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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

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Parece que passei a semana tentando tirar 2 anos de atraso. Twitter, ping.fm, atualizações cosméticas e estruturais no Graffiti, pequena revisão do finito... Sei lá se foi desculpa para não encarar o trampo mais sério que tenho no backlog. Mas o fato é que estou cansado... e agora gripado. Aliás, que baita gripe. Mas eu abri este post para falar d'outro defasado e seus freios: o mal amado e confuso John "Caê Veloso" Dvorak. 


Ok, tô muito atrasado no assunto. Foi na Info de abril que ele disse: "Virei fã do Ubuntu". Mas, atraso por atraso, estou mais de 2 anos na frente dele. De fato utilizando o bichinho (e seu co-irmão Kubuntu), e não apenas escrevendo sobre ele. Mas não foi a idolatria tardia do John "Barrichello" Dvorak que chamou minha atenção. Foi a aparente virada de casaca mesmo.

Em fevereiro de 2005 ele tentava ensinar Bill Gates a matar o Linux. Agora, depois de uns 30 meses tentando gostar do Vista, ele vem com esse papo de "grande fã" do Ubuntu? Haha... No mínimo é outra estratégia maravilhosa de John "Sun Tzu" Dvorak. Explico: em menos de 6 meses ele aparecerá triunfante na Info, falando que trocou o Ubuntu pelo Se7en. Crente que é influente, depois mandará a conta da migração em massa para o Ballmer. 

Mas é bobeira pegar tanto no pé do John "Agaciel" Dvorak. Ele tá na dele. O problema é de quem ainda o publica. Ô turma da Info, que tal colocar alguém com 20 e poucos anos aí, uma pessoa que esteja mais antenaao com o que tá acontecendo aqui fora? Alguém menos defasado e sem freios? Que tal?

SO's em Crise

06 maio 2008

Eu deveria grafar SOS mesmo! Save Our Systems!!

Desnecessário falar sobre o Vista, o maior pesadelo da MS (e de algumas centenas de milhares de apressadinhos). A decepção é tão grande que 48% das pessoas que responderam a uma "enquete" da ZDNet disseram que ficarão com o XP até 2014!?!? Santa Fidelidade...

Mas quem disse que SO bugado é uma exclusividade de Redmond? Oras, Cupertino também falha. E falhou tanto na última versão do Mac OS que mereceu uma depreciativa comparação: Mac OS 10.5.2 = Apple Vista?



Bom, a turma da Apple pode dizer que a comparação é injusta. Afinal, eles não geram "Blue Screens of Death". Saca só a tela acima. Modernosa, estilosa, bem Apple, né? Mas é pau!

E não dá nem para livrar a cara de meu querido Kubuntu. Apesar de estável e rápido em meu desktop, ele segue dando dor de cabeça no note. Parece ser incompatibilidade de gênio com o Firefox. Não importa, é bug!

Sinal de que já atravessamos, todos, o limite do possível (e da paciência). Há quase um ano eu encerrava uma série sobre um novo tipo de Sistema Operacional: mais leve, mais modular, mais personalizável e, principalmente, mais inteligente.

Bill Gates torrou US$ 5 bi para parir o Vista. Agora que ficou com US$ 50 bi de bobeira, bem que ele podia provocar o mundo, começando o desenvolvimento de um SO novinho em folha. Do zero! Mas não na MS, né?

Há tempos não falo sobre meu "xodó", né? Acontece que ele não me dá notícias! hehe.. Por um lado é bom. Aliás, excelente: esqueço que o SO existe. Por outro é meio ruim: a evolução é (ou parece ser) mais lenta do que a gente espera.

Pois bem, há uma semana saiu a tradicional versão "abril" da família (K)Ubuntu: 8.04 ou "Hardy Heron" ou "HH" ou simplesmente "Hardy" (para os íntimos). Mergulhando nos fóruns você verá a tradicional polarização que tanto caracteriza nossa área: "é a melhor distribuição" ou "é a pior versão"! hehe.. A gente adora brincar de Tom e Jerry, né?

Bom, não esperei. Fiz o upgrade de meu desktop e um "fresh install" no notebook. Breves comentários:

Já estava com a versão anterior, 7.10 (Gutsy), no desktop. 1 (hum!) ano sem "instalações do zero", utilizando apenas o upgrade de versão via Internet. O pacotão é pesado (900+ mb), mas meu desktop não anda fazendo nada da meia-noite às seis... então: Foi liso!

Primeiro susto: o boot agora leva metade do tempo. Aliás, tudo ficou consideravelmente mais rápido. O "não suportado" eye-candy (uso o Compiz) deu uma "desconfigurada". Nada que tenha me roubado uns 5 minutos. E tudo roda muito bem. Só um probleminha: sei lá pq resolveram colocar a versão 3beta5 do Firefox na distribuição. A maioria das (diversas) extensões (add-ons) que utilizo ainda não foram portadas para o FF 3. Tá feio e desajeitado. Mas, claro, muito rápido.

Fichinha: minha máquina é um Athlon X2 (64bits), com 1gb de RAM e placa NVidia. Tenho discos externos, uma "redinha" NFS, pastas compartilhadas, e uso intensivo (e doentio) da Internet. Tudo funciona sem problemas (ou travas ou afins). Só um risco não corri: não pulei no REMIX (KDE 4) - sigo no 3.5. Pelo menos até a versão 4.1 daquele ambiente. Questão de juízo.

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No notebook eu seguia com o Kubuntu Feisty, 7.04. Ela tinha se mostrado um pouco mais estável que a 7.10. Mas, mesmo assim, eu não estava muito satisfeito. Então não pensei duas vezes ao programar uma instalação "do zero". A instalação (via CD) é muito rápida e sem dores. Só não pude experimentar o Wubi porque meu note não sabe o que é Windows há um bom tempo.

