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Telhado de Acrílico Barato

10 setembro 2009

Saca só um trechinho surrupiado da última Super Interessante, do artigo "O Futuro (e o fim?) do Livro":

Digamos que você está lendo esta SUPER enquanto descansa numa paradisíaca praia do Nordeste. Você se interessou pela entrevista com Don Ariely e resolveu comprar o livro Previsivelmente Irracional, de autoria dele. Basta tirar o Kindle da mochila, navegar com ele pelo site da Amazon e fazer a compra na hora. Em coisa de um minuto, você terá o livro inteiro disponível no aparelho. Não é feitiçaria, é tecnologia...

Já reparou como a Editora Abril analisa o mundo como se não fizesse parte dele? O artigo em questão, em tom alarmista, fala sobre o impacto da tecnologia no mundo dos livros. Oras... pq eu não estaria lendo a SUPER (!) no próprio Kindle? Pq os átomos da Abril estariam isentos dos impactos da tecnologia? Parece bobeira, mas são coisinhas assim que derrubam impérios do século passado.

Há poucos dias, em 2 artigos, Clóvis Rossi questionou e criticou uma "mania" moderna: o chororô virtual. Segundo o articulista da Folha, nos rebelamos contra safadezas e safados (Sarney, por exemplo) de maneira estéril. Nossa revolta registrada em blogs, twitters e afins não traria nenhum resultado prático. Disse que é só na rua que nos fazemos ouvir.

Aí veio aquilo que a penúltima Época chamou de "Irã 2.0": com a mídia tradicional impedida de trabalhar, iranianos revoltados contra o resultado da eleição mostraram tudo (ou quase tudo) que estava acontecendo por lá. Como? Utilizando exclusivamente recursos do mundo virtual.

Clóvis Rossi, um cara que admiro e sigo há tempos, deu o braço a torcer na última terça, 23/jun. Em "O Virtual e o Sangue (Real)" ele repara comentários anteriores. Encerra o artigo dizendo que

Hoje, pode-se até fechar fisicamente um país, mas virtualmente ele está aberto. Felizmente.


Na última sexta (26/jun), apesar da histeria "Michael Jackson", a mensagem que mais girou entre twitters tupiniquins foi um duro e simples "Fora Sarney". E tudo indica que o flashmob virtual ganhará um co-irmão real. Na próxima quarta (1º/jul), pelo menos 6 capitais verão manifestações pela saída do bigodudo. Na rua!

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Não é só o Clóvis, mas toda a mídia tradicional ainda não assimilou bem o significado das redes sociais virtuais e suas estranhas ferramentas. A Globo e seus tentáculos (SporTV, Globo News etc), por exemplo, adoram se limitar ao pior produto do mundo virtual: vídeos imbecis que não falam quase nada para quase ninguém. Ah, o "bola murcha" é engraçadinho e bem sacado? Sim, mas, e daí?

A Abril adora blogs de "faz de conta" e de falar sobre maravilhas modernas: apenas como notícias, nunca como fonte perene. A exemplo do Estadão, só que menos desastrada, a Abril ama detonar o conteúdo que brota na rede. Nem cria a expectativa de colaboração nem dá espaço para tal. Acredita eliminar ferrugens quando estrutura e reestrutura os braços virtuais de suas revistas. Não repara que o buraco é mais em cima.

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Até nosso presidente Lula terá um blog (também de mentirinha, pois não permitirá comentários e será parcialmente abastecido por jornalistas - não se sabe se diplomados ou não). Deve ser lançado em 30 dias.

Sexta (26/jun), no FISL em PoA, nosso comandante soltou a seguinte pérola quando foi comentar a importância dos blogs:

A imprensa não tem mais o poder que tinha. A informação já não é mais uma coisa seletiva, em que detentores podem dar golpe de estado.

Olha só, meu caro Clóvis! Será que agora nós podemos dar golpes de estado? Acho que sim. Se não agora, falta pouco. Muito pouco.

Calma... Não falo de golpes como aqueles do século passado (ou como o absurdo que acabam de cometer em Honduras). Falo apenas do mundo virtual viabilizando uma Democracia 2.0, tão necessária e urgente.

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E por falar em Democracia 2.0. No último sábado nos deixou Goffredo da Silva Telles. Claro, nossa brilhante mídia não lhe concedeu nem 0,01% do espaço que gastaram com Michael Jackson. Goffredo não era "pop", mas foi o cara que deu o primeiro passo para nossa volta para a democracia. Em 1977 ele leu, no Largo do São Francisco, a "Carta aos Brasileiros".

Ele já antecipava a necessidade de uma Democracia 2.0 em seus trabalhos de 1959 e 1963, "Lineamentos de uma Constituição Realista" e "Lineamentos de uma Democracia Autêntica", respectivamente. Há tempos ele já clamava pela participação direta do povo no processo legislativo. Nos deixou no pior momento do poder legislativo desde que os militares largaram o osso. Tristeza...

Coisas que Não Entendo

09 junho 2009

São várias (as coisas que não entendo). Algumas menos que outras. Por exemplo, não consigo entender "As 100 Empresas + Ligadas do Brasil", lista publicada anualmente pelo INFO, um cadinho antes da listona de sua co-irmã, "As Melhores e Maiores" da EXAME. 


Não entendo porque:
  1. Os critérios não são muito claros;
  2. Os critérios são simplistas (investimento em TI, nº de computadores, nº de funcionários, reciclagem e tecnologias limpas); e
  3. A turma que elabora a lista nem se preocupa em mostrar a evolução das empresas em relação ao ano anterior.
Ou seja, parece coisinha de matar tempo; matar algumas curiosidades e matar de rir. Por exemplo, tem empresa que registra um investimento total de US$ 51 milhões em TI e tem apenas 50 funcionários! É das mais ligadas! E contradiz outra informação que vem na mesma pesquisa: 73% dos profissionais de TI são contratados diretamente, contra 27% de terceirizados. Tem gato em tuba que não resiste a uma lupa. 

Assim como tem informação que não resiste a 2,3 segundos de análise. Por exemplo: 34% das empresas afirmam ter blogs, mas apenas 22% têm "RSS". Dá pra entender?

Não, assim como não dá pra entender como empresas "ligadonas", como a Petrobras Distribuidora (22ª colocada na listinha da INFO), lance mão de recursos de terceiros e gratuitos para hospedar um blog. Tô falando do desesperado petrobrasfatosedados.wordpress.com, blog que a empresa lançou para "combater" a CPI (que, diga-se de passagem, não dará em nada). A empresa torra US$ 17 milhões em TI e não tem um servidorzinho 1/2boca para hospedar um blog?!?

Também não entendi o último gráfico da matéria. Trata de "plataformas de desenvolvimento mais utilizadas" e mostra Java (79%), .Net (67%), ASP.Net (63%) e C# (30%). Das duas, uma: ou a turma não sabe perguntar ou a turma não sabe responder. Resumo fácil: ninguém sabe do que está falando!

Se soubessem, e se fosse tudo verdade, o Brasil deveria figurar no topo da lista dos países mais "ligados e antenados" do mundo: afinal, 49% das nossas empresas já estão, de alguma forma, "na nuvem". Só se for no sentido figurado.

Quando encerrei o post sobre bullshitagens (ou Embromações, em português bem claro) pensei em uma pequena série com exemplos bem nossos. Na hora lembrei d'uma coleção antiga da "Info Corporate", uma das maiores fontes semi-independentes de embromação que já vi em meus 23 anos de vida profissional. Mas, que pena, a coleção tá lá em Vga. Já estava esquecendo a ideia quando vi um emailzinho aqui... da Info Corporate! Salivei... E nem precisei vasculhar muito. Saca o prêmio - um artigo assinado pelo Gartner! Saca só as pérolas:

A arquitetura corporativa traz valor ao negócio?
O Gartner identificou cinco questões que vai ajudar os CIOs a assegurarem-se que sua iniciativa de arquitetura corporativa está no caminho para entregar valor ao negócio.


Na definição do Gartner, a arquitetura corporativa é o processo de traduzir a visão de negócios e a estratégia em mudanças corporativas efetivas. Um plano de arquitetura corporativa direcionado ao negócio irá ajudar a identificar a otimização de oportunidades e assegurar uma aproximação racional do investimento, balanceando as necessidades de hoje com as oportunidades de crescimento de amanhã.


