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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
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em locais públicos. 
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Ontem falei do OLPC e da "ética" WinTel (leia-se MS + Intel). Me avisaram d'um absurdo que está prestes a ocorrer na Nigéria (outra esquina do terceiro mundo). Versão resumida do causo:

O governo daquele país africano queria comprar 17 mil máquinas para a estudantada. No primeiro dos desvios de difícil explicação, optou pelo Classmate da Intel (em detrimento do XO da OLPC). Ok. Como negociavam hardware e software em separado, abriram e fecharam acordo com a Mandriva. O Mandriva Linux seria o sistema operacional das maquininhas. Tecnicamente, uma escolha bem feita. Pronto, podia tudo ter terminado assim. Mas, sabe-se lá pq, o governo nigeriano torrará grana com software de novo! E trocará o Mandriva pelo Windows!?!?

François Bancilhon, da Mandriva, escreveu uma carta aberta para Steve Ballmer. Saca só um trechinho:


Wow! I’m impressed, Steve! What have you done to these guys to make them change their mind like this? It’s quite clear to me, and it will be to everyone. How do you call what you just did Steve? There is various names for it, I’m sure you know them.

Of course, I will keep fighting this one and the next one, and the next one. You have the money, the power, and maybe we have a different sense of ethics you and I, but I still believe that hard work, good technology and ethics can win too.


O que ocorreu entre a escolha do Mandriva e a decisão de trocá-lo pelo Windows? Temo muito que o afastamento do governo brasileiro do projeto OLPC sofra d'algo parecido. Aliás, temo muito pelo futuro desse tipo de iniciativa. Tem muita grana em jogo. Tem 1 bilhão de "brinquedinhos" em jogo. E tem gente que joga com regras muito esquisitas, quando não escondidas. Pergunto: quem fiscaliza isso?

Último detalhe: repare neste outro artigo da ZDNet que o Brasil deixa de ganhar um dinheirinho com a decisão do governo nigeriano. Apareceu algo sobre na nossa "prensa"? Não vi...

OLPC e a Ética "WinTel"

27 novembro 2007

*Ética* é assunto quente em Pindorama há uns 2 anos. Na boca de muitos e no dia-a-dia de poucos. Minha sensação é de que já é possível ter sono tranquilo mesmo quando a consciência pesa toneladas. Ou teríamos uma imensa população de insones.

Um dos problemas com a discussão sobre *ética* é a localização. Não raro, parece que a falta de ética é uma exclusividade (ou maldição) tupiniquim. Fazemos, particularmente nossa "prensa", vista grossa para os maus exemplos que vêm de cima. Agora não falo do andar de cima metafórico, mas de pessoas e entidades que moram no lado de cima da linha do Equador.

Quando Nicholas Negroponte lançou o OLPC (One Laptop per Child) foi automaticamente bombardeado por duas empresas que, na teoria, perderiam bastante com a idéia. Mr Bill e sua MS depreciavam o brinquedinho chamando-o de... "brinquedinho". Pra variar, não entenderam nada. Mas, claro, colocaram seus rolos compressores/opressores no campo de ataque. E começaram a oferecer um "pacotinho" (com Windows, Office e outros "brinquedinhos") por US$3 para o tal "mundo em desenvolvimento". A MS nunca havia pensado naquele nicho (e não me venham com o Windows "Casas Bahia", please! Estou falando de um nicho que não ganha US$ 1 por dia). Aliás, chamar esse nicho de "nicho" é quase uma falta de consideração. Falta de sensibilidade.



A outra empresa que se sentiu "prejudicada" pelo OLPC foi a Intel. Bateu pesado: e desenvolveu um material de marketing para comparar o XO (o laptop da OLPC) com seu Classmate. Caramba! Jogaram sujo, a exemplo da MS. Lançaram campanhas e artimanhas que CADE, PROCOM e OMC costumam chamar de "concorrência desleal" ou "abuso do poder econômico".

Quando a explícita falta de ética começou a respingar, ambas as empresas se apressaram e se "filiaram" ao OLPC. Seguiram comentendo "deslizes", como mostra esta matéria do Wall Street Journal do último dia 24/11. Alguém cobra-lhes *ética*? Que nada... rolo compressor econômico é isento.

Fica uma questão, bem colocada por Larry Dignam (ZDNet): MS e Intel estariam tão preocupadas com a educação de crianças do terceiro mundo se o OLPC não tivesse existido?

