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Inchado, Imenso e Assustador

23 setembro 2009

Foi assim, de maneira nada sutil, que Linus Torvalds qualificou seu filho único, o Linux. Filhote que no último dia 26/ago atingiu a maioridade, fez 18 anos. Deve ser muito triste para um criador reconhecer que sua obra prima sofre d'um tipo de 'obesidade mórbida'.


Mas já tem uns 5 ou 6 anos que esse destino começou a ser traçado. Na luta por fazer vingar um "Desktop Linux", grande parte da comunidade mirou equivocadamente uma única referência: o Windows. Exemplo ruim gera comportamento ruim.

Linus não falou, mas bem que ele poderia ter apontado o dedo para Ubuntu (Canonical), SUSE (Novell) e outras dezenas de distros que fizeram de tudo, menos um trabalho realmente criativo.

Há anos sou um usuário relativamente satisfeito do Ubuntu (no laptop) e Kubuntu (no desktop). Muito mais satisfeito do que era com XP e Vista. Mas a questão não é essa.

O mundo mudou faz um tempão e nada mais justifica sistemas operacionais mastodônticos. O Windows nunca deveria servir de referência porque ele sofre de um mal aparentemente incurável: a obrigação de manter compatibilidade retroativa até com seus bisavós (Win 3.1 e afins).

A questão é também filosófica: a MS segue apostando várias fichas em desktops e laptops rechonchudos, apesar do mundo apontar para a nuvem e dizer: "Que beleza!".

O Linux nasceu para ser pequeno e performático. Estes eram dois de seus principais requisitos. Em algum momento eles foram esquecidos pela comunidade. O que fazer agora?

Acho que Linus deu um grito de alerta. Ele deveria ser ouvido. Há uma nova e boa referência vindo por aí, o sistema operacional da Google. Todo mundo que tem uma distribuição Linux deveria prestar bastante atenção nele. Não tenho dúvidas de que ele vai chacoalhar bem o mercado.

Outro item em minha "lista de desejos" é a drástica redução no número de distros. Fusões & aquisições, além de simples sumiços, serão festejados. Quero acreditar que ainda não é tarde demais.

Toda vez que algum serviço da Google apresenta problemas aparece um monte de gente questionando a "computação na nuvem". Um usuário, na página de suporte do GMail, usou o termo "irritante" para tratar da indisponibilidade do serviço que aconteceu ontem. E chega a sugerir que todos pensem bem antes de usar os serviços daquela empresa, em modalidade gratuita ou paga.


Também fui afetado. E fiquei bem mais de 2 horas sem acesso ao meu email. É "irritante"? Sim, mas calma lá...

Alguém aí tem a ilusão de um dia ter um serviço "em nuvem" que tenha 100% de disponibilidade?

Pare e pense em todas as variáveis envolvidas: seu provedor de acesso; zilhões de cabos; interferências; centenas de milhares de servidores; milhares de desenvolvedores; energia elétrica! e um tantão de etc.

Sinceramente, acho os serviços da Google estáveis pra caramba. Muito além de minhas expectativas. E olha que utilizo vários: o Blogger aqui, Docs, GMail (para todas as minhas contas), busca... Chute: todos apresentam uma disponibilidade acima de 99,95%. Número absurdo! Muito maior do que eu vejo em várias empresas e seus sistemas "terrestres" (bom antônimo para "nuvem", concorda?).

Cara, se você se "irrita" com uma ou duas horinhas de liberdade (sem email, twitter e afins), então esse mundo não é pra ti. Você vai morrer cedo! Quer 100% de disponibilidade? Então vai fabricar cubos de gelo na Antártica! Mas corre... pq dizem que até ela vai derreter...

Revendo 2008 / Prevendo 2009

23 dezembro 2008

Não sei porque insisto em publicar minhas "previsões" todo final de ano. Previsões com aspas porque a grande maioria é mais uma lista de desejos do que qualquer outra coisa. Cansei de "prever" a queda do Ballmer e a aquisição da Adobe pela Apple. Cansei de pedir um movimento de consolidação das distros Linux. Cansei de imaginar a aquisição do Yahoo pela MS. Ou seja, cansei de dar varada n'água. Se acertei um chute no final de 2007 foi apenas a crise financeira. Meio acerto, porque achava que só o hemisfério norte sofreria com a recessão nos EUA. A crise é bem maior do que eu esperava. E ela muda muita coisa.