"Os CIOs parece perceber intuitivamente o valor que a arquitetura corporativa traz, mas nós achamos que muitas empresas ainda continuam a lutar com isso."


Caraca... a Abril agora tá economizando até em tradutores e revisores? Mas, voltando ao tema Embromação. Os caras embromam ou não embromam direitinho?

Identificar a otimização de oportunidades? Assegurar uma aproximação racional do investimento? E a definição de Arquitetura Corporativa então... Sério: não sei se alguém sério ainda lê esse tipo de coisa.

Notas:
  1. Eu não sou (muito) sério. Mas só li o artigo em questão por sacanagem mesmo.
  2. Por que há tempos avisei que a Info Corporate não pode ser séria. 


Parece que passei a semana tentando tirar 2 anos de atraso. Twitter, ping.fm, atualizações cosméticas e estruturais no Graffiti, pequena revisão do finito... Sei lá se foi desculpa para não encarar o trampo mais sério que tenho no backlog. Mas o fato é que estou cansado... e agora gripado. Aliás, que baita gripe. Mas eu abri este post para falar d'outro defasado e seus freios: o mal amado e confuso John "Caê Veloso" Dvorak. 


Ok, tô muito atrasado no assunto. Foi na Info de abril que ele disse: "Virei fã do Ubuntu". Mas, atraso por atraso, estou mais de 2 anos na frente dele. De fato utilizando o bichinho (e seu co-irmão Kubuntu), e não apenas escrevendo sobre ele. Mas não foi a idolatria tardia do John "Barrichello" Dvorak que chamou minha atenção. Foi a aparente virada de casaca mesmo.

Em fevereiro de 2005 ele tentava ensinar Bill Gates a matar o Linux. Agora, depois de uns 30 meses tentando gostar do Vista, ele vem com esse papo de "grande fã" do Ubuntu? Haha... No mínimo é outra estratégia maravilhosa de John "Sun Tzu" Dvorak. Explico: em menos de 6 meses ele aparecerá triunfante na Info, falando que trocou o Ubuntu pelo Se7en. Crente que é influente, depois mandará a conta da migração em massa para o Ballmer. 

Mas é bobeira pegar tanto no pé do John "Agaciel" Dvorak. Ele tá na dele. O problema é de quem ainda o publica. Ô turma da Info, que tal colocar alguém com 20 e poucos anos aí, uma pessoa que esteja mais antenaao com o que tá acontecendo aqui fora? Alguém menos defasado e sem freios? Que tal?

Tenho consumido alguns poucos minutos diários com a leitura de "Os Homens que não Amavam as Mulheres", best-seller de Stieg Larsson muito comentado nos últimos tempos. É a primeira parte de uma trilogia chamada "Millennium". E a primeira vez que pego um livro da moda desde "O Código Da Vinci". Bem escrito, bem sacado e grudento, parece um mix de Agatha Christie, Dan Brown e William Gibson (de "Reconhecimento de Padrões"). Da primeira o "whodonit"; de Dan o passeio descrito com certa minúcia; e de Gibson a antena e a personagem Lisbeth Salander (mal identificada na nossa mídia como uma 'hacker'. Simplista, pra variar).

Bom entretenimento. Mas existem dois outros fatores que merecem destaque. Aliás, que merecem ser tratados aqui no Graffiti.

O primeiro é a excelente tradução de Paulo Neves - que não partiu do original sueco e sim de uma versão francesa do romance. Seu cuidado, particularmente com os termos técnicos, deveria ser observado por aqueles que traduzem livros de negócios e informática aqui em Pindorama. Paulo Neves soube distinguir termos que mereciam tradução daqueles que deveriam ser mantidos em sua forma original. Critério simples: qual forma está no nosso dia-a-dia? Sem inventar roda, deu um show de tradução.

Destaco este ponto porque estou com o saco cheio de ver "business process" virar "processo comercial", "commodity" virar "mercadoria", XP virar "Programação eXtrema", "cloud computing" virar "computação nas nuvens" ou "de nuvens" e outras cagadas de igual calibre. É impressionante o relaxo de gente de nome como Editora Campus, Bookman, Abril e outras. Se não conseguem encontrar bons tradutores, que publiquem então as versões originais. Atenção: um bom tradutor de livro técnico deve ter formação técnica e viver no meio. Não basta saber inglês, ok?

Segundo ponto. Saca só um trechinho:

Se um repórter, no Parlamento, realizasse sua tarefa do mesmo modo, sustentando sem a menor crítica cada moção proposta, ainda que totalmente insensata, ou se um jornalista político carecesse de uma forma semelhante de julgamento, esse jornalista seria despedido ou pelo menos transferido a um serviço no qual ele ou ela não pudesse causar prejuízos. No jornalismo econômico, porém, não é a missão jornalística natural que prevalece, ou seja, oferecer aos leitores análises críticas e um relato objetivo dos resultados. Não, aqui se celebra o vigarista mais bem-sucedido. E é assim que o futuro da Suécia está sendo moldado, minando-se a última confiança ainda depositada nos jornalistas como categoria profissional.
O texto acima é de um livro que o protagonista de "Os Homens...", Mikael Blomkvist, publicou. Mikael, vale citar, é o alter-ego de Stieg, que também foi um ativista político e jornalista econômico. Por que o trecho merece destaque?

Oras, troque "jornalismo econômico" pela prensa que cobre nosso mercado (TI). Troque Suécia por Brasil. Está ali uma visão bem clara de nossa prensa que se diz especializada. Duvida?

Pois é, a techbizword "cloud computing" alcançou seu antepenúltimo estágio* em solo tupiniquim: tá na mídia para leigos. Quem presta atenção se delicia: por exemplo, um dia o Paulo Henrique Amorim falou sobre "pastilhas de silicone"! Traduziu "silicon" como mal entendeu e originou a mania de peitão, cantada por Seu Jorge. Voltando...

Anteontem a "cloud computing" mereceu praticamente todo o primeiro bloco do Jornal da Globo. Rodrigo Alvarez visitou o Googlepex e conseguiu entrevistar até o Eric Schmidt. Legal! Mas a techbizword virou "Computação nas Nuvens"?!? Nas nuvens, Rodrigo? Será que a expressão "vive com a cabeça nas nuvens" ganhará novo significado?

Mas o bom repórter da Globo errou menos que nossa querida Sandra Carvalho na última Info. Lá o termo virou "computação de nuvem". Computação de nuvem?!?! Metereologistas, tremei!

Há quem defenda que alguns termos do nosso dia-a-dia não sejam traduzidos. Acho que não é o caso. É só questão de atenção mesmo, de cuidado.

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* Para entender:
  • Penúltimo estágio: cai na boca do povão-tech e nos orçamentos dos CIO's antenados;
  • Último estágio: fica obsoleta antes de mostrar qualquer tipo de resultado, hehe..

Ok, é brincadeira. A *computação na nuvem* (nuvem = Internet. A nuvem é o símbolo que utilizamos há séculos para representar a Internet em nossos belos diagramas) não terá um último estágio parecido com o de outras ondas. É mais forte e maior que elas.

SOA: Duas Caras

01 outubro 2007

Uma cara tá bem documentada no Flashback do mês. Desatualizada? Então saca só um trecho de um anúncio de um evento tupiniquim sobre SOA:

Em um mercado feito de buzzwords, a palavra da vez é SOA. Nos últimos anos, a popularidade da arquitetura orientada a serviços cresceu dramaticamente e as taxas de adoção também vêm aumentando significativamente. Localização geográfica, porte ou segmento de atuação não interferem, todos querem SOA.


Os negritos não são meus!

A cara tupiniquim tá com uns 2 anos de atraso. Cágados míopes e mancos? Pode ser. Resta torcer para que não repitam o caminho que o Zapthink acaba de comentar em "Who's Killing SOA?". Saca só o trechinho sobre CIO's:

You'd think that every CIO would be all over SOA. After all SOA can reduce integration cost, increase business visibility and agility, increase asset reuse, and ease regulatory compliance. What's not to love? For any organization that faces any or all of these problems, SOA is a no-brainer. And yet, the CIO is rarely the SOA champion for the IT organization.