.:.

Mas, apesar dos pesares (e sacanagens), o OLPC vai bem, obrigado. Nicholas acaba de divulgar a prorrogação da campanha "Compre um, doe um". Não atingirá a meta de 3 milhões de "brinquedinhos", mas pelo menos uns 200 mil deles devem ser entregues para crianças das esquinas do terceiro mundo até o final do ano.

O OLPC está distante de todas as suas metas. Distâncias comprometedoras, mas que não fizeram o projeto parar (ah, se fosse no Brasil). O GAP só pode ser reduzido com escala. E por que falta escala? Porque Negroponte foi traído por alguns parceiros de primeira hora, como o Governo Lula, por exemplo. O OLPC esperava que alguns países fizessem uma encomenda inicial de 1 milhão de laptops. Não rolou. E, aqui, ninguém explicou.

OLPC: Agora é a Nossa Vez

10 outubro 2007



Apesar do ceticismo e do capitalismo selvagem, o XO, o laptop da OLPC, está pronto. A linha de produção deve estar funcionando a todo vapor. As encomendas começam. Nos EUA, a partir de 11/nov, eles serão vendidos numa campanha bem legal: compre 1 e doe 1 para o "mundo em desenvolvimento". A mídia estadunidense, antes titubeante, agora "baba ovo". Seth Godin falou em comprar uns 5, para poder doar 5. Tudo bem?

Não! O XO não foi feito para os EUA. Ele mira, principalmente, a criançada das esquinas do terceiro mundo. Não posso falar pelos outros países, mas parece que Pindorama, só pra variar, tá marcando passo.

No site oficial do projeto tem uma área para cadastro de voluntários. Quando você aceita os termos (hiper-coerentes, diga-se de passagem), você ganha um 'pop-up' todo em inglês... Será que eles esperam administrar isso de forma centralizada? Impossível. Nosso Guia (sorry Gaspari, surrupiado de novo!) disse que fez uma encomenda pequena porque não estamos preparados para o brinquedinho. E o que estamos fazendo? Perto de nada...

Será um erro danado deixar tudo nas costas do Governo Federal. Por mais que nosso ministro da Educação seja um cara bem intencionado. Fundações e ONG's, como a Amigos da Escola, por exemplo, deveriam se envolver. Posso estar enganado, mas a impressão é que falta tudo na localização do projeto. Tem um ou outro projeto piloto, e só.

Não podemos perder o momento. O que falta? Precisam de voluntários para treinar os professores? Pôxa, falem com a comunidade de TI. Eu garanto que encontrarão milhares de profissionais capacitados e com tesão para participar deste belo projeto. Quem venderá o brinquedinho num esquema idêntico àquele que será lançado nos EUA agora em novembro? Garanto que existem centenas de empresas interessadas. Quem tá criando conteúdo novo para o brinquedinho? Caramba, vocês estão vendo todo o movimento em torno da TV Digital (Ginga). Será que não sobre ninguém para o XO? Duvido...

Torço para estar enganado, mas a sensação é de uma inexplicável letargia. Educação é para ontem! E o projeto OLPC é a melhor coisa que aconteceu para a educação de crianças nos últimos 100 anos! Estamos esperando o quê?

This changes everything

04 outubro 2007

Never mind the buy 1 give 1 (a great idea). Don't wait until November when you can directly buy laptops for kids right here: One Laptop Per Child -- XO Giving. I just bought five. (Hit the Donate button).

This is a story about tools and bravery and marketing.

The tools: when you give a kid a net connection, access to wikipedia and to the rest of the world, things change fast. Things you wouldn't necessarily predict. Like a ten year old who can diagnose his dad's illness. Or a farmer that can ask his daughter to find out where to get a new part for the tractor. Or...

The bravery: When Nicholas Negroponte and his team started this project, they had nothing but obstacles. The status quo of software and hardware and skeptics stood firmly in his way. And he took a lot of grief for the effort. Even when you're doing nothing but good, fear of change is going to cause a lot of people to object.

The marketing: Everything, even laptops for kids, works its way through the innovation diffusion curve. That means that most countries, most organizations and most communities aren't going to adopt this tool for a few years. It doesn't matter if it's perfect... these things take time. Smart marketing embraces the curve and doesn't insist that it must change for this project, right now.

One kid (or five kids) at a time. It's enough. It'll happen.

.:.