O resultado (feliz) é igualzinho ao que descrevi acima, então vou poupá-los. Só tem um probleminha: o Wireless demanda a instalação de um driver (Broadcom - blergh!). Ele deveria vir no CD. Como não vem, fui obrigado a colocar um cabo no note... Bobeirinha, né?

Fichinha: o note é um HP Pavillion dv6230br (quase Casas Bahia!). Tem um processador AMD Turion 64 (bits), 512mb (só!) de RAM e placa NVidia. Se você der uma olhada nos cubos, "wobbly windows" e outras frescurinhas (eye-candy) não acredita que a máquina tem (só!) 512mb de RAM.

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Resumindo: devagar e sempre! A família (K)Ubuntu caminha firme e forte. Já há quem critique o ciclo de atualização de 6 meses. Não concordo: o compromisso com a data (e a liberação de versões que terão suporte por tempo prolongado, como a "Hardy") é um diferencial da família. Um tipo de compromisso (e comprometimento) que faz muita falta em algumas empresas.

Fui usuário da versão 6.10. É muito visível a evolução da distribuição. O maior problema, em meu ponto de vista, é uma certa falta de criatividade. Não dá para usar o Mac OS e o Vista como referências (particularmente em aspectos de usabilidade e visuais). Precisamos de alguns saltos (que não dependem exclusivamente dos mantenedores da família), como reconhecimento de voz e escrita, por exemplo. Trata-se duma cobrança que estico para todo o universo Linux.

Mas, apesar de (MUITO) chato, escrevo pra quem quiser ler que sou um usuário muito satisfeito do Kubuntu. Ele valoriza meu tempo!

Revendo 2007

20 dezembro 2007

Há uma semana planejo este post. Ia se chamar "2007 bytes", e travei numa brincadeirinha boba: escrever um post com 2007 caracteres. Desisti. Agora meu temor é outro: que o resumo leve a crer que 2007 foi um ano "pequeno". Não foi. Mas foi um tanto estranho. E com mais decepções do que a média dos últimos 3 anos.

Uma decepção que não é minha mas é de muita gente atende pelo nome "Vista". Antes de experimentar o "(good) look and (bad) feel" do novo sistema operacional da MS eu já antecipava a decepção: seria o último de uma linhagem de SO's que não faz mais sentido. Gordo, lento, burocrático. Estranho é que o ano também não foi bom para a Apple. Seu "Leopardo", além do atraso microsoftiano, também apresenta vários problemas microsoftianos. Conseqüência do crescimento, falta de foco ou outra coisa? Sabe-se lá.

O fato é que o Linux nunca fez tanto sentido. Mais no confronto com o Windows do que com o MacOS. Mas, como sempre, o universo Linux tropeça. Não houve uma esperada consolidação de distros. Desperdiça-se muito esforço e tempo. O Ubuntu, com empurrões cada vez mais entusiasmados da Dell, consolida-se como a distribuição ideal para desktops e leigos. Mas ele também foi uma decepção.

Explico: meu desktop é Gutsy (7.10), a última versão. É Kubuntu. A evolução na performance e algumas coisinhas como conectividade e compatibilidade melhoraram bastante. Mas, se comparado com a versão do ano anterior (6.10), a evolução não é tão grande. Não há nada de realmente novo. Para piorar: meu note se recusou a rodar Gutsy. Problemas com a conexão wireless, Compiz e outros me fizeram voltar para o 7.04. Aproveitei o retorno e resolvi experimentar o Ubuntu. Tá uma maravilha, com cubos e altíssima performance numa máquina que tem só 512mb de RAM. Mas, voltando ao ponto: a consolidação de distribuições (umas 3 principais seria o número ideal) daria outro ritmo para o desenvolvimento do Linux. Minha lista? Ubuntu (desktop), Red Hat (servidor) e Mandriva (ambos). O resto não faria falta (né Novell?).

Outra grande decepção é o XO, o laptop que custaria US$100 da OLPC (One Laptop per Child). Não o produto, mas sua aceitação. Ontem rolou um leilão do governo federal e a Positivo largou na frente: com uma derivação do Classmate (Intel) que deve custar a bagatela de R$950. O orçamento para a aquisição de 150k maquininhas é a metade disso... Tem coisa muito errada no processo. Quem paga? A criançada e Pindorama.

Aliás, Pindorama é mesmo um caso sério. Nunca se vendeu tanto micro e notebook abaixo da linha do Equador. Movimento tão grandioso deveria gerar milhares de negócios periféricos. Escolas, oficinas e micro-empresas dos mais diversos tipos. Alguém viu? E o que esse povo todo está fazendo com tanto poder computacional? Orkutando e fofocando?

Sobre o movimento, outro causo que só pode acontecer em terras tupiniquins: Um grande varejista fugia do tal e-commerce como o demo corre da cruz. Aí, depois de vender toneladas de micros, reparou que podia estar transferindo clientes para sua concorrência mais antenada. Agora corre contra o tempo para ter uma "lojinha virtual". Sorte daquela turma de TI (ralando em época de festas) que o grande varejista pode mudar de mãos em breve. Deve ir para alguém que sabe e gosta de vender pela web.

Por falar em turma de TI ralando em tempo de festas... tem gente adorando o fim da CPMF. Equipes inteiras dedicadas a mudar em 15 dias aqueles belos e mastodônticos sistemas bancários. Run, Forrest, run! Faltam 10 dias e 10 horas... hehe.

