Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Pois é, cá estou novamente brincando de bidu. Meus tiros configuram mais uma lista de desejos do que "previsões" propriamente ditas. Portanto, se acerto ou erro, não faz muita diferença. Acertei, por exemplo, que a Sun não chegaria como empresa independente no final de 2009. Chutei Cisco como a 'comedora' - deu a óbvia e gulosa Oracle. Deve ter gente lá cantarolando um pré-histórico não-sucesso do Genesis, "In the Cage", que fala: "I got SUNshine at my stomach". Haja estomazil! Mas, como sempre, é o lado mais fraco da corda que arrebenta. Que o digam os usuários e fãs do MySQL.

Mas, como a titia Marília Gabriela me lembra quase diariamente, errei tremendamente ao desejar o passamento (sem choro nem vela) de todas as grandes empresas tupiniquins de TI. Elas estão aí, firmes (como prego n'angu) e fortes (como certeza de palmeirenses). E corretíssimas! Não no sentido que nos leva ao DF, obviamente. Estão corretas em suas ofertas - naquela carteira (de produtos) que eu desejei ver num aterro sanitário. Basta ver a lista dos 100 principais CIO's de Pindorama e seus principais "desafios" para 2010. O critério do ranking, segundo a Computerworld, são os "projetos e desafios". Veja os tais projetos e desafios. Avalie a frequência das letrinhas ERP e similares e tire suas próprias conclusões.

Esqueçamos os 20 anos de atraso. Interessam aqui os próximos 10 meses e os próximos 10 anos. Sem ordem ou critério de seleção objetivo como um Caetano. E farei a lista como entradas num microblog que não merecerão - pelo menos não de minha parte - sobrevida no Twitter. Saca só:

  • O CADE só aceitará na boa a fusão Casas Bahia + Pão de Açúcar se os franceses do Carrefour decidirem o que vão fazer da vida.
  • Wal-Mart tem a solução na ponta da caneta.
  • Dona Luiza seguirá procurando sua Lagoa Azul, já que o Oceano não está para peixe (pequeno).
  • (Taí: por que não Brooke Shields de garota propaganda? )
  • A B2W (leia-se Americanas, Submarino e Shoptime) ainda não tem com o que se preocupar. Ao contrário do Bradesco.
  • A B2W só se sentirá ameaçada quando a Amazon e equivalentes estrangeiras resolverem que Pindorama é praça de verdade. Coisa de 2 anos.
  • Ou quando Pão de Açúcar + Casas Bahia aprenderem a vender e atender pela web. Coisa de 4 anos. 
  • Acontece que no país da piada velha, onde varejista oferece micrinho de 800 contos em 24 parcelas de R$ 99,99 com Win Vista Starter Edition (aka Win 4 $less people), tudo é possível.
  • Até uma estatal que garanta banda larga do Oiapoque ao Chuí. 
  • Caminho mais curto seria a reestatização da Embratel. Caminho mais inteligente seria uma privatização menos indecente. 
  • Caminho mais eficaz seria uma revisão do marco regulatório e de todos os contratos dos provedores de serviços de telecomunicações. 
  • Mas, pelo andar das carruagens brasilienses, teremos mesmo uma nova estatal.
Já que falo de (des)governos...
  • O próximo também tentará promover uma "Reforma Tributária". Governadores mais fracos e / ou aprisionados tendem a aceitar a manutenção da falsa federação.
  • Aliás, cabe dizer que o próximo governo será apenas transitório. Rito de passagem para papo mais sério e polarizado que só acontecerá em 2014.
  • A instabilidade acontecerá apesar do crescimento médio do PIB de 5% ao ano.
  • O bolo crescerá bem, naturalmente (e com polvilho barato). É sua divisão que forçará uma polarização.
TI Tupiniquim:
  • A inevitável seca de alguns mercados obrigará o desenho de soluções pouco ortodoxas. As grandes serão as primeiras a buscar novos mercados.
  • Metade delas será 'vaga lembrança' na Olimpíada de 2016.
  • Metade da metade não será mais tupiniquim.
  • Apesar da taxa extra para remessas de lucros e de receitas com royalties que o próximo governo vai criar. Ou exatamente por causa disso.
  • A falácia do déficit de 200k profissionais / ano finalmente será desnudada. 
  • Independente disso, a partir de 2012 ficará mais visível a falta de profissionais. Campanhas tentarão atrair a molecada, mas o estrago de 5-10 anos já estará feito.
  • Instituições de ensino que entregam profissionais fraquíssimos (sem noções básicas de OO, por exemplo) começarão a ser processadas por ex-alunos que têm seus currículos sistematicamente recusados.
  • Desenvolvedores e engenheiros chineses, chilenos, argentinos e até indianos serão relativamente comuns em empresas de todo tipo e porte.
  • Empresas chinesas e indianas serão relativamente comuns em concorrências e licitações de todo tipo e porte.
  • Voltando aos profissionais, para encerrar o tópico: uma mesma função pagará salários entre R$ 1200 e R$ 6200. A distorção só fará aumentar. Culpa das escolas e empresas que compartilham um mesmo lema: "Os enganamos e vocês gostam!"
  • Os poucos realmente bons não precisarão brigar pelos salários mais altos. Na realidade, as poucas empresas realmente boas brigarão por eles. 
 TI Global:
  • Novo soluço de crise no mundo desenvolvido. Menos acachapante que o último, mas mortal para alguns ramos de atividade.
  • Fronteira entre conteúdo e meio cairá como um muro de Berlin. Megafusões serão a primeira resposta. E Jobs vai se aposentar gargalhando.
  • Dell, Acer, Lenovo e HP. Escolha duas.
  • A Oracle comprará a SAP antes de ser obrigada, pela União Européia, a se desmembrar em 4 empresas independentes.
  • Uma delas se transformará na coqueluche da década, especializada no tratamento e revitalização de ativos de software e sistemas legados.
  • Será aquela onde Larry não terá depositado um mísero cent.
  • Será aquela que concorrerá diretamente com a IBM. 
  • Ballmer se aposentará sem deixar saudades. Nem nos funcionários, muito menos nos acionistas.
  • Cairá por teimar em áreas que sempre deram prejú. E por deixar suas vacas sagradas pastarem no brejo. 
  • Será possível que a Adobe seguirá livre, leve e solta nos próximos 10 anos?!? Já prometi no ano passado, não falo mais sobre ela...
  • Aliás, não deveria ter falado sobre o Ballmer também. Mas não resisto... E agora a chance de erro é zero! 
  • O Google ChromeOS não terá 8% de 'share' até 2012. Se a empresa for teimosa o suficiente, vai saborear 28% de 'share' em 2016.
  • Somados ChromeOS e Android, significará dizer que a Google comandará o acesso a Internet de mais da metade da população economicamente ativa do planeta. 
  • Incomodará tanto e gastará tanto tempo tentando provar que "não é má" que esbarrará no limite das viabilidades técnica e econômica. Por vontade própria, abrirá mão de alguns negócios.
Brinquedinhos:
  • Tablets serão o Netbook dos anos 2010 ~ 2011. 
  • E a Apple só não jogará o Kindle para escanteio porque falhará na hora de licenciar conteúdo.
  • Não fará muita diferença, já que seu Tablet mira uma imensidão de outros usos.
  • Uma imensidão que, medida, bate nos 7 dígitos. E não estou falando de money. Estou falando de mini (até US$5), micro (até $100) e macro-aplicações.
  • Duas grandes lojas (e plataformas de desenvolvimento) concentrarão corações e mentes: AppStore da Apple e a "lojinha" do Android / ChromeOS.
  • Vários desenvolvedores, em todo o mundo, trocarão suas carreiras pela renda das 'lojinhas'. Desenvolverão mini e micro aplicações. Os melhores embolsarão mais de US$150k / ano.
  • Até 2014 alguém tentará levar o mesmo modelo para o mundo dos videogames. Não deve ser Sony, MS ou Nintendo.
Assuntos aleatórios:
  • O Timão ganhará a Libertadores. (Pelo menos uma nos próximos 10 anos...)
  • O site que venderá ingressos para os próximos shows do U2 no Brasil vai cair.
  • O U2 lançará uma nova coletânea (The Best of 2000 - 2010).
  • O Brasil perderá dois reis, um sete de copas e um ás de espadas.
  • Perderá também a Copa de 2010. Para uma seleção que subirá no topo pódio pela primeira vez.
  • Perderá 2010 para ganhar em 2014. Dunga, exilado, não comemorará.
  • Ah... o mundo não vai acabar em 2012.
  • Aliás, agora que Copa e Jogos Olímpicos são nossos, seria o cúmulo da piada de mau gosto o fim do mundo em 2012, né? 
  • Ou não... 

Em 26/mar, igualmente atrasado, meio que lamentei aquele que parecia ser o fim da Sun: a aquisição pela IBM. O negócio, sabe-se lá porque, não saiu. O que deve ter gerado inúmeras licenças médicas no depto financeiro da Sun. Em tempos bicudos, ser papado parece ser a única alternativa para empresas encrencadas. Vide Chrysler e afins. Mas ser papado pela IBM? Era o fundo do poço?

Que nada. Eis que chega Larry "SuperSizeMe" Elisson e incorpora a Sun ao seu precioso e disforme portfólio. Sem medo de entregar as cerejas que o atraíram para o bolo Sun: Java e Solaris. MySQL e OpenOffice? O silêncio de Larry sobre esses produtos diz muita coisa. E apavora, com razão, a turma do universo do software livre. Só uma pessoa de nossa indústria tem ideias mais aterradoras que Larry. Mas essa pessoa tá muito longe do nicho em questão, vendo a caravana Google passar...

O lunático Dan Baigent, funcionário da Sun, começou a listar em seu blog as 10 razões que afundaram a Sun. Não teve a chance de terminar seu épico. Foi censurado!?! Alguma coisinha o maravilhoso cachê Google salvou. Coisinha das mais preciosas: a zona que a Sun aprontou com seu ativo mais valioso e promissor, Java. Leia o saboroso artigo. No mínimo pra ver como é o marketing quando elaborado por um bando de técnicos. Por 4 anos acompanhei com certa proximidade essa zona. Cada visita de um "product-qq-coisa" da Sun gerava confusão e gargalhadas. Não necessariamente nessa ordem.

Mas, e agora? Como a Oracle lidará com suas novas cerejinhas? Duas certezas: i) muita coisa vai mudar; e ii) a evolução da história merece acompanhamento. De perto!

.:.

Ainda queria entender as razões para a IBM sair do negócio. Se foi só vontade própria, a empresa merecerá uma brincadeirinha com seu nome: Inocente, Bobinha e Morosa.

Fez que foi...

07 abril 2009

...e não foi!

A Sun não vai mais morrer no ácido estômago da IBM.

Pô, me fizeram desperdiçar belos versos surrupiados por nada?

Posso culpar o Schwartz não. Parece que ele queria *muito* usar um crachá da IBM. Quem "deu pra trás" foi o chato do McNeally. No ranking de egos da nossa indústria, tirando tupiniquins, ele ocupa o 4º ou 5º lugar. Claro que não aceitaria assim, quase de graça, o término de sua empresa-sonho.

Quem ganha? O ego do McNeally.

Quem perde? Schwartz, IBM e a clientela da Sun, agora mais perdida que torcedor da portuguesa aos 47' do 2º tempo... Não necessariamente nessa ordem.

Pôr do Sol

26 março 2009

Títulos alternativos:

  • There Goes the Sun (lalala-la)
  • ... and the Sun is eclipsed by the Moon
  • Sunshine on my shoulders makes me creepy
  • Wasted Sunsets
  • ...
Chego tarde, mas não vou chover no molhado. Estava esperando o desenrolar do negócio mas, pelo jeito, vai demorar. Hã? Tô falando da Sun sendo papada pela IBM. Sobre a "fusão" os americanos gastaram um chavão: "strange bedfellows".

Coloca estranho nisso. A Sun sempre tentou ser o oposto da IBM. Eu disse, tentou... Nem sempre conseguiu. Mas o duelo sempre fez muito bem para o mercado de TI. Pena que nossa prensa "especialista" goste de papos mais pop, tipo MS vs Apple ou vs Google. Perdeu a chance de documentar melhor um embate tão relevante quanto os outros. Em outros tempos, claro.

Porque nada une mais IBM e Sun do que a irrelevância de ambas nos últimos anos. Irrelevância em termos de inovação, eu digo. Tá distante a era em que ambas ditavam tendências. Estranho é que as duas, cada uma a sua maneira, parecem satisfeitíssimas com o próprio marasmo. Fusão de preguiças?

É difícil prever as consequências e frutos da fusão. Claro, muita gente vai vazar da Sun. Aquele espírito "universitário", há tempos moribundo, vai definitivamente para as cucuias. Mas, e o resto? E o Java? E o Solaris? E o MySQL? E o OpenOffice?

Bons tempos para quem gosta de teorias de conspirações ...

Revendo 2008 / Prevendo 2009

23 dezembro 2008

Não sei porque insisto em publicar minhas "previsões" todo final de ano. Previsões com aspas porque a grande maioria é mais uma lista de desejos do que qualquer outra coisa. Cansei de "prever" a queda do Ballmer e a aquisição da Adobe pela Apple. Cansei de pedir um movimento de consolidação das distros Linux. Cansei de imaginar a aquisição do Yahoo pela MS. Ou seja, cansei de dar varada n'água. Se acertei um chute no final de 2007 foi apenas a crise financeira. Meio acerto, porque achava que só o hemisfério norte sofreria com a recessão nos EUA. A crise é bem maior do que eu esperava. E ela muda muita coisa.

Analistas estão falando que TI, apesar de tudo, crescerá no mundo todo. Algo em torno do dobro do PIB de cada nação. Não sei se são irônicos ou bobinhos: quanto é o dobro de zero? Porque zero será o crescimento médio do primeiro mundo, EUA e UE.

O PIB de Pindorama, apesar do Meirelles, deve ficar mesmo entre 3% e 4%. Então nossa turma de TI pode trabalhar com números entre 6% e 8% de crescimento. Pode? Não acredito.

O perfil da maioria de nossas médias e grandes empresas, quando o assunto é TI, é muito conservador. Em tempos de crise então, espere racionamento até no "feijão com arroz". Esqueça upgrades e projetos big bang. 90% do orçamento de TI irá exclusivamente para manutenção. E os 10% restantes formarão uma "poupancinha"... grana que só será gasta lá no final de 2009, se tudo estiver "sob controle".

Pouquíssimos fornecedores têm chance de ganhar alguma coisa neste tipo de cenário. Só 5 letrinhas pintaram na memória: IBM e HP, necessariamente nesta ordem. MS, Dell, Lenovo, Sun e afins são aquelas que mais perdem. Sem upgrades a vista (sem trocadilhos), é de se esperar quedas em receitas de até 50%. Tô brincando não.

Tanto que até me animei a um novo chute do tipo "quem come quem": a Cisco, para quem a crise parece ser só marolinha, pode se reposicionar. Parece besteira, mas quem tem US$ 26bi em caixa pode pensar em uma bela aquisição. De uma Sun, por exemplo. Monopólio cansa, e a Cisco deve estar louquinha por oxigênio e dólares novos. E a Sun tá uma pechincha. Acho que tem tudo a ver. Aliás, Apple e Adobe também tem tudo a ver e não dá em nada... Então, deixa pra lá.

Por falar em Apple: 2009 deve ser um ano difícil para a empresa de Cupertino. Não só nas vendas que devem cair, mas parece inevitável que a Apple comece a tratar do problema chamado "Jobs". A Apple precisa provar que a sua criatividade não se limita ao departamento de design.

Encerro a parte internacional com a maior barbada de 2009: a Google seguirá sendo a Google. Com as sementes (Docs e Android, principalmente) devidamente plantadas, chega a hora da colheita. Momento melhor impossível. Se em Redmond, nem uma caixa inteira de Lexotan me daria 15 minutos de sono...

.:.

E o mercadinho de Pindorama, como ficará em 2009? Monótono, como sempre. Se dependermos só dos malvados chatos de plantão para dar uma bela mexida, seguiremos como nerds em raves - uns postes.

Ok, preciso mirar melhor meu azedume: na redação do parágrafo acima pensei exclusivamente nas nossas "grandes" empresas de TI, ok? Depois de tanto tempo descendo a lenha nelas, deveria gastar meu tempo com um único veredicto: deviam baixar as portas, vender suas carteiras de clientes para papões de fora e jogar sua carteirinha de produtos em algum aterro sanitário. Geração perdida é isso aí!

Ar novo tá no interior. Está também em pequenas e médias empresas que bravamente sobrevivem. E heroicamente resistem ao canto de sereias malvadas. Mas elas não ganham um mísero espaço em nossa prensa especializada. Não merecem sacos de bondades dos governos de plantão. Mas não é hora de bancar as "coitadinhas".

É hora de um pouco mais de ousadia. É hora de parar de olhar para nossas grandes empresas de TI como se elas servissem de modelo. Não servem. Esqueçam PMI, CMMI, MPS.br e besteiras afins. É fácil: basta lembrar que Google, Apple e outras do mesmo naipe não dão a mínima para essas coisinhas.

É hora de criar um mercado totalmente novo. Temos uma nuvem tupiniquim totalmente virgem por aí. Não sei se repararam, mas a "nuvem" muda tudo. E quem tá correndo atrás? Nossas "grandonas" mal conseguiram portar seus produtinhos para um ambiente SaaS. Produto fraco e antigo seguirá fraco e antigo, mesmo com uma roupinha nova.

Resumindo: há um imenso oceano azul de oportunidades aí fora. Não vê quem não quer. Não aproveita quem tá esperando bóias sinalizadoras e coletes salva-vidas.

Prevendo 2008

21 dezembro 2007

Mais do mesmo? Pois é, pela primeira vez (!) em muito tempo, estou um pouco pessimista. O hemisfério norte vai sofrer um bocado com a crise da economia estadunidense. Bush (finalmente!) será substituído. E é muito provável que ele ouça de um candidato democrata o mesmo que seu pai ouviu do Clinton: "É a economia, estúpido!". Agora é tarde. E os impactos de uma recessão batem quase que de imediato no mercado de TI (somos eternos supérfluos, apesar de tudo). Empresas com o caixa abarrotado sentirão menos. Google, Oracle e Apple passam bem pela fase ruim. O mesmo eu não digo de MS, Sun, AT&T, Yahoo e outras menos relevantes.

A notícia de uma possível recessão é particularmente péssima para a MS. A turma do "upgrade retardado" falava que aguardava os primeiros service packs do Vista e do Office. Agora vão falar que estão sem grana; que o XP e o Office 2003 "dão para o gasto". Como a MS é péssima de estratégia, deixou vazar que deve rolar um novo Office entre 2008 e 2009. Ou seja, acaba de dar outra justificativa para que o upgrade seja novamente adiado. Resumindo: sigo apostando que o Ballmer não passa desse ano fiscal (que se encerra em junho). Outra aposta requentada: a última reestruturação do Yahoo também falhará. Será a gota d'água, e finalmente veremos a fusão MS+Yahoo.

Situação oposta é da Google. 2008 é o ano da consolidação do Android - de sua estratégia para dispositivos móveis. Ao contrário das outras plataformas, ele é gratuito. Quer melhor justificativa para sua adoção? Ainda mais em tempos de crise?

As ações da Google não devem se sustentar no padrão atual, mas a queda não deve ser muito significativa. Na verdade, se continuar atraente, vai ter gente vendendo ações de outras companhias para colocar a grana em terreno fértil. E, há 10 anos, terreno fértil é a Google.

E a Apple. O iPhone 3G deve sair até o início do 2º semestre. Versões econômicas do brinquedinho devem estar no forno. Acho fácil supor que a Apple venda o dobro de iPhones do que vendeu em 2007, no mínimo. E deve ser mais agressiva na abertura de outros mercados. Inclusive Brasil? Não sei. Mas na Europa é batata. Mesmo que parte do modelo (exclusividade de operadora) seja alterado. Jobs não é burro.

Não tem muito tempo, falei de um dos melhores "campeonatos" do biênio 2007/2008. Estava falando da guerra envolvendo Java, Ajax, Flash e Silverlight (da MS, pra quem não sabe). A Apple corre do Flash como o demo foge da cruz. Mas desconfio que uma aproximação (ou fusão) com a Adobe esteja anotada num cantinho da agenda do Jobs. Motivo? A Google entrou pesado na seara, jogando com Ajax, Java e Linux. Outro motivo: se ela demorar, Bill Gates abocanha a Adobe. O Silverlight perdeu o jogo antes de entrar em campo. Outra varada n'água de Redmond. Sun e IBM desistiram dessa briga há 2 anos. E eu aposto que a Adobe não passa mais um ano como empresa independente. Apesar da crise. Ou exatamente por causa dela.

Na primeira vez que usei minha bola de cristal líquido eu previ uma consolidação no mercado de ferramentas de BI. Errei por um ano. E alguns nomes: BO foi para a SAP; Hyperion para a Oracle. Mas errei por pouco. E o movimento de consolidação seguirá. Agora é a vez de Microstrategy, Cognos e outras de menor porte.

[Atualização: O Garrido me informou via comentário que estou meio atrasado - a Cognos já é da IBM.]

Em 2008 a Oracle seguirá aumentando seu "desfocado" portfólio. A Bea não aguentará a pressão. Mas será justamente a falta de foco da Oracle que deixará a SAP tranquila.

Por fim (falando do estrangeiro), o mundo Linux. É mais "lista de desejos" do que previsão. Já reclamei ontem: uma redução no número de distribuições pode acelerar o processo de evolução do Linux. Está faltando um pouquinho de ousadia, de inovação. Não só no produto, mas também nas suas relações com o mercado. Dell, Lenovo, Acer e outras estão começando a gostar de brincar com o Linux em suas máquinas. Em 2008 veremos outros fabricantes entrando na ciranda. Talvez elas acelerem o processo de consolidação. Mas não bastará.

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Para começar a falar em Pindorama, colo nas pegadas do Philip "Shoes" Calçado: talentos migrarão de grandes empresas (padocas) para pequenas e médias (boutiques). Trocarão "comando & controle" por "colaboração & criatividade". Aqui retorno para meu otimismo (de novo, é mais torcida do que previsão): "boutiques" vão pipocar nos próximos 2 anos. Apesar dos sérios pesares, começaremos a questionar de forma muito contundente nossa velha tradição "feijão com arroz". E o caminho é uma avenida repleta de boutiques. Mais 3 ou 4 sucessos como o do Boo-Box trarão a (pouca) grana necessária. Se aqueles "empreendedores" que só sabem falar sobre "empreendorismo" e não fazem nada sairem da frente, será melhor ainda.

Por outro lado, deve haver algum movimento de consolidação de "padocas". Trata-se de um modelo que depende de muita escala, muitos clientes. Como freguês que fala inglês anda difícil, a saída (imaginada por eles) é aumentar a carteira de fregueses tupiniquins. E eles sabem que o atalho é a aquisição de carteiras, não a conquista real. Um atalho que vem antes, a abertura de capital (que gera a grana necessária para bancar aquisições), será tomado. Por poucos. Exigências da CVM espantam muitas "padocas".

Milhões de novos micros foram vendidos em 2007. Trata-se de um mercado imenso. Que seguirá crescendo! É difícil supor que o modelo das "escolinhas de informática" e empresas de assistência técnica não vá sofrer um grande impacto. Não é só uma questão de número de estabelecimentos. Estou falando do modelo mesmo. Suporte remoto? Cursos a distância? Personal-trainers? Babás de micros? Sei lá, existem várias oportunidades.

Como é imensa a oportunidade para sistemas livres e gratuitos. Equação simples: com a grana curta, aumenta a opressão, o combate aos piratas. Num mercado em que a renda ainda é muito curta, faz muito sentido a adoção de soluções que não custam nada. Falta uma rede de suporte e treinamento. Os primeiros ganharão muito. Em 2008? Tomara que sim.

Por fim, o mais importante: Educação. Precisamos rever currículos. Precisamos redistribuir responsabilidades entre os cursos técnicos e os universitários. Precisamos também levar a informática para todos os outros, principalmente dos níveis fundamental e secundário. Levar informática não é instalar ou doar micrinhos. É levar conhecimento.

Que a turma que em 2007 gastou tempo e espaço com "Cansei", "Xô CPMF" e afins, em 2008 compre outra briga: "Educação acima de tudo!".

Relativi$mo

25 outubro 2007

ou "Você tem no$$ão?"

A MS torrou US$ 240 milhas por 1,6% do Facebook. Então, nas contas do IDG, aquela rede social (realmente legal) vale a bagatela de US$ 15 bilhões! Muito? Pouco? O IDG pergunta se é uma nova bolha. Exagero...

O Facebook pode valer muito mais. Se indicar, nos próximos 2 trimestres, que sua "missão" é séria, seu valor dobra. Então a MS fez um belo investimento. E a Google deve tá morrendo de raiva do Orkut (o cara): "Ah, se o cara tivesse desenhado uma arquitetura legal - aberta! Ah, se o cara tivesse entendido nossa cultura de evolução contínua e frequente! Ah, se o cara não tivesse desenvolvido aquele negócio com ASP! Ah, se o cara entendesse o que é uma PLATAFORMA de rede social!". Agora a Google tem que correr por fora. E correr muito para liberar aquele "agregador" de redes sociais.

E aí, US$ 15 bi é muito? Só dá pra ter no$$ão na base da comparação. Relativize: a Apple agora vale US$ 160 bi! Então, o Facebook (ainda) não é nem 10% da Apple.

Aliás, a marca inédita da Apple merece destaque. Maior que ela só MS, Google e Cisco (aquela). Repare no segundo da lista: Google! Relativize: a Apple agora vale mais que IBM, Intel e Nokia.

Relativize! Não vi em lugar nenhum, mas se a lista fosse ordenada por tamanho de patrimônio físico ela ficaria mais ou menos assim: IBM, Intel, MS, Nokia, Cisco, Apple, Google.

Traduzindo: utilizando a moeda da nova economia (idéias!), a lista tem a seguinte ordem: Google, Apple, MS, Nokia, Cisco, Intel e IBM. $acou? Não? Esquece. No fechamento dos próximos "quarters" a gente se fala de novo.

Ele também não costuma fazer parte dos planos estratégicos de empresas míopes. Por isso, com um certo (e merecido) chororô, a prensa estadunidense vai dizendo "bye bye" para a SCO.

David Berlind, da ZDNet, brincou com "SEs": SE a SCO não caisse no conto da IP (Propriedade Intelectual); SE a SCO, ao invés de brigar com o Linux, tivesse aproveitado a onda; SE a SCO e a Canonical (Ubuntu) tivessem trabalhado juntas.. Como eu disse, "SE" não joga. E o Berlind omitiu o principal "SE": SE a SCO não tivesse aceitado aquela grana da MS...

Mas, de uma forma até meio melancólica, a SCO se vai. Muitos que trupicam aqui no Graffiti não têm a menor idéia de quem foi a SCO (antigamente, Santa Cruz Operation). Lá em meados dos anos 80 ela tinha o melhor Unix para a plataforma Intel. Representava, sem dúvida, a melhor alternativa de SO para plataforma baixa. A Novell até arriscou um rival de respeito, o Unixware, mas também não soube brigar.

Foi uma época de grandes decisões, como a que vivemos agora. A MS tinha o DOS e uma sacanagem na manga (driblar a IBM - de novo!). A IBM tinha o OS/2 e muita ingenuidade. A Novell tinha o Netware e nenhuma visão. A SCO, sem a grana das outras, tinha um produto muito promissor. Era multiusuário e multitarefa de verdade, rodava em máquinas menos parrudas, se integrava sem muita dor com plataformas superiores (leia-se mainframe e supermicros - equipamentos de médio porte dotados de CPU's Motorola (mesma linha que equipou os Macs por um bom tempo) e variações do Unix). Aí a MS usou aquela carta que tava na manga... o resto da história todo mundo sabe.

No meio do resto da história que todo mundo sabe, a SCO negou seu passado de inovação e aceitou virar uma laranja californiana. Cheia de agrotóxicos. Era de se esperar que ela despencasse do pé. Bem podre.

Não, não é o Brasileirão. Há tempos esperava por algo parecido, mas não, também não é/será o Mundial de Fórmula 1. Também não serão os bilionários campeonatos europeus de futebol, ou a Eurocopa que rola ano que vem. O melhor torneio do biênio 2007/2008 tá rolando longe das massas, mas afetará a vida de todo mundo (que interage com micros, mais precisamente com a Web).

Desde que o Graffiti nasceu sou meio obcecado pelo tema: Tecnologias para a criação de interfaces Web. Já tem um tempinho que não falo nada. Estava só observando a maturação do AJAX, o ocaso do Workplace (IBM), o nascimento do Silverlight, os sustos da Sun e a consolidação do casório da Adobe com a Macromedia.

Ok, o Workplace é um estranho no ninho acima. Acontece que lá atrás, logo depois de seu lançamento, eu coloquei algumas fichas nele. Acontece que a IBM parece não gostar mais desse tipo de coisa (investimento em pesquisa, particularmente em software). A base do Workplace é o Eclipse. Atualmente ele é oferecido como um substituto do Lotus Notes. Só... ou quase só. Mas não importa. Vamos estreiar o "quadrante pichado" para dar uns chutes:

O Silverlight acabou de nascer. Como diz a lenda, as coisas na MS começam a funcionar só na versão 3. Acontece que não vai dar tempo. Mais grana mal gasta em Redmond. Eu disse, lá em jan/05*: briga pra comprar a Macromedia. Agora não adianta chorar.

O AJAX não é de ninguém. Então é de todo mundo. A Google o adora. Até lançou um kit de desenvolvimento para ele, o Google Web Toolkit. Aliás, todo mundo o fez. Talvez seja por isso mesmo que ninguém coloca a mão no fogo de vez. Google colocou? Que nada.. rola um boato quente que ela anda interessadíssima na Adobe.

Um movimento que jogaria a Sun (de novo!) no colo da MS. Coitada da Sun. Tem Java em tudo quanto é canto. Mas ainda não faz grana legal com ele. Deveria aprender um pouco do "efeito por causa de", mas essa é outra história. Pela enésima vez a Sun vai lançar algo especial para interfaces. E o Java 7 deve ser bem mais leve e inteligente e coisa e tal. Seguirá faltando alguma coisa...

Uma coisa que a Macromedia (sem querer?) desenvolveu e a Adobe papou: ubiquidade sem estardalhaço, portabilidade sem dor, presença sem briga (ainda) com a MS. O Flash tá em mais de 90% dos computadores ao redor do globo! O Flash é multimídia fácil (Youtube!). O Flash é elegante e relativamente leve. IMHO, o Flash só tem um probleminha sério: é proprietário. Mas não importa: ele tá na frente nessa bela corrida.

Quem corre por fora ou tem condições de influenciar (a la Edilson) o resultado? Apple e Google. A primeira falando sério sobre o padrão que adotará nas futuras versões do iPhone, iPods e Macs. A segunda decidindo se casa (com a Adobe) ou deixa a fila andar.

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Hmm.. ok, fui bem nerd em minha escolha. É claro que o campeonato de F1 (tanto 2007 quanto 2008) será bem mais divertido. Mas a corridinha aí tem seu apelo sim. E, como eu disse, afeta mais gente que qualquer bicampeonato do Massa.

* Ok, muitas varadas n'água em minhas previsões. Não imaginei a aquisição da Macromedia pela Adobe. Mas acertei no enredo (na importância de ambas). E sigo acreditando que dificilmente elas seguirão... "virgens". Google? Quem sabe. Mas se eu morasse em Redmond não gostaria nem de imaginar tal possibilidade.

Roadmaps Cruzados

11 maio 2007

A Red Hat ajudou no desenvolvimento do OLPC (One Laptop per Child), também conhecido como XO-1. Pensou um pouquinho e reparou que o brinquedinho, devidamente trabalhado, poderia se converter numa boa alternativa para empresas. Fez brotar então o seu Global Desktop. Strange bedfellow de 1ª hora: Intel! (Chateadinha com o fato do Vista rodar melhor em AMD's?)

Lógico que a Red Hat corre atrás de "diferenciação". O Ubuntu, e todo o barulho que ele faz, estão incomodando bastante. Aliás, sua derivação para o mundo da Educação, o Edubuntu, configura-se uma boa alternativa ao XO-1. Uma vantagem nítida: ele roda em máquinas velhas, com 128Mb de RAM, por exemplo. Ou seja: um governo esperto (e inteligente) lança uma campanha para receber doações de micros que estão sendo abandonados por pessoas físicas e jurídicas. Micro velho = lixo ruim. Dando um 'tapa' neles (uma limpezinha e uns apertos em conectores), e instalando o Edubuntu, o governo pode equipar diversas escolas. Mata um monte de coelho com apenas uma iniciativa. E não precisa pagar os US$ 100 e poucos do XO-1. Lógico, não vai ter micro pra todo mundo. Aí entraria o XO-1. Aliás, eu faria a seguinte divisão: XO-1 para crianças entre 5 e 10 anos de idade. Edubuntu para todos os outros. E Windows de 3 contos para todas as crianças dos EUA. Tio Bill poderia começar pelas escolas de New Orleans. Tks Tio Bill, mas o 3º mundo não vai mandar mais US$ 15 bilhões para a sua conta. (Explico: ele tá falando em "vender" 5 bilhões de "licenças" do Windows de 3 contos. É tão bem intencionado que dá dó...)



Voltando para os 'roadmaps' cruzados. A Red Hat também atacou a Novell: vai colocar seu Linux nos mainframes da IBM! Porque será que a IBM não gosta mais da Novell-SuSE? Será que o acordo MS-Novell tem algo a ver com isso?

Pra encerrar com o Chapeuzinho Vermelho: o Red Hat Exchange é uma idéia muito legal. Promissora.

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E pensar que tinha gente que falava que o Linux era ruim para o capitalismo, que ele acabaria com "concorrências". Que era coisa de "comunistas modernos"... tsc, tsc. Moderna é a LÓGICA!

E a foto é da minha mais assídua colaboradora, a Tanakawho. Se ela soubesse. E se um dia eu conseguisse retribuir sua generosidade. Ela tem fotos impressionantes no Flickr (3565 hoje), todas liberadas sob licença Creative Commons (by). Pede só 'by' (atribuição)!

A Cabeça do Ballmer

27 abril 2007

Eu já tinha desistido. Depois de 2 anos falando que a MS seria uma empresa melhor sem o Ballmer, cansei. Mas basta que um trimestre seja fechado para o assunto ressuscitar. O Register sugeriu ontem uma solução que pintou aqui há muito tempo: um "modern-day Gerstner" é tudo que a MS precisa! Pra quem não sabe, Lou Gerstner foi o salvador da pátria IBM. Sua saborosa saga está muito bem documentada no livro "Quem Disse que os Elefantes não Dançam?". Ballmer confundiu mensagens e lançou sua infame 'monkey-dance'. hehe..

Mas qual é o problema da MS? Afinal, como diz o Meira, eles registraram quase US$ 9 bi de lucros em seu 3º trimestre (o ano fiscal da MS se encerra em junho). O Vista, com mais de 20 milhões de cópias vendidas, responde pela metade de toda a grana. A velha MS é saúde pura - lucro (80%) puro.

O problema é a nova MS: Zune, XBox e Live dão prejuízo. Só o Live comeu mais de US$ 250 milhões em prejuízo. Muitos dirão: "ah, mas o Live é muito novo - ainda tá naquela parte da curva que é investimento puro". Pode ser. Mas, a exemplo do Zune e do XBox, o Live é tardio. Demorou para nascer e está atrasado. Outros tantos dirão: "ah, mas a MS sempre foi assim. Larga tarde mas acaba ganhando. Foi assim com o Windows, o IE etc etc". Será?

Driblar aquela IBM caduca (pré-Gerstner) e seu OS/2 foi fácil. Bater a Netscape (dando o IE) foi mais fácil ainda. Quem era a Netscape? Bater na Oracle e comer bela fatia de seu mercado também não deu muito trabalho - o Ellison veleja em Hellmann's. Velejador que adora dar varada n'água.

O problema da MS é que o campo e as regras do jogo mudaram. Como o próprio Gates disse há alguns dias, muita coisa (inovação) ainda vai acontecer nos próximos 20 anos. "Estamos só no início". Está aqui o ponto: é um INÍCIO. Um marco similar àquele vivido por Jobs e Gates na segunda metade dos anos 70. Mas, ao contrário daquela época, Gates e sua MS estão muito mal servidos. Mal municiados.

E, ainda assim, insistem em brigar múltiplas guerras: Google, Apple, Sony, IBM, Linux e agora até o XO (OLPC). Ballmer é um Bush cafeinado.

Por isso, parece que a solução começa pela aposentadoria do grande Ballmer. Mas eu acho que já não basta colocar um "modern-day Gerstner" em seu lugar. Uma divisão, no mínimo em 3 partes (Windows + Server, Live e Entretenimento [XBox + Zune]), faria muito sentido. Se a divisão Live brotasse já anexando o Yahoo faria ainda mais sentido. Se a divisão de Entretenimento fosse para as mãos de um peso pesado (tipo Apple ou Sony) faria sentido.

"'SE' não entra em campo", diria o Silvio Luiz. E é muito "if" para a lógica do Ballmer Butthead. Mas como adoramos soluções simplistas, vou correr para escolher um novo pseudônimo para o grande Ballmer. Luis XVI ou Maria Antonieta?

No mundo dos foguetes reais isso não seria possível. Como no mundo do software (quase) tudo pode, a Adobe liberou na noite de sábado a primeira versão pública (alpha) do Apollo.



Infelizmente, por enquanto, ele rodará só em Windows e MacOS. A versão Linux tá esperando um versão melhorada do Flash Player.

Curiosidade: foi só desabilitar o plugin Flash que o meu Firefox ficou bem mais comportado. Desabilitar não é o termo correto. Na verdade, instalei um add-on que impede a execução de propagandinhas e afins baseados no Flash. Pode? Um addon que barra um plugin! hehe.. Ê mundo!

Seguindo com o Apollo, d'uma forma bem simplificada: ele é um executor de programinhas. Será invisível para usuários 'normais', assim como é o Flash Player ou o Java (run time). Como ficou subentendido 2 parágrafos acima, ele será multi-plataforma. Outra característica básica: ele rodará aplicações Web (escritas em HTML, JavaScript, Ajax ou Flex) em modo off-line!

Tá aí aquela que pode ser a principal característica do Apollo: rodar RIA's (Rich Internet Applications) mesmo quando não estivermos conectados. E sem precisar de um browser também.

Aí podem perguntar: quem precisa d'um troço desses?

Well, acho que um monte de gente. Enquanto a conectividade total e sem fio não estiver disponível em cada metro quadrado de nosso planeta (Antarctica incluída), aplicações off-line farão sentido. Serão necessárias.

Hoje vejo várias áreas onde o Apollo poderia ser experimentado: Vendedores que trampam na rua, corretores de seguros, prestadores de serviços gerais (ciganos), vistoriadores de qualquer coisa, etc. Vantagem: se esses usuários, quando conectados, recebem a mesma aplicação (via browser ou não), eles serão mais produtivos. Não têm que aprender uma coisa 'off' e também como lidar com um site na web. As aplicações serão, para o usuário, a mesma coisa. Uma aplicação bem feita saberá fazer o sincronismo dos dados. O Lotus Workplace, da IBM, tem algo parecido com isso.

Para o desenvolvedor há um ganho considerável também: a interface é uma só. A mesma. O mesmíssimo código! Quanta redundância...

E uma percepção que torço para ser falsa: a Adobe tem uma bela oportunidade na mão. Mas, assim como a IBM (e seu Workplace), parece que não tá ligando muito. Se é a MS, a Google ou a Apple lançando algo parecido, veríamos mais estardalhaço.

Business Drivers*

26 janeiro 2007

2006 foi um ano meio fraquinho em "Fusões & Aquisições". Particularmente no hemisfério norte. Nem se compara com a semi-orgia de 2005. Se a turma do norte tiver uma superstição esquisita como a minha - "anos ímpares são melhores!" - podemos esperar muito de 2007. Motivações (e drivers) não faltam.

Dois alvos eternos da MS, Yahoo e SAP, apresentaram resultados financeiros decepcionantes. Sem um PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) ou algo semelhante, seu valor de mercado cai. Traduzindo: elas ficam mais baratinhas - convidativas para uma fusão.

Na MS, 4 de suas 5 divisões de negócios apresentaram resultados inferiores aos de 1 ano atrás. Luz amarela, ficando alaranjada. Para eles, meio 2007 já foi embora (o ano fiscal inicia em julho). Ballmer, com o zu(ne) na mão, parece precisar d'algo estrondoso. E ele não tem criatividade para fazer nada que não seja uma fusãozinha. Básica.

O problema é decidir o que a MS quer ser. Colocando de outra forma: decidir com quem a MS quer brigar. Se for com os grandões (IBM, Oracle), ela tem que papar a SAP. Se o inimigo for o maior candidato a grandão (Google), seu alvo-comida deve ser o Yahoo. Ó dúvida cruel. Como alento só a percepção de que as três empresas possuem um mínimo denominador comum: lucros decadentes.

E por falar em similaridades, algo aproxima a HP da Oracle. Espionagem (muito mal feita) é com elas mesmo! Céus.. o mundo corporativo nunca esteve tão perto do circo. (Com todo respeito aos circos).



* Please.. não confunda com motoristas!

Jo Jo Gunne ataca novamente

17 janeiro 2007

Mary Jo "Jo Gunne" Foley é blogueira da ZDNet: "A mulher que nunca pisca" - espiando a MS. Tadinha... ela cai em cada uma. Num post de ontem ela tentou entender/explicar a ida do Don Ferguson ('pai' do Websphere) para a MS. Confusão total: ela diz que o Websphere é igual ao .Net: mutante e indefinível (na opinião dela). Se ela desse um tempo - e algumas piscadinhas - entenderia melhor o movimento da MS.

O .Net nunca alcançou o 'break-even'. Quiçá 'massa crítica'. Grandes e médias corporações depositam suas aplicações mais críticas, particularmente aquelas que se relacionam com o mundo exterior (via web/web-services), em derivados do padrão JavaEE (Websphere, Bea WebLogic, JBoss e um monte de etc). Apesar do ímpeto com o qual surfou na onda 'web services', a MS anda um tanto perdida quando o assunto são as Arquiteturas Orientadas a Serviços (SOA). Daí a contratação do Don que, segundo a própria Jo Jo, ajudou na definição da estratégia SOA da IBM. Ele deve (tentar) fazer o mesmo na MS. Aguardem um .Net 4.0 bastante remodelado.

[Eu torceria por um produto MS-JavaEE, hehe. Seria mais fácil. E é um dos meus sonhos mais antigos...]

Para tentar entender o que o Don faria na MS, a Jo Jo correu em seu blog que ainda estava ativo no DeveloperWorks da IBM (não está mais). Surrupiou-lhe 10 tendências para os próximos 5 anos:


Não comentarei a lista. Não agora. Por enquanto só cabe o alerta de que a sigla EDA, ao lado de SOA, deve significar "Event-Driven Architecture", o termo-xodó do Gartner. Né, Jo Jo?