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graffiare #453

16 abril 2008

When many companies struggle to make 25% to 30% gross margins in their core businesses, it becomes increasingly difficult for software procurement specialists to claim to be doing an excellent job.

- William Snyder (Analista do Gartner, na ZDNet)

.:.

Não sou fã do Gartner - muita varada n'água - mas admito que de quando em vez a varada é certeira. E ouvida. Afinal, tem gente que não começa a trabalhar enquanto não lê um clipping dos caras, hehe. Em algumas questões, como o mercado de software tratado no artigo citado, eles chegam com uns 5 anos de atraso. Mas chegam! E são ouvidos. Preguiça de clicar no link?

Resumo: Oracle, MS e SAP - mastodontes do mercado de software corporativo - verão "suas margens erodir". No mundo não há mais espaço para empresas que apresentam lucros brutos de 80% e líquidos de 35%. Apesar da superficialidade (a grana do Gartner vem da profundidade que poucos podem pagar. Btw, qual será a margem líquida do Gartner?), Snyder acerta nos fatores que farão os preços do software corporativo despencarem:
  • BPO, ou terceirização de processos de negócio: coisa tão velha quanto andar pra frente. Lá nos anos 80 tínhamos os "birôs" de contabilidade e recursos humanos. No novo século a coisa ficou mais maluca: tem louco que terceiriza até processo primário (ex: Atendimento de Clientes)!
    Não importa, o fato é que cada processo terceirizado pode significar até uns 3 módulos d'um ERP desativados.
  • SOA, ou arquiteturas orientadas a serviços: modularidade mata quem adora monolitos. SOA's bem implementadas destacam a quantidade de itens supérfluos um ERP carrega. Pena que a coisa toda seja tão lenta.
    Não importa, as SOA's mudarão radicalmente a forma como as empresas compram, customizam e utilizam ERP's e afin$.
  • SaaS, ou software como serviço: Gartner na cola de Nick Carr - cola com 5 anos de atraso. A aquisição deste tipo de serviço é tão lógica, tão óbvia, que fica difícil explicar pq não pega logo.
    Não importa, cedo ou tarde o modelo vai pegar. E causar uma tsunami sem precedentes no mercado de software corporativo. Um movimento bem novinho comprova a tese: Google e SalesForce uniram forças. Detalhe muito relevante: SaaS faz mais sentido para quem tem uma SOA com sentido (e não um 'bando' de web services).
  • Open Source: para Snyder, é uma questão de tempo, de maturidade. Para Larry Dignan, da ZDNet, este é o "fator mais plausível" da tese de Snyder. Talvez, mas de todos os fatores este é o mais lento. Causa: as empresas não sabem contribuir! Mania de achar que o "free" é só grátis e pronto.
    Não importa, já temos excelentes alternativas no universo do software livre. A maturação vem, principalmente, de pequenas e médias empresas. Como este é o "próximo mercado" dos grandes fornecedores de software, a concorrência forçará uma brutal queda de preços.
  • Mercados Emergentes: como a mama-MS (mon amour!), todo fornecedor de software (e gravadora e produtora e...) acha que pode praticar nas esquinas do 3º mundo os mesmos preços que praticam no 1º. Não mais. Além do terceiro mundo já ter alternativas interessantes (particularmente ERP's), as PME's não globais simplesmente não têm grana para bancar as margens das gulosas.
    IMHO, este é o principal fator que fará com que as preços caiam consideravelmente. O único lugar que os mastodontes encontrarão grana nova é no chamado "mercado emergente". Sem uma revisão séria de suas estratégias de preços, verão navios (barquinhos e voadeiras, veleiros não).

Prevendo 2008

21 dezembro 2007

Mais do mesmo? Pois é, pela primeira vez (!) em muito tempo, estou um pouco pessimista. O hemisfério norte vai sofrer um bocado com a crise da economia estadunidense. Bush (finalmente!) será substituído. E é muito provável que ele ouça de um candidato democrata o mesmo que seu pai ouviu do Clinton: "É a economia, estúpido!". Agora é tarde. E os impactos de uma recessão batem quase que de imediato no mercado de TI (somos eternos supérfluos, apesar de tudo). Empresas com o caixa abarrotado sentirão menos. Google, Oracle e Apple passam bem pela fase ruim. O mesmo eu não digo de MS, Sun, AT&T, Yahoo e outras menos relevantes.

A notícia de uma possível recessão é particularmente péssima para a MS. A turma do "upgrade retardado" falava que aguardava os primeiros service packs do Vista e do Office. Agora vão falar que estão sem grana; que o XP e o Office 2003 "dão para o gasto". Como a MS é péssima de estratégia, deixou vazar que deve rolar um novo Office entre 2008 e 2009. Ou seja, acaba de dar outra justificativa para que o upgrade seja novamente adiado. Resumindo: sigo apostando que o Ballmer não passa desse ano fiscal (que se encerra em junho). Outra aposta requentada: a última reestruturação do Yahoo também falhará. Será a gota d'água, e finalmente veremos a fusão MS+Yahoo.