The reasons for this lack of insight are many and varied. Many CIOs are nontechnical, and as a result don't understand, and often fear, architecture of any kind. Others are so driven by quarterly results that a long-term, iterative initiative like enterprise SOA is out of the question. Still others insist on project-based IT funding to meet the needs of individual lines of business, a funding mechanism virtually guaranteed to slow down any initiative that seeks to reuse assets across the IT organization the way that SOA encourages.

Fortunately, you can recognize clueful CIOs because they understand the business value SOA can provide, they are willing to fund initial SOA iterations, and as the IT organization delivers value with those early projects, the CIO authorizes more of the same. Unfortunately, however, such executives are few and far between.



Enquanto a outra cara falou que "não há espaço para profissional (CIO) eminentemente técnico", saca só o trecho com negrito (meu).

Vou sumir...

20 agosto 2007

... mas não precisa comemorar. É só por alguns dias. Nada de férias. Pelo contrário, é trampo pesado. Aliás, como as 6 1/2 dúzia de leitores já devem ter reparado, o Graffiti anda menos atualizado. Não é falta de assunto - só falta de tempo mesmo. E de agora até dezembro, a coisa deve seguir assim.

É uma pena. Por exemplo: eu deveria gastar um tempinho para escancarar e denegrir os sites de hotéis. Que serviço mais 1/2 boca!! De todos, sem exceção. Em pleno século XXI, na maioria dos casos, tive que apelar para um invento do século XIX para saber se haviam vagas.

Tinha que explicar também um post "fantasma" que só assinantes do meu feed receberam. Quase passei muita vergonha. Mas não tanto quanto nossa mídia tradicional. A cobertura do terremoto no Peru foi sofrível. Tão ruim que quase levei um drible daqueles. Os que receberam (e leram) meu post fantasma sabem do que estou falando. E dá-lhe estadinho...

Outra, que merecerá uma análise mais detalhada quando eu tiver tempo: AMD Athlon 64x2 + Kubuntu 64 (joga aí 1gb de RAM, um bom disco SATA, uma plaquinha de vídeo e um monitor legal). Pois bem: é a melhor relação custo benefício que existe, tanto para desktops quanto para laptops. Com uma performance de deixar qq Me2 a milhas de distância (tropeçando na língua).

As 7 "Lições" da Apple

04 julho 2007

Sabe porque é bom sempre manter baixas expectativas? Você raramente se decepciona. E de vez em quando até se surpreende. Foi o que aconteceu com a matéria de capa da EXAME da quinzena. O trabalho do Ricardo Cesar foi muito bom, destacando bem algumas características da Apple. Quem se limitar aos highlights e sub-títulos (tompetersnianos) perderá muita coisa. Haha.. tompetersnianos foi boa. Saca só:

  1. Transforme os clientes em devotos
  2. Não deixe a burocracia matar o sonho
  3. Aposte na inovação de resultados
  4. Não reinvente a roda. Melhore
  5. Blinde-se contra a concorrência
  6. Destrua seu negócio e reinvente-o
  7. Tenha um bom garoto propaganda
Kkk... não é gozação. É sério! Se duvida, vai lá e compra a revista. Mas, como eu disse, não se deixe enganar pelas besteirinhas. A matéria é boa. Razoável...

Endeusa demais o Jobs (tanto que a sétima lição é a sétima lição: Jobs é o tal garoto propaganda). E ignora o principal trampo dele, comentado aqui no final de maio.

Como a matéria diz que a Apple é uma verdadeira "caixa preta", acaba fazendo um mea culpa para a superficialidade do texto. Mas nada justifica as duas participações pra lá de superficiais de nosso queridíssimo John "marta suplicy" Dvorak. Coisas do tipo: "a Apple sabe o valor do bom design e da aparência". Tchan! pelamordedeus...

Último azedume: a pesquisa da Booz Allen citada no texto é muito "nada a ver". Não faz sentido comparar investimentos em pesquisa e desenvolvimento pelos valores absolutos. Não custava nada a EXAME ter trabalhado um cadinho mais e mostrado o percentual do faturamento total que é investido em inovação. Da forma como foi colocado, a coisa ficou ainda mais feia para a anti-apple, digo MS (mon amour). Enquanto a empresa de Redmond torra US$ 6,2 bi, a firminha de Cupertino gastou só US$ 534 milhões em P&D.

E por falar em Redmond, pintou um graffiare excepcional do Bill que eu não tinha visto. Saca só:

Eu gostaria muito de ter o gosto do Steve. A forma como ele faz as coisas é diferente.
Caraca! Será que ele autoriza a Apple a utilizar sua frase na próxima campanha do iPod? Ou do OS X? Hehe... quem não tem Jobs caça com Ballmer.

Se vc pegar algumas revistas da área de alguns anos atrás, vai ver algumas figurinhas estranhas alçadas ao pódio de "feras" do mercado de TI nacional.

Tem lá gente que vendeu projeto grande e nunca entregou. Gente que tem um produtinho bem '1/4' de boca, mas é chamado de gênio. Tem de tudo.

Aí, nas edições mais recentes, nada deles. Uai, q q aconteceu?

Simples: jabá de anjo anda raro. Quem vendeu, vendeu. Quem comprou, se finou-se.

(Jabá de gravadora podia ter o mesmo fim, né?)

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Publicado há 3 anos
, aqui no Graffiti.

Buenas e Malas

28 junho 2007

Época de Copa América. Tempo de gastar a mais maldita das línguas latinas: o portunhol. Ontem o nosso querido Galvão confundiu "esquina" com "argentina"... e estamos só na 1ª rodada! Mas o papo não tem nada a ver. Aliás, como o título deste post. Faltou inspiração.

A Exame da quinzena promete: tem Jobs na capa, e "7 lições da Apple"! (Sete?!?*) Chamadinha:

"A chegada do iPhone ao mercado americano é a mais nova tacada de uma companhia que se transformou num ícone do capitalismo. A edição de EXAME que circula a partir desta quinta-feira (28/6) mostra o que aprender com a surpreendente empresa de Steve Jobs."

Surpreendente mesmo. Afinal, não tem muito tempo, a mesma EXAME estava jogando uma pá de cal na empresa do Jobs. Era uma matéria sobre inovação. Aliás, uma varada n'água daquelas da famosa publicação da Abril. Algo como: "inovação não importa". Tsc. Pero, no geral, as matérias da EXAME são bem menos nocivas que aquelas de sua co-irmãzinha, a INFOCorporate (aka "Espelho, Espelho Meu").

Na prévia desta mesma edição tem outra chamada interessante:

"Fábricas de informação: A produção de programas de computação cresce no país e assume o papel das tradicionais linhas de montagem."

Dá-lhe peãozada!! Céus.. Trocaram "programas" por "software", e agora por "informação". Não repararam que o problema tá na palavrinha "fábrica". Mas deixemos o malho para depois da leitura.

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Sete! Já cansei de dizer, 7, aqui nas Geraes, é conta de mentiroso. Tem gente que não entende o 'dito', mas é a pura verdade. Curto causo:

Na virada do século, a "empresa" obrigou boa parte de seus "colaboradores" a participarem de uma série de encontros com um "guru" bem 1/2 boca. O maior charlatão que já vi, depois de alguns políticos e neo-religiosos. E o cara toda hora apresentava uma listinha com 7 itens, bem na cola dos "7 hábitos das pessoas que não têm o que fazer". O cara era tão guru-falso-zen, que de hora em hora pintava no fumódromo. Então eu não conseguia escapar mesmo.

Como é difícil arrumar papo com almas tão altas, perguntei a razão do 7. Deveria ter ficado quietinho. Viajei das pirâmides do Egito até São Bento Abade, passando por teorias matemáticas de deixar Einstein boquiaberto. Tudo na duração de um mísero marlboro...

Como sou um mineiro infiel (que não sabe ficar calado em determinados momentos), falei que tinha lido em algum lugar que o "7" aparece tanto porque seria nossa capacidade "média" de armazenamento (nos nossos surrados cérebros). Pronto... cometi um sacrilégio. E, a partir daquele dia, o "guru" me pegou para "judas". Minha salvação foi um projeto ferrado! hehe.. Senão, não tenho dúvidas, o cara estaria tentando me "converter" até hoje.

Pois bem: hoje nas bancas tem EXAME e as "7 lições da Apple" que todo mundo deveria COPIAR... Não vi a revista, mas aposto que falta uma: a Apple não COPIA!