Analistas estão falando que TI, apesar de tudo, crescerá no mundo todo. Algo em torno do dobro do PIB de cada nação. Não sei se são irônicos ou bobinhos: quanto é o dobro de zero? Porque zero será o crescimento médio do primeiro mundo, EUA e UE.

O PIB de Pindorama, apesar do Meirelles, deve ficar mesmo entre 3% e 4%. Então nossa turma de TI pode trabalhar com números entre 6% e 8% de crescimento. Pode? Não acredito.

O perfil da maioria de nossas médias e grandes empresas, quando o assunto é TI, é muito conservador. Em tempos de crise então, espere racionamento até no "feijão com arroz". Esqueça upgrades e projetos big bang. 90% do orçamento de TI irá exclusivamente para manutenção. E os 10% restantes formarão uma "poupancinha"... grana que só será gasta lá no final de 2009, se tudo estiver "sob controle".

Pouquíssimos fornecedores têm chance de ganhar alguma coisa neste tipo de cenário. Só 5 letrinhas pintaram na memória: IBM e HP, necessariamente nesta ordem. MS, Dell, Lenovo, Sun e afins são aquelas que mais perdem. Sem upgrades a vista (sem trocadilhos), é de se esperar quedas em receitas de até 50%. Tô brincando não.

Tanto que até me animei a um novo chute do tipo "quem come quem": a Cisco, para quem a crise parece ser só marolinha, pode se reposicionar. Parece besteira, mas quem tem US$ 26bi em caixa pode pensar em uma bela aquisição. De uma Sun, por exemplo. Monopólio cansa, e a Cisco deve estar louquinha por oxigênio e dólares novos. E a Sun tá uma pechincha. Acho que tem tudo a ver. Aliás, Apple e Adobe também tem tudo a ver e não dá em nada... Então, deixa pra lá.

Por falar em Apple: 2009 deve ser um ano difícil para a empresa de Cupertino. Não só nas vendas que devem cair, mas parece inevitável que a Apple comece a tratar do problema chamado "Jobs". A Apple precisa provar que a sua criatividade não se limita ao departamento de design.

Encerro a parte internacional com a maior barbada de 2009: a Google seguirá sendo a Google. Com as sementes (Docs e Android, principalmente) devidamente plantadas, chega a hora da colheita. Momento melhor impossível. Se em Redmond, nem uma caixa inteira de Lexotan me daria 15 minutos de sono...

.:.

E o mercadinho de Pindorama, como ficará em 2009? Monótono, como sempre. Se dependermos só dos malvados chatos de plantão para dar uma bela mexida, seguiremos como nerds em raves - uns postes.

Ok, preciso mirar melhor meu azedume: na redação do parágrafo acima pensei exclusivamente nas nossas "grandes" empresas de TI, ok? Depois de tanto tempo descendo a lenha nelas, deveria gastar meu tempo com um único veredicto: deviam baixar as portas, vender suas carteiras de clientes para papões de fora e jogar sua carteirinha de produtos em algum aterro sanitário. Geração perdida é isso aí!

Ar novo tá no interior. Está também em pequenas e médias empresas que bravamente sobrevivem. E heroicamente resistem ao canto de sereias malvadas. Mas elas não ganham um mísero espaço em nossa prensa especializada. Não merecem sacos de bondades dos governos de plantão. Mas não é hora de bancar as "coitadinhas".

É hora de um pouco mais de ousadia. É hora de parar de olhar para nossas grandes empresas de TI como se elas servissem de modelo. Não servem. Esqueçam PMI, CMMI, MPS.br e besteiras afins. É fácil: basta lembrar que Google, Apple e outras do mesmo naipe não dão a mínima para essas coisinhas.

