Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Pois é, cá estou novamente brincando de bidu. Meus tiros configuram mais uma lista de desejos do que "previsões" propriamente ditas. Portanto, se acerto ou erro, não faz muita diferença. Acertei, por exemplo, que a Sun não chegaria como empresa independente no final de 2009. Chutei Cisco como a 'comedora' - deu a óbvia e gulosa Oracle. Deve ter gente lá cantarolando um pré-histórico não-sucesso do Genesis, "In the Cage", que fala: "I got SUNshine at my stomach". Haja estomazil! Mas, como sempre, é o lado mais fraco da corda que arrebenta. Que o digam os usuários e fãs do MySQL.

Mas, como a titia Marília Gabriela me lembra quase diariamente, errei tremendamente ao desejar o passamento (sem choro nem vela) de todas as grandes empresas tupiniquins de TI. Elas estão aí, firmes (como prego n'angu) e fortes (como certeza de palmeirenses). E corretíssimas! Não no sentido que nos leva ao DF, obviamente. Estão corretas em suas ofertas - naquela carteira (de produtos) que eu desejei ver num aterro sanitário. Basta ver a lista dos 100 principais CIO's de Pindorama e seus principais "desafios" para 2010. O critério do ranking, segundo a Computerworld, são os "projetos e desafios". Veja os tais projetos e desafios. Avalie a frequência das letrinhas ERP e similares e tire suas próprias conclusões.

Esqueçamos os 20 anos de atraso. Interessam aqui os próximos 10 meses e os próximos 10 anos. Sem ordem ou critério de seleção objetivo como um Caetano. E farei a lista como entradas num microblog que não merecerão - pelo menos não de minha parte - sobrevida no Twitter. Saca só:

  • O CADE só aceitará na boa a fusão Casas Bahia + Pão de Açúcar se os franceses do Carrefour decidirem o que vão fazer da vida.
  • Wal-Mart tem a solução na ponta da caneta.
  • Dona Luiza seguirá procurando sua Lagoa Azul, já que o Oceano não está para peixe (pequeno).
  • (Taí: por que não Brooke Shields de garota propaganda? )
  • A B2W (leia-se Americanas, Submarino e Shoptime) ainda não tem com o que se preocupar. Ao contrário do Bradesco.
  • A B2W só se sentirá ameaçada quando a Amazon e equivalentes estrangeiras resolverem que Pindorama é praça de verdade. Coisa de 2 anos.
  • Ou quando Pão de Açúcar + Casas Bahia aprenderem a vender e atender pela web. Coisa de 4 anos. 
  • Acontece que no país da piada velha, onde varejista oferece micrinho de 800 contos em 24 parcelas de R$ 99,99 com Win Vista Starter Edition (aka Win 4 $less people), tudo é possível.
  • Até uma estatal que garanta banda larga do Oiapoque ao Chuí. 
  • Caminho mais curto seria a reestatização da Embratel. Caminho mais inteligente seria uma privatização menos indecente. 
  • Caminho mais eficaz seria uma revisão do marco regulatório e de todos os contratos dos provedores de serviços de telecomunicações. 
  • Mas, pelo andar das carruagens brasilienses, teremos mesmo uma nova estatal.
Já que falo de (des)governos...
  • O próximo também tentará promover uma "Reforma Tributária". Governadores mais fracos e / ou aprisionados tendem a aceitar a manutenção da falsa federação.
  • Aliás, cabe dizer que o próximo governo será apenas transitório. Rito de passagem para papo mais sério e polarizado que só acontecerá em 2014.
  • A instabilidade acontecerá apesar do crescimento médio do PIB de 5% ao ano.
  • O bolo crescerá bem, naturalmente (e com polvilho barato). É sua divisão que forçará uma polarização.
TI Tupiniquim:
  • A inevitável seca de alguns mercados obrigará o desenho de soluções pouco ortodoxas. As grandes serão as primeiras a buscar novos mercados.
  • Metade delas será 'vaga lembrança' na Olimpíada de 2016.
  • Metade da metade não será mais tupiniquim.
  • Apesar da taxa extra para remessas de lucros e de receitas com royalties que o próximo governo vai criar. Ou exatamente por causa disso.
  • A falácia do déficit de 200k profissionais / ano finalmente será desnudada. 
  • Independente disso, a partir de 2012 ficará mais visível a falta de profissionais. Campanhas tentarão atrair a molecada, mas o estrago de 5-10 anos já estará feito.
  • Instituições de ensino que entregam profissionais fraquíssimos (sem noções básicas de OO, por exemplo) começarão a ser processadas por ex-alunos que têm seus currículos sistematicamente recusados.
  • Desenvolvedores e engenheiros chineses, chilenos, argentinos e até indianos serão relativamente comuns em empresas de todo tipo e porte.
  • Empresas chinesas e indianas serão relativamente comuns em concorrências e licitações de todo tipo e porte.
  • Voltando aos profissionais, para encerrar o tópico: uma mesma função pagará salários entre R$ 1200 e R$ 6200. A distorção só fará aumentar. Culpa das escolas e empresas que compartilham um mesmo lema: "Os enganamos e vocês gostam!"
  • Os poucos realmente bons não precisarão brigar pelos salários mais altos. Na realidade, as poucas empresas realmente boas brigarão por eles. 
 TI Global:
  • Novo soluço de crise no mundo desenvolvido. Menos acachapante que o último, mas mortal para alguns ramos de atividade.
  • Fronteira entre conteúdo e meio cairá como um muro de Berlin. Megafusões serão a primeira resposta. E Jobs vai se aposentar gargalhando.
  • Dell, Acer, Lenovo e HP. Escolha duas.
  • A Oracle comprará a SAP antes de ser obrigada, pela União Européia, a se desmembrar em 4 empresas independentes.
  • Uma delas se transformará na coqueluche da década, especializada no tratamento e revitalização de ativos de software e sistemas legados.
  • Será aquela onde Larry não terá depositado um mísero cent.
  • Será aquela que concorrerá diretamente com a IBM. 
  • Ballmer se aposentará sem deixar saudades. Nem nos funcionários, muito menos nos acionistas.
  • Cairá por teimar em áreas que sempre deram prejú. E por deixar suas vacas sagradas pastarem no brejo. 
  • Será possível que a Adobe seguirá livre, leve e solta nos próximos 10 anos?!? Já prometi no ano passado, não falo mais sobre ela...
  • Aliás, não deveria ter falado sobre o Ballmer também. Mas não resisto... E agora a chance de erro é zero! 
  • O Google ChromeOS não terá 8% de 'share' até 2012. Se a empresa for teimosa o suficiente, vai saborear 28% de 'share' em 2016.
  • Somados ChromeOS e Android, significará dizer que a Google comandará o acesso a Internet de mais da metade da população economicamente ativa do planeta. 
  • Incomodará tanto e gastará tanto tempo tentando provar que "não é má" que esbarrará no limite das viabilidades técnica e econômica. Por vontade própria, abrirá mão de alguns negócios.
Brinquedinhos:
  • Tablets serão o Netbook dos anos 2010 ~ 2011. 
  • E a Apple só não jogará o Kindle para escanteio porque falhará na hora de licenciar conteúdo.
  • Não fará muita diferença, já que seu Tablet mira uma imensidão de outros usos.
  • Uma imensidão que, medida, bate nos 7 dígitos. E não estou falando de money. Estou falando de mini (até US$5), micro (até $100) e macro-aplicações.
  • Duas grandes lojas (e plataformas de desenvolvimento) concentrarão corações e mentes: AppStore da Apple e a "lojinha" do Android / ChromeOS.
  • Vários desenvolvedores, em todo o mundo, trocarão suas carreiras pela renda das 'lojinhas'. Desenvolverão mini e micro aplicações. Os melhores embolsarão mais de US$150k / ano.
  • Até 2014 alguém tentará levar o mesmo modelo para o mundo dos videogames. Não deve ser Sony, MS ou Nintendo.
Assuntos aleatórios:
  • O Timão ganhará a Libertadores. (Pelo menos uma nos próximos 10 anos...)
  • O site que venderá ingressos para os próximos shows do U2 no Brasil vai cair.
  • O U2 lançará uma nova coletânea (The Best of 2000 - 2010).
  • O Brasil perderá dois reis, um sete de copas e um ás de espadas.
  • Perderá também a Copa de 2010. Para uma seleção que subirá no topo pódio pela primeira vez.
  • Perderá 2010 para ganhar em 2014. Dunga, exilado, não comemorará.
  • Ah... o mundo não vai acabar em 2012.
  • Aliás, agora que Copa e Jogos Olímpicos são nossos, seria o cúmulo da piada de mau gosto o fim do mundo em 2012, né? 
  • Ou não... 

Em 26/mar, igualmente atrasado, meio que lamentei aquele que parecia ser o fim da Sun: a aquisição pela IBM. O negócio, sabe-se lá porque, não saiu. O que deve ter gerado inúmeras licenças médicas no depto financeiro da Sun. Em tempos bicudos, ser papado parece ser a única alternativa para empresas encrencadas. Vide Chrysler e afins. Mas ser papado pela IBM? Era o fundo do poço?

Que nada. Eis que chega Larry "SuperSizeMe" Elisson e incorpora a Sun ao seu precioso e disforme portfólio. Sem medo de entregar as cerejas que o atraíram para o bolo Sun: Java e Solaris. MySQL e OpenOffice? O silêncio de Larry sobre esses produtos diz muita coisa. E apavora, com razão, a turma do universo do software livre. Só uma pessoa de nossa indústria tem ideias mais aterradoras que Larry. Mas essa pessoa tá muito longe do nicho em questão, vendo a caravana Google passar...

O lunático Dan Baigent, funcionário da Sun, começou a listar em seu blog as 10 razões que afundaram a Sun. Não teve a chance de terminar seu épico. Foi censurado!?! Alguma coisinha o maravilhoso cachê Google salvou. Coisinha das mais preciosas: a zona que a Sun aprontou com seu ativo mais valioso e promissor, Java. Leia o saboroso artigo. No mínimo pra ver como é o marketing quando elaborado por um bando de técnicos. Por 4 anos acompanhei com certa proximidade essa zona. Cada visita de um "product-qq-coisa" da Sun gerava confusão e gargalhadas. Não necessariamente nessa ordem.

Mas, e agora? Como a Oracle lidará com suas novas cerejinhas? Duas certezas: i) muita coisa vai mudar; e ii) a evolução da história merece acompanhamento. De perto!

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Ainda queria entender as razões para a IBM sair do negócio. Se foi só vontade própria, a empresa merecerá uma brincadeirinha com seu nome: Inocente, Bobinha e Morosa.

graffiare #453

16 abril 2008

When many companies struggle to make 25% to 30% gross margins in their core businesses, it becomes increasingly difficult for software procurement specialists to claim to be doing an excellent job.

- William Snyder (Analista do Gartner, na ZDNet)

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Não sou fã do Gartner - muita varada n'água - mas admito que de quando em vez a varada é certeira. E ouvida. Afinal, tem gente que não começa a trabalhar enquanto não lê um clipping dos caras, hehe. Em algumas questões, como o mercado de software tratado no artigo citado, eles chegam com uns 5 anos de atraso. Mas chegam! E são ouvidos. Preguiça de clicar no link?

Resumo: Oracle, MS e SAP - mastodontes do mercado de software corporativo - verão "suas margens erodir". No mundo não há mais espaço para empresas que apresentam lucros brutos de 80% e líquidos de 35%. Apesar da superficialidade (a grana do Gartner vem da profundidade que poucos podem pagar. Btw, qual será a margem líquida do Gartner?), Snyder acerta nos fatores que farão os preços do software corporativo despencarem:
  • BPO, ou terceirização de processos de negócio: coisa tão velha quanto andar pra frente. Lá nos anos 80 tínhamos os "birôs" de contabilidade e recursos humanos. No novo século a coisa ficou mais maluca: tem louco que terceiriza até processo primário (ex: Atendimento de Clientes)!
    Não importa, o fato é que cada processo terceirizado pode significar até uns 3 módulos d'um ERP desativados.
  • SOA, ou arquiteturas orientadas a serviços: modularidade mata quem adora monolitos. SOA's bem implementadas destacam a quantidade de itens supérfluos um ERP carrega. Pena que a coisa toda seja tão lenta.
    Não importa, as SOA's mudarão radicalmente a forma como as empresas compram, customizam e utilizam ERP's e afin$.
  • SaaS, ou software como serviço: Gartner na cola de Nick Carr - cola com 5 anos de atraso. A aquisição deste tipo de serviço é tão lógica, tão óbvia, que fica difícil explicar pq não pega logo.
    Não importa, cedo ou tarde o modelo vai pegar. E causar uma tsunami sem precedentes no mercado de software corporativo. Um movimento bem novinho comprova a tese: Google e SalesForce uniram forças. Detalhe muito relevante: SaaS faz mais sentido para quem tem uma SOA com sentido (e não um 'bando' de web services).
  • Open Source: para Snyder, é uma questão de tempo, de maturidade. Para Larry Dignan, da ZDNet, este é o "fator mais plausível" da tese de Snyder. Talvez, mas de todos os fatores este é o mais lento. Causa: as empresas não sabem contribuir! Mania de achar que o "free" é só grátis e pronto.
    Não importa, já temos excelentes alternativas no universo do software livre. A maturação vem, principalmente, de pequenas e médias empresas. Como este é o "próximo mercado" dos grandes fornecedores de software, a concorrência forçará uma brutal queda de preços.
  • Mercados Emergentes: como a mama-MS (mon amour!), todo fornecedor de software (e gravadora e produtora e...) acha que pode praticar nas esquinas do 3º mundo os mesmos preços que praticam no 1º. Não mais. Além do terceiro mundo já ter alternativas interessantes (particularmente ERP's), as PME's não globais simplesmente não têm grana para bancar as margens das gulosas.
    IMHO, este é o principal fator que fará com que as preços caiam consideravelmente. O único lugar que os mastodontes encontrarão grana nova é no chamado "mercado emergente". Sem uma revisão séria de suas estratégias de preços, verão navios (barquinhos e voadeiras, veleiros não).

Prevendo 2008

21 dezembro 2007

Mais do mesmo? Pois é, pela primeira vez (!) em muito tempo, estou um pouco pessimista. O hemisfério norte vai sofrer um bocado com a crise da economia estadunidense. Bush (finalmente!) será substituído. E é muito provável que ele ouça de um candidato democrata o mesmo que seu pai ouviu do Clinton: "É a economia, estúpido!". Agora é tarde. E os impactos de uma recessão batem quase que de imediato no mercado de TI (somos eternos supérfluos, apesar de tudo). Empresas com o caixa abarrotado sentirão menos. Google, Oracle e Apple passam bem pela fase ruim. O mesmo eu não digo de MS, Sun, AT&T, Yahoo e outras menos relevantes.

A notícia de uma possível recessão é particularmente péssima para a MS. A turma do "upgrade retardado" falava que aguardava os primeiros service packs do Vista e do Office. Agora vão falar que estão sem grana; que o XP e o Office 2003 "dão para o gasto". Como a MS é péssima de estratégia, deixou vazar que deve rolar um novo Office entre 2008 e 2009. Ou seja, acaba de dar outra justificativa para que o upgrade seja novamente adiado. Resumindo: sigo apostando que o Ballmer não passa desse ano fiscal (que se encerra em junho). Outra aposta requentada: a última reestruturação do Yahoo também falhará. Será a gota d'água, e finalmente veremos a fusão MS+Yahoo.

Situação oposta é da Google. 2008 é o ano da consolidação do Android - de sua estratégia para dispositivos móveis. Ao contrário das outras plataformas, ele é gratuito. Quer melhor justificativa para sua adoção? Ainda mais em tempos de crise?

As ações da Google não devem se sustentar no padrão atual, mas a queda não deve ser muito significativa. Na verdade, se continuar atraente, vai ter gente vendendo ações de outras companhias para colocar a grana em terreno fértil. E, há 10 anos, terreno fértil é a Google.

E a Apple. O iPhone 3G deve sair até o início do 2º semestre. Versões econômicas do brinquedinho devem estar no forno. Acho fácil supor que a Apple venda o dobro de iPhones do que vendeu em 2007, no mínimo. E deve ser mais agressiva na abertura de outros mercados. Inclusive Brasil? Não sei. Mas na Europa é batata. Mesmo que parte do modelo (exclusividade de operadora) seja alterado. Jobs não é burro.

Não tem muito tempo, falei de um dos melhores "campeonatos" do biênio 2007/2008. Estava falando da guerra envolvendo Java, Ajax, Flash e Silverlight (da MS, pra quem não sabe). A Apple corre do Flash como o demo foge da cruz. Mas desconfio que uma aproximação (ou fusão) com a Adobe esteja anotada num cantinho da agenda do Jobs. Motivo? A Google entrou pesado na seara, jogando com Ajax, Java e Linux. Outro motivo: se ela demorar, Bill Gates abocanha a Adobe. O Silverlight perdeu o jogo antes de entrar em campo. Outra varada n'água de Redmond. Sun e IBM desistiram dessa briga há 2 anos. E eu aposto que a Adobe não passa mais um ano como empresa independente. Apesar da crise. Ou exatamente por causa dela.

Na primeira vez que usei minha bola de cristal líquido eu previ uma consolidação no mercado de ferramentas de BI. Errei por um ano. E alguns nomes: BO foi para a SAP; Hyperion para a Oracle. Mas errei por pouco. E o movimento de consolidação seguirá. Agora é a vez de Microstrategy, Cognos e outras de menor porte.

[Atualização: O Garrido me informou via comentário que estou meio atrasado - a Cognos já é da IBM.]

Em 2008 a Oracle seguirá aumentando seu "desfocado" portfólio. A Bea não aguentará a pressão. Mas será justamente a falta de foco da Oracle que deixará a SAP tranquila.

Por fim (falando do estrangeiro), o mundo Linux. É mais "lista de desejos" do que previsão. Já reclamei ontem: uma redução no número de distribuições pode acelerar o processo de evolução do Linux. Está faltando um pouquinho de ousadia, de inovação. Não só no produto, mas também nas suas relações com o mercado. Dell, Lenovo, Acer e outras estão começando a gostar de brincar com o Linux em suas máquinas. Em 2008 veremos outros fabricantes entrando na ciranda. Talvez elas acelerem o processo de consolidação. Mas não bastará.

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Para começar a falar em Pindorama, colo nas pegadas do Philip "Shoes" Calçado: talentos migrarão de grandes empresas (padocas) para pequenas e médias (boutiques). Trocarão "comando & controle" por "colaboração & criatividade". Aqui retorno para meu otimismo (de novo, é mais torcida do que previsão): "boutiques" vão pipocar nos próximos 2 anos. Apesar dos sérios pesares, começaremos a questionar de forma muito contundente nossa velha tradição "feijão com arroz". E o caminho é uma avenida repleta de boutiques. Mais 3 ou 4 sucessos como o do Boo-Box trarão a (pouca) grana necessária. Se aqueles "empreendedores" que só sabem falar sobre "empreendorismo" e não fazem nada sairem da frente, será melhor ainda.

Por outro lado, deve haver algum movimento de consolidação de "padocas". Trata-se de um modelo que depende de muita escala, muitos clientes. Como freguês que fala inglês anda difícil, a saída (imaginada por eles) é aumentar a carteira de fregueses tupiniquins. E eles sabem que o atalho é a aquisição de carteiras, não a conquista real. Um atalho que vem antes, a abertura de capital (que gera a grana necessária para bancar aquisições), será tomado. Por poucos. Exigências da CVM espantam muitas "padocas".

Milhões de novos micros foram vendidos em 2007. Trata-se de um mercado imenso. Que seguirá crescendo! É difícil supor que o modelo das "escolinhas de informática" e empresas de assistência técnica não vá sofrer um grande impacto. Não é só uma questão de número de estabelecimentos. Estou falando do modelo mesmo. Suporte remoto? Cursos a distância? Personal-trainers? Babás de micros? Sei lá, existem várias oportunidades.

Como é imensa a oportunidade para sistemas livres e gratuitos. Equação simples: com a grana curta, aumenta a opressão, o combate aos piratas. Num mercado em que a renda ainda é muito curta, faz muito sentido a adoção de soluções que não custam nada. Falta uma rede de suporte e treinamento. Os primeiros ganharão muito. Em 2008? Tomara que sim.

Por fim, o mais importante: Educação. Precisamos rever currículos. Precisamos redistribuir responsabilidades entre os cursos técnicos e os universitários. Precisamos também levar a informática para todos os outros, principalmente dos níveis fundamental e secundário. Levar informática não é instalar ou doar micrinhos. É levar conhecimento.

Que a turma que em 2007 gastou tempo e espaço com "Cansei", "Xô CPMF" e afins, em 2008 compre outra briga: "Educação acima de tudo!".

Pé Torto (de novo!)