Situação oposta é da Google. 2008 é o ano da consolidação do Android - de sua estratégia para dispositivos móveis. Ao contrário das outras plataformas, ele é gratuito. Quer melhor justificativa para sua adoção? Ainda mais em tempos de crise?

As ações da Google não devem se sustentar no padrão atual, mas a queda não deve ser muito significativa. Na verdade, se continuar atraente, vai ter gente vendendo ações de outras companhias para colocar a grana em terreno fértil. E, há 10 anos, terreno fértil é a Google.

E a Apple. O iPhone 3G deve sair até o início do 2º semestre. Versões econômicas do brinquedinho devem estar no forno. Acho fácil supor que a Apple venda o dobro de iPhones do que vendeu em 2007, no mínimo. E deve ser mais agressiva na abertura de outros mercados. Inclusive Brasil? Não sei. Mas na Europa é batata. Mesmo que parte do modelo (exclusividade de operadora) seja alterado. Jobs não é burro.

Não tem muito tempo, falei de um dos melhores "campeonatos" do biênio 2007/2008. Estava falando da guerra envolvendo Java, Ajax, Flash e Silverlight (da MS, pra quem não sabe). A Apple corre do Flash como o demo foge da cruz. Mas desconfio que uma aproximação (ou fusão) com a Adobe esteja anotada num cantinho da agenda do Jobs. Motivo? A Google entrou pesado na seara, jogando com Ajax, Java e Linux. Outro motivo: se ela demorar, Bill Gates abocanha a Adobe. O Silverlight perdeu o jogo antes de entrar em campo. Outra varada n'água de Redmond. Sun e IBM desistiram dessa briga há 2 anos. E eu aposto que a Adobe não passa mais um ano como empresa independente. Apesar da crise. Ou exatamente por causa dela.

Na primeira vez que usei minha bola de cristal líquido eu previ uma consolidação no mercado de ferramentas de BI. Errei por um ano. E alguns nomes: BO foi para a SAP; Hyperion para a Oracle. Mas errei por pouco. E o movimento de consolidação seguirá. Agora é a vez de Microstrategy, Cognos e outras de menor porte.

[Atualização: O Garrido me informou via comentário que estou meio atrasado - a Cognos já é da IBM.]

Em 2008 a Oracle seguirá aumentando seu "desfocado" portfólio. A Bea não aguentará a pressão. Mas será justamente a falta de foco da Oracle que deixará a SAP tranquila.

Por fim (falando do estrangeiro), o mundo Linux. É mais "lista de desejos" do que previsão. Já reclamei ontem: uma redução no número de distribuições pode acelerar o processo de evolução do Linux. Está faltando um pouquinho de ousadia, de inovação. Não só no produto, mas também nas suas relações com o mercado. Dell, Lenovo, Acer e outras estão começando a gostar de brincar com o Linux em suas máquinas. Em 2008 veremos outros fabricantes entrando na ciranda. Talvez elas acelerem o processo de consolidação. Mas não bastará.

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Para começar a falar em Pindorama, colo nas pegadas do Philip "Shoes" Calçado: talentos migrarão de grandes empresas (padocas) para pequenas e médias (boutiques). Trocarão "comando & controle" por "colaboração & criatividade". Aqui retorno para meu otimismo (de novo, é mais torcida do que previsão): "boutiques" vão pipocar nos próximos 2 anos. Apesar dos sérios pesares, começaremos a questionar de forma muito contundente nossa velha tradição "feijão com arroz". E o caminho é uma avenida repleta de boutiques. Mais 3 ou 4 sucessos como o do Boo-Box trarão a (pouca) grana necessária. Se aqueles "empreendedores" que só sabem falar sobre "empreendorismo" e não fazem nada sairem da frente, será melhor ainda.

Por outro lado, deve haver algum movimento de consolidação de "padocas". Trata-se de um modelo que depende de muita escala, muitos clientes. Como freguês que fala inglês anda difícil, a saída (imaginada por eles) é aumentar a carteira de fregueses tupiniquins. E eles sabem que o atalho é a aquisição de carteiras, não a conquista real. Um atalho que vem antes, a abertura de capital (que gera a grana necessária para bancar aquisições), será tomado. Por poucos. Exigências da CVM espantam muitas "padocas".

Milhões de novos micros foram vendidos em 2007. Trata-se de um mercado imenso. Que seguirá crescendo! É difícil supor que o modelo das "escolinhas de informática" e empresas de assistência técnica não vá sofrer um grande impacto. Não é só uma questão de número de estabelecimentos. Estou falando do modelo mesmo. Suporte remoto? Cursos a distância? Personal-trainers? Babás de micros? Sei lá, existem várias oportunidades.

Como é imensa a oportunidade para sistemas livres e gratuitos. Equação simples: com a grana curta, aumenta a opressão, o combate aos piratas. Num mercado em que a renda ainda é muito curta, faz muito sentido a adoção de soluções que não custam nada. Falta uma rede de suporte e treinamento. Os primeiros ganharão muito. Em 2008? Tomara que sim.