É hora de criar um mercado totalmente novo. Temos uma nuvem tupiniquim totalmente virgem por aí. Não sei se repararam, mas a "nuvem" muda tudo. E quem tá correndo atrás? Nossas "grandonas" mal conseguiram portar seus produtinhos para um ambiente SaaS. Produto fraco e antigo seguirá fraco e antigo, mesmo com uma roupinha nova.

Resumindo: há um imenso oceano azul de oportunidades aí fora. Não vê quem não quer. Não aproveita quem tá esperando bóias sinalizadoras e coletes salva-vidas.

graffiare #465 - Tudo Azul?

28 outubro 2008

Many developers who attended the October 27 unveiling of Azure at the Microsoft Professional Developers Conference in Los Angeles are still trying to get their heads around what Azure is and how it will work.

Mary 'Jo Jo Gunne' Foley na ZDNet.


Só pra variar, parece que a MS (Mon Amour!) deu um show de desinformação no PDC de ontem. Requentando idéias e um slide que, salvo engano, já rola por aí tem uns 3 ou 4 anos:


Tá certo, ficou menos poluído. Mas a confusão é a mesma. Tanto que o Ballmer pode tentar utilizar a mesma explicação de 2004:

It's about connecting people to people, people to information, businesses to businesses, businesses to information, and so on.

Caramba, o defeito da bússula da MS é tão medonho que até em campanhas publicitárias (caso Seinfeld) eles andam barbeirando feio. E olha que era só pra vender PC (e Vista). Imagina agora, que devem explicar algo tão complexo como a "computação na nuvem"...

Começaram bem: e um gênio marketeiro achou que "Azure" (Azul) tinha tudo a ver. Hehe... tem sim. No mundo MS não há nuvem nenhuma!! É o céu do Brigadeiro Ballmer...

Saca só:

You will see a move towards cloud computing and software coming from the web, where there will only be the service cost, rather than paying an IT team. There will also be more interest in adopting open-source software.


São palavras de Carla Rapoport, "managing editor for technology with analysts the Economist Intelligence Unit", que surrupiei daqui.

Parece coisa de Tita, ex-dublê-de-técnico do vasquinho, que resolveu colocar Edmundo em campo só depois que a vaca-vascaína tinha ido para o brejo (ontem, contra o Palmeiras). Então SaaS (Software as a Service, ou computação na nuvem - para usar a nova moda) e software livre só fazem sentido quando o orçamento encolhe?

CIO que apelar para tais alternativas agora deveria ser mandado embora por justa causa. Afinal, estará reconhecendo que durante anos jogou dinheiro no ralo - pagando licenças e infra que, no final das contas, não configuravam as melhores alternativas (para o negócio).

Ah TI, tu seria outra se a percepção de crise fosse constante.
Ou se não fosse tão lotada de gente que só pega no tranco!



Ao comentar o lançamento do Google Chrome cometi o velho engano das metáforas misteriosas: jogo, tabuleiro, regras?!? Pra que tanto enigma, não é mesmo?

"Organizar todas as informações do mundo" é a missão da Google. O "todas", que um dia imaginamos que seriam apenas (!) aquelas disponíveis nos zilhões de web sites, ficou maior de uns tempos pra cá. Agora engloba também nossos vídeos, textos, planilhas eletrônicas, fotos, amigos, colaboradores, espirros & puns... Uma baita nuvem. E, de repente, "organizar as informações" deixou de ser suficiente. Ou, colocando de outra forma, a organização não faz sentido se não facilito o acesso a elas. Entra o Chrome. O browser que terá uma íntima relação com todos os serviços da Google - coisa que ela não conseguiria com nenhum outro.