09 outubro 2007

Graffiti (jan/2005): "A mesma lógica levará a MicroStrategy prá bocarra da IBM. DB2, Oracle e SQL Server falam que são boas plataformas para BI. Mas nenhuma oferece a riqueza de recursos presentes nos produtos da MicroStrategy (a melhor), BO e Cognos. BI tá na lista de prioridades de muita gente. Tem um mercadão aí, principalmente de serviços. Não estranharei se na sequência do movimento da IBM a BO parar na mão da Oracle e o Cognos virar uma oferta MS. Ou algo parecido."

ZDNet (out/2007): "SAP took a page out of Oracle’s grow-by-consolidation playbook in acquiring business intelligence leader Business Objects for $6.8 billion (42 Euros per share). SAP CEO Henning Kagermann positioned the acquisition as part of his company’s strategy to rapidly grow its customer base. SAP wants to have 100,000 customers by 2010, more than doubling from its current base of about 41,200."

Eu pareço o coitado Finazzi (do Timão). Raramente recebe um passe que presta. Quando recebe, chuta fora. Nas raras vezes que acerta o gol, o juiz anula... assim não dá.

Mas desta vez não passei muito longe não. Ainda mais se levar em consideração a "proximidade" da Oracle com a SAP. Minha sorte é o uso doentio da "saída estratégica pelo centro", também conhecida como "a arte de caetanear". Saca só a forma como encerrei o parágrafo lá em cima: "Ou algo parecido"... hehehe...

É que minha bola de cristal líquido tem baixa resolução.
E meu pé esquerdo é torto mesmo...

Há uns 10 anos uns oraclepongas foram pegos com a boca na botija. Melhor dizendo, com as mãos nas lixeiras da MS. Literalmente! A história gerou um monte de piadinhas, mais direcionadas para o público 'programador': "Garbage collection?"

Faz aqui, paga aqui. A Oracle agora acusa a SAP de concorrência desleal: "roubo em larga escala"! Espionagem pura. Como? Oras, uma turma da SAP-EUA estaria fazendo o download de toda a base de conhecimentos que a Oracle tem, particularmente de duas de suas jantas recentes: PeopleSoft e J.D.Edwards. Devidamente municiada, a SAP estaria fazendo propostas indecorosas para clientes da Oracle.

Mercado saturado é isso aí: todo mundo brigando pela mesmo pedaço de pizza. Passa da hora de alguém aprender alguma coisa com o Drucker, ou então com a "Estratégia do Oceano Azul" mesmo. Tipo: esqueçam essa pizza velha e fria! Que tal uma nova torta de SOA temperada com ricos e saborosos serviços com delivery tipo SaaS?

Business Drivers*

26 janeiro 2007

2006 foi um ano meio fraquinho em "Fusões & Aquisições". Particularmente no hemisfério norte. Nem se compara com a semi-orgia de 2005. Se a turma do norte tiver uma superstição esquisita como a minha - "anos ímpares são melhores!" - podemos esperar muito de 2007. Motivações (e drivers) não faltam.

Dois alvos eternos da MS, Yahoo e SAP, apresentaram resultados financeiros decepcionantes. Sem um PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) ou algo semelhante, seu valor de mercado cai. Traduzindo: elas ficam mais baratinhas - convidativas para uma fusão.

Na MS, 4 de suas 5 divisões de negócios apresentaram resultados inferiores aos de 1 ano atrás. Luz amarela, ficando alaranjada. Para eles, meio 2007 já foi embora (o ano fiscal inicia em julho). Ballmer, com o zu(ne) na mão, parece precisar d'algo estrondoso. E ele não tem criatividade para fazer nada que não seja uma fusãozinha. Básica.

O problema é decidir o que a MS quer ser. Colocando de outra forma: decidir com quem a MS quer brigar. Se for com os grandões (IBM, Oracle), ela tem que papar a SAP. Se o inimigo for o maior candidato a grandão (Google), seu alvo-comida deve ser o Yahoo. Ó dúvida cruel. Como alento só a percepção de que as três empresas possuem um mínimo denominador comum: lucros decadentes.

E por falar em similaridades, algo aproxima a HP da Oracle. Espionagem (muito mal feita) é com elas mesmo! Céus.. o mundo corporativo nunca esteve tão perto do circo. (Com todo respeito aos circos).



* Please.. não confunda com motoristas!