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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
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em locais públicos. 
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Fred Brooks no Brasil

16 outubro 2009

Minha caixa postal amanheceu repleta de mensagens de amigos avisando: Brooks estará no Brasil na próxima quarta-feira, 21/out! A preocupação dos colegas tem uma única explicação: eles sabem que sou fanzaço do cara. Não só de sua obra prima, "O Mítico Homem-Mês" (lançada originalmente em 1975 e finalmente disponibilizada em PT-br), mas também de seus artigos que seguiram, particularmente "No Silver Bullet" (1987. Este e outros artigos aparecem na edição do livro lançada pela Elsevier-Campus).

Seguem os convites:





Se você quiser entender um pouquinho mais a importância do cara, veja a série de artigos que publiquei no finito em 2006. Se gostar, não deixe de comprar o livro. Se comprar o livro, lembre-se de uma provocação do Brooks:

Eles falam que o livro é a Bíblia da Engenharia de Software… é por isso que todo mundo o lê mas ninguém o usa!

A gente se vê num dos dois eventos acima. Inté!

Telhado de Acrílico Barato

10 setembro 2009

Saca só um trechinho surrupiado da última Super Interessante, do artigo "O Futuro (e o fim?) do Livro":

Digamos que você está lendo esta SUPER enquanto descansa numa paradisíaca praia do Nordeste. Você se interessou pela entrevista com Don Ariely e resolveu comprar o livro Previsivelmente Irracional, de autoria dele. Basta tirar o Kindle da mochila, navegar com ele pelo site da Amazon e fazer a compra na hora. Em coisa de um minuto, você terá o livro inteiro disponível no aparelho. Não é feitiçaria, é tecnologia...

Já reparou como a Editora Abril analisa o mundo como se não fizesse parte dele? O artigo em questão, em tom alarmista, fala sobre o impacto da tecnologia no mundo dos livros. Oras... pq eu não estaria lendo a SUPER (!) no próprio Kindle? Pq os átomos da Abril estariam isentos dos impactos da tecnologia? Parece bobeira, mas são coisinhas assim que derrubam impérios do século passado.

Foi o Feio quem me alertou: com exatos 34 (trinta e quatro!) anos de atraso, finalmente é lançado em PT-Br (português do Brasil) o clássico de Fred Brooks, "The Mythical Man-Month". Aliás, "O Mítico Homem-Mês". O lançamento é da Elsevier. Em março de 2006 lancei uma série de artigos para comemorar os 30 anos da obra. Acho que foi lá mesmo que eu disse que, apesar do atraso, a publicação em PT-Br ainda valia a pena. Então, parabéns Elsevier pela coragem.

Como a capa indica, trata-se da tradução da edição comemorativa de 20 anos, lançada em 1995 pela Addison-Wesley. Além do original de 1975, o livro apresenta uma série de artigos publicados posteriormente por Brooks, inclusive o também clássico "No Silver Bullet", de 1987.

Parece estranho ou surreal o fato de um livro sobre informática de 1975 permanecer atual, não? Bom, para quem não sabe, o livro trata especificamente de projetos de software. E se ele permanece atual, é porque não evoluímos tanto assim nessa saborosa área. Se você ainda não conhecia essa obra-prima, agora não tem mais desculpas.

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Assim como a Editora Atlas não tem desculpa por não publicar uma 5ª edição de "O Analista de Negócios e da Informação", de José Roberto Saviani. Permita-me explicar. Eu achava que meu atrasadíssimo livro seria o primeiro na língua de Camões sobre e para os Analistas de Negócios. Depois de 2 anos circulando com essa mentirinha, me alertaram sobre a existência do livro do Saviani. O fizeram através de nosso grupo de discussão. E foi uma correria só atrás do livro... em sebos! Sim, porque o livro está esgotado. Foram 4 edições, em 1992, 95, 96 e 98. Justo agora, que o tema está "na moda", a Atlas come bola.

Eu nunca tinha visto a teoria da "Cauda Longa" tão na prática. Nem "best seller" de sebo! O fato é que o livrinho se esgotou em várias lojas. Só consegui um porque a Suzandeise (IIBA-SP) me emprestou.

O livro é curto (100 páginas) e relativamente distante do meu enfoque. Mas é atual, simpático e honesto. Aliás, depois da busca pelo livro, o que alguns membros do grupo querem é conhecer o Saviani. Não conseguimos encontrá-lo. Será que alguém que por aqui passa teria alguma pista?

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Como o assunto é livro e "coisas estranhas", não poderia deixar de comentar a última piada DRM: a Amazon "queimou" cópias de "1984" e "Animal Farm" (ambos de George Orwell) que estariam indevidamente armazenados em Kindles. As cópias seriam ilegais (em território estadunidense), e a empresa se achou no direito de eliminá-las. Sem dó nem piedade...

Quem conhece os títulos, particularmente "1984" (Big Brother!) e viu a história da Amazon não sabe se a vida imitou a arte ou se a arte imitou a vida. Mas ficou com uma certeza: DRM é serviço de porco!

A Cabeça de Steve Jobs

16 junho 2009

Quando você passa horas e até dias dentro de ônibus e aviões não há nada melhor a fazer do que ler um bom livro. Ops.. Há sim. Puxar papo com a bela morena que senta ao seu lado. O problema é que belas morenas andam raras em aviões e ônibus... Pelo menos naqueles que pego. Restam os livros.

Depois de muito hesitar, comprei em Maringá "A Cabeça de Steve Jobs". Explico a hesitação: apesar das credenciais do autor, Leander Kahney, editor da Wired.com, o título me afastou um pouco. Conferi, é a tradução correta do nome original, "Inside Steve's Brain". Não tenho o menor interesse em mergulhar na indecifrável cabeça de Jobs. E não acredito que alguém tenha condições de transcrevê-la, seja em que meio for. Outro item do livro que espanta na primeira folheada são os checklists que encerram todos os capítulos. Coisinha "for dummies" ou para aquela turma que só lê os resumos. Mas, na falta de melhor alternativa e com a certeza de mais um vôo atrasado, fiquei com o livro.

Que sorte eu dei! Estava totalmente enganado sobre o livro - o título poderia ser bem melhor. Leander traça um belo histórico de Steve, da Apple, da Pixar e da NeXT. Inevitável que ele acabe tocando também MS, HP, Xerox, Dell e outras. Ou seja, está ali uma boa parte da história da nossa indústria, contada de forma simples, objetiva e... apaixonada. Sim, Leander não consegue disfarçar que após 12 anos cobrindo a Apple se tornou um fã daquela empresa. Mas não um fã bobo. Ele consegue descrever os fracassos daquela empresa, inclusive os erros do Jobs. De forma econômica e breve, mas consegue.

Quando um livro dispensa marca-textos é porque ele só pode ser lido de uma forma: de cabo a rabo, na sequência originalmente proposta pelo escritor. E, saiba, a sequência é estranha. Os capítulos são organizados em torno de características da "cabeça" de Steve Jobs: Foco, Despotismo, Perfeccionismo, Elitismo, Paixão, Espírito Inventivo... Estranha mas bem sacada, já que permite que o escritor conte histórias que ilustram bem facetas de Jobs e, principalmente, da Apple. É jóia poder conhecer um pouco mais sobre Jonathan Ive, Ron Johnson e Tim Cook - três caras fundamentais na história recente da Apple mas que aparecem muito pouco.

Devo escrever alguns posts e graffiares para destacar alguns pontos do livro. Mas a maior provocação eu já deixo aqui: você trabalha em TI? Dê o livro de presente para seu patrão. Você trabalha no varejo? Dê o livro de presente para seu patrão. Seu trampo é uma chatice só? Dê o livro de presente para seu patrão. Você é o patrão? Compre o livro! Não entendeu nada? Compre o livro!!!


O Futuro das Editoras

03 junho 2009

O tema muito me interessa. Desde que decidi entrar nesse mercado (pela porta dos fundos). Quero crer que interesserá também minha 1/2 dúzia de leitores. 
As editoras começam a enfrentar agora o mesmo desafio que as grandes gravadoras encaram há quase 10 anos: a inevitável conversão de seus átomos em bits. Saca só: tiveram pelo menos uma década para se preparar e aprender com os erros dos outros. Pelo visto, desperdiçaram o tempo. A última edição da EXAME (3/jun) tem um artigo chamado "O Papel vai Sumir?". Legal, o texto fala sobre o Kindle da Amazon e as mudanças que batem nas portas das editoras. Conclui, de maneira acertada, que "o papel não vai tornar-se obsoleto". Até aí, tudo bem.
Mas quando começam a tratar do perigoso tema "pirataria", a coisa desanda. Foram ouvir o Sr Roberto Feith, presidente da editora Objetiva. Saca só:

Os prejuízos com a pirataria podem ser mais graves para a indústria editorial do que para a indústria de música. E existe outro ponto importante: os artistas podem viver de shows, mas os escritores não têm uma fonte alternativa de receita.


Lá vem terrorismo de novo. Tipo de artimanha usada para justificar as práticas mais draconianas (como rootkits e outros esquemas miraculosos de proteção de conteúdo etc etc).
Caríssimo Sr Roberto Feith:
  1. A maioria dos escritores que conheço, tanto de ficção quanto de não-ficção, tem sim outras fontes de receitas. São palestrantes, professores, gerentes, coordenadores de cursos, cientistas, roteiristas etc etc. Uma parte deles licencia seus trabalhos para o cinema, TV ou teatro. Ou seja, o que não falta é alternativa de receita para escritores.
  2. O senhor está num mercado que gira cerca de US$ 400 bi por ano no mundo todo (dados da própria EXAME). Qual é a fatia dos escritores?
  3. O medo da mudança (que, saiba, é inevitável) é o pior ponto de partida que Vs Sa e seus colegas podem adotar. Duvida? Então leia de novo a história da Apple, do iPod e do iTunes e do impacto deles no mercado da música. 
  4. Não entendeu ou não concordou? Tente então o mercado de pastelarias. Lá a pirataria não chega, ok?

Furei de novo minha lista de leituras. Tem poucos dias que o Marco "Boo Box" Gomes informou via Twitter* que havia 'vendido' uns 10 volumes de "Por que as Pessoas de Negócios falam como Idiotas". Nem busquei a origem do papo - minha curiosidade já estava devidamente ativada. Explico: por alguma razão (preconceito) qualquer, não esperava ver um título assim recomendado pelo Marco. Um livro de "negócio" que fale para ele muito me interessa.


Entre ontem (incríveis 6 horas no trajeto Vga-Sampa, que tem só 319km) e hoje eu "engoli" o livro. Leitura pesada mas muito agradável. E hilária em muitos momentos - coisa de arrancar boas gargalhadas. Mas é pesada sim, na forma como destrói idiotas. Me vi ali, em diversos momentos. Aliás, revi um monte de idiotas perfeitamente retratados no livro. 

Brian Fugere, Chelsea Hardaway & Jon Warshawsky, os autores, organizaram seus desabafos e dicas em 4 grupos de armadilhas:
  • da Obscuridade: os jargões, siglas e outros enigmas que despejamos diariamente em nossos papos e documentos - particularmente quando precisamos disfaçar nosso não domínio em determinado assunto;
  • do Anonimato: sobre empresas que, ao mesmo tempo em que tentam parecer únicas, insistem em capar e padronizar seus "talentos";
  • da Venda Agressiva: sobre a falta de educação e de bom senso de alguns "vendedores". Do excesso de "Eu", e coisas do tipo;
  • do Tédio: trabalho não é diversão. Mas também não precisa ser algo sem graça e sem cor.
O livro já entrou naquela parte da estante que se chama "Obrigatórios para Todo Mundo". Pense num "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas" versão 2.0, criado para pessoas do século XXI. Calma! Me permita concluir: "Idiotas" ajuda a desconstruir o mundo de falsidade que "Como Fazer Amigos..." ajudou a criar.

Se você não é um Urtigão e saber se comunicar em uma empresa é uma das habilidades que exigem de ti, tenho outra sugestão: "Obrigado pela Informação que Você NÃO me deu!", de Normann Kestenbaum. É menos desconstrutor e mais prático que o anterior. Na realidade, um complemento perfeito para "Idiotas". 

Normann fala sobre a necessidade de objetividade e simplicidade em nossas comunicações. Que hoje em dia ninguém mais tem tempo (nem saco) para documentos com centenas de páginas e muito menos para apresentações com dezenas de slides. 

Você consegue vender um projeto com, digamos, 6 slides? E que tal um documento de visão ou proposta técncia com apenas 10 páginas? 10 páginas e nada de encheção de linguiça, nada de embromação. Que sonho...

O problema é que muita gente vai morrer de fome se não conseguir embromar mais ninguém...

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* Siga-o! Muito ativo, tem o que falar.

Pensando alto: qual a maior embromação do ano? Podia ter um prêmio assim, né? Já tenho meu candidato: "TUDO quanto é tipo de software para TODO mundo. Soluções para ALAVANCAR a gestão da sua empresa". 

Hábitos de Pessoas Eficazes

07 novembro 2008

O best-seller de Stephen Covey, "Os 7 Hábitos das Pessoas Muito Eficazes", tem me assombrado nos últimos dias. Um colega o elogiou em um blog. Desastrado, fui lá e coloquei um comentário 'azedo' sobre o título. Meu colega apagou meu comentário!?! hehe...

Desde então, penso sobre o ocorrido. Penso sobre o livro que folheei - não ultrapassando o 1º hábito - há uns 11 anos. Sou um cético que adora detonar livros que recebem o famigerado rótulo de "auto-ajuda". Sinto um aperto no coração toda vez que vejo o entrelaçamento entre 'auto-ajuda', 'esoterismo' e 'administração'. Neste balaio entram Covey, Tom Peters e aquele que talvez seja o mais perigoso de todos, Deepak Chopra. Mas é preciso muito cuidado para não ser enganado pelos rótulos. Por exemplo: na lista dos livros mais vendidos da Veja desta semana, o primeiro colocado da seção "Auto-Ajuda e Esoterismo" é "A Arte da Guerra", de Sun Tzu. Seguido por "O Segredo"...

Há 10 anos a Editora Campus publicou um 'guia' que ajuda muito a separar "escolas". O livro se chama "Os Bruxos da Administração" (do original "The Witch Doctors") e foi escrito por dois membros da equipe de editores da The Economist, John Micklethwait e Adrian Wooldridge. Saca só seu subtítulo: "Como Entender a Babel dos Gurus Empresariais". É fantástico! A Campus deveria editá-lo novamente. Ele nunca foi tão necessário.

E ajuda a entender porque Stephen Covey ficou milionário com "Os 7 Hábitos...". Saca só:

Para homens e mulheres movidos a ansiedade, os livros de administração oferecem uma rara fonte de segurança. Os beneficiários mais óbvios são os pensadores que se concentram no indivíduo, e não na organização: daí o charme da psicoterapia new-age de Stephen Covey.
Depois, num capítulo intitulado "Na Contramão do Bom Senso", a dupla caçadora de bruxos resume suas impressões sobre o trabalho de Covey:

As seis primeiras palavras de "Os 7 Hábitos..." são: 'Aos meus colegas, no poder e a caminho dele'. O pior ainda está por vir. O primeiro dos sete hábitos de Covey é 'seja proativo'; o sexto é 'estabeleça sinergias'. (Em uma conversa com Covey, 'sinergia' disputa com 'mudança de paradigma' o lugar de expressão favorita.)

Esse é um território perturbador. Como respeitar um indivíduo que reconta a fábula de Esopo sobre a gansa que põe um ovo de ouro como 'o equilíbrio produção / capacidade de produção'? Pode-se realmente levar a sério um indivíduo que alega, com toda seriedade, ter identificado 'o sistema de valor universal de toda a humanidade'?
Bom, como os próprios autores reconhecem, Covey foi competente na administração de seu próprio negócio. Começou com 2 funcionários. Dez anos depois, tinha mais de 700 e faturava mais de US$ 100 milhões. Levou suas 'preces' até para as equipes de Bill Clinton e Tony Blair. Vivemos realmente num mundo de 'ansiosos'.

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Só pra variar, este post tomou um rumo diferente depois que comecei a escrevê-lo. Queria mesmo falar sobre hábitos de pessoas eficazes. Dois hábitos que, tenho observado, andam raros. Hábitos que fazem toda a diferença nos dias de hoje, ainda mais em tempos bicudos. Talvez sejam tão óbvios como os 7 (8!) do Covey, mas prometo despi-los de qualquer toque 'psicoterápico new-age motivacional banban'. Vamos lá:
  1. Ler! Muita gente, mas muita gente mesmo, não tem o hábito de ler. Como é possível que um trabalhador do conhecimento sobreviva sem o hábito de ler?
    Não falo de ler bullshitagens em blogs bobinhos como este; nem artigos na Internet e zilhões de mensagens de email, por favor! Tô falando de leitura de verdade: ler livros, revistas especializadas (e não superficiais), jornais...
    Por mais 'verba' que tenha para gastar com treinamentos e afins, você não pode abrir mão do aprendizado via leitura. Ninguém pode!

  2. Colaborar e Participar! Muita gente adora escrever hieroglifos pós-modernos em orkuts e afins - aquela linguagem criptografada que também infesta IM's (MSN e afins). Mas pouquíssima gente participa em fóruns e grupos de discussão. Preferem ler, observar. Mas raramente participam. O que explica tal timidez?
    Desconfio que muitos se censuram porque têm medo de escrever errado. E uma coisa caracteriza todo mundo que escreve mal: lê pouco!
    (Por favor, eu sei que escrevo mal pracas! Sou viciado em vírgulas desnecessárias; cometo vários erros de concordância e tals. Leio pouco também. Bem menos do que gostaria. Mas me esforço).

Em tempos de consumidores-produtores (prosumers), os dois hábitos acima são fundamentais. Trabalhador do conhecimento que os ignora é trabalhador de segunda categoria. Em tempos bicudos, são os primeiros que dançam.

Tenho consumido alguns poucos minutos diários com a leitura de "Os Homens que não Amavam as Mulheres", best-seller de Stieg Larsson muito comentado nos últimos tempos. É a primeira parte de uma trilogia chamada "Millennium". E a primeira vez que pego um livro da moda desde "O Código Da Vinci". Bem escrito, bem sacado e grudento, parece um mix de Agatha Christie, Dan Brown e William Gibson (de "Reconhecimento de Padrões"). Da primeira o "whodonit"; de Dan o passeio descrito com certa minúcia; e de Gibson a antena e a personagem Lisbeth Salander (mal identificada na nossa mídia como uma 'hacker'. Simplista, pra variar).

Bom entretenimento. Mas existem dois outros fatores que merecem destaque. Aliás, que merecem ser tratados aqui no Graffiti.

O primeiro é a excelente tradução de Paulo Neves - que não partiu do original sueco e sim de uma versão francesa do romance. Seu cuidado, particularmente com os termos técnicos, deveria ser observado por aqueles que traduzem livros de negócios e informática aqui em Pindorama. Paulo Neves soube distinguir termos que mereciam tradução daqueles que deveriam ser mantidos em sua forma original. Critério simples: qual forma está no nosso dia-a-dia? Sem inventar roda, deu um show de tradução.

Destaco este ponto porque estou com o saco cheio de ver "business process" virar "processo comercial", "commodity" virar "mercadoria", XP virar "Programação eXtrema", "cloud computing" virar "computação nas nuvens" ou "de nuvens" e outras cagadas de igual calibre. É impressionante o relaxo de gente de nome como Editora Campus, Bookman, Abril e outras. Se não conseguem encontrar bons tradutores, que publiquem então as versões originais. Atenção: um bom tradutor de livro técnico deve ter formação técnica e viver no meio. Não basta saber inglês, ok?

Segundo ponto. Saca só um trechinho:

Se um repórter, no Parlamento, realizasse sua tarefa do mesmo modo, sustentando sem a menor crítica cada moção proposta, ainda que totalmente insensata, ou se um jornalista político carecesse de uma forma semelhante de julgamento, esse jornalista seria despedido ou pelo menos transferido a um serviço no qual ele ou ela não pudesse causar prejuízos. No jornalismo econômico, porém, não é a missão jornalística natural que prevalece, ou seja, oferecer aos leitores análises críticas e um relato objetivo dos resultados. Não, aqui se celebra o vigarista mais bem-sucedido. E é assim que o futuro da Suécia está sendo moldado, minando-se a última confiança ainda depositada nos jornalistas como categoria profissional.
O texto acima é de um livro que o protagonista de "Os Homens...", Mikael Blomkvist, publicou. Mikael, vale citar, é o alter-ego de Stieg, que também foi um ativista político e jornalista econômico. Por que o trecho merece destaque?

Oras, troque "jornalismo econômico" pela prensa que cobre nosso mercado (TI). Troque Suécia por Brasil. Está ali uma visão bem clara de nossa prensa que se diz especializada. Duvida?

Michael Hammer

01 outubro 2008

Abril de 94. Só sei a data porque na época tinha a mania de anotar na primeira página dos livros a data de aquisição E leitura [1]. Já ia para o meu 8º ano de carreira e o 1º na Coopersum - Cooperativa Regional do Sul de Minas. Sua matriz ficava em Elói Mendes, a popular "Mutuca", distante 15km de Varginha e com cerca de 18 mil habitantes. Pela primeira vez eu tinha necessidade de entender melhor um negócio. Até então, desenvolvendo sistemas que cuidavam exclusivamente de processos de apoio [2], os negócios pareciam todos iguais. Agora não: era uma Cooperativa de leite, um "trem" complexo que além do leite (comprado e vendido), envolvia também um supermercado, duas lojas de produtos agroveterinários, um posto de combustível e outras coisinhas. Milhares de itens em estoque. Um produto principal que se perdia em um dia. E uma clientela principal bastante particular: todos eram donos do negócio também - os cooperados. O que eu sabia sobre sistemas não bastava.

Para complicar, e para quem não se lembra ou viveu, é a época da implantação do Real. As mudanças eram drásticas não só nos sistemas e processos. Nossa cultura de "inflação" (e correção monetária e índices para tudo) ainda era vivíssima. Meus conhecimentos sobre sistemas, definitivamente, não bastavam.

Também não era era de Internet. Aproveitei um passeio por Varginha para uma visitinha na então única livraria da cidade, a Livraria do Estudante. Como hoje, as seções de TI e Negócios ficam na mesma prateleira. Ignorei os dBase, Basic, Wordstar, Unix e afins. Pela primeira vez eu queria um título que me ensinasse *negócio*. Minha visita deve ter durado uns 90 minutos (minha média até hoje em livrarias). Folheei algumas dezenas certo de que levaria o primeiro livro que peguei: "Reengenharia: Revolucionando a Empresa", de Michael Hammer e James Champy (Editora Campus, 1994). (Coloquei o link, mas a livraria tá informando que o título está esgotado).

Estranha opção já que, considerando alguns de meus critérios da época, o livro representava o oposto: breve (180 páginas); pouco visual (só 2 diagramas!); e muito atual (ou seja, carecia do 'estofo' que só o tempo dá). Por outro lado o livro parecia muito objetivo, prático mesmo. A linguagem não me assustou, pelo contrário. Não havia ali um mísero termo técnico estranho ou que não fosse bem explicado (para um leigo). Então eu comecei a aprender sobre negócios no eXtremo. Saca só o sub-título: "Revolucionando a Empresa!". O apelo definitivo, que me fez desconsiderar alguns títulos de Peter Drucker, foi escrito pelo mesmo no topo da capa: "A reengenharia é o novo e precisa ser realizada". Corrigindo: apelo definitivo mesmo estava no rodapé da capa: "Esqueça o que você sabe sobre como as empresas devem funcionar: quase tudo está errado!". Wow!!! Pra que então eu compraria um livro 'antigo' ou 'errado', certo?

Hoje, 14 anos depois, "Reengenharia" (o livro) aparece em vários pontos do meu trabalho para Formação de Analistas de Negócios: nos conceitos de processos de negócios, no diagnóstico das doenças que acometem processos etc. Como John Sculley previu na contra-capa, ele virou sim uma "bússola e mapa-múndi empresarial do século XXI". Mas nem sempre foi assim.

O termo *reengenharia* foi eleito o bode expiatório de um monte de cagadas realizadas por grandes empresas na época. O confundiram com 'confusores' como downsizing, rightsizing e outras propostas que não ditavam nada que não fosse o corte sumário e imediato de mão-de-obra. Reengenharia virou palavrão, bafo de alho ... moda tão efêmera quanto a lambada.

Os autores, principalmente Hammer, ficaram marcados. Boa parte de seus trabalhos seguintes pareciam tentar corrigir ou justificar suas propostas. Mesmo aqueles que 'esticaram' o tema não receberam uma migalha da atenção que recebeu a obra-prima. Pra ter uma idéia: meu livro, adquirido pouco após o lançamento, já era a 12ª edição!

Só fiquei sabendo na semana passada que no último 3/set Michael Hammer se foi, com 60 anos. Se foi sem o devido reconhecimento de sua obra. Se foi sem saber que um projeto na pequena Mutuca só deu certo porque seu livro me fez *ver* um negócio. Me fez entender que um negócio não é representado pelo seu organograma, mas pelo Mapa de Processos - sua parte dinâmica, viva.

Finalmente, para entender porque seu trabalho continua tão atual, basta dizer que apenas um ERP tupiniquim sabe "fazer" ABC (Custeio Baseado em Atividades) - o resto se limita à secular contabilidade "por centros de custo". Basta dizer que uns 80% de nossos negócios ainda não entendeu que já entramos na era da concorrência baseada em processos. E que nem metade dos que entenderam conseguiram de fato implantar uma visão de processos. Compartilho a certeza do Hammer: cedo ou tarde o farão, por bem ou por mal.


Notas:

  1. Atualmente não consigo mais manter o 'E'. Entre a aquisição e a leitura, meses se vão. E não sei se estou comprando mais do que consigo ler ou lendo menos (ou mais devagar). Pena.

  2. Processos de apoio (ou secundários) são todos aqueles que uma empresa paga para não ter - justamente porque não faz grana com eles. Por isso são os primeiros a ser terceirizados. Em todo o meu início de carreira, eram o único alvo dos sistemas de informação: Contabilidade, Folha de Pagamento, Contas a Receber e Pagar etc. A turma de hoje é feliz e não sabe quanto, informatizando processos primários (70%) e de gestão (20%). Obs: os percentuais são só chutes deste que aqui pixa.

A sociedade está se aprimorando em selecionar o que presta e o que deve ser jogado fora, e um novo tipo de percepção vem se desenvolvendo... Cada vez mais as pessoas pensam: Meu tempo - e não meu dinheiro - é a coisa mais preciosa que possuo. Vou protegê-lo daqueles que pretendem roubá-lo de mim... Isso afeta a vida das empresas. Elas devem ter certeza de que não estão fazendo ninguém perder o tempo.

David Brooks (jornalista do NYT - citado no livro que dá título ao graffiare).


O livro de Normann Kestenbaum, lançado pela Campus agora em 2008, tem exatas 108 páginas. Começo assim o elogio ao trabalho para mostrar como Normann é objetivo em sua mensagem. Caramba! O livro deveria ser obrigatório em todas as empresas, particularmente as prestadoras de serviços de TI.

São 14 capítulos. Apresenta uma metodologia e ricas dicas para a Expressão Visual. Ensina o essencial sobre apresentações baseadas em Powerpoint, por exemplo. Mas o livro trata, principalmente, da valorização de nosso maior ativo: o Tempo!

O estilo de redação do Normann me tirou um imenso peso das costas. Mas isso é outro assunto. O importante aqui é destacar o quanto seu texto é agradável, leve (apesar do pesado tema). E, como diz Paulo Novis no prefácio, "o livro é escrito em português, não em bullshitol".

Um monte de gente vive dando desculpas para ler tão pouco (ou nada). A mais frequente é a falta de tempo. Deveriam tentar ler pelo menos este livro.



Em "A Sentinela" (The Sentinel), um conto, ele "inventou" os satélites. Em "2001: Uma Odisséia no Espaço", o livro que foi criado em paralelo com o grande filme de Kubrick, ele inventou HAL - o computador que ainda não conseguimos criar. Destaques de uma obra que tem mais de 70 livros, entre ficção e não ficção. Sir Arthur nos deixou hoje, aos 90 anos.

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Veremos em tudo quanto é canto: "o maior/melhor escritor de ficção-científica". Rótulo fácil e enganador. Esse negócio de "o maior", "o melhor" é coisa de simplificadores. Sir Arthur foi um dos grandes. Meu favorito continua sendo Philip K. Dick. O que não significa que era "o maior".
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Mas é impossível ignorar a obra de Sir Arthur. Para minha despedida, vou destacar só um pequeno detalhe.

Stanley Kubrick, que é para o cinema o que Beethoven é para a música, queria criar um divisor de águas quando resolveu fazer "2001". Até então, filmes de ficção-científica eram todos "B" (ou "C"..."Z"). Discos voadores e monstros intergaláticos eram a matéria prima de simpáticos engraçadinhos, como Ed Wood. Kubrick queria o conhecimento e a imaginação de Sir Arthur.

Sir Arthur sabia que "2001" poderia ser sua obra-prima. Não sei dizer - ninguém saberia - qual foi seu sentimento-motivação quando resolveu revisar e reescrever seu texto no set de filmagens. Gosto de pensar que foi a simples necessidade de ver (e tocar) tudo aquilo que, até então, estava só em sua imaginação.

Dois gênios, trabalhando em conjunto, criando o mesmo mundo e demonstrando-o em diferentes mídias. Torço para que, no mínimo, uma parte desta experiência esteja documentada no recém-lançado DVD especial de "2001". Para quem gosta de estudar *criatividade*, este evento é quase único em nossa história.

HAL, que ainda não nasceu, acaba de perder seu segundo pai. Em março de 2108 (ou 2099), quem sabe, ele estará organizando uma bela festa para Clarke e Kubrick. Não será só pós-IBM (como provoca seu nome), mas também pós-MS, pós-Apple... pós-todos que perderam a oportunidade de criar um computador mais humano. O computador que Sir Arthur imaginou.

Tem duas coisinhas erradas na carreira que desenvolvo há dois anos e pouco. Ambas estão explícitas na forma como me apresento: "Consultor" e "Independente". O problema com a primeira é conhecido: Consultores, assim como os gurus, têm uma fama ruim. Não raro ouvimos por aí que eles (nós) ganham (os) "muito dinheiro por nada". Que também costumam fazer "muito barulho por nada". E por aí vai. Nada mais mentiroso. Mas a maioria sempre paga pelos "extremos". Mas eu abri este post para falar do outro probleminha: minha falsa "independência".

Nunca na história da humanidade houve independência de verdade. Nem o Urtigão, em sua casinha no alto do morro, era totalmente independente. Quando anexei o adjetivo à minha proposição de função, imaginei passar a seguinte mensagem: "Não tenho rabo preso com ninguém. Ao sugerir ou te ajudar no desenvolvimento de uma solução, ninguém (a não ser você) influenciará no desenho da solução". É uma mensagem legal e gosto de reforçá-la. Comissões e afin$ não são receitas previstas no modelo do finito . Mas, caramba, como eu sou dependente.

Por exemplo, eu não conseguiria nunca organizar e promover sozinho minhas oficinas (workshops) e palestras. É muito trampo. E eu precisaria de uma rede de contatos muito maior que os 5k endereços eletrônicos que consigo acessar diretamente e indiretamente (via grupos de discussão e sites de relacionamento). Reforço: entendo que é muito trampo e muito 'conhecimento'. Mas a relação é um tanto injusta. Quando muito, seu trabalho e conteúdo valem de 25% a 30% do valor total do ingresso. Consolo: plantadores de mandioca no sertão baiano ganham menos dos atravessadores que levam seus produtos para os 'centros consumidores'.

Quero crer que seja só uma fase. Falta de concorrência e falta de infraestrutura e coisa e tal. Se demorar muito, talvez nossa solução seja parecida com aquela de alguns plantadores de mandioca: formar uma cooperativa e limar o atravessador do negócio. Ainda não vale a pena. Mas, se muitos 'pseudo-independentes' reclamarem da mesma dor, talvez seja realmente esse o remédio "menos pior".
[Uma fichinha tilintou: o Hub-SP, com suas salinhas de reunião para 20-30 pessoas, será uma local muito jóia para oficinas e palestras versão "pocket"].

Mas, a gota d'água que motivou este post não tem nada a ver com os eventos. Comecei a fase em que devo me preocupar com a comercialização do meu livro. Até aqui, dependi de mais de 200 pessoas e 200+ livros e 2k artigos para desenvolvê-lo. Participantes de minhas palestras e oficinas foram convidados para um grupo de discussão exclusivo, onde o tema é debatido e amadurecido. A gráfica e editora é de meus dois manos (de sangue), Cacá e Guz Vasconcellos. Então, de certa forma, a "independência" foi preservada. Mas a distribuição e comercialização do livro é outro papo.

Tenho alguns "requisitos fundamentais" dos quais não abrirei mão:

  • O livro será publicado com licença Creative Commons. Ou seja, sua cópia e distribuição (aka Pirataria) serão liberadas.
  • Texto e todos os artefatos "periféricos" serão publicados em diversas versões, em diferentes combinações de átomos e/ou bits. Cada público merecerá uma versão específica.
  • Não espero ganhar R$ 0,01 com o livro, mas ele deve se pagar.
Pois bem, eu preciso muito de um espaço digital para realizar parte de meus requisitos. Um local que seja flexível, que consiga comercializar tanto a versão 'átomo' (impressa e encadernada) quanto a versão 'bit' do rebento.

Por incrível que pareça, não consegui encontrar tal espaço aqui no Brasil. O mais próximo que achei segue a lógica dos atravessadores: remunera o autor em 40% do preço de capa. Ok, é bem melhor que a proposta das editoras tradicionais. Mas, ainda assim, uma injustiça. Por depreciarem tanto o conteúdo, não me surpreende que tenhamos tantos livros 'descuidados'* publicados por aqui.

Pois bem, para meu desgosto, se eu quiser manter meu prazo e meus requisitos, talvez eu tenha que gerar uma graninha para a terra do Tio Sam. Só lá encontrei um serviço bem legal para a divulgação, distribuição e comercialização do livro. O Lulu. Eles embolsam apenas 20% do que eu vender. Saca só: 1/3 do que o equivalente tupiniquim cobra. Mas não é só uma questão de valor. O serviço é muito flexível e ágil. O livro é impresso por demanda! Se o corajoso leitor pedir uma capa dura, por exemplo, "no problem". Politicamente correto, o Lulu promete até uma política especial de preços de frete para a América Latina.

A dependência é inevitável. Mas ela pode ser saudável. Resta-nos escolher bem onde amarramos nosso burrinho, certo?

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* Repare nas capas da maioria dos livros técnicos tupiniquins. Confira a qualidade da encadernação e da impressão. Se fosse um trabalho nota 10, talvez a remuneração fosse menos injusta.