Serei meio redundante, mas preciso reproduzir as palavras de Jason Perlow (ZDNet):
Instead of taking Internet standards and making their own proprietary extensions to try to control a platform, Google is going to do with Chrome what Microsoft is doing with .NET and Silverlight — create a web-based application deployment platform that is fully optimized for use with Google’s online services, such as their core search engine, their Google Office suite, GMail, Google Maps, Google Base, and Google Everything Else. In effect, Chrome will become the new computing platform to compete with Windows, the Mac and even iPhone. So in essence, they are “Extending” their own online platform to a browser platform which they can have full control over and optimize for use with their own online properties — such as with the built-in Gears functionality. The ultimate expression of eating your own dog food.
Não fui o único a apontar que o Chrome não mira apenas a MS. Acerta a Apple também. Aliás, acerta todo mundo. E deve ter um efeito colateral indesejado (por este que vos escreve e, talvez, pela própria Google): ele roubará share do Firefox. É inevitável. Quem usa o Firefox já experimentou outros browsers. E vai experimentar o Chrome. Aqueles que usam e abusam dos outros serviços Google não sentirão saudades de ninguém. E ficarão com o Chrome. Em definitivo! Chute meu: O Chrome terá, no mínimo, 10% de share em menos de 6 meses!
Hmm... chutei baixo. Mas considerei que o Firefox tem só (!) 20%.. e a versão 3 é animal.

.:.

Comentei ontem a reescrita da VM Javascript. Alguns comparativos já foram publicados:


Só uma construção do zero permite tamanho ganho de performance. E velocidade é uma característica da Google desde seus dias de bebê. Me lembro bem da cara de espanto de alguns colegas da B&F, em 98, quando lhes mostrei o mecanismo de buscas Google. A diferença de performance, comparando com Yahoo, Altavista e Exciter, devia ser a mesma que o gráfico acima ilustra (entre Chrome e IE7). E, lembrem-se: trata-se de uma versão beta!

.:.

Ok, foi um post "entusiasmado". Começando pelo título. É claro que a Google não é a nuvem. Mas que deseja sê-la, disso não tenho dúvidas. Conseguirá? Só o tempo dirá... O fato é que a Google é a única empresa que demonstra entender bem seu tempo e seu horizonte.

ps: Surrupiar Gilliard é imperdoável!

BizWord da Hora: Clowd

13 junho 2008

Da hora, do mês ou do ano. Quem sabe?

O problema é que, se "cloud" já criou tanta confusão, o que será da "clowd"?

Reparem: ela é tão nova que nem na Wikipedia pintou ainda. Segundo Seth Godin, "clowd" é um remix de "cloud" (nuvem) e crowd (multidão). Jóia...

Mas, será que vão tentar traduzir? Vish... "nuvão" ou "multivem"? hehe...

Acho que "Computação no Nuvão" fica legal.

Pois é, a techbizword "cloud computing" alcançou seu antepenúltimo estágio* em solo tupiniquim: tá na mídia para leigos. Quem presta atenção se delicia: por exemplo, um dia o Paulo Henrique Amorim falou sobre "pastilhas de silicone"! Traduziu "silicon" como mal entendeu e originou a mania de peitão, cantada por Seu Jorge. Voltando...

Anteontem a "cloud computing" mereceu praticamente todo o primeiro bloco do Jornal da Globo. Rodrigo Alvarez visitou o Googlepex e conseguiu entrevistar até o Eric Schmidt. Legal! Mas a techbizword virou "Computação nas Nuvens"?!? Nas nuvens, Rodrigo? Será que a expressão "vive com a cabeça nas nuvens" ganhará novo significado?

Mas o bom repórter da Globo errou menos que nossa querida Sandra Carvalho na última Info. Lá o termo virou "computação de nuvem". Computação de nuvem?!?! Metereologistas, tremei!

Há quem defenda que alguns termos do nosso dia-a-dia não sejam traduzidos. Acho que não é o caso. É só questão de atenção mesmo, de cuidado.

.:.

* Para entender:
  • Penúltimo estágio: cai na boca do povão-tech e nos orçamentos dos CIO's antenados;
  • Último estágio: fica obsoleta antes de mostrar qualquer tipo de resultado, hehe..

Ok, é brincadeira. A *computação na nuvem* (nuvem = Internet. A nuvem é o símbolo que utilizamos há séculos para representar a Internet em nossos belos diagramas) não terá um último estágio parecido com o de outras ondas. É mais forte e maior que elas.