Surrupiado integralmente do Seth Godin. Tudo menos a foto.

Roadmaps Cruzados

11 maio 2007

A Red Hat ajudou no desenvolvimento do OLPC (One Laptop per Child), também conhecido como XO-1. Pensou um pouquinho e reparou que o brinquedinho, devidamente trabalhado, poderia se converter numa boa alternativa para empresas. Fez brotar então o seu Global Desktop. Strange bedfellow de 1ª hora: Intel! (Chateadinha com o fato do Vista rodar melhor em AMD's?)

Lógico que a Red Hat corre atrás de "diferenciação". O Ubuntu, e todo o barulho que ele faz, estão incomodando bastante. Aliás, sua derivação para o mundo da Educação, o Edubuntu, configura-se uma boa alternativa ao XO-1. Uma vantagem nítida: ele roda em máquinas velhas, com 128Mb de RAM, por exemplo. Ou seja: um governo esperto (e inteligente) lança uma campanha para receber doações de micros que estão sendo abandonados por pessoas físicas e jurídicas. Micro velho = lixo ruim. Dando um 'tapa' neles (uma limpezinha e uns apertos em conectores), e instalando o Edubuntu, o governo pode equipar diversas escolas. Mata um monte de coelho com apenas uma iniciativa. E não precisa pagar os US$ 100 e poucos do XO-1. Lógico, não vai ter micro pra todo mundo. Aí entraria o XO-1. Aliás, eu faria a seguinte divisão: XO-1 para crianças entre 5 e 10 anos de idade. Edubuntu para todos os outros. E Windows de 3 contos para todas as crianças dos EUA. Tio Bill poderia começar pelas escolas de New Orleans. Tks Tio Bill, mas o 3º mundo não vai mandar mais US$ 15 bilhões para a sua conta. (Explico: ele tá falando em "vender" 5 bilhões de "licenças" do Windows de 3 contos. É tão bem intencionado que dá dó...)



Voltando para os 'roadmaps' cruzados. A Red Hat também atacou a Novell: vai colocar seu Linux nos mainframes da IBM! Porque será que a IBM não gosta mais da Novell-SuSE? Será que o acordo MS-Novell tem algo a ver com isso?

Pra encerrar com o Chapeuzinho Vermelho: o Red Hat Exchange é uma idéia muito legal. Promissora.

.:.

E pensar que tinha gente que falava que o Linux era ruim para o capitalismo, que ele acabaria com "concorrências". Que era coisa de "comunistas modernos"... tsc, tsc. Moderna é a LÓGICA!

E a foto é da minha mais assídua colaboradora, a Tanakawho. Se ela soubesse. E se um dia eu conseguisse retribuir sua generosidade. Ela tem fotos impressionantes no Flickr (3565 hoje), todas liberadas sob licença Creative Commons (by). Pede só 'by' (atribuição)!

Me dá licença Tigre, mas vou surrupiar seu Mico. Não consegui achar figura melhor para ilustrar a última da MS.

Tem fanático dizendo que a MS, de forma genial, acertou dois coelhos com uma só cajadada. Céus. Vamos lá:

A MS perdeu o bonde do OLPC (ou XO, o micro de US$ 100). Ela sabe que não tem uma oferta consistente para aquele mercado. Aliás: não gosto de ver o público do OLPC (crianças pobres do 3º mundo) como um "mercado". Mas tudo bem.

Qualquer coisa que girar em torno de CPU's sempre será um mercado para a MS. Não há mal nenhum nisso. Desde que ela jogue limpo. Não é o caso. A MS anunciou ontem a venda de um pacotinho de software por US$ 3, oferta exclusiva para "excluídos". O pacotinho compreende Windows (4 $less people, aka Starter Edition - aquele lixo), Office Home e outros brinquedinhos. É o mesmo pacote que ela tentou empurrar por US$ 50 há pouco tempo.

Ela tenta disfaçar um ato que a ética comercial condena (abuso do poderio econômico), apresentando-se como "socialmente responsável". Dá nojo.

Mas o problema é ainda pior: ela também vai oferecer um pacote completo: seus belos & capados programinhas em PC's de segunda mão! Tudo pela bagatela de US$ 53!!

Sou um otimista e confio na inteligência dos governantes do 3º mundo (otimismo pequeno é bobagem). Quando compararem todas as funcionalidades do OLPC com o pacotinho de extorsão da MS, verão onde mora o mico.