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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Foi o Feio quem me alertou: com exatos 34 (trinta e quatro!) anos de atraso, finalmente é lançado em PT-Br (português do Brasil) o clássico de Fred Brooks, "The Mythical Man-Month". Aliás, "O Mítico Homem-Mês". O lançamento é da Elsevier. Em março de 2006 lancei uma série de artigos para comemorar os 30 anos da obra. Acho que foi lá mesmo que eu disse que, apesar do atraso, a publicação em PT-Br ainda valia a pena. Então, parabéns Elsevier pela coragem.

Como a capa indica, trata-se da tradução da edição comemorativa de 20 anos, lançada em 1995 pela Addison-Wesley. Além do original de 1975, o livro apresenta uma série de artigos publicados posteriormente por Brooks, inclusive o também clássico "No Silver Bullet", de 1987.

Parece estranho ou surreal o fato de um livro sobre informática de 1975 permanecer atual, não? Bom, para quem não sabe, o livro trata especificamente de projetos de software. E se ele permanece atual, é porque não evoluímos tanto assim nessa saborosa área. Se você ainda não conhecia essa obra-prima, agora não tem mais desculpas.

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Assim como a Editora Atlas não tem desculpa por não publicar uma 5ª edição de "O Analista de Negócios e da Informação", de José Roberto Saviani. Permita-me explicar. Eu achava que meu atrasadíssimo livro seria o primeiro na língua de Camões sobre e para os Analistas de Negócios. Depois de 2 anos circulando com essa mentirinha, me alertaram sobre a existência do livro do Saviani. O fizeram através de nosso grupo de discussão. E foi uma correria só atrás do livro... em sebos! Sim, porque o livro está esgotado. Foram 4 edições, em 1992, 95, 96 e 98. Justo agora, que o tema está "na moda", a Atlas come bola.

Eu nunca tinha visto a teoria da "Cauda Longa" tão na prática. Nem "best seller" de sebo! O fato é que o livrinho se esgotou em várias lojas. Só consegui um porque a Suzandeise (IIBA-SP) me emprestou.

O livro é curto (100 páginas) e relativamente distante do meu enfoque. Mas é atual, simpático e honesto. Aliás, depois da busca pelo livro, o que alguns membros do grupo querem é conhecer o Saviani. Não conseguimos encontrá-lo. Será que alguém que por aqui passa teria alguma pista?

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Como o assunto é livro e "coisas estranhas", não poderia deixar de comentar a última piada DRM: a Amazon "queimou" cópias de "1984" e "Animal Farm" (ambos de George Orwell) que estariam indevidamente armazenados em Kindles. As cópias seriam ilegais (em território estadunidense), e a empresa se achou no direito de eliminá-las. Sem dó nem piedade...

Quem conhece os títulos, particularmente "1984" (Big Brother!) e viu a história da Amazon não sabe se a vida imitou a arte ou se a arte imitou a vida. Mas ficou com uma certeza: DRM é serviço de porco!

graffiare #444

09 outubro 2007

Estou aqui para falar para vocês que não caio mais nessa armadilha. Se as gravadoras estão oferecendo seu conteúdo para que o Yahoo! coloque barreiras contra os usuários, eu não estou interessado. Faça o que você quiser com seu negócio, serei educado, agradecerei, mas não assino o acordo. Não deixarei o Yahoo! investir mais grana alguma em incoveniência para usuários.

...

Pessoalmente não tenho mais tempo e não aguento mais ver grana sendo torrada em tentativas de controlar, e não para construir valor para o usuário. A vida é curta. Eu quero é encantar os consumidores, não controlá-los.

- Ian Rogers (funcionário(!) do Yahoo!)

Semana passada, "eCommerce". Hoje, "Nova Economia". Não, não estou atravessando uma séria crise de "nostalