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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Talento X Comprometimento

11 fevereiro 2010

Depois que até o Mestre Jacobson apelou para metáforas ludopédicas, é claro que não vou furar a bola alçada pela dupla que comanda a seleção canarinho, né? Ao tentar justificar a lista de convocados nesta semana, o auxiliar-técnico Jorginho disse mais ou menos o seguinte:

A técnica apenas não basta. É preciso mostrar comprometimento.

Com certeza é isso que justifica a presença de Felipe Mello, Josué, Júlio Batista, Elano, Gilberto e outros caras que mal conseguem se firmar em seus clubes mas merecem espaço na nossa seleção. E é a mesma desculpa para a ausência de Ronaldinho, Neymar, Hernanes, Elias etc etc etc. Nosso campo é outro, verde em outro sentido. E o que quero propor é um papo sobre o conflito Talento X Comprometimento.

Numa época em que o mercado cobra Inovação e Criatividade, é possível que uma empresa se dê bem apostando no comprometimento em detrimento da técnica, do talento? Basta ver quantas empresas por aí, particularmente de TI, pastam para sobreviver. Seria por falta de comprometimento de seus colaboradores? Na minoria dos casos, posso garantir. Mais do que comprometimento, lhes falta talento. Carecem de pessoas criativas. Ou, principalmente, de não-processos e não-políticas que valorizem os criativos.

O que nossa comissão técnica e muitas das nossas empresas não explicitam é um medo e uma incompetência. Medo: Os caras mais talentosos são mais rebeldes e contestadores. Incompetência: Não sabem gerenciar gente talentosa. O que fazem, então? Não convocam ou não contratam gente que possa representar perigo.

Romário, crucial no Tetra de 94, fugia da concentração para suas gandaias. O que é estranho, no caso da seleção, é que tanto Dunga quanto Jorginho estavam lá. Anjinhos, claro. Mas teriam coragem de "queimar" o Baixinho? Hehe.. eles são bobos mas não são burros.

Agora, por favor, não me interpretem mal. Não estou propondo que as empresas virem o caos absoluto com trilha sonora do samba do nerd mucho-loco. O que estou dizendo é que, enquanto as empresas insistirem nessa coisa limpinha, chata e previsível de seus processos elas seguirão pastando para pagar as contas. Chega de invejar os números de uma Google da vida mas não copiar umazinha de suas boas ideias em gestão de talentos. Basta de mediocridade!

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E a seleção? Já perdi qualquer esperança. Em 94 tínhamos 8 chatos e 3 talentos em campo: Romário, Bebeto e Tafarel. Bastaram para aquele título feio, chato, quadradinho e que só veio nos pênaltis. Hoje só temos um talento de verdade. No gol!?! É pouco. Muito pouco. Como já disse lá nas previsões para a próxima década, nosso Hexa virá em 2014, em casa. E com o Dunga exilado lá na Patagônia, secando os talentos num radinho de pilha.

O lance aí do lado é um dos mais reprisados na história do futebol. O Pelé perdeu o gol. A seleção de 1982 é lembrada e celebrada até hoje nos 4 quantos do mundo. Não ganhou nada. No final das contas, o que fica é o talento. E a história que ele ajudou a criar. O resto é o resto.

Novas Profissões

10 fevereiro 2010

Uma brincadeira que fiz no finito me empurrou para cá - aquela sobre o "Crítico de Oficinas". O tema me incomoda desde que comecei a reparar que uma famosa publicação adora anunciar novas profissões em TI que são um tanto esotéricas e estranhas. Detetive de redes sociais, por exemplo. Não dá pra crer na viabilidade ou longevidade de muitos chutes que aparecem lá e em outras paradas. Assim como é impossível apostar em qualquer profissão que possa ser facilmente trocada por aplicações, como é o caso do "detetive" em questão. Há tempos sabemos que as profissões mais quentes e promissoras, particularmente em TI, são aquelas que dependem demais do intelecto e do talento, da criatividade e da sensibilidade. Características que, até onde sei, ainda estão muito distantes de sistemas, robôs e afins.

Mas é ainda mais gritante o fato de algumas das profissões mais atraentes e necessárias serem sumariamente ignoradas pela grande mídia tupiniquim. Não por acaso, também são aquelas que nunca aparecem em anúncios de vagas. Dúvida tostines aqui: não há oferta porque não aparecem na mídia ou não aparecem na mídia porque não existem ofertas?

Não, não estou falando dos Analistas de Negócios. De certa forma eles apareceram (CIO Maganize, IDGNow etc) e cresceram. Empresas como Bradesco, Embraer, Net, Oi e JBS Friboi, dentre várias outras, já têm seus times de analistas de negócios. Os problemas com esta profissão são outros, e merecerão outro espaço e tempo.

O que não aparece no meu radar mesmo, por exemplo, é um cara que faça design. Não estou falando dos "designers" de interfaces nem de artistas pós-modernos. Penso no criador, no arquiteto de produtos. Nunca na nossa história esse tipo de design foi tão necessário. Falamos de inovação e de criação de produtos e serviços "matadores". Pensamos no iPhone e no Facebook, por exemplo. Nos lembramos também dos carros da Toyota, apesar dos recentes pesares. São todos exemplos de um bem sucedido trabalho de design.

Dos outros não sei quase nada, mas na Toyota cada carro é arquitetado (projetado / desenhado) por um engenheiro-chefe. Na Apple parece claro que há um cara que tem a primeira e a última palavras sobre seus novos produtos e serviços. Cadê os nossos "designers"? Se eles existem, onde são formados? E, se existe procura por eles, onde ela é manifestada?

.:.

Eu ia esticar o papo, tentando ilustrar a relevância desses caras em bancos, seguradoras e empresas de TI. Aguardarei algum feedback antes de prosseguir. Enquanto isso, deixo uma sugestão de leitura que explica bem a relevância do design no século XXI e os desafios deste novo profissional:
  • Subject to Change - Creating Great Products and Services for an Uncertain World
    Peter Merholz, Brandon Schauer, David Verba e Todd Wilkens
    O'Reilly - 2008




Caixa Preta... e Suja

26 janeiro 2010

Quem é de fora quase sempre classifica TI como uma "caixa preta". Uma imensa e cara "caixa preta". Já tem um bom tempo que muita gente séria trabalha para reduzir a distância que existe entre uma organização e seu braço de tecnologia da informação. Infelizmente, o lado obscuro e exotérico prevalece.

Se em empresas privadas essa densa cortina causa danos óbvios, é na administração pública que fica escancarado o quanto TI pode ser mal utilizada. Colocando de outra maneira: fica claro como TI pode ser utilizada para outros fin$.

Para ficar só em casos recentes: no caso do mensalão do DEM no DF fala-se em R$ 400 milhões gastos em um "moderno sistema de informatização". Põe no bolso, literalmente, os fabulosos US$ 90 milhões gastos por uma ex-estatal na implantação de seu ERP; o "Cartão do SUS", um projeto de um imenso banco de dados criado em 2001, já consumiu cerca de R$ 500 milhões e ainda não "deu as caras". Segundo Elio Gaspari, na Folha do dia 20/jan, de 1937 máquinas utilizadas em um projeto piloto, apenas 7 estão funcionando.

É sabido que projetos de TI fracassam com frequência vergonhosa. Mas os exemplos acima nos fazem suspeitar de alguma coisa além de nossa tradicional incompetência. No popular: tem gente mamando!

Prestadores de serviços de TI dependem demais de um único ativo: confiança. Quando se metem em gambiarras de (des)governos devem estar cientes do tanto que comprometerão sua posição no mercado. Empresas sérias não gostam de se envolver com gente enrolada.

Pois é, cá estou novamente brincando de bidu. Meus tiros configuram mais uma lista de desejos do que "previsões" propriamente ditas. Portanto, se acerto ou erro, não faz muita diferença. Acertei, por exemplo, que a Sun não chegaria como empresa independente no final de 2009. Chutei Cisco como a 'comedora' - deu a óbvia e gulosa Oracle. Deve ter gente lá cantarolando um pré-histórico não-sucesso do Genesis, "In the Cage", que fala: "I got SUNshine at my stomach". Haja estomazil! Mas, como sempre, é o lado mais fraco da corda que arrebenta. Que o digam os usuários e fãs do MySQL.

Mas, como a titia Marília Gabriela me lembra quase diariamente, errei tremendamente ao desejar o passamento (sem choro nem vela) de todas as grandes empresas tupiniquins de TI. Elas estão aí, firmes (como prego n'angu) e fortes (como certeza de palmeirenses). E corretíssimas! Não no sentido que nos leva ao DF, obviamente. Estão corretas em suas ofertas - naquela carteira (de produtos) que eu desejei ver num aterro sanitário. Basta ver a lista dos 100 principais CIO's de Pindorama e seus principais "desafios" para 2010. O critério do ranking, segundo a Computerworld, são os "projetos e desafios". Veja os tais projetos e desafios. Avalie a frequência das letrinhas ERP e similares e tire suas próprias conclusões.

Esqueçamos os 20 anos de atraso. Interessam aqui os próximos 10 meses e os próximos 10 anos. Sem ordem ou critério de seleção objetivo como um Caetano. E farei a lista como entradas num microblog que não merecerão - pelo menos não de minha parte - sobrevida no Twitter. Saca só:

  • O CADE só aceitará na boa a fusão Casas Bahia + Pão de Açúcar se os franceses do Carrefour decidirem o que vão fazer da vida.
  • Wal-Mart tem a solução na ponta da caneta.
  • Dona Luiza seguirá procurando sua Lagoa Azul, já que o Oceano não está para peixe (pequeno).
  • (Taí: por que não Brooke Shields de garota propaganda? )
  • A B2W (leia-se Americanas, Submarino e Shoptime) ainda não tem com o que se preocupar. Ao contrário do Bradesco.
  • A B2W só se sentirá ameaçada quando a Amazon e equivalentes estrangeiras resolverem que Pindorama é praça de verdade. Coisa de 2 anos.
  • Ou quando Pão de Açúcar + Casas Bahia aprenderem a vender e atender pela web. Coisa de 4 anos. 
  • Acontece que no país da piada velha, onde varejista oferece micrinho de 800 contos em 24 parcelas de R$ 99,99 com Win Vista Starter Edition (aka Win 4 $less people), tudo é possível.
  • Até uma estatal que garanta banda larga do Oiapoque ao Chuí. 
  • Caminho mais curto seria a reestatização da Embratel. Caminho mais inteligente seria uma privatização menos indecente. 
  • Caminho mais eficaz seria uma revisão do marco regulatório e de todos os contratos dos provedores de serviços de telecomunicações. 
  • Mas, pelo andar das carruagens brasilienses, teremos mesmo uma nova estatal.
Já que falo de (des)governos...
  • O próximo também tentará promover uma "Reforma Tributária". Governadores mais fracos e / ou aprisionados tendem a aceitar a manutenção da falsa federação.
  • Aliás, cabe dizer que o próximo governo será apenas transitório. Rito de passagem para papo mais sério e polarizado que só acontecerá em 2014.
  • A instabilidade acontecerá apesar do crescimento médio do PIB de 5% ao ano.
  • O bolo crescerá bem, naturalmente (e com polvilho barato). É sua divisão que forçará uma polarização.
TI Tupiniquim:
  • A inevitável seca de alguns mercados obrigará o desenho de soluções pouco ortodoxas. As grandes serão as primeiras a buscar novos mercados.
  • Metade delas será 'vaga lembrança' na Olimpíada de 2016.
  • Metade da metade não será mais tupiniquim.
  • Apesar da taxa extra para remessas de lucros e de receitas com royalties que o próximo governo vai criar. Ou exatamente por causa disso.
  • A falácia do déficit de 200k profissionais / ano finalmente será desnudada. 
  • Independente disso, a partir de 2012 ficará mais visível a falta de profissionais. Campanhas tentarão atrair a molecada, mas o estrago de 5-10 anos já estará feito.
  • Instituições de ensino que entregam profissionais fraquíssimos (sem noções básicas de OO, por exemplo) começarão a ser processadas por ex-alunos que têm seus currículos sistematicamente recusados.
  • Desenvolvedores e engenheiros chineses, chilenos, argentinos e até indianos serão relativamente comuns em empresas de todo tipo e porte.
  • Empresas chinesas e indianas serão relativamente comuns em concorrências e licitações de todo tipo e porte.
  • Voltando aos profissionais, para encerrar o tópico: uma mesma função pagará salários entre R$ 1200 e R$ 6200. A distorção só fará aumentar. Culpa das escolas e empresas que compartilham um mesmo lema: "Os enganamos e vocês gostam!"
  • Os poucos realmente bons não precisarão brigar pelos salários mais altos. Na realidade, as poucas empresas realmente boas brigarão por eles. 
 TI Global:
  • Novo soluço de crise no mundo desenvolvido. Menos acachapante que o último, mas mortal para alguns ramos de atividade.
  • Fronteira entre conteúdo e meio cairá como um muro de Berlin. Megafusões serão a primeira resposta. E Jobs vai se aposentar gargalhando.
  • Dell, Acer, Lenovo e HP. Escolha duas.
  • A Oracle comprará a SAP antes de ser obrigada, pela União Européia, a se desmembrar em 4 empresas independentes.
  • Uma delas se transformará na coqueluche da década, especializada no tratamento e revitalização de ativos de software e sistemas legados.
  • Será aquela onde Larry não terá depositado um mísero cent.
  • Será aquela que concorrerá diretamente com a IBM. 
  • Ballmer se aposentará sem deixar saudades. Nem nos funcionários, muito menos nos acionistas.
  • Cairá por teimar em áreas que sempre deram prejú. E por deixar suas vacas sagradas pastarem no brejo. 
  • Será possível que a Adobe seguirá livre, leve e solta nos próximos 10 anos?!? Já prometi no ano passado, não falo mais sobre ela...
  • Aliás, não deveria ter falado sobre o Ballmer também. Mas não resisto... E agora a chance de erro é zero! 
  • O Google ChromeOS não terá 8% de 'share' até 2012. Se a empresa for teimosa o suficiente, vai saborear 28% de 'share' em 2016.
  • Somados ChromeOS e Android, significará dizer que a Google comandará o acesso a Internet de mais da metade da população economicamente ativa do planeta. 
  • Incomodará tanto e gastará tanto tempo tentando provar que "não é má" que esbarrará no limite das viabilidades técnica e econômica. Por vontade própria, abrirá mão de alguns negócios.
Brinquedinhos:
  • Tablets serão o Netbook dos anos 2010 ~ 2011. 
  • E a Apple só não jogará o Kindle para escanteio porque falhará na hora de licenciar conteúdo.
  • Não fará muita diferença, já que seu Tablet mira uma imensidão de outros usos.
  • Uma imensidão que, medida, bate nos 7 dígitos. E não estou falando de money. Estou falando de mini (até US$5), micro (até $100) e macro-aplicações.
  • Duas grandes lojas (e plataformas de desenvolvimento) concentrarão corações e mentes: AppStore da Apple e a "lojinha" do Android / ChromeOS.
  • Vários desenvolvedores, em todo o mundo, trocarão suas carreiras pela renda das 'lojinhas'. Desenvolverão mini e micro aplicações. Os melhores embolsarão mais de US$150k / ano.
  • Até 2014 alguém tentará levar o mesmo modelo para o mundo dos videogames. Não deve ser Sony, MS ou Nintendo.
Assuntos aleatórios:
  • O Timão ganhará a Libertadores. (Pelo menos uma nos próximos 10 anos...)
  • O site que venderá ingressos para os próximos shows do U2 no Brasil vai cair.
  • O U2 lançará uma nova coletânea (The Best of 2000 - 2010).
  • O Brasil perderá dois reis, um sete de copas e um ás de espadas.
  • Perderá também a Copa de 2010. Para uma seleção que subirá no topo pódio pela primeira vez.
  • Perderá 2010 para ganhar em 2014. Dunga, exilado, não comemorará.
  • Ah... o mundo não vai acabar em 2012.
  • Aliás, agora que Copa e Jogos Olímpicos são nossos, seria o cúmulo da piada de mau gosto o fim do mundo em 2012, né? 
  • Ou não... 

O Cara de Vendas

16 junho 2009

Quem é que geralmente acaba comandando tudo? O cara de vendas.

- Steve Jobs, citado em "A Cabeça de Steve Jobs"


O trecho acima foi surrupiado de um dos capítulos mais provocativos e controversos do livro "A Cabeça de Steve Jobs", o capítulo 6 - "Espírito Inventivo". Leander Kahney, o autor, pinta um Jobs romântico, que coloca a experiência do consumidor acima de tudo. Acima de tudo mesmo! Inclusive das vendas.

Para ilustrar o ponto, Leander mostra uma das poucas frases de Jobs que não aparecem acompanhadas de referência. Ou seja, o autor não mostra quando e onde Jobs falou. Mas Leander fala que Jobs falou (hehe) que os problemas da MS começam quando o cara de vendas (Ballmer) assume o lugar do programador (Gates): "...nessa hora o melhor pessoal de produtos já foi embora, ou então ninguém mais ouve o que eles dizem". Problema semelhante aconteceu na Apple, quando Sculley assumiu o posto de CEO e despachou Jobs. Mas esse é outro conto.

Diversas histórias apresentadas no livro provam que as intenções de Jobs não são balelas que ficam apenas naquele quadrinho "Nossa Missão", que geralmente é pendurado em paredes de corredores vazios. Por exemplo: os "vendedores" das lojas Apple não recebem comissão. Motivo? Ron Johnson, VP de Vendas, "queria os funcionários ligados ao coração dos clientes, e não aos seus bolsos". Eu não disse que tem um "q" romântico nesse papo todo? Romântico, mas sério!

E particularmente provocativo e controverso quando penso em nosso impávido e colossal mercado tupiniquim de TI. Até me fez lembrar de uma história bem legal. Saca só:

Aquela imensa empresa de serviços financeiros precisava de um sisteminha. Um "puxadinho" que envolvia troca de dados entre seu monumental mainframe e a tal "plataforma baixa". Abriu concorrência, publicou uma generosa RFP (solicitação de proposta) de 11 páginas e convidou uns 7 potenciais fornecedores para uma única reunião de "esclarecimentos".

Sala apertada, vinte e poucas pessoas, muitas dúvidas e alguma balbúrdia. Sem cafezinho. Reuniões assim são divertidas porque são do tipo "estoura boiada". Explico: os concorrentes ficam morrendo de medo de falar. Medo de falar besteira ou de revelar alguma estratégia "vencedora"? Fico com a primeira opção. Mas basta que uma se mostre corajosa para as outras perderem a timidez e encherem o outro lado com perguntas dos mais diversos tipos e níveis: da "beabá-bocoió" até aquela hilária mesmo, do tipo que ganharia concurso de piada.

Mas nem tudo é comédia. Há suspense também. Porque o cliente, pra variar, quer fazer uma compra com "preço fechado". Nada dá mais gelo na barriga da turma de TI do que este binômio: "preço fechado". Uma RFPzinha de 11 páginas, uma reuniãozinha de 33 minutos e... Shazam! "Quanto custa e quando vc me entrega?"

Mas este causo tinha um detalhezinho importante: o cliente não estava solicitando nada! Explico de novo: NADA do que o cliente pediu fazia sentido. Não havia um objetivo claro, nem um mísero caso de uso. Havia um tanto de definições e, principalmente, de restrições técnicas. Mas NENHUM requisito minimamente claro. Um dos concorrentes tentou avisar, ainda na reunião, que nada daquilo fazia sentido. Como não foi ouvido, deixou quieto. Sua briga, tão logo encerrada a reuniãozinha, foi outra: convencer o vendedor que o acompanhava que eles não apresentariam uma proposta. Sorte dele que o vendedor era gente fina e tava bem de grana (de outras comissões, outros projetos).

Quando comunicado, o cliente não entendeu bem: "como assim, vocês não vão mandar proposta?". O vendedor confirmou e explicou: "Sua solicitação não faz sentido".

Uma semana depois do prazo para a entrega das propostas, todos os 7 concorrentes foram chamados para uma nova reuniãozinha. Sim, os 7! Inclusive aquele "arrogante" que não apresentou uma proposta. Representantes orbitais do cliente começaram a reunião tentando identificar caras: "ah, foram vocês que não mandaram a proposta, né? Pois é, vocês estavam certos - nada do que pedimos fazia sentido!".

Estranho não foi o reconhecimento do erro, uma quinzena depois. Estranho foi o fato dos outros 6 concorrentes terem enviado uma proposta!

Acho que é um causo que ilustra bem o que o Jobs chama de empresa guiada pelo "Cara de Vendas".

Dia 14/jun de 2005: publiquei o seguinte post. É curto mas vou te poupar o clique. Conclui aquele postinho da seguinte maneira:

Oracle+Peoplesoft(JD Edwards), Siebel, SAP+MS, Datasul, Microsiga+(Logocenter+APSoft) que tanto falam em atacar o mercado PME (Pequenas e Médias Empresas) deveriam prestar mais atenção ao futuro bicho papão do mercado de ERPs+CRMs: o Compiere.


Agora, exatos 4 anos depois (!), a INFO do mês apresenta o artigo: "O ERP Agora é Open Source".

Além do Compiere, falam também do SugarCRM e do vTiger CRM. E citam as empresas tupiniquins que estão fazendo a roda rodar: Megawork (ES), Lâmpada Global Services (SP), TTCA (PR) e WBA (SP).

O processo é muito, muito mais lento do que imaginei. Mas nunca duvidei de nossa capacidade de aproveitar boas ideias (fazendo grana!).

Coisas que Não Entendo

09 junho 2009

São várias (as coisas que não entendo). Algumas menos que outras. Por exemplo, não consigo entender "As 100 Empresas + Ligadas do Brasil", lista publicada anualmente pelo INFO, um cadinho antes da listona de sua co-irmã, "As Melhores e Maiores" da EXAME. 


Não entendo porque:
  1. Os critérios não são muito claros;
  2. Os critérios são simplistas (investimento em TI, nº de computadores, nº de funcionários, reciclagem e tecnologias limpas); e
  3. A turma que elabora a lista nem se preocupa em mostrar a evolução das empresas em relação ao ano anterior.
Ou seja, parece coisinha de matar tempo; matar algumas curiosidades e matar de rir. Por exemplo, tem empresa que registra um investimento total de US$ 51 milhões em TI e tem apenas 50 funcionários! É das mais ligadas! E contradiz outra informação que vem na mesma pesquisa: 73% dos profissionais de TI são contratados diretamente, contra 27% de terceirizados. Tem gato em tuba que não resiste a uma lupa. 