Por fim, o mais importante: Educação. Precisamos rever currículos. Precisamos redistribuir responsabilidades entre os cursos técnicos e os universitários. Precisamos também levar a informática para todos os outros, principalmente dos níveis fundamental e secundário. Levar informática não é instalar ou doar micrinhos. É levar conhecimento.

Que a turma que em 2007 gastou tempo e espaço com "Cansei", "Xô CPMF" e afins, em 2008 compre outra briga: "Educação acima de tudo!".

Pé Torto (de novo!)

09 outubro 2007

Graffiti (jan/2005): "A mesma lógica levará a MicroStrategy prá bocarra da IBM. DB2, Oracle e SQL Server falam que são boas plataformas para BI. Mas nenhuma oferece a riqueza de recursos presentes nos produtos da MicroStrategy (a melhor), BO e Cognos. BI tá na lista de prioridades de muita gente. Tem um mercadão aí, principalmente de serviços. Não estranharei se na sequência do movimento da IBM a BO parar na mão da Oracle e o Cognos virar uma oferta MS. Ou algo parecido."

ZDNet (out/2007): "SAP took a page out of Oracle’s grow-by-consolidation playbook in acquiring business intelligence leader Business Objects for $6.8 billion (42 Euros per share). SAP CEO Henning Kagermann positioned the acquisition as part of his company’s strategy to rapidly grow its customer base. SAP wants to have 100,000 customers by 2010, more than doubling from its current base of about 41,200."

Eu pareço o coitado Finazzi (do Timão). Raramente recebe um passe que presta. Quando recebe, chuta fora. Nas raras vezes que acerta o gol, o juiz anula... assim não dá.

Mas desta vez não passei muito longe não. Ainda mais se levar em consideração a "proximidade" da Oracle com a SAP. Minha sorte é o uso doentio da "saída estratégica pelo centro", também conhecida como "a arte de caetanear". Saca só a forma como encerrei o parágrafo lá em cima: "Ou algo parecido"... hehehe...

É que minha bola de cristal líquido tem baixa resolução.
E meu pé esquerdo é torto mesmo...

Há uns 10 anos uns oraclepongas foram pegos com a boca na botija. Melhor dizendo, com as mãos nas lixeiras da MS. Literalmente! A história gerou um monte de piadinhas, mais direcionadas para o público 'programador': "Garbage collection?"

Faz aqui, paga aqui. A Oracle agora acusa a SAP de concorrência desleal: "roubo em larga escala"! Espionagem pura. Como? Oras, uma turma da SAP-EUA estaria fazendo o download de toda a base de conhecimentos que a Oracle tem, particularmente de duas de suas jantas recentes: PeopleSoft e J.D.Edwards. Devidamente municiada, a SAP estaria fazendo propostas indecorosas para clientes da Oracle.

Mercado saturado é isso aí: todo mundo brigando pela mesmo pedaço de pizza. Passa da hora de alguém aprender alguma coisa com o Drucker, ou então com a "Estratégia do Oceano Azul" mesmo. Tipo: esqueçam essa pizza velha e fria! Que tal uma nova torta de SOA temperada com ricos e saborosos serviços com delivery tipo SaaS?

Business Drivers*

26 janeiro 2007

2006 foi um ano meio fraquinho em "Fusões & Aquisições". Particularmente no hemisfério norte. Nem se compara com a semi-orgia de 2005. Se a turma do norte tiver uma superstição esquisita como a minha - "anos ímpares são melhores!" - podemos esperar muito de 2007. Motivações (e drivers) não faltam.

Dois alvos eternos da MS, Yahoo e SAP, apresentaram resultados financeiros decepcionantes. Sem um PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) ou algo semelhante, seu valor de mercado cai. Traduzindo: elas ficam mais baratinhas - convidativas para uma fusão.

Na MS, 4 de suas 5 divisões de negócios apresentaram resultados inferiores aos de 1 ano atrás. Luz amarela, ficando alaranjada. Para eles, meio 2007 já foi embora (o ano fiscal inicia em julho). Ballmer, com o zu(ne) na mão, parece precisar d'algo estrondoso. E ele não tem criatividade para fazer nada que não seja uma fusãozinha. Básica.

O problema é decidir o que a MS quer ser. Colocando de outra forma: decidir com quem a MS quer brigar. Se for com os grandões (IBM, Oracle), ela tem que papar a SAP. Se o inimigo for o maior candidato a grandão (Google), seu alvo-comida deve ser o Yahoo. Ó dúvida cruel. Como alento só a percepção de que as três empresas possuem um mínimo denominador comum: lucros decadentes.

E por falar em similaridades, algo aproxima a HP da Oracle. Espionagem (muito mal feita) é com elas mesmo! Céus.. o mundo corporativo nunca esteve tão perto do circo. (Com todo respeito aos circos).



* Please.. não confunda com motoristas!