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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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US$ 20bi na Yahoo?

02 dezembro 2008

Hehe.. o número mágico já tinha pintado por aqui. Numa época (6/nov) em que as ações da Yahoo ainda valiam US$14. Agora bateram em US$ 9. O Ballmer é mesmo um sortudo... Um idiota sortudo: chegou a oferecer uns US$ 33 por ação.

Mas os US$ 20bi, reportados pelo IDGNow (depois do Times), são meio mentirosos. Não se trata de uma operação de compra. E muito menos significariam 20 bilhões de doletas no caixa da Yahoo. Trata-se d'um tipo de transação que no popular chamamos de "arrendamento". Na linha comédia romântica que adotei aqui para tratar do tema, podemos chamar de contrato temporário de trabalho (e exploração)... A Yahoo virou amante com prazo de validade (10 anos)!

A proposta faz sentido por três fatores:

  • A MS precisa d'um belo empurrão em seus negócios online, particularmente em buscas;
  • A MS precisa d'uma bela fonte de receitas alternativas, já que seu horizonte para 2009 tá pra lá de turvo;
  • A Yahoo virou uma pechincha e anda topando qualquer negócio.
O problema é que, nessa altura do campeonato, a amarração MS+Yahoo corre o risco de não fazer diferença nenhuma. Em outras palavras: não fará nem cócegas na Google.

Como apostar num relacionamento duradouro quando uma das partes é infiel e instável como um PMDB? Em 15/jun eu já mostrava minha desconfiança com a 'ficada' da Google com a MarYahoo. Pois bem, a Google anunciou que não quer mais saber de nada. Nem 'ficadinhas' (que envolviam 'apenas' (!) a parte de publicidade da Yahoo). Ninfomaníaca e desesperada como ela só, MarYahoo agora diz que "a melhor coisa para a Microsoft fazer é comprar a Yahoo". Haha! MarYahoo! devia me contratar como consultor: estou falando isso desde dezembro! (Aliás, já falava antes. Mas em minhas previsões cravei como certa a fusão).

Acontece que MarYahoo! tá ficando desvalorizada (e mal falada). Ballmer manterá a proposta de US$31/ação só se for mais porra-lôca do que todo mundo imagina. Na época da proposta original cada ação da Yahoo valia cerca de US$ 27. Hoje não passa dos US$14. Na época eu falava: US$ 40 bi é pouco. O pessoal da Yahoo também achou. E o que o Ballmer acaba de anunciar que fará com os US$ 40 bi? Comprará ações da própria MS! Em um programa de recompra que visa proteger o valor das ações. E agora Ballmer?

Topará casório com uma dama tão infiel? Dada a crise devidamente instalada, talvez uns US$ 20 bi sejam suficientes. Yang e Icahn chorarão os US$ 20 bi perdidos... Ballmer vai dizer que economizou US$ 20 bi, que é um gênio do mundo dos negócios (um Tom Peters com menos florais e mais cafeína)...

Agora falando sério: O negócio deve sair porque MS e Yahoo estão no mato sem o simpático cachorrinho. Ballmer sabe que aquele papo do Ozzie (Azure, clouds e afins), se vingar (haha!), é no longo prazo. Ballmer sabe que Page e Brin não vão ficar esperando... Ballmer sabe d'um monte de coisas. Só não sabe pq não pulou fora do barquinho em momento mais adequado.

[Atualização - 07/nov]: Ballmer mandou avisar que não liga mais para as juras de amor da MarYahoo! Mas não descarta sexo casual (parceria em buscas?!?). Mary, Mary... terás um futuro de Excite, AltaVista e afins?

Marolinha é na Google

17 outubro 2008

O Lula falou, o Lula avisou que a tsunami econômica por aqui seria só uma 'marolinha'. Não será. Não sou pessimista, mas a gente sabe que Pindorama não é essa Fortaleza toda.

Por enquanto, marolinha mesmo só na Google. Aliás, como eu já havia chutado por aqui em 21/dez/07:

As ações da Google não devem se sustentar no padrão atual, mas a queda não deve ser muito significativa. Na verdade vai ter gente vendendo ações de outras companhias para colocar a grana em terreno fértil. E, há 10 anos, terreno fértil é a Google.


Anunciando lucros de 26% e com ações abaixo dos US$ 400? Aposto que ainda hoje a Google ficará mais cara. Mas, de qq forma, a previsão acima estava certa também!

Ontem (16/out/08) a Reuters publicou o seguinte:

But investors said Google appeared to be alone in its ability to weather the economic storm.

Crises assim, que secam grana, servem para a criação de uma nítida fronteira entre empresas-joio e empresas-trigo. Em TI, estamos vendo, a crise separa empresas do século passado daquelas que se desenham para um novo tempo.

Consequências naquele museu de grandes novidades de Redmond:

Ballmer fala e fala e fala. Num momento em que tudo o que se espera é ação. E silêncio.

O Zumo, que tratou a coisa como 'novela', acha que sim. Eu, que usei e abusei da imagem ao lado, acho que em nosso mercado nada é definitivo. Aliás, acho que nada é definitivo.

E o negócio é pequeno (uma "ficadinha"), nada parecido com a fracassada tentativa (de "casório") da MS. O Yahoo só terceirizou a parte mais "nervosa" de seu negócio para seu maior concorrente! Leia a frase de novo. Eu espero......Então, nosso mercado não é realmente único?

O fato é que Yang e seu Yahoo ganham fôlego e tempo para fazer sabe-se lá o quê.

E o Page sorri como nunca enquanto seu sócio vai passear no espaço. A Google nada de braçadas. Ainda confunde, mas nada parece atingi-la. Por enquanto...

Então dá tempo de brincar com idéias para o próximo roteiro:

  • MS Solteirona sequestra dálmatas;
  • Brin: "Googleplex, we have a problem";
  • Ballmer vai passear no espaço em nave russa - e não volta;
  • Ballmer descobre um monolito em uma lua de Júpiter, vai estudá-lo e não volta;
  • Ballmer encontra Brin em um anel de Saturno e atira-lhe cadeiras;
  • Ballmer descobre que o monolito de Júpiter roda Windows - e finalmente entende o significado de "Blue Screen of Death!";
  • Ballmer reaparece em Varginha, devolvido por ET's que quebraram por sua causa;
  • Page e Yang se casam em San Francisco, mudam-se para uma ilha do caribe e mandam tudo para o espaço (d'onde Brin não voltou);
  • Bill, sem saber que Ballmer foi preso em Varginha e transportado para Campinas, embarca para Júpiter e pede para Jobs tomar conta do negócio;
  • Jobs, cansado de tanta ficção científica e bobagens afins, banca a clonagem de Douglas Adams. Encomenda-lhe uma sequência do "Guia do Mochileiro das Galáxias" para dar de presente para Bill;
  • Ballmer encontra Page e Yang passeando alegremente em Campinas e joga cadeiras neles;
  • Jobs, cansado de tanta bullshitagem, pergunta se eu não tenho nada melhor para fazer.
Tenho!

"Desconfio muito dos boards e CEOS deste país, mas até eu estou abismado com a forma como Jerry Yang e seu board se atravancaram!". Hehe, a tradução foi pra lá de livre, mas foi mais ou menos isso que Carl "I CAN!" Icahn falou para o Wall Street Journal.

A ZDNet foi mais direta: Icahn não quer ver Yang nem pintado de petróleo... nem com aquele tubinho vermelho-paixão-do-dia-dos-namorados...

E eis que nossa querida, acossada e desejada Maryahoo periga ganhar novo shape, nova cara.

Enquanto isso, lá pelos lados de Seattle, onde Robinho desfilava como um tupiniquim anônimo, Ray Ozzie dizia que o Yahoo apenas "aceleraria" a estratégia da MS para publicidade online. Ou seja: todo o resto do Yahoo iria parar, em vôo sem escalas, na cesta seção. Cesta sem SEX, Cesta de lixo mesmo. Mais um motivo para Yang e sua trupe técnica querer evitar a todo custo a fusão com a MS. E o Carl ainda acha que quem está sabotando o negócio é a turma do Yahoo?!?

Típica comédia romântica estadunidense: sempre tem um bobo.

MS. Ballmer?
Larry "Google" Page?
Carl "I can!" Icahn?

Segundo a Reuters, a novela começou de novo! Segundo a caixinha, com "14 novas cenas hilariantes"?!?

O Ballmer tarda e falha. Agora que ele reparou que a idéia da Google (pacto) é boa. Melhor que as dele. Mil vezes melhor que uma "aquisição hostil". No vocabulário da gurizada é a chamada "ficada". Fica uma, duas, cinco vezes. Se calhar, vira namoro. Se lucrar, vira casório. Minha questão é: e a Google-ficante? Chupa dedos? Duvido!

Sobre o Carl Icahn? Ah, ele só tá dando uma de cupido. Claro, cupido-interesseiro. Se amarrar MS e Yahoo ele deve abocanhar algum. Ou segurar vela, sei lá.

Portanto, não me chamo mais Steve Ballmer. Há tempos eu dou como certa a aquisição do Yahoo pela MS. Acertei na investida. Errei feio na conclusão. A MS, que não desistia nunca, desistiu. Ballmer:

Although the acquisition of Yahoo would have accelerated our ability to deliver on our strategy in advertising and online services, I remain confident that we can achieve our goals without Yahoo.


Ballmer teimou na aquisição - sabe que a tal "aceleração de habilidades" seria *muito* considerável. Mas depois melou tudo, teimando no "baixo" valor:

I won't go a dime above, and I will go to what I think it's worth if that gets the deal done.

Acho que ninguém nunca saberá, mas creio que o valor "alvo" da turma do Yahoo era US$ 35/ação, o que levaria o valor total da transação para US$ 50bi. A oferta inicial da MS foi de US$ 31/ação. Na sexta ela aumentou o valor, provavelmente em 1 ou 2 dólares. Ou seja, acho que passou bem perto.

Yang segurou a vontade e secou a saliva da boca dos principais investidores do Yahoo. Só uma bela carta na manga (curta) justificaria tamanha coragem. A carta tem nome: Google de espadas.

E Ballmer errou de novo: a MS não seguirá sozinha. Sabe que não pode. Próximo alvo: AOL.

Acelera Ballmer!

02 maio 2008

That's it...

Ou eu não me chamo mais Steve Ballmer!

graffiare #454

29 abril 2008

Amazon is out-Googling Google.

- Fred Wilson, VC (na última Wired).
.:.

A matéria, que na edição impressa se chama "Planet Amazon", fala de "computação nas nuvens" (hehe - tradução literal para "cloud computing"). Mostra como a Amazon, de maneira bem mineira, construiu uma incrível infraestrutura para hospedar aplicações de qualquer natureza.

Google, MS e Yahoo teriam duas grandes desvantagens na concorrência com a Amazon:
  • São desafiadas por "aplicações de qq natureza" - sua lógica é a construção de aplicações, não a simples entrega;
  • A Amazon sabe, desde o berço, vender 'commodities'. O próprio Jeff Bezos fala: "Somos experts nisso. Nunca tivemos margens de 35% ou 40% como a maior parte das empresas de tecnologia".
Atenção para um pequeno grande detalhe: não se trata de SaaS (Software as a Service). O que a Amazon está oferecendo é HaaS. Isso mesmo, Hardware as a Service.

Animado com a idéia? Prepare o bolso. A Amazon torrou mais de US$ 2 bi na infra. E alguns dos serviços oferecidos custam US$ 0,10/hora! Bezos é mineiro mesmo. Dos mais pacientes.

A Sutileza do Elefante

08 abril 2008

Notinha que apareceu num cantinho da Folha do último domingo:

O Yahoo tem três semanas para aceitar a oferta da Microsoft de US$ 31 por ação ou a empresa preparará uma batalha para ganhar o apoio dos investidores para a aquisição, anunciou ontem a Microsoft.


A Folha filtrou. Ballmer utilizou de sua velha e conhecida sutileza para convencer os pobrezinhos do Yahoo:

If we are forced to take an offer directly to your shareholders, that action will have an undesirable impact on the value of your company from our perspective which will be reflected in the terms of our proposal.


A MS nunca soube ser diferente. É sempre assim, na base da ameaça, da tática FUD. Não percebem que é exatamente este perfil "agressivo" que espanta e cria antipatias. Ballmer já não deveria estar liderando o processo de fusão (que insisto, é inevitável. A MS é mais teimosa que noiva em véspera de casório). Ballmer fará com que vários bons talentos do Yahoo busquem desesperadamente por outras oportunidades, mesmo que seja para ganhar menos. A MS deveria ter feito o trabalho de casa - aposentando Ballmer junto com o Bill - antes de lançar seu maior e mais caro projeto, a aquisição do Yahoo. Agora é tarde. E muito estrago já está feito. Inclusive no valor do Yahoo. Principalmente no valor do Yahoo. Tem lógica, não? Capenga e imediatista, claro, a lógica do sutil elefante chamado MS.

I'm Alive!

06 março 2008

Já o coitado do Graffiti, tsc tsc... Em seus quase 4 anos de idade, ele nunca ficou 3 semanas tão abandonado. Então é hora de tirar aquelas inevitáveis teias de aranha, né?

Antes, uma coisa gozada: apesar do abandono, a grande-pequena média de visitas diárias não mudou. Explicação: o Google adora mandar gente pra cá! As buscas mais estranhas geram visitinhas. Conteúdo estranho e eclético é assim mesmo... Anteontem recebi um email d'um cara me pedindo dicas sobre graffiti's - aqueles que são pintados em muros alheios!! Céus...

Mas, diz aí, o que aconteceu nas últimas 3 semanas? No meio da minha correria, que além dos eventos finito agora envolve também algumas consultorias, fiquei meio desligado.

Pela falta de barulho, sei que o casório MS++Yahoo ainda não rolou. Coitada da MS, além de toda ansiedade natural de um noivo (desastrado e não desejado), ainda tem que ficar brigando com aqueles europeus teimosos que insistem em belicar 5% de seu faturamento bruto. Pior: teve que aguentar o DoJ (Depto de Justiça) estadunidense revelando uma parte bem feia de suas entranhas: aquela gambiarra (reduzindo specs e reqs do Vista) para agradar a coitada da Intel. Para coroar inferno astral tão duradouro, Tio Bill não é mais o 2º homem mais rico do mundo. Dá dó.

Quase tanta quanto a que senti ontem, analisando uma centena de currículos. Um dos meus fregueses precisa d'um gerente bem especial: operações + help-desk (com quedinha por desenvolvimento - alguém que não plane na mayonaise quando o assunto é manutenção, relacionamento com desenvolvedores etc etc). O anúncio foi publicado em dois grandes "sites". O resultado é lamentável. Tem gente que atira para tudo quanto é canto. Tem gente que não aprende que um CV deve ter, no máximo, 3 páginas. Tem gente que não entende que quando o anúncio pede a pretensão salarial é pq tal informação é crucial no processo de seleção. Tem gente que não aprende...

E quer emprego? Quer salário legal? Quer novos desafios? Pôxa... então presta atenção, né?

Mas não são esses que dão dó. São aqueles que mostram no currículo como sentem a falta d'uma bússula, de uma visão de carreira. Gente com 15 anos de carreira errática, tortuosa, indefinida. E aqueles que não duram 3 meses num emprego. E aqueles que fazem curso de tudo, de C++ até CorelDraw.

Há tempos eu não fazia isso. Me fez lembrar da época de gerente: é o 2º pior trampo que existe. Só uma coisa é mais desagradável do que analisar currículos: é despedir por ter analisado errado.

Voltemos aos casórios. Afinal, rolou um com noiva tupiniquim: a Tectoy. O noivo estranho é a Qualcomm. Pois é, aquela. O interesse em questão atende pelo singelo pseudônimo "Jeanie". E, pela enigmática matéria que pintou na Folha do último sábado, parece ser coisa de "gênio" mesmo. Saca só: "A Folha apurou que o objetivo é lançar, no final de 2008, um brinquedo digital que conversará com as diversas tecnologias existentes atualmente". Wow!!

Torço para que não seja um hub(zinho) a la Windows Media Center. Se for, nasce morto. Não há espaço para "centralizadores", ainda mais em residências. O que precisamos é que todos os nossos badulaques modernosos conversem com todos os outros badulaques, e não só com aqueles "existentes atualmente". A tecnologia tá toda aí. É só uma questão de "vontade política". Mas... pôxa... que a Tectoy nos brinde com um produto realmente inovador.

Que salada de assuntos, hem? Sorry... espero recuperar o ritmo normal em breve. Inté!

Grafei errado, acertei no chute. O leilão pelo Yahoo começou. Rupert Murdoch (não Murdock, como escrevi) realmente tem interesse no Yahoo. Interesse lógico e legítimo de quem pagou uma fortuna pelo MySpaces e ainda não sabe direito o que fazer com aquilo.

Gozado mesmo é o comentário do Roberto X: o Yahoo será salvo do terrível dragão (MS) por um tubarão faminto (News Corp). Tem mais: ele gostaria muito de ver uma reunião entre Ballmer e Murdoch. Na verdade, ver quem sairia vivo da reunião! Haha.. Murdoch falaria que agora é adepto do Scrum (não pode ter cadeira na sala).

Eu falei em US$ 35 por ação. Roberto X chuta que US$ 40 é o número "mágico". Enquanto o Ballmer faz contas (em Excel?!?), outra turma da MS prepara a cama. Segundo a Mary "Jo Jo Gunne" Foley, a MS está preparando outra grande "reorg". E o novo (hipotético) desenho foi feito para acomodar a cambada do Yahoo. Certeza da aquisição? Parece que sim.

Mas, como o Antônio Fonseca havia adiantado por aqui - via comentário, a fusão MS+Yahoo mexe em outro vespeiro. Saca só este artigo do Larry Dignan (ZDNet):


Microsoft would give Yahoo technology, but not the type it wants. Almost instantly you’d have a Windows (Microsoft) vs. open source (Yahoo) on the backend technical infrastructure. Who needs those religious wars?

Pois é, o Yahoo! falou não para a MS: "Não nos deprecie, please!". Que era vivemos. Um "plus" de 62% no valor atual das ações é uma "depreciação". Mas é mesmo. Logo que comentei a proposta da MS aqui, eu disse que US$ 44,6 bi era muito pouco. Como isso é possível?

Acontece que o Yahoo, por pior que esteja das perna$, tem muitas possibilidades. Já vai capar 1000 postos de trabalho. Pode terceirizar seus serviços de busca com a Google. Pode comprar a parte sadia da AOL!?! E torcer por um leilãozinho... basta que uma grande empresa de mídia (alguém disse Fox Murdock?) se interesse pelos seus ativos-meio-passivos. Detalhe: todas as possibilidades podem ocorrer ao mesmo tempo agora!

Mas a MS disse que não vai desistir fácil. A MS não desiste nunca! Ainda mais se a tese do Roberto X estiver correta. Resumindo a estranha teoria: mais do que brigar contra a Google, a intenção da MS com a aquisição do Yahoo é outra: é mudar sua cara, é injetar toneladas de oxigênio novo, de cultura nova (ou diferente). Céus... Acontece que o Roberto, como eu, aposta na saída de Ballmer. Mas, sinceramente, não sei se passa na cabeça dos caras uma reengenharia cultural tão drástica.

De qualquer maneira, acredito sim que a MS não desistirá fácil. Mais, ela vai acabar adquirindo o Yahoo. Basta subir de US$ 31 para US$ 35 a proposta por cada ação - de US$ 44,6 bi para US$ 50 bi. Aliás, acho mesmo que este é o preço que pensaram desde o início. Tática de negociação.

O Yahoo fala de projetos maravilhosos, que podem ser hiper-lucrativos. Acontece que o Yahoo anda lento (há tempos) na implementação de seus projetos. Wall Street não espera. Seu lucro em 2007 será menos da metade do que a Google realizou só no último trimestre do mesmo ano. Por isso que os acionistas, vendo um pássaro de US$ 50 bi em suas mãos, dificilmente apostarão nos dois inestimáveis que voam sabe-se lá para onde.

O resultado da fusão é outro papo. Mas que ela sai, sai.

Pois é, segundona de carnaval não deveria ser dia disso. Mas, enquanto rebolamos, jogamos serpentinas ou simplesmente nos escondemos da festança, o mundo gira. E esta semana é particularmente quente no inverno do hemisfério norte. Amanhã tem a 'super-terça' que deve definir pelo menos um candidato ao posto do Bush. E hoje, plena super-segunda (ressacada), não faltam críticas e chutes sobre a proposta de aquisição do Yahoo pela MS (para lembrar, de US$ 44,6 bi).

"Este acordo fará mais mal para os acionistas da MS do que qualquer de seus concorrentes faria."
- Joe Rosenberg (em artigo de Alan Sloan, da Fortune)


O Joe é um analista (e investidor) muito respeitado. E sua sugestão é pragmática e simples: a MS deveria usar essa grana para comprar suas próprias ações, valorizando-as. Para ele, a proposta da MS "é coisa de gente que perdeu a cabeça".

Claro, sua avaliação é exclusivamente financeira. Ele desconsidera aspectos técnicos e estratégicos do negócio. Ignora o fato de a MS estar torrando muita grana há tempos tentando competir com a Google. Cadê o Live? Ray Ozzie e seus asseclas não conseguiram beliscar nem 5% do market-share da Google. A MS ainda tem pouco menos de 14%. Com a aquisição do Yahoo pularia para 31% de share. Seguiria bem atrás da Google, que mantém 56% de participação.

De qualquer maneira, financeiramente falando, parece ser mesmo um mau negócio para a MS. Por exemplo: pela primeira vez em sua história ela teria que pegar grana emprestada. Por mais que o dinheiro ande barato nos EUA, grana emprestada raramente se justifica. Para bancar a aquisição de uma empresa que encolheu 50% nos últimos 6 meses, justifica-se menos ainda. Pobre MS: Ballmer realmente perdeu a cabeça. Só falta ela cair de fato. Falta pouco: ele mesmo duvida que o negócio vingue em ano eleitoral. Oras: pq bidou então?

Sua proposta, aparentemente inconsequente, gerou efeitos que podem deixar a MS numa situação ainda pior. O Yahoo passou a considerar seriamente outra alternativa: uma parceria com sua mega-rival, a Google. Como? Terceirizando todo o seu serviço de buscas, por exemplo. A questão é: o que doeria mais? "Perder" o negócio para a MS ou ser flagrada de braços dados com o "inimigo"? Como a cúpula do Yahoo é meio fraquinha, ainda acho que eles não aguentarão a tentação de pegar a grana da MS. Não sem antes gerar muito bafafá, chutes e tico-tico-no-fubá. Que carnaval divertido e nada monótono o deles!

.:.

Ops, quase me esqueci d'uma provocação legal. Ao contrário do Joe, eu não indicaria a recompra de ações (pela MS). Acho que tem um negócio mais lucrativo: compraria (com os mesmos US$ 44bi) uns 20% da Google! hehe..

MS ++ Yahoo!

01 fevereiro 2008

Até o Noblat deu:

Microsoft quer comprar Yahoo

A Microsoft propôe esta manhã a compra do portal Yahoo por 44,6 bilhões de dólares pagáveis parte em título da própria Micosoft e parte em dinheiro vivo.



Se lesse o Graffiti, saberia que o casamento tá escrito há mais de dois anos. E que, em minhas previsões, eu disse que de 2008 o casório não passava: ..."finalmente veremos a fusão MS+Yahoo."

Mas, peraí: só US$ 44 bi?!? Só rola se o Yahoo estiver bem pior do que a gente imagina. Por valor tão baixo, só se a MS utilizar a mesma tática que utilizamos há tempos para realizar nossas privatarias: deprecie e deprede o ativo. Deixe-o com carinha de 'lixo'. Depois compra baratinho. Assim se foram pérolas como Vale, CSN, Embratel, Embraer... Será o destino do Yahoo? Triste...

Lembram-se do slogan acima? Não tem muito tempo, era assim que o SBT se apresentava. Caso típico de slogan que vira missão (da empresa) e que, no final das contas, distorce a visão. Ao publicar o slogan, o SBT assumia publicamente que não queria brigar contra a Globo. Não teve ambição, se acomodou, e agora vê o 2º lugar cair nas mãos do Bispo (da Record). O Bispo é mais ambicioso. Muito mais. E seus sacos de dinheiro devem garantir muito "crescimento sustentável". Que deuses nos livrem ou nos ajudem... mas o papo aqui deveria ser outro.

A MS anda dizendo que espera se consolidar no 2º lugar do mercado de publicidade online - entre 3 e 5 anos
. Dá pra acreditar numa MS assim, tão... humildezinha? Já pensou no Ballmer berrando: "quero o segundo lugar!!". Caramba... na hora eu mandava pr'ele dois consultores tupiniquins: O Silvio Santos, pra contar como é fácil perder o segundo lugar, e aquele personagem do Jô Soares que sempre dizia: "Você já viu vice virar nome de rua? Então... vice não é nada!".

O artigo da ZDNet, na cola de outro e outros, dá uma receita para a MS que há séculos pinta aqui no Graffiti: "Mano, compra logo o Yahoo!!". Não enrola e não tira os olhos do topo... vai que pinta um bispo de olho (gordo) nesse mercado também...

OpenSocial: Muy Amigo

05 novembro 2007



O slide acima está um pouquinho desatualizado. Acrescente mais uma rede "de peso": o MySpace. Quando eu comentei o assunto aqui em 23/10, não tinha noção de que já estava nesse estágio. Até as API's já foram liberadas. O timing da Google é realmente impressionante. O time-to-market dispensa comentários.

Agora, chamo a atenção de novo para o slide acima. Para alguns nomes: LinkedIn, SalesForce, Plaxo e agora o MySpace. Lembre-se que o YouTube já é da Google. Então, falta quem? De peso, só Flickr, Delicious, Last.fm e Facebook.

O Facebook, naquela maravilhosa transação de 1,6% de suas ações para a MS, cedeu também exclusividade na exploração de publicidade. Ou seja, ficará lacrado nos muros de Redmond por um tempo. Mas, e o resto? Será que o Yahoo tem coragem de parar de reinventar a roda e entrar na dança do OpenSocial? Pelos próximos meses, não. Mas o fim do Yahoo tá escrito: ou vira MS, ou vira amiguinho da Google. No meio do caminho não se sustenta mais.

graffiare #420

23 maio 2007

“O primeiro dólar que eu investiria na estratégia de marketing da minha empresa hoje seria em uma ferramenta de busca pela web”.

- Brian Fetherstonhaugh (CEO mundial da OgilvyOne, na Info Online)

.:.


Não tem nada a ver, mas o graffiare é duplo. Outra notícia:




Assim como o João diz que não precisa d'uma Ferrari.
E a Maria diz que não precisa comprar aquela Brastemp.
E o Timão não precisa do Ronaldinho Fenômeno.
E eu não preciso comprar aquele notebook de 20k.

Mas que eles nos deixariam mais bonitos no pedaço... ah deixariam!

graffiare #416

09 maio 2007

I think I hear something... Oh just the sound of a few hundred thousand Yahoo users changing their home page.

- John (comentando um certo boato no blog do John "A Busca" Battelle")


O casamento MS+Yahoo já pintou aqui no Graffiti tantas vezes. Mas passei batido na boataria que rolou na última sexta. Não fiz isso, nem isso.

Acho que a gente perdeu um pouco a noção do valor da grana. Como você se prepara para gastar R$ 500? E R$ 5 mil? E R$ 50 mil? E R$ 5? Muda, não muda?

Gente, o Post falou em CINQUENTA BILHÕES DE DÓLARES! A aquisição do YouTube pela Google (US$ 1,5 bi) não é nada perto disso. Por que o processo seria o mesmo? A única coisa que vem na minha cabeça é o caso AOL+Time Warner, que tem mais de 7 anos.



Seguinte: MS e Yahoo ainda serão uma coisa só. IMHO, será inevitável. Só que não será uma fusão tradicional. Mesmo que a MS (ainda) não tenha um Louis Jobs ou um Steve Gerstner, o fato é que a fusão será criativa. Tem de ser, senão não sairá. Nem a MS pode simplesmente torrar US$ 50 bi. Ainda mais por uma empresa que só apresenta resultados ruins nos últimos tempos. Sua ação só subiu um pouquinho agora. Pq? Oras... por causa dos boatos!

Vamos falar um pouco sobre criatividade e engenharia financeira: como o Jobs papou o controle da Disney? Alguém ouviu falar em fusões e aquisições? Rolou boatarias e afins? Não.

Se Gates e Ballmer não estivessem mais na MS (com o freio na mão)... a unidade Live já seria uma outra empresa. Sócia do Yahoo.

Dos milhões de entraves que existem para uma fusão tradicional, tem UM que é fundamental: a MS tá grande demais. Inchada demais. Se o Mini-MS segue vivo (e bem escondido), é porque o que ele diz faz sentido ("A MS tá inchada demais", é sua principal mensagem). Advinha o que ele pensa sobre a MS incorporar 11.700 funcionários novos (o plantel do Yahoo)...