Assim como tem informação que não resiste a 2,3 segundos de análise. Por exemplo: 34% das empresas afirmam ter blogs, mas apenas 22% têm "RSS". Dá pra entender?

Não, assim como não dá pra entender como empresas "ligadonas", como a Petrobras Distribuidora (22ª colocada na listinha da INFO), lance mão de recursos de terceiros e gratuitos para hospedar um blog. Tô falando do desesperado petrobrasfatosedados.wordpress.com, blog que a empresa lançou para "combater" a CPI (que, diga-se de passagem, não dará em nada). A empresa torra US$ 17 milhões em TI e não tem um servidorzinho 1/2boca para hospedar um blog?!?

Também não entendi o último gráfico da matéria. Trata de "plataformas de desenvolvimento mais utilizadas" e mostra Java (79%), .Net (67%), ASP.Net (63%) e C# (30%). Das duas, uma: ou a turma não sabe perguntar ou a turma não sabe responder. Resumo fácil: ninguém sabe do que está falando!

Se soubessem, e se fosse tudo verdade, o Brasil deveria figurar no topo da lista dos países mais "ligados e antenados" do mundo: afinal, 49% das nossas empresas já estão, de alguma forma, "na nuvem". Só se for no sentido figurado.

Saca só:

  1. Empresas de telco são recordistas em reclamações no Procon e afins.
    Práticas comerciais draconianas e serviços de péssima qualidade são as razões de tanto chororô da freguesia.
  2. Todos os serviços prestados por elas, mais notadamente o provimento de acesso "banda larga", estão entre os mais caros do mundo.
  3. No entanto, numa lógica que só parece fazer sentido em Pindorama, nossa "banda larga" está entre as piores do mundo. Nos quesitos que mais interessam para a freguesia: largura de banda e estabilidade.
  4. Apesar do grande número de tupiniquins com acesso regular à rede e, principalmente, do número de serviços fundamentais que hoje dependem dela, não parece interessar às Telcos que a Internet seja considerada um serviço básico e fundamental como é, por exemplo, a comunicação por voz.
  5. Por isso elas são pegas de "calça curta" quando percebem que o tráfego de dados em suas redes 3G iguala ou supera o tráfego de voz (tá na Folha de hoje). E já antecipam - sempre chantagistas - o risco de um "apagão" em 2012. Não cravaram 2014 para não atrapalhar nossos planos para o Copa, ok?
  6. Estou falando das mesmas empresas que registraram juntas, em 2007, um lucro líquido (legal, segundo EXAME Melhores e Maiores) de US$ 3,5 bi. De novo: três bilhões e meio de doletas - uma em cima da outra. Quem precisa de apoio estatal (leia-se BNDES) para investimentos em infraestrutura?
  7. Só no Brasil: a recordista de reclamações fica com quase metade da grana acima, em 2º lugar.
Resumo da ópera: somos diariamente tratados como imbecis. E pagamos por isso!

Totvs Hocvs Pocvs

13 maio 2009

Nunca antes na história desse país uma empresa de software fez uma campanha publicitária tão ampla e cara. Titia Marília "Gabi" Gabriela tá em tudo quanto é canto - JN, Bom Dia Brasil, Veja... - tentando explicar para as massas o que é Totvs e porque eles resolveram colocar um V no lugar do U. Sinceramente, nunca antes na história desse país uma empresa gastou tão mal tamanha verba de publicidade...


Dá a impressão que a turma do "marquetingue" resolveu torrar uma grana para corrigir um problema que eles criaram: o nome do negócio. Complica mais ainda a mensagem aquele GC (gerador de caracteres) que fica girando atrás da Gabi, mostrando todas as empresas papadas pela "houdingue": Microsiga, RM, Datasul... Em 30" ou 30cm não dá pra Gabi explicar tudo, né?

Opa, ela explica sim, que Totvs quer dizer Tudo. E que a empresa "é igual, sendo sempre diferente". E, na hora de vender, a azeitona da empada-toda: você compra Totvs para...

... alavancar os processos de gestão de sua empresa.

E assim, fizemos do software guindaste. Hocvs Pocvs!! E melhor sorte na próxima...


Em 26/mar, igualmente atrasado, meio que lamentei aquele que parecia ser o fim da Sun: a aquisição pela IBM. O negócio, sabe-se lá porque, não saiu. O que deve ter gerado inúmeras licenças médicas no depto financeiro da Sun. Em tempos bicudos, ser papado parece ser a única alternativa para empresas encrencadas. Vide Chrysler e afins. Mas ser papado pela IBM? Era o fundo do poço?

Que nada. Eis que chega Larry "SuperSizeMe" Elisson e incorpora a Sun ao seu precioso e disforme portfólio. Sem medo de entregar as cerejas que o atraíram para o bolo Sun: Java e Solaris. MySQL e OpenOffice? O silêncio de Larry sobre esses produtos diz muita coisa. E apavora, com razão, a turma do universo do software livre. Só uma pessoa de nossa indústria tem ideias mais aterradoras que Larry. Mas essa pessoa tá muito longe do nicho em questão, vendo a caravana Google passar...

O lunático Dan Baigent, funcionário da Sun, começou a listar em seu blog as 10 razões que afundaram a Sun. Não teve a chance de terminar seu épico. Foi censurado!?! Alguma coisinha o maravilhoso cachê Google salvou. Coisinha das mais preciosas: a zona que a Sun aprontou com seu ativo mais valioso e promissor, Java. Leia o saboroso artigo. No mínimo pra ver como é o marketing quando elaborado por um bando de técnicos. Por 4 anos acompanhei com certa proximidade essa zona. Cada visita de um "product-qq-coisa" da Sun gerava confusão e gargalhadas. Não necessariamente nessa ordem.

Mas, e agora? Como a Oracle lidará com suas novas cerejinhas? Duas certezas: i) muita coisa vai mudar; e ii) a evolução da história merece acompanhamento. De perto!

.:.

Ainda queria entender as razões para a IBM sair do negócio. Se foi só vontade própria, a empresa merecerá uma brincadeirinha com seu nome: Inocente, Bobinha e Morosa.

Fez que foi...

07 abril 2009

...e não foi!

A Sun não vai mais morrer no ácido estômago da IBM.

Pô, me fizeram desperdiçar belos versos surrupiados por nada?

Posso culpar o Schwartz não. Parece que ele queria *muito* usar um crachá da IBM. Quem "deu pra trás" foi o chato do McNeally. No ranking de egos da nossa indústria, tirando tupiniquins, ele ocupa o 4º ou 5º lugar. Claro que não aceitaria assim, quase de graça, o término de sua empresa-sonho.

Quem ganha? O ego do McNeally.

Quem perde? Schwartz, IBM e a clientela da Sun, agora mais perdida que torcedor da portuguesa aos 47' do 2º tempo... Não necessariamente nessa ordem.

ou Gemas das Estratégias da MS:

Segundo Mary "Jo Jo Gunner" Foley, a nova campanha publicitária da MS tá "dando nos nervos" (de MacManíacos). Estranho pequeno grande detalhe: a campanha não fala de Windows, só de PC's. Dell, HP, Lenovo, Positivo e CCE agradecem a generosidade da firma de Redmond.

Só não consigo entender porque "MacManíacos" continuam dando tanta importância para esse tipo de provocação. Tudo o que a MS espera receber é barulho mesmo. Claro, não do tipo que aquela desastrada campanha com Gates & Seinfeld geraram.

Reparem amigos MacManíacos que por aqui passeiam: a MS torrou US$ 300 milhões para não falar do Windows! Tipo de barulho fácil de responder: com silêncio. Assim o Macho-Ballmer perde a cabeça. E pode até arriscar uma campanha derradeira: "PC's são de Marte, Macs são de Vênus", hehe.. Em Pindorama ele pode até arriscar uma tropicalização: "Corintiano que se presa compra PC's! Macs são coisa de sãopaulino..." Sem preconceitos, please!

Responder a provocação faz menos sentido ainda quando percebemos que a própria MS se contra-ataca: ela já admite o downgrade do Win7 para WinXP!?!

Quer maior propaganda negativa do que essa?

Aliás, já que estamos em tempos de "transparência total", HP e MS deveriam esclarecer logo se a primeira realmente ganhou carta de alforria da segunda para comercializar maquininhas com XP até 2010. A clientela agradecerá a atenção dispensada.

Lanterninha

31 março 2009

Dona Irene Mia, economista sênior, comentando a posição de Pindorama no 8º Relatório Global de Tecnologia da Informação (2008-09):


Embora o Brasil apresente um alto nível de prioridade para a tecnologia, com práticas de governo eletrônico e ações empresariais, tudo isso ainda não criou um ambiente tecnologicamente avançado para os brasileiros. Além do ambiente de mercado que sofre com o excesso de regulação e baixa qualidade do sistema educacional.


134 países foram analisados. Um tópico deveria nos preocupar mais: ficamos em 124º lugar no quesito "Qualidade da educação em Matemática e ciências". Sei lá como mediram isso. Com certeza não utilizaram nossas grandes provas formais (tipo Enem e afins), porque essas não sabem o que é ciências.

Estranho é o fato da matéria da Info dar mais espaço para um quesito onde Pindorama foi bem sucedida*: 13º lugar pela "qualidade dos fornecedores locais de tecnologia". Em todos os outros critérios ficamos abaixo do 100º. Ou seja, tem alguma coisa muito errada, não? Será erro de digitação?

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*Que nem Galvão Bueno no último domingo. Ao invés de descer o malho naquele timeco retranqueiro, preferiu babar pelo Júlio César. Êta prensa babona essa nossa...

Desperdício a Vista

26 março 2009

Saca só:



Coitados dos alunos de SP. Aprenderão cedo a lidar com as agruras & usuras do SO pesadelo de Redmond.

Coitados dos pais dos alunos de SP. Testemunharão sem chances de reação seu desgraçado dinheiro pago em impostos indo para ralos. Inclusive um em Redmond.

Serão R$ 400 milhões em 4 anos! Claro, além das maquininhas demoníacas, o valor inclui serviços de manutenção e treinamento. Mas... pensa bem. 400 milhões de reais!

Isso faz com que cada maquininha, com serviços, custe R$ 5.000. De aluguel!?!

É o Governo Serra ajudando a combater a crise do mercado de TI, certo?

Só que é com sua grana, mané!

Títulos alternativos:

  • There Goes the Sun (lalala-la)
  • ... and the Sun is eclipsed by the Moon
  • Sunshine on my shoulders makes me creepy
  • Wasted Sunsets
  • ...
Chego tarde, mas não vou chover no molhado. Estava esperando o desenrolar do negócio mas, pelo jeito, vai demorar. Hã? Tô falando da Sun sendo papada pela IBM. Sobre a "fusão" os americanos gastaram um chavão: "strange bedfellows".

Coloca estranho nisso. A Sun sempre tentou ser o oposto da IBM. Eu disse, tentou... Nem sempre conseguiu. Mas o duelo sempre fez muito bem para o mercado de TI. Pena que nossa prensa "especialista" goste de papos mais pop, tipo MS vs Apple ou vs Google. Perdeu a chance de documentar melhor um embate tão relevante quanto os outros. Em outros tempos, claro.

Porque nada une mais IBM e Sun do que a irrelevância de ambas nos últimos anos. Irrelevância em termos de inovação, eu digo. Tá distante a era em que ambas ditavam tendências. Estranho é que as duas, cada uma a sua maneira, parecem satisfeitíssimas com o próprio marasmo. Fusão de preguiças?

É difícil prever as consequências e frutos da fusão. Claro, muita gente vai vazar da Sun. Aquele espírito "universitário", há tempos moribundo, vai definitivamente para as cucuias. Mas, e o resto? E o Java? E o Solaris? E o MySQL? E o OpenOffice?

Bons tempos para quem gosta de teorias de conspirações ...

Rua!

23 março 2009

Notinha quase escondida do caderno Dinheiro da Folha da última sexta (20/mar):

De Graça

O sistema operacional gratuito Linux ficou mais popular entre as empresas desde que a crise começou. Mais de 72% de um grupo de 300 executivos de TI no mundo estão avaliando ou já decidiram aumentar a adoção do Linux no servidor em 2009, segundo pesquisa da Novell. A maior razão que motivou os executivos a migrarem para Linux foi econômica.

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Três pequenos comentários:
  1. De graça? Nada é de graça. E esse tipo de migração costuma custar muito dinheiro.
  2. A motivação é equivocada, assim como a percepção que de haverá economia no curto prazo.
  3. Eu manteria o plano de migração - afinal se trata de um SO superior. Mas mandaria embora todos os 72% de "executivos de TI". Ao propor a migração, por razões econômicas, eles confessam que passaram os últimos anos desperdiçando grana. Rua!

Boa Pergunta

02 fevereiro 2009

A última EXAME (ed. 935 - com o Steve Jobs na capa), tem um artigo sobre o livro "Bilhões de Empreendedores", que a Campus-Elsevier finalmente lança no Brasil. O livro é de Tarun Khanna, indiano professor da universidade de Harvard. O livro é interessante porque quebra uma série de mitos sobre Índia e China. Fica mais agradável por causa do estilão "metralhadora" do Dr. Khanna:

Pela primeira vez desde a ascensão do capitalismo ocidental, empreendedores na China e na Índia podem ignorar Nova York e Londres - e ainda construir empresas que valem bilhões.
Ok. Mas existe uma razão melhor para a dica aparecer aqui no Graffiti. Dr. Khanna escreveu um prefácio exclusivo para a edição tupiniquim do livro. E seguiu metralhando:

Ainda existem muitos segmentos em que as empresas privadas do Brasil não têm se saído tão bem quanto algumas asiáticas. Por exemplo, por que não existe uma companhia de softwares semelhante à Infosys em Campinas, no estado de São Paulo?

Na hora me deu uma vontade danada de responder. Mas, pensando bem, melhor deixar só a questão do Dr. Khanna mesmo.

Revendo 2008 / Prevendo 2009

23 dezembro 2008

Não sei porque insisto em publicar minhas "previsões" todo final de ano. Previsões com aspas porque a grande maioria é mais uma lista de desejos do que qualquer outra coisa. Cansei de "prever" a queda do Ballmer e a aquisição da Adobe pela Apple. Cansei de pedir um movimento de consolidação das distros Linux. Cansei de imaginar a aquisição do Yahoo pela MS. Ou seja, cansei de dar varada n'água. Se acertei um chute no final de 2007 foi apenas a crise financeira. Meio acerto, porque achava que só o hemisfério norte sofreria com a recessão nos EUA. A crise é bem maior do que eu esperava. E ela muda muita coisa.

Analistas estão falando que TI, apesar de tudo, crescerá no mundo todo. Algo em torno do dobro do PIB de cada nação. Não sei se são irônicos ou bobinhos: quanto é o dobro de zero? Porque zero será o crescimento médio do primeiro mundo, EUA e UE.

O PIB de Pindorama, apesar do Meirelles, deve ficar mesmo entre 3% e 4%. Então nossa turma de TI pode trabalhar com números entre 6% e 8% de crescimento. Pode? Não acredito.

O perfil da maioria de nossas médias e grandes empresas, quando o assunto é TI, é muito conservador. Em tempos de crise então, espere racionamento até no "feijão com arroz". Esqueça upgrades e projetos big bang. 90% do orçamento de TI irá exclusivamente para manutenção. E os 10% restantes formarão uma "poupancinha"... grana que só será gasta lá no final de 2009, se tudo estiver "sob controle".

Pouquíssimos fornecedores têm chance de ganhar alguma coisa neste tipo de cenário. Só 5 letrinhas pintaram na memória: IBM e HP, necessariamente nesta ordem. MS, Dell, Lenovo, Sun e afins são aquelas que mais perdem. Sem upgrades a vista (sem trocadilhos), é de se esperar quedas em receitas de até 50%. Tô brincando não.

Tanto que até me animei a um novo chute do tipo "quem come quem": a Cisco, para quem a crise parece ser só marolinha, pode se reposicionar. Parece besteira, mas quem tem US$ 26bi em caixa pode pensar em uma bela aquisição. De uma Sun, por exemplo. Monopólio cansa, e a Cisco deve estar louquinha por oxigênio e dólares novos. E a Sun tá uma pechincha. Acho que tem tudo a ver. Aliás, Apple e Adobe também tem tudo a ver e não dá em nada... Então, deixa pra lá.

Por falar em Apple: 2009 deve ser um ano difícil para a empresa de Cupertino. Não só nas vendas que devem cair, mas parece inevitável que a Apple comece a tratar do problema chamado "Jobs". A Apple precisa provar que a sua criatividade não se limita ao departamento de design.

Encerro a parte internacional com a maior barbada de 2009: a Google seguirá sendo a Google. Com as sementes (Docs e Android, principalmente) devidamente plantadas, chega a hora da colheita. Momento melhor impossível. Se em Redmond, nem uma caixa inteira de Lexotan me daria 15 minutos de sono...

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E o mercadinho de Pindorama, como ficará em 2009? Monótono, como sempre. Se dependermos só dos malvados chatos de plantão para dar uma bela mexida, seguiremos como nerds em raves - uns postes.

Ok, preciso mirar melhor meu azedume: na redação do parágrafo acima pensei exclusivamente nas nossas "grandes" empresas de TI, ok? Depois de tanto tempo descendo a lenha nelas, deveria gastar meu tempo com um único veredicto: deviam baixar as portas, vender suas carteiras de clientes para papões de fora e jogar sua carteirinha de produtos em algum aterro sanitário. Geração perdida é isso aí!

Ar novo tá no interior. Está também em pequenas e médias empresas que bravamente sobrevivem. E heroicamente resistem ao canto de sereias malvadas. Mas elas não ganham um mísero espaço em nossa prensa especializada. Não merecem sacos de bondades dos governos de plantão. Mas não é hora de bancar as "coitadinhas".

É hora de um pouco mais de ousadia. É hora de parar de olhar para nossas grandes empresas de TI como se elas servissem de modelo. Não servem. Esqueçam PMI, CMMI, MPS.br e besteiras afins. É fácil: basta lembrar que Google, Apple e outras do mesmo naipe não dão a mínima para essas coisinhas.

É hora de criar um mercado totalmente novo. Temos uma nuvem tupiniquim totalmente virgem por aí. Não sei se repararam, mas a "nuvem" muda tudo. E quem tá correndo atrás? Nossas "grandonas" mal conseguiram portar seus produtinhos para um ambiente SaaS. Produto fraco e antigo seguirá fraco e antigo, mesmo com uma roupinha nova.

Resumindo: há um imenso oceano azul de oportunidades aí fora. Não vê quem não quer. Não aproveita quem tá esperando bóias sinalizadoras e coletes salva-vidas.

Laércio, O Sanguinário

22 dezembro 2008

Volta e meia a EXAME gosta de falar do cara que não gosta de falar, Laércio Cosentino, o poderoso chefão da Totvs. A última edição traz uma matéria de 3 páginas - uma só com uma baita foto do Laércio, o Belicoso. "Ele é Duro na Queda", diz o título. Queda? Apesar da perda de 37% do valor na Bovespa, a matéria não trata de caídas. Não do Laércio, o Implacável. Mas dá destaque para o destino dos caras que foram papados por ele nos últimos anos.

Álvaro Junckes, da Logocenter, Rodrigo e Henrique Mascarenhas, da RM e Jorge Steffens da Datasul - todos pularam da barcaça Totvs. Todos saíram brigados, brigando com Laércio, o Fenômeno. Todos insatisfeitos com os ventos pós-fusão. Bem feito! Não foi por falta de aviso.

Laércio, o Incomensurável, desde que era apenas um micro-empresário e escritor já desfraldava sua filosofia de vida. Em um livrinho de dBase II ele fez questão de citar Mário Palmério:

Costumo dizer que você mede o prestígio de um homem pelos inimigos que ele tem. Os bonzinhos em geral não fizeram nada. Aliás, se verificar que tenho mais inimigos que amigos vou ficar muito satisfeito.


Laércio, o Mau, deve viver satisfeitíssimo. Apesar da frágil estratégia monotemática e monótona que guia suas ações. O que parece importar para Laércio, o Sanguinário, é a lista de notórios inimigos.

Modelos & Modelos

15 dezembro 2008

Rapidinha, direto de Floripa (é raro eu postar de longe).

A Veja da semana tem uma matéria especial sobre a Google. Extensa, mas sem nada de novo. Ontem, durante o vôo pra cá, folheei desconfiado a última edição da Fast Company. Não comprava essa revista desde o estouro da bolha, lá no início da década. Faz tanto tempo que nem lembro mais porque a risquei da minha lista de leituras mais ou menos frequentes. Me chamou a atenção a chamada no topo da capa, um projeto do ator Edward Norton (Clube da Luta).

Antes de chegar lá tropecei na matéria da capa, sobre John Chambers e o modelo de gestão que adotou na Cisco. A desconfiança aumentou, quando li que Chambers pode tornar Jack Welch obsoleto. Não que eu seja fã do estilo Welch, mas é claro que soou exagerado. Exagero que me prendeu na matéria. Web 2.0, blogs, wikis e intranets com a cara e o jeitão de redes sociais públicas. "Você não precisará nunca mais do CEO!". E, em outro momento, Chambers dizendo: "há pouco tempo eu tinha uns 2 ou 3 candidatos ao meu posto. Hoje eu tenho uns 500!". O Radical do título, definitivamente, não é um exagero.

Colaboração e Inovação, prova a matéria, são rotina na Cisco. Uma empresa que recebe a atual crise como uma "marolinha". US$ 26 bi em caixa é um dos fatores que geram tranquilidade. Mas é o portfólio de produtos e serviços que dá certeza de... estabilidade! Ok, hesitei na última palavra. É paradoxal. Mas é isso mesmo: a Cisco entende que "mudança corporativa é um pleonasmo que virou oxímoro" (brincadeirinha minha com uma frase-provocação de Michael Hammer).

A arquitetura de negócios da Cisco merece mais e melhores estudos. Enquanto o modelo da Google virou "carne de vaca". Tá em tudo quanto é lugar.