Breve listinha com outras decepções:

  • Second Life: fez que veio, não veio e acabou fondo;
  • TV Digital: prova de que esse papo de "corta escopo e mantém o prazo" é um perigo. Pô, cadê 80% do escopo original?
  • Cisco / Mude: pô, cadê 80% do imposto original?
Pindorama encerra mais um ano insistindo numa estratégia "feijão com arroz" quando o assunto é exportação de produtos e serviços de TI. Representada por aquelas empresas que chamei de "Padocas de Periferia". O déficit na balança comercial passa de US$ 1 bi. Com a receita comprando licenças de MS Office (!) e outras bobeiras, até o final do governo Lula estaremos enviando toneladas de soja e óleo e batatas para pagar caixinhas impagáveis. É o fim?

Talvez não. No post sobre "2008" eu volto ao tema. Mas o fato é que a gente, num esquema bem Martinho ("devagar, devagarinho"), tá aprendendo a criar boutiques. O Boo-box é um belo exemplo. A Castle Stronghold também. O P3D apareceu até na última Exame. Temos boas idéias. Grana boa também. Falta o último empurrão. Aposto nele começando em 2008.

Se inspirando nos melhores exemplos de 2007:

A Google segue seu ritmo. Ações a US$670 (3.4 salários mínimos tupiquins). Fidelidade ao seu "business": propaganda. E passos certeiros: Vídeo, celular... Onde a Google vai parar? Existe alguém para parar a Google? A questão mais importante (para nós tupiniquins) deveria ser outra: o que podemos aprender com o maior fenônemo do século?

Do outro melhor exemplo (inspirador) de 2007 vou colocar só um ícone (a IMAGEM DO ANO):

Pirataria Burra

23 novembro 2007

Minha terrinha, Varginha (que adora diminutivos e redutores), passa por uma fase bem "braba" ultimamente: Traficantezinho preso no rio; Porto Seco repleto de mãos molhadas; VEC classificando de raspão para a 2ª fase da terceirona; e um combate bem "retumbante" contra a pirataria.

Primeiro sumiram os camelôs repletos de CD's e DVD's "não-católicos". Esta semana foi a vez das lan-houses. Varginha vive de modinhas, e a última é "lan-house". A maioria não merece uma visita, não oferece o mínimo. Mas parece que todas receberam uma visitinha da polícia (ABES-like). Quase todas se finaram. Quase todas eram municiadas por cópias do Windows não aprovadas por Tio Bill. Duvido que alguma tenha grana para pagar a leve multa. Ou seja, Varginha deve perder 90% de suas "casas de rede".



Êta povo besta! 70% dos frequentadores dessas casas vão lá para ler emails, fofocar no Orkut ou "messenger" (sic), e navegar meio sem rumo. Pequena parte deles utiliza o Office (leia-se Word). Como o cara tem coragem de funcionar em público com cópias piratas? Deve pensar assim: "ah.. Vga é uma cidade pequena.. ninguém liga..". Meus caros, o braço da opressão é mais longo que a língua de suas lavadeiras!

Creio que poucos deles teriam grana para montar uma "lan-house" 100% correta (aliás, existe negócio 100% correto? No Brasil?!?). Torram R$ 12k em 10 micros. Não teriam coragem de torrar uns R$ 15k em software, né? R$ 15k porque as opções baratas não servem. Por exemplo, o Windows "Casas Bahia" (aka "Starter Edition") não roda em rede! Como montar uma "lan-house" com um SO que não entende redes? hehe.. A MS é míope que dói. Se tivesse um marketing verdadeiramente tropicalizado, teria detectado a "janela de oportunidade" e lançado um belo pacotão de licenças para micro-empresários. Mas é esperar demais da empresa do Tio Bill, né? Suas preocupações são outras. Não sei quais são, mas são outras.

Então, a melhor alternativa para "micro-lan-houses" é um pacotinho tipo Ubuntu. Garanto que atenderia aqueles 70%. Garanto que, configurando direitinho, o usuário saberia que não está usando o Windows. Aliás, a maioria ia gostar muito da experiência.

Mas quem tem muita pressa parece não ter muito tempo pra pensar. E pega atalhos como cópias piratas de WinXP. Que tristeza...

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Questão #1: Queria muito ver esse tipo de "batida" nas lan-houses de Sampa. Duvido que 20% delas esteja "100% correta". Mas em Sampa deve rolar outras coisas... Aliás, quanto maior o mecanismo de opressão, maior o número de corruptos. Matemática simples. Mas seguiremos fazendo a conta burra de quem não olha para a "esquerda".

Questão #2: Burra! Conta burra! Pirataria Burra?!?! Uai PV, existe Pirataria Inteligente? Oras, claro que sim. Por exemplo, se você for agora em meu perfil na Last.fm, verá que estou ouvindo "In Rainbows", do Radiohead. (Ainda) não paguei nada por ele. Não pagaria nada pelos 3 últimos CD's dos caras. Então, estou conhecendo. E, sinceramente, gostando. Parece que o Yorke esqueceu a mania de ser o cara mais esquisito do mundo. E voltou a fazer um pop-rock agradável. Muito brit-pop, mas agradável. Então devo mandar uns US$ 10 pros caras. Mas, lembrem-se, tudo começou com uma pirataria inteligente!

Neste exato momento estou atualizando meu desktop: Kubuntu 7.10, "Gutsy Gibbon" para os chegados. Ele saiu na última quinta, 18/out. Não deveria mexer com isso hoje, mas na mesma quinta um acidente não identificado em nossa pelada semanal deixou minha coluna em forma de "C". Perco o final de semana mas não perco a piada: adianto o trampo do upgrade e aproveito para falar um pouco sobre sistemas operacionais (SO's) aqui no Graffiti. Pode não parecer, mas muita coisa importante está acontecendo. O tipo de coisa que estourará (para o bem ou para o mal) dentro de 2 ou 3 anos.

Ainda não posso falar muito sobre o "Gutsy" (está em 15% do processo de atualização). Mas o Adrian Kingsley-Hughes, da ZDNet, já adiantou um comprometedor veredicto: "Um SO doce". Doce?!? Nunca vi ninguém chamar um SO de "sweet".. hehe. Oportunamente comento os avanços (performance, novas aplicações (novo gerenciador de arquivos), busca (!) e um monte de etc, particularmente na versão Server).

Dica: se você precisa atualizar mais de uma máquina, economize banda e energia. Baixe o CD da versão Alternate. Se fizesse a atualização recomendada (100% pela Internet) teria que baixar 930mb para cada máquina. Usando o CD, a gente só precisa baixar 300 e poucos mb para cada máquina.

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Mas eu quero mesmo é aproveitar a oportunidade (e o tempo livre) para falar dos outros SO's, dos dois players principais (MS e Apple, meus dois amores) e a turminha que corre atrás deles.

Tudo indica que a MS resolveu começar a aprender. Caiu a ficha: o Vista beira o limite do impossível. Imenso, truculento e mal educado, em pouco tempo será lembrado como o megalomaníaco-depressivo construído sobre uma arquitetura macarrônica. Então a MS já começa a falar em simplificação, no MinWin e no Singularity. Este último ainda está mais para sci-fi do que para produto. Mas o MinWin é coisa séria: envolve uns 200 desenvolvedores e é a primeira versão miniaturizada do Kernel do Windows.

Para se ter uma idéia: enquanto o Vista ocupa 4gb em disco, com seus 5 mil e tantos arquivos, o MinWin tem só uns 100 arquivos que gastam cerca de 25mb de espaço. Calma, não estou pretendendo que o MinWin seja um SO completo. Mas os números são bastante ilustrativos. Qual a idéia? O próximo Windows, o "Sete Pecados", deve se basear no kernel pós-spa. A MS sinaliza uma mudança radical na forma como vê SO's. Se a MS não fosse uma empresa tão religiosa, teria como plano "B" o uso do Kernel do Linux. E criaria uma "casca" (interface gráfica e todos os outros serviços) que rodasse sem dor em ambas as plataformas. Mas seria pedir demais de Redmond. Enquanto isso...

A Apple Desaprende

Ou aprende com o professor errado: cronograma atrasado, vaporware (promessas não realizadas), obsessão pela propriedade intelectual... Coisinhas que caracterizam a MS agora estão virando norma na Apple. Junte-se a isso a mudança para a plataforma Intel e o tal Boot Camp (que permite a execução do Windows em Macs). Qual é a de Cupertino?

A Apple sempre se caracterizou por inovação e por oferecer soluções completas (Máquina + SO proprietário, iPod + iTunes...). Quando deixa de atender expectativas, abre flancos. Ok, a Apple quer aumentar o número de clientes. Mas o preço é se transformar numa cópia da MS? Se sim, ela falhará. O mundo não tem espaço para duas microsofts. Enquanto isso...

A Peãozada se Move (com passos de cágado)

Com a família Ubuntu com algumas posições de vantagem. Mas as outras distribuições Linux, principalmente Red Hat e OpenSuse, também seguem abrindo seu espaço e aumentando o faturamento. No entanto, ao contrário de MS e Apple, ninguém no universo do Software Livre sinaliza com uma nova estratégia. Ok, Dell, Lenovo e HP abriram seus olhos para o Ubuntu. Mas estão só pegando carona na onda - não estão desenvolvendo novos modelos de negócio. Aliás, pecam até na hora de colocar preço nos brinquedinhos. Uma pena.

Pior ainda é a sensação de que nenhum outro mercado surgiu em torno do mundo Linux, particularmente do Ubuntu. Cadê as ofertas de cursos, cadê as empresas de serviços?

Cada visitante que recebo aqui em casa se transforma num novo usuário do Kubuntu. Ninguém resiste. O último, que pintou por aqui no feriadão, foi o Zacha. Na terça ele já estava com o Kubuntu instalado. E olha que o cara morre de amores pela MS. Se o produto tem todo esse potencial, ele se vende, por que não tem mais gente tirando proveito? Realmente não dá para entender.

Assim como não dá pra adivinhar como estará o mercado em 2 ou 3 anos. Só tenho uma certeza: se eu continuar entortando assim, viro um "e".

graffiare #443

06 outubro 2007





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O Vista atrasou uns 3 anos. O Leopard (Mac OS X) está com meses de atraso. Enquanto isso, a família Ubuntu segue cumprindo religiosamente seus cronogramas. A cada 6 meses uma nova edição. Simples assim. Transparente assim. Provocador assim: com contagem regressiva!

OO: Peso Pesado

05 outubro 2007

Minhas instalações do Kubuntu Feisty Fawn (7.04) são novíssimas - ambas para o amd64. Como já cansei de falar, voam baixo. Com 512mb ou 1gb de RAM, ainda não conheci seu limite. Chego a ter mais de 10 aplicações abertas simultaneamente - algo como: EPF Composer, Firefox, OpenOffice, Amarok, Gimp... ou seja, só coisa muito pesada mesmo. Ah, e eu não sei mais trabalhar sem o Beryl. Mas as máquinas parecem funcionar "com um pé nas costas". Show! Mas tem uma coisinha estranha acontecendo.



É a segunda vez em pouco mais de um mês que sai uma atualização do OpenOffice. Saca só: 73 mb de download! Ou seja, uns 150mb em pouquíssimo tempo. Não busquei o site oficial para entender os updates. Mas o que justificaria uma atualização total da suite? O pior é que, na atualização anterior, não consegui notar nada de diferente. Ou seja, os caras devem estar corrigindo bugs e afins. Estranho, muito estranho.

Vou dar um chute, considerando todas as atualizações do Kubuntu: se alguém instalar hoje a versão original (7.04), terá que baixar algo entre 200mb e 300mb para ter a máquina up-to-date. É muita coisa.

Bom, mas pelo menos o processo é transparente e totalmente administrável pelo usuário. Não tem coisinhas escondidas nem bugs em cascata como ocorre em outras plataformas.

Ele também não costuma fazer parte dos planos estratégicos de empresas míopes. Por isso, com um certo (e merecido) chororô, a prensa estadunidense vai dizendo "bye bye" para a SCO.

David Berlind, da ZDNet, brincou com "SEs": SE a SCO não caisse no conto da IP (Propriedade Intelectual); SE a SCO, ao invés de brigar com o Linux, tivesse aproveitado a onda; SE a SCO e a Canonical (Ubuntu) tivessem trabalhado juntas.. Como eu disse, "SE" não joga. E o Berlind omitiu o principal "SE": SE a SCO não tivesse aceitado aquela grana da MS...

Mas, de uma forma até meio melancólica, a SCO se vai. Muitos que trupicam aqui no Graffiti não têm a menor idéia de quem foi a SCO (antigamente, Santa Cruz Operation). Lá em meados dos anos 80 ela tinha o melhor Unix para a plataforma Intel. Representava, sem dúvida, a melhor alternativa de SO para plataforma baixa. A Novell até arriscou um rival de respeito, o Unixware, mas também não soube brigar.

Foi uma época de grandes decisões, como a que vivemos agora. A MS tinha o DOS e uma sacanagem na manga (driblar a IBM - de novo!). A IBM tinha o OS/2 e muita ingenuidade. A Novell tinha o Netware e nenhuma visão. A SCO, sem a grana das outras, tinha um produto muito promissor. Era multiusuário e multitarefa de verdade, rodava em máquinas menos parrudas, se integrava sem muita dor com plataformas superiores (leia-se mainframe e supermicros - equipamentos de médio porte dotados de CPU's Motorola (mesma linha que equipou os Macs por um bom tempo) e variações do Unix). Aí a MS usou aquela carta que tava na manga... o resto da história todo mundo sabe.

No meio do resto da história que todo mundo sabe, a SCO negou seu passado de inovação e aceitou virar uma laranja californiana. Cheia de agrotóxicos. Era de se esperar que ela despencasse do pé. Bem podre.

Short Cuts

18 setembro 2007

Para quem não sabe, é assim que o Graffiti tira o atraso: com rapidinhas. Vamos lá (a semana até que foi razoável):

Torço para não ter entendido nada mas, se entendi direito, o WU (Windows Update) fuça na sua máquina independente de sua vontade. Mais trampo para a área que mais trabalha em Redmond: Relações Públicas. "A gente entende que precisa ser mais transparente". Hehe.. Nunca na atual administração. Transparência quebraria a firma do Bill.

Por falar em quebradeira, o parceiro-tácito acaba de pedir um tipo de concordata. Abandonado, surrado, desprezado, humilhado e agora quebrado. Parece a história do Timão com a MSI. Mudam os atores, mas o enredo é idêntico! Tomara que, pelo menos aqui, alguém pare na cadeia.

Outro parceiro-tácito anda prestando excelentes serviços para a MS. Quero crer que seja sem querer, mas a Dell tá ferrando com o Ubuntu. Queimei a língua. Mas seguirei insistindo no modelo: só a distribuição em massa (promovida por um SÉRIO vendedor de ferro), pode levar o Linux para outro patamar (comercial). Lenovo? HP? Positivo e CCE? hmm...

A Sun tá fora - virou parceiro-explícito! Imagina, a Sun vendendo Windows! Outro engano meu: juro que um dia acreditei que o Schwartz era sério. Dá um belo tiro no pé e desagrada toda a comunidade Solaris (que, pensando bem, não é lá essas coisas).

Casório mais estranho é aquele da Google com a Cap Gemini. Os últimos, não tem muito tempo, treinavam parceiros-explícitos da MS. Traição pequena é bobagem: agora ajudam a Google a vender um "complemento do Office". Quem caiu no papo do "complemento" não entendeu nada. A MS entendeu.

Agora pegando leve, para relaxar e encerrar. E aqui passo a bola para as meninas, imbatíveis. A blogosfera tupiniquim tem duas feras. Viciei no Favoritos, da Luiza Voll. Funciona melhor que o StumbleUpon! Apesar daqueles posts bem "clube da Luluzinha". E a coleguinha Lu Schmoeler, do Blog.MacMagazine, deu uma agradável aula sobre o símbolo da Apple. Provas definitivas de que aquela campanha do Estadão (contra blogs e blogueiros) já pode ser considerada a maior varada n'água de 2007!

Belo slogan do Linspire, que promete ser o Linux mais amigável do mercado. Sabe onde ele começa? Usando o Ubuntu! Sabe onde ele termina? Com outro acordo draconiano com a MS.

Pamela "Groklaw" Jones resume bem todos os 'direitos' dos usuários Linspire após o acordo com a MS
:

Don't think.
Don't modify.
Don't share.
Don't explore.
Don't improve.
Don't innovate.
Don't distribute.
Don't sublicense.
Don't do "unauthorized" things.
Don't do nuttin' or you might get sued.



Wow (10x)! Não é só marketing viral. Não é só inovação. Nem uma provocação (graffiare) apenas. Na linha "PopSexyCool" para conquista de mercados (leia-se "Propagação d'um Conceito"), a Tribo Ubuntu pega na veia. Marketing brutal!


Tks Nelson pela dica. Maiores detalhes na Tribo ou em Terramel.

graffiare #428

10 julho 2007



A MS falou, a MS avisou:

Note: This is the desktop version of Ubuntu. Ubuntu is a community developed operating system that is perfect for laptops, desktops, and servers. Whether you use it at home, at school or at work Ubuntu contains all the applications you'll ever need, from word processing and e-mail applications, to Web server software and programming tools. Ubuntu is and always will be free of charge. You do not pay any licensing fees. You can download, use and share Ubuntu with your friends, family, school or business for absolutely nothing.Version 7.04, named "Feisty Fawn," adds the Ubuntu Studio, a multimedia editing and production suite, to the distribution.


A empresa da piada pronta fica cada vez mais gozada...

É o que está dizendo o Adrian Kingsley-Hughes (que logo logo vai merecer um apelido), da ZDNet. Uma de suas grandes preocupações (devidamente tropicalizadas): "Noooossa, mas o Ubuntu da Dell não vai tocar MP3, MPEG, WMA, Quicktime..."

Tsc, tsc. Como um paciente leitor do Adrian lembrou, bastam 3 cliques no Ubuntu (7.04 - Feisty Fawn), para que você instale codecs "proprietários". O mesmo vale para drivers não abertos, como os da NVidia, por exemplo. Ou seja, o Adrian não sabe do que está falando. Ou tá fazendo muita força contra. É o que parece, quando sugere que as maquininhas tenham um estranho tipo de backup: instalação automática do Vista?!?! hehe... Como o Carrol(chinha), o Adrian deve tá querendo entrar na folha de pagtos de uma empresa de Redmond. Vai levar um belo apelido, de lambuja.

Agora uma breve explicação sobre a atitude da Dell: ela não é boba nem nada. Com tanta bobagem em torno de patentes e copyrights, lógico que ela não vai "colocar o dela na reta". Mesmo que os riscos pareçam insignificantes. Dependendo do estrago, ela sabe que pode atrair muitos "sentimentos ruins". É só por isso que MP3 e outros formatinhos e drivers não serão distribuídos no pacote padrão. Como, aliás, não o são no pacote padrão do Ubuntu.

De toda a história, só resta uma questão que pode detonar a iniciativa da Dell: o preço.

As questões técnicas estão muito bem resolvidas. Aliás, o Ubuntu 7.04 merece uma série de posts só para ele. Quanta estabilidade! Que performance animal!! E o tanto que fica chique e charmoso com o Beryl!!! Acho que não gostava tanto assim de um SO desde os tempos do OS/2... ou do CP/M...

É o que diz Mark Shuttleworth, criador do Ubuntu, em seu blog. E explica: "A cada novo lançamento de software, a Microsoft se arrisca a pisar nessas minas terrestres, que são as patentes. Cada uma delas representa um potencial processo". Bill já tinha falado sobre isso há muito tempo. Por isso a coisa toda parece uma guerra fria mesmo. Independente do lado que lance o primeiro míssil (segundo Mark, é mais provável que eles saiam de pequenas empresas 'inventivas'), todos perderão.

É por isso que Mark, algumas boas cabeças da Europa, e também os extremistas do Universo do Software Livre se unem para brigar pela única solução possível: o fim das patentes de software. Queria muito que o tio Bill entrasse nesta briga também, antes de se aposentar. Ele sabe que, no final das contas, só tem a perder com essa história de patentes.



Sigo acreditando que a iniciativa da Dell será um marco importante na história do Software Livre e do Linux em particular. Pelo esforço que a Dell está dedicando, não restam dúvidas de que ela realmente acredita na viabilidade deste mercado que ela 'redescobre'. Já merece destaque um dos primeiros efeitos colaterais: fabricantes de periféricos estão sendo 'convidados' pela Dell para desenvolver ou melhorar os drivers open source.

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Adrian Kingsley-Hughes, da ZDNet, lista hoje 5 coisinhas "cruciais" que a comunidade Linux não entenderia sobre os "usuários médios". Meus pitacos (em cima da listinha do Adrian):
  1. No geral, os usuários não estão assim tão insatisfeitos com o Windows: realmente. Mas existe alguma pesquisa que diga o nível de insatisfação? Usuários corporativos não têm alternativas: usam o que a empresa fornece. Os usuários caseiros "médios" conhecem (ou podem adquirir) alternativas? Dedico os parênteses para a Apple. E acho que a iniciativa da Dell começa a mexer um pouco nesta questão.

  2. Muitas Distribuições: ou seja, muitas opções. Concordo, elas criam uma certa confusão. O que precisa ser entendido é que elas são necessárias. É mais fácil extrair qualidade de uma grande quantidade. Outra conseqüência positiva da amplitude de ofertas: Concorrência! Boas idéias brotam de vários lugares. Pelo espírito da comunidade, elas são compartilhadas, copiadas, melhoradas. Inovação boa e relativamente barata. Para o usuário médio não existirão mais do que 3 ou 4 alternativas. É questão de maturidade. E o Ubuntu larga com considerável vantagem.

  3. As Pessoas querem garantia de que software e hardware trabalharão bem em conjunto: será que o Adrian acha mesmo que a Comunidade Linux não sabe disso? Será que ele percebe a má vontade de grande parte dos fornecedores de hardware? Bom, de qualquer maneira, o casal Dell+Ubuntu começa a colocar um ponto final nesta questão.

  4. Linhas de Comando - o terrível Terminal: tenho mais de 6 meses de Kubuntu. Vez ou outra, guiado por dicas encontradas em fóruns de discussão, optei pela linha de comandos. Ciente de que, na maioria das vezes, existia uma opção "gráfica". Um usuário médio, tenho certeza, nunca precisará do temido terminal. Faltam melhores livros (que ignorem as linhas de comando) e usuários "helpers" que entendam que essa é realmente uma questão que afasta usuários "médios".

  5. O Linux é muito "geeky": pois é, e nunca deixará de ser. Cada produto tem, de certa forma, a cara do dono, não? Isso deixa de ser problema quando surgem opções como o Ubuntu. Uma opção que não condena outras distros, voltadas para os usuários "acima da média".

Lista meio bobinha, mas ajuda na discussão. O maior problema é que o Adrian não cita aquela que é, IMHO, a principal questão a ser debatida na comunidade: revolucionar a forma como usamos os computadores. Parar de copiar o 'look & feel' de Wins e Macs, e propor novas formas de manuseio. Que sejam incrivelmente mais fáceis e naturais. Seria um estouro.

Continuação de "SOOS :: Arquitetura, Serviços e Grana", que é parte da série "Fumaça, Fogo e Fogaréu".

Em 18/jan eu pedi uma semana para encerrar esta série. Estiquei um pouco a saborosa pesquisa (sci-fi na véia veia) e a história quase caiu no esquecimento. Quando estava quase terminando a faxina radical em minhas gavetas, apareceu o pobre SOOS, com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança. Lógico que eu preciso tentar dar um final digno para a séria série. Tentarei hoje, comemorando os 3 anos de vida do
Graffiti.

Criativa foto de Steve Jurvetson.

Todas as outras partes desta série falaram mais da arquitetura, dos fundamentos do SO do século XXI. Ficou para agora, o último capítulo, a única porção do SOOS que interagirá diretamente com a gente. E as mudanças, em relação ao cenário atual, devem ou deveriam ser drásticas.

Há quanto tempo estamos limitados ao teclado e ao mouse? Mais de vinte anos*! Vinte anos, no mundo da tecnologia, é uma vida inteira. Vimos nascer os processadores de 32 e 64 bits. Os monitores ficaram fininhos e ecologicamente corretos. Os celulares ficarão mínimos em tamanho e bonitinhos. A Web apareceu para mudar tudo. Mas seguimos limitados ao teclado e ao mouse.

Eu sei, a IBM (com o ViaVoice) e mais recentemente a MS fizeram alguns avanços no campo do reconhecimento de voz. Mas é muito pouco. Já era para a gente estar conversando com nossas máquinas há muito tempo. Eu disse *conversando*, e não apenas falando. Ou seja, não basta que as máquinas ouçam. Faz todo o sentido que elas respondam da mesma forma. Seria o mesmo protocolo e a mesma língua, certo?

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Em 1968, há quase 40 anos, nós conhecemos o HAL 9000. Ele era o protagonista (?) de "2001", uma das obras-primas do Kubrick. Tão significativo que Arthur C. Clarke esperou o filme ficar pronto para encerrar seu livro. HAL conversava com seus usuários. E enxergava tudo que ocorria em seu ambiente (no caso, uma nave espacial). Vamos desconsiderar o lado mau (persistente?) do HAL. O fato é que a interação com ele é muito natural.

HAL ganhou uma espécie de 'irmã' no filme "Alien", de Ridley Scott. Estamos em 1978. A interface era muito semelhante. E seus usuários a chamavam de "Mãe". Estranho, mas depois disso, de certa forma, os computadores perderam um pouco de inteligência e de charme. Em 1982, em "Blade Runner" do mesmo Ridley, um computadorzinho especialista limita-se a ouvir os comandos de Harrison Ford. É especializado em análise de imagens. Um tipo de scanner vitaminado. E a história se passa em 2019.

Sci-fi fica em baixa por uns tempos. Saltamos diretamente para 1999, para "The Matrix". Fica difícil falar sobre interação aqui. Afinal, Matrix é um universo todo. E as poucas interfaces que aparecem são meramente decorativas. Ou alguém acredita na usabilidade / legibilidade daqueles caracteres de fósforo verde que despencam na tela? Como dica cultural, fica o seguinte: uma das melhores coisas de Matrix é "Animatrix". "O Recorde Mundial" e "Uma História de Detetive", dois de seus 'programas', contribuem mais para a saga do que qualquer uma das duas seqüências que foram filmadas.

Finalmente chegamos em 2002, ano do lançamento de "Minority Report", de Steven Spielberg. De todos, foi o único que envolveu cientistas de verdade. Spielberg promoveu uma gigantesca sessão de "toró de parpite" (aka Brainstorming) com vários especialistas para tentar projetar como seria o mundo em 2054. Os jornais recebem notícias em tempo real. As vitrines conversam com clientes em potencial. A metrópole se transforma num imenso Big Brother: todo mundo é vigiado e rastreado. Mas, na hora de manipular um micro, Tom Cruise parece estar fazendo algum tipo de malabarismo!?! Com o auxílio de umas feias luvas, ele arrasta janelas, minimiza-as, dá zoom. Será o nosso futuro tão horripilante? Será que os especialistas em usabilidade que ele chamou são os projetistas do Aero 3.0? (hehe.. brincadeirinha...)

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Como fiz em todas as partes desta série, vou surrupiar alguns trechos de "A Vida Digital", livro que Nicholas "XO-1" Negroponte lançou em 1995:

Trinta anos atrás, usar um computador, assim como dirigir um módulo lunar, era coisa para poucos versados na parafernália necessária para pilotar essas máquinas, às vezes com o auxílio de linguagens primitivas ou linguagem nenhuma (apenas interruptores e luzes piscando). Na minha opinião, havia um esforço subconsciente de manutenção do mistério, como o monopólio dos monges ou algum bizarro rito religioso da Idade das Trevas.
Estamos pagando por isso até hoje.

...

As futuras interfaces homem-computador serão baseadas na delegação de tarefas, e não no vernáculo da manipulação direta - menus que descem, pipocam, cliques - e do comando por mouse. A 'facilidade de uso' tem constituído uma meta tão obrigatória que, às vezes, nos esquecemos de que muitas pessoas simplesmente não querem usar a máquina: querem que ela desempenhe uma tarefa.
Não tenho dúvidas, o SOOS será o primeiro a romper com a idade das trevas-dos-cliques-menus-e-travas. Ainda que um teclado e um mouse estejam disponíveis para quem quiser usar. O próprio Negroponte diz, "não há solução 'melhor' no desenho de interfaces". Ou seja, o SOOS será multi-caras e multi-modos.

Quando estou deitado na rede, folheando a Wired, não quero clicar num controle remoto para o Amarok (ou iPod) mudar de Beth Orton para Aimee Mann. Deveria bastar uma breve *ordem*. Falada. Se não tiver entendido, o SOOS pergunta: "Aimee Mann ou Pearl Jam?". Sacana... "Então toca 'Black' e depois vai direto para 'The Forgotten Arm', ok?"

Ninguém mais se lembra, mas o SOOS não seria uma exclusividade dos computadores. TVs, celulares, media players, liquidificadores**, automóveis... O SOOS - que não é um monopólio e sim uma plataforma comum e ABERTA - estaria em tudo.

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Há poucos dias eu comentei que só faltam duas coisinhas para o Ubuntu (ou qualquer distro Linux decente) cair no gosto das massas: distribuição e uma revolução em termos de usabilidade. O primeiro desafio começou a ser vencido, com o acordo assinado com a Dell. Era o mais fácil.

Chegou a hora de desafiar a mesmice dos cliques e menus (que pipocam). Aero, Exposè, Beryl e Compiz são bonitinhos, mas não têm nada a ver com os verdadeiros desafios. Que nossos novos cientistas saibam ignorar as bobeirinhas de "Minority Report" e "Matrix", e consigam nos dar um HAL 'do bem'.

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* O primeiro mouse foi patenteado pela Xerox no dia 17/nov/1970!! Sua primeira versão comercial foi lançada em 1981. Mas foi Steve Jobs, com o primeiro Mac, que popularizou o brinquedinho.

** Liquidificadores sempre aparecem em meus exemplos. É que Varginha é o maior fabricante mundial. Não tem nem pra China! Só que eles ainda não saem de fábrica com o SOOS... tsc, tsc...

A Red Hat ajudou no desenvolvimento do OLPC (One Laptop per Child), também conhecido como XO-1. Pensou um pouquinho e reparou que o brinquedinho, devidamente trabalhado, poderia se converter numa boa alternativa para empresas. Fez brotar então o seu Global Desktop. Strange bedfellow de 1ª hora: Intel! (Chateadinha com o fato do Vista rodar melhor em AMD's?)

Lógico que a Red Hat corre atrás de "diferenciação". O Ubuntu, e todo o barulho que ele faz, estão incomodando bastante. Aliás, sua derivação para o mundo da Educação, o Edubuntu, configura-se uma boa alternativa ao XO-1. Uma vantagem nítida: ele roda em máquinas velhas, com 128Mb de RAM, por exemplo. Ou seja: um governo esperto (e inteligente) lança uma campanha para receber doações de micros que estão sendo abandonados por pessoas físicas e jurídicas. Micro velho = lixo ruim. Dando um 'tapa' neles (uma limpezinha e uns apertos em conectores), e instalando o Edubuntu, o governo pode equipar diversas escolas. Mata um monte de coelho com apenas uma iniciativa. E não precisa pagar os US$ 100 e poucos do XO-1. Lógico, não vai ter micro pra todo mundo. Aí entraria o XO-1. Aliás, eu faria a seguinte divisão: XO-1 para crianças entre 5 e 10 anos de idade. Edubuntu para todos os outros. E Windows de 3 contos para todas as crianças dos EUA. Tio Bill poderia começar pelas escolas de New Orleans. Tks Tio Bill, mas o 3º mundo não vai mandar mais US$ 15 bilhões para a sua conta. (Explico: ele tá falando em "vender" 5 bilhões de "licenças" do Windows de 3 contos. É tão bem intencionado que dá dó...)



Voltando para os 'roadmaps' cruzados. A Red Hat também atacou a Novell: vai colocar seu Linux nos mainframes da IBM! Porque será que a IBM não gosta mais da Novell-SuSE? Será que o acordo MS-Novell tem algo a ver com isso?

Pra encerrar com o Chapeuzinho Vermelho: o Red Hat Exchange é uma idéia muito legal. Promissora.

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E pensar que tinha gente que falava que o Linux era ruim para o capitalismo, que ele acabaria com "concorrências". Que era coisa de "comunistas modernos"... tsc, tsc. Moderna é a LÓGICA!

E a foto é da minha mais assídua colaboradora, a Tanakawho. Se ela soubesse. E se um dia eu conseguisse retribuir sua generosidade. Ela tem fotos impressionantes no Flickr (3565 hoje), todas liberadas sob licença Creative Commons (by). Pede só 'by' (atribuição)!

Free Me

09 maio 2007

Escolheu o Ubuntu para equipar seus desktops? Linda, maravilhosa, astuta Dell!

Pega carona na "parceria" MS-Novell?!?! Que que deu na Dell?

Tucanô. Só que vida em cima de muro é curta.
Que o digam Sun, Geraldo, SCO, Novell, Humpty Dumpty...