item do livro que espanta na primeira folheada são os checklists que encerram todos os capítulos. Coisinha "for dummies" ou para aquela turma que só lê os resumos. Mas, na falta de melhor alternativa e com a certeza de mais um vôo atrasado, fiquei com o livro.
Que sorte eu dei! Estava totalmente enganado sobre o livro - o título poderia ser bem melhor. Leander traça um belo histórico de Steve, da Apple, da Pixar e da NeXT. Inevitável que ele acabe tocando também MS, HP, Xerox, Dell e outras. Ou seja, está ali uma boa parte da história da nossa indústria, contada de forma simples, objetiva e... apaixonada. Sim, Leander não consegue disfarçar que após 12 anos cobrindo a Apple se tornou um fã daquela empresa. Mas não um fã bobo. Ele consegue descrever os fracassos daquela empresa, inclusive os erros do Jobs. De forma econômica e breve, mas consegue.
Quando um livro dispensa marca-textos é porque ele só pode ser lido de uma forma: de cabo a rabo, na sequência originalmente proposta pelo escritor. E, saiba, a sequência é estranha. Os capítulos são organizados em torno de características da "cabeça" de Steve Jobs: Foco, Despotismo, Perfeccionismo, Elitismo, Paixão, Espírito Inventivo... Estranha mas bem sacada, já que permite que o escritor conte histórias que ilustram bem facetas de Jobs e, principalmente, da Apple. É jóia poder conhecer um pouco mais sobre Jonathan Ive, Ron Johnson e Tim Cook - três caras fundamentais na história recente da Apple mas que aparecem muito pouco.
Devo escrever alguns posts e graffiares para destacar alguns pontos do livro. Mas a maior provocação eu já deixo aqui: você trabalha em TI? Dê o livro de presente para seu patrão. Você trabalha no varejo? Dê o livro de presente para seu patrão. Seu trampo é uma chatice só? Dê o livro de presente para seu patrão. Você é o patrão? Compre o livro! Não entendeu nada? Compre o livro!!!
ou Gemas das Estratégias da MS:
Segundo Mary "Jo Jo Gunner" Foley, a nova campanha publicitária da MS tá "dando nos nervos" (de MacManíacos). Estranho pequeno grande detalhe: a campanha não fala de Windows, só de PC's. Dell, HP, Lenovo, Positivo e CCE agradecem a generosidade da firma de Redmond.
Só não consigo entender porque "MacManíacos" continuam dando tanta importância para esse tipo de provocação. Tudo o que a MS espera receber é barulho mesmo. Claro, não do tipo que aquela desastrada campanha com Gates & Seinfeld geraram.
Reparem amigos MacManíacos que por aqui passeiam: a MS torrou US$ 300 milhões para não falar do Windows! Tipo de barulho fácil de responder: com silêncio. Assim o Macho-Ballmer perde a cabeça. E pode até arriscar uma campanha derradeira: "PC's são de Marte, Macs são de Vênus", hehe.. Em Pindorama ele pode até arriscar uma tropicalização: "Corintiano que se presa compra PC's! Macs são coisa de sãopaulino..." Sem preconceitos, please!
Responder a provocação faz menos sentido ainda quando percebemos que a própria MS se contra-ataca: ela já admite o downgrade do Win7 para WinXP!?!
Quer maior propaganda negativa do que essa?
Aliás, já que estamos em tempos de "transparência total", HP e MS deveriam esclarecer logo se a primeira realmente ganhou carta de alforria da segunda para comercializar maquininhas com XP até 2010. A clientela agradecerá a atenção dispensada.
Não sei porque insisto em publicar minhas "previsões" todo final de ano. Previsões com aspas porque a grande maioria é mais uma lista de desejos do que qualquer outra coisa. Cansei de "prever" a queda do Ballmer e a aquisição da Adobe pela Apple. Cansei de pedir um movimento de consolidação das distros Linux. Cansei de imaginar a aquisição do Yahoo pela MS. Ou seja, cansei de dar varada n'água. Se acertei um chute no final de 2007 foi apenas a crise financeira. Meio acerto, porque achava que só o hemisfério norte sofreria com a recessão nos EUA. A crise é bem maior do que eu esperava. E ela muda muita coisa.
Analistas estão falando que TI, apesar de tudo, crescerá no mundo todo. Algo em torno do dobro do PIB de cada nação. Não sei se são irônicos ou bobinhos: quanto é o dobro de zero? Porque zero será o crescimento médio do primeiro mundo, EUA e UE.
O PIB de Pindorama, apesar do Meirelles, deve ficar mesmo entre 3% e 4%. Então nossa turma de TI pode trabalhar com números entre 6% e 8% de crescimento. Pode? Não acredito.
O perfil da maioria de nossas médias e grandes empresas, quando o assunto é TI, é muito conservador. Em tempos de crise então, espere racionamento até no "feijão com arroz". Esqueça upgrades e projetos big bang. 90% do orçamento de TI irá exclusivamente para manutenção. E os 10% restantes formarão uma "poupancinha"... grana que só será gasta lá no final de 2009, se tudo estiver "sob controle".
Pouquíssimos fornecedores têm chance de ganhar alguma coisa neste tipo de cenário. Só 5 letrinhas pintaram na memória: IBM e HP, necessariamente nesta ordem. MS, Dell, Lenovo, Sun e afins são aquelas que mais perdem. Sem upgrades a vista (sem trocadilhos), é de se esperar quedas em receitas de até 50%. Tô brincando não.
Tanto que até me animei a um novo chute do tipo "quem come quem": a Cisco, para quem a crise parece ser só marolinha, pode se reposicionar. Parece besteira, mas quem tem US$ 26bi em caixa pode pensar em uma bela aquisição. De uma Sun, por exemplo. Monopólio cansa, e a Cisco deve estar louquinha por oxigênio e dólares novos. E a Sun tá uma pechincha. Acho que tem tudo a ver. Aliás, Apple e Adobe também tem tudo a ver e não dá em nada... Então, deixa pra lá.
Por falar em Apple: 2009 deve ser um ano difícil para a empresa de Cupertino. Não só nas vendas que devem cair, mas parece inevitável que a Apple comece a tratar do problema chamado "Jobs". A Apple precisa provar que a sua criatividade não se limita ao departamento de design.
Encerro a parte internacional com a maior barbada de 2009: a Google seguirá sendo a Google. Com as sementes (Docs e Android, principalmente) devidamente plantadas, chega a hora da colheita. Momento melhor impossível. Se em Redmond, nem uma caixa inteira de Lexotan me daria 15 minutos de sono...
Posted in apple_mon_amour, brasil, cloudcomputing, google, hp, ibm, it_market, ms_mon_amour, saas, sun | 0 Comments »
Sorte que o mecanismo de buscas aqui do Graffiti funciona direitinho. Tá lá em 25 de janeiro de 2005 um dos meus primeiros posts sobre o aguardado (?) browser da Google. Agora, 44 meses depois, não se trata mais de boato. Rolou até história em quadrinhos para justificar a empreitada. Mas duas questões permanecem sem respostas: i) Faz sentido (o lançamento de um novo browser)?; e ii) Se sim, porque a Google demorou tanto?
A Google, nesse meio tempo, virou uma das principais 'distribuidoras' e patrocinadoras do Firefox. Em troca do favorecimento de seu mecanismo de buscas naquele paginador web, a empresa de Brin & Page colocou uma bela grana na Mozilla, organização que o desenvolve. O contrato entre elas só caduca em 2011. Desde o início da parceria a participação do Firefox praticamente dobrou, batendo em 20% de market share. É um crescimento expressivo. Mas, ao que parece, não o bastante para a turma da Google.
Browser é plataforma. Até o Bill Gates percebeu isso, em 2006. Para o modelo de negócios da Google, é a única plataforma (cliente) que interessa. Claro, desde que ele rode em micros (com qualquer sistema operacional), celulares, TV's, carros e secadores de cabelos. Sua independência de plataforma deve ser real - sem gambiarras. Por isso uma característica do Chrome chama tanto a atenção: a Google reescreveu (do zero) a VM Javascript. A Google joga praticamente todas as fichas em aplicações que rodem exclusivamente no browser. Porisso uma VM performática (e estável) é fator crítico de sucesso.
Mas a questão é: faz sentido que ela tenha um browser? A Mozilla não lhe entregaria tudo que ela precisa? O "Não" para a segunda questão justifica o "Sim" da primeira. Apesar do Firefox 3 ser um belo produto, ele está longe de atender todos os requisitos da Google.
O que nos leva para a segunda pergunta lá do 1º parágrafo: por que demorou tanto? Como meu primeiro link lá em cima mostra, em 2005 a Google já contratava especialistas em browsers. Eles não demoraram 44 meses para desenvolver um, né? Acreditando que não, só posso chutar que a demora ocorreu por um excesso de confiança na parceira Mozilla. Esgotada a paciência, agora a Google tem em mãos todas as peças básicas (incluindo o Android).
O desespero que bate em outras praças (de Redmond e Cupertino), quando não motivado pela falta das peças, é fruto do total desconhecimento sobre a localização do tabuleiro, as regras do jogo... enfim, qual é o nome do jogo?
Tá em tudo quanto é canto: a Apple vendeu 1 milhão de iPhones 3G em 3 dias. Quebre os números para ficar ainda mais impressionado: são quase 14k aparelhos por hora; 232 por minuto; 4 por segundo!
Me lembro de alguns fenômenos parecidos: o lançamento do Win95 (blergh!) e do "Use your Illusion" (2x blergh!), do Guns 'n' Roses. Aliás, o nome daquela megalomania do Axl Rose combina bem com os outros fenômenos: Use sua Ilusão (e seus dólares, é claro).
Ok, cada um faz o que quer com sua grana. Mas eu queria entender melhor os tais 'early adopters'. Particularmente aqueles dos produtos da Apple. Eles foram muito mal tratados com o 1º iPhone. Seth Godin mostra que, de certa forma, um certo descaso da Apple com seus fiéis pioneiros prossegue. Eles ligam? Só se for com o iPhone.
O Zumo, que tratou a coisa como 'novela', acha que sim. Eu, que usei e abusei da imagem ao lado, acho que em nosso mercado nada é definitivo. Aliás, acho que nada é definitivo.
E o negócio é pequeno (uma "ficadinha"), nada parecido com a fracassada tentativa (de "casório") da MS. O Yahoo só terceirizou a parte mais "nervosa" de seu negócio para seu maior concorrente! Leia a frase de novo. Eu espero......Então, nosso mercado não é realmente único?
O fato é que Yang e seu Yahoo ganham fôlego e tempo para fazer sabe-se lá o quê.
E o Page sorri como nunca enquanto seu sócio vai passear no espaço. A Google nada de braçadas. Ainda confunde, mas nada parece atingi-la. Por enquanto...
Então dá tempo de brincar com idéias para o próximo roteiro:
If Microsoft gets only 20 percent of any market it enters, they consider that effort a failure and it would be, because Microsoft's business is scaled and its cost structure is optimized for really, really big numbers of mindless and fairly undemanding customers, most of whom wouldn't pay $99 per year.
That takes care of Microsoft, but here's the real beauty of this Apple strategy: it takes care of Google, too.
Though Google has a very different approach than Microsoft does to almost every product and market segment, in this one aspect they are identical. Google, too, aims for maximal market share, which means they can't expect customers to pay and their cost structure has to be maintained such that they make a profit without being paid.
Which leaves a lucrative niche all to Apple.
- Roberto X Cringely (em "MeMobile, You Kaput")
Só pensando alto. No mesmo mês em que Gates esvazia gavetas, Jobs enche cabeças (e noticiários e, claro, seu bolso). Saca só a matéria da Time: citam até Bukowski! Saca só a capa ao lado: não era de se esperar que ambos ainda seguissem brigando, palmo-dólar a palmo-dólar?
A decisão do Gates é velha, mas ainda não entrou na minha cabeça. E, acho, também não entrou na cabeça de muitos. O cara é novo; segundo consta, está longe de ter problemas de saúde como aquele que chateou Jobs; sua empresa, para o bem ou para o mal, ainda "manda". Então, por que tirar o time de campo?
Imagina a cabeça dele, vendo o Jobs lançando o novo iPhone. Será que ele sente inveja? Será que ele se sente como o Luxa vendo o Felipão assinando contrato com o Chelsea? Será que ele se sente como o FHC assistindo a sorte do Lula? Acho que sim...
Essa "inveja", bem canalizada (e tratada), faz muita gente virar o mundo de cabeça pra baixo. A competição, as inevitáveis comparações, deveriam fazer o cara dar tudo de si. Agora! Não necessariamente na MS. Talvez ele pudesse começar tudo de novo, do zero. Com uma brilhante startup. Mas não, o cara resolveu se aposentar.
Assistirá, bem de longe, o próximo grande duelo da área: sim, a briga agora é entre Apple e Google. Não falo só de dispositivos móveis, mas principalmente do tal "mercado na nuvem". O MobileMe, o .Mac revisto, briga pelo mesmo espaço (bem) ocupado por diversos serviços Google (free). Ambas empresas estão com praticamente todas as peças no tabuleiro. O jogo começou. E o Bill se aposentou. Deixando a MS.
Quem diria, a MS como mera coadjuvante do melhor filme dos últimos 13 anos. Será por isso que ele tirou o time de campo?
Eu deveria grafar SOS mesmo! Save Our Systems!!
Desnecessário falar sobre o Vista, o maior pesadelo da MS (e de algumas centenas de milhares de apressadinhos). A decepção é tão grande que 48% das pessoas que responderam a uma "enquete" da ZDNet disseram que ficarão com o XP até 2014!?!? Santa Fidelidade...
Mas quem disse que SO bugado é uma exclusividade de Redmond? Oras, Cupertino também falha. E falhou tanto na última versão do Mac OS que mereceu uma depreciativa comparação: Mac OS 10.5.2 = Apple Vista?
Bom, a turma da Apple pode dizer que a comparação é injusta. Afinal, eles não geram "Blue Screens of Death". Saca só a tela acima. Modernosa, estilosa, bem Apple, né? Mas é pau!
E não dá nem para livrar a cara de meu querido Kubuntu. Apesar de estável e rápido em meu desktop, ele segue dando dor de cabeça no note. Parece ser incompatibilidade de gênio com o Firefox. Não importa, é bug!
Sinal de que já atravessamos, todos, o limite do possível (e da paciência). Há quase um ano eu encerrava uma série sobre um novo tipo de Sistema Operacional: mais leve, mais modular, mais personalizável e, principalmente, mais inteligente.
Bill Gates torrou US$ 5 bi para parir o Vista. Agora que ficou com US$ 50 bi de bobeira, bem que ele podia provocar o mundo, começando o desenvolvimento de um SO novinho em folha. Do zero! Mas não na MS, né?
Where X86 offers no true advantages for running OS X, it is easy to see that it could offer DISADVANTAGES, simply because OS X, as a Unix variant, was never designed specifically for X86, making a lot of Intel hardware simply unnecessary. If there are instructions that will never be used, why spend the silicon real estate to hard code them? CPUs optimized for OS X would be smaller, cheaper, and use less power than any Intel or AMD alternative simply because they could be simpler overall.
...
Heck, by that time Windows will probably be virtualized anyway (what Microsoft should have spent five years and $5 billion on instead of Vista).
Apple is not tied to Intel or to X86. Jobs said they had OS X running on Intel for two years before announcing the shift, so it is logical to assume they have recompiled the OS to run on almost every competitive processor available today. OS X on the PS3? I'm sure it is running in an Apple lab.
Apple has changed processor families twice before in the Macintosh era so it is more likely, not less, that they will change again. It's even possible we'll see a jump to AMD for some machines before the final days of Apple/Intel. But just as the Intel changeover took a year and was predicted to take two, we're 3-4 years out on this transition. Your next Mac will probably have an Intel CPU, but the one after will be all Apple, through and through.
- Robert "X" Cringely
Monolito de novo! Gartner de novo!! Gartner atrasado de novo? Pois é, só que agora o atraso não é de 5, mas de 10 anos! Ok, como eu disse no post anterior, eles tardam, retardam, mas são ouvidos. E finalmente alguém que é ouvido resolve falar a verdade:
Quando busquei uma imagem utilizando a combinação "google island" não esperava por algo tão literal. Não sei se os caras querem realmente uma ilha. Mas, valeu a coincidência (e a piada?). E a imagem. No entanto, "ilha" aqui é só uma metáfora.
Todo mundo começou a reparar que a crise na economia estadunidense é coisa séria. Até a Apple, no trimestre 'natalino', conseguiu mostrar números decepcionantes. E projeta um futuro próximo ainda mais desanimador (que combina com a decepção da MacWorld). Como nenhum dos diversos candidatos ao cargo máximo do mundo mostrou, até agora, um plano econômico fenomenal, não é difícil supor que os próximos 24 meses serão um tanto cinzentos na América do norte. Mas, numa pequena ilha, o céu deve permanecer azulão. O céu e os balanços da ilha Google.
Sim, as ações da Google não valem mais US$ 800. Despencaram para US$ 600, e devem cair um pouco mais até março. Sem romper a barreira (psicológica) dos US$ 500. A Google ensinará para seus compatriotas porque na China a palavra crise é traduzida como "problema+oportunidade" (wei-ji). Torcida? Não, só um pouco de lógica mesmo. (Obs: não tenho ações da Google. Quem dera!)
Em tempos bicudos, a publicidade ganha outro perfil. Campanhas institucionais em redes de TV perdem todo o sentido. As verbas dos diversos departamentos de marketing esmaecem e são mais fiscalizadas. Os "tiros" devem ser mais certeiros. E qual empresa está melhor posicionada para capturar essas escassas verbas?
Em 2008 a Google abrirá seu leque de opções para anunciantes. O Android deve estreiar em centenas de novos aparelhos celulares (aparelhos de baixo custo - o Android é gratuito). Aposto que ela lançará pacotes de anúncios especiais, com preços diferentes para cliques em páginas e acessos via dispositivos móveis. Pacotes que facilitarão a vida de agências e anunciantes. Tudo com um diferencial que faz todo sentido para os donos da grana: a possibilidade de rastrear cada centavo investido.
Cenário tão animador deve fazer a Google acelerar outras duas iniciativas: sua entrada definitiva no mundo das rádios e das redes de TV. A primeira é mais próxima e já foi testada em rádios da costa oeste. No mundo da televisão a coisa será um pouco mais lenta. Nada preocupante, dado o crescimento da audiência de uma de suas mais questionadas aquisições: o YouTube. Anunciantes tradicionais trocarão decadentes sitcoms e séries por um espacinho no YouTube. E ficarão muito satisfeitos.
Portanto, quando a MS estiver anunciando números decepcionantes ao término do ano fiscal de 2008 (em junho, se despedindo de Bill & Ballmer), a Google mostrará um considerável aumento de seu faturamento. Ações sobem, mais grana entra, mais investimento. Ciclo virtuoso em plena recessão. Em boa parte, por causa da recessão. Mas, principalmente por causa da estratégia que a empresa sustenta desde sua fundação, há pouco mais de uma década.
Mais do mesmo? Pois é, pela primeira vez (!) em muito tempo, estou um pouco pessimista. O hemisfério norte vai sofrer um bocado com a crise da economia estadunidense. Bush (finalmente!) será substituído. E é muito provável que ele ouça de um candidato democrata o mesmo que seu pai ouviu do Clinton: "É a economia, estúpido!". Agora é tarde. E os impactos de uma recessão batem quase que de imediato no mercado de TI (somos eternos supérfluos, apesar de tudo). Empresas com o caixa abarrotado sentirão menos. Google, Oracle e Apple passam bem pela fase ruim. O mesmo eu não digo de MS, Sun, AT&T, Yahoo e outras menos relevantes.
A notícia de uma possível recessão é particularmente péssima para a MS. A turma do "upgrade retardado" falava que aguardava os primeiros service packs do Vista e do Office. Agora vão falar que estão sem grana; que o XP e o Office 2003 "dão para o gasto". Como a MS é péssima de estratégia, deixou vazar que deve rolar um novo Office entre 2008 e 2009. Ou seja, acaba de dar outra justificativa para que o upgrade seja novamente adiado. Resumindo: sigo apostando que o Ballmer não passa desse ano fiscal (que se encerra em junho). Outra aposta requentada: a última reestruturação do Yahoo também falhará. Será a gota d'água, e finalmente veremos a fusão MS+Yahoo.
Situação oposta é da Google. 2008 é o ano da consolidação do Android - de sua estratégia para dispositivos móveis. Ao contrário das outras plataformas, ele é gratuito. Quer melhor justificativa para sua adoção? Ainda mais em tempos de crise?
As ações da Google não devem se sustentar no padrão atual, mas a queda não deve ser muito significativa. Na verdade, se continuar atraente, vai ter gente vendendo ações de outras companhias para colocar a grana em terreno fértil. E, há 10 anos, terreno fértil é a Google.
E a Apple. O iPhone 3G deve sair até o início do 2º semestre. Versões econômicas do brinquedinho devem estar no forno. Acho fácil supor que a Apple venda o dobro de iPhones do que vendeu em 2007, no mínimo. E deve ser mais agressiva na abertura de outros mercados. Inclusive Brasil? Não sei. Mas na Europa é batata. Mesmo que parte do modelo (exclusividade de operadora) seja alterado. Jobs não é burro.
Não tem muito tempo, falei de um dos melhores "campeonatos" do biênio 2007/2008. Estava falando da guerra envolvendo Java, Ajax, Flash e Silverlight (da MS, pra quem não sabe). A Apple corre do Flash como o demo foge da cruz. Mas desconfio que uma aproximação (ou fusão) com a Adobe esteja anotada num cantinho da agenda do Jobs. Motivo? A Google entrou pesado na seara, jogando com Ajax, Java e Linux. Outro motivo: se ela demorar, Bill Gates abocanha a Adobe. O Silverlight perdeu o jogo antes de entrar em campo. Outra varada n'água de Redmond. Sun e IBM desistiram dessa briga há 2 anos. E eu aposto que a Adobe não passa mais um ano como empresa independente. Apesar da crise. Ou exatamente por causa dela.
Na primeira vez que usei minha bola de cristal líquido eu previ uma consolidação no mercado de ferramentas de BI. Errei por um ano. E alguns nomes: BO foi para a SAP; Hyperion para a Oracle. Mas errei por pouco. E o movimento de consolidação seguirá. Agora é a vez de Microstrategy, Cognos e outras de menor porte.
[Atualização: O Garrido me informou via comentário que estou meio atrasado - a Cognos já é da IBM.]
Em 2008 a Oracle seguirá aumentando seu "desfocado" portfólio. A Bea não aguentará a pressão. Mas será justamente a falta de foco da Oracle que deixará a SAP tranquila.
Por fim (falando do estrangeiro), o mundo Linux. É mais "lista de desejos" do que previsão. Já reclamei ontem: uma redução no número de distribuições pode acelerar o processo de evolução do Linux. Está faltando um pouquinho de ousadia, de inovação. Não só no produto, mas também nas suas relações com o mercado. Dell, Lenovo, Acer e outras estão começando a gostar de brincar com o Linux em suas máquinas. Em 2008 veremos outros fabricantes entrando na ciranda. Talvez elas acelerem o processo de consolidação. Mas não bastará.
Posted in apple_mon_amour, brasil, google, ibm, it_market, it_people, linux, ms_mon_amour, oracle, sap, sun | 3 Comments »
Há uma semana planejo este post. Ia se chamar "2007 bytes", e travei numa brincadeirinha boba: escrever um post com 2007 caracteres. Desisti. Agora meu temor é outro: que o resumo leve a crer que 2007 foi um ano "pequeno". Não foi. Mas foi um tanto estranho. E com mais decepções do que a média dos últimos 3 anos.
Uma decepção que não é minha mas é de muita gente atende pelo nome "Vista". Antes de experimentar o "(good) look and (bad) feel" do novo sistema operacional da MS eu já antecipava a decepção: seria o último de uma linhagem de SO's que não faz mais sentido. Gordo, lento, burocrático. Estranho é que o ano também não foi bom para a Apple. Seu "Leopardo", além do atraso microsoftiano, também apresenta vários problemas microsoftianos. Conseqüência do crescimento, falta de foco ou outra coisa? Sabe-se lá.
O fato é que o Linux nunca fez tanto sentido. Mais no confronto com o Windows do que com o MacOS. Mas, como sempre, o universo Linux tropeça. Não houve uma esperada consolidação de distros. Desperdiça-se muito esforço e tempo. O Ubuntu, com empurrões cada vez mais entusiasmados da Dell, consolida-se como a distribuição ideal para desktops e leigos. Mas ele também foi uma decepção.
Explico: meu desktop é Gutsy (7.10), a última versão. É Kubuntu. A evolução na performance e algumas coisinhas como conectividade e compatibilidade melhoraram bastante. Mas, se comparado com a versão do ano anterior (6.10), a evolução não é tão grande. Não há nada de realmente novo. Para piorar: meu note se recusou a rodar Gutsy. Problemas com a conexão wireless, Compiz e outros me fizeram voltar para o 7.04. Aproveitei o retorno e resolvi experimentar o Ubuntu. Tá uma maravilha, com cubos e altíssima performance numa máquina que tem só 512mb de RAM. Mas, voltando ao ponto: a consolidação de distribuições (umas 3 principais seria o número ideal) daria outro ritmo para o desenvolvimento do Linux. Minha lista? Ubuntu (desktop), Red Hat (servidor) e Mandriva (ambos). O resto não faria falta (né Novell?).
Outra grande decepção é o XO, o laptop que custaria US$100 da OLPC (One Laptop per Child). Não o produto, mas sua aceitação. Ontem rolou um leilão do governo federal e a Positivo largou na frente: com uma derivação do Classmate (Intel) que deve custar a bagatela de R$950. O orçamento para a aquisição de 150k maquininhas é a metade disso... Tem coisa muito errada no processo. Quem paga? A criançada e Pindorama.
Aliás, Pindorama é mesmo um caso sério. Nunca se vendeu tanto micro e notebook abaixo da linha do Equador. Movimento tão grandioso deveria gerar milhares de negócios periféricos. Escolas, oficinas e micro-empresas dos mais diversos tipos. Alguém viu? E o que esse povo todo está fazendo com tanto poder computacional? Orkutando e fofocando?
Sobre o movimento, outro causo que só pode acontecer em terras tupiniquins: Um grande varejista fugia do tal e-commerce como o demo corre da cruz. Aí, depois de vender toneladas de micros, reparou que podia estar transferindo clientes para sua concorrência mais antenada. Agora corre contra o tempo para ter uma "lojinha virtual". Sorte daquela turma de TI (ralando em época de festas) que o grande varejista pode mudar de mãos em breve. Deve ir para alguém que sabe e gosta de vender pela web.
Por falar em turma de TI ralando em tempo de festas... tem gente adorando o fim da CPMF. Equipes inteiras dedicadas a mudar em 15 dias aqueles belos e mastodônticos sistemas bancários. Run, Forrest, run! Faltam 10 dias e 10 horas... hehe.
Breve listinha com outras decepções:
Posted in apple_mon_amour, brasil, inovação, it_market, it_people, linux, ms_mon_amour, ubuntu | 0 Comments »
Graffiti is powered by Blogger
I feel dirty theme by studio ST
Alguns direitos reservados.
O Graffiti não é jornalismo nem vandalismo. É só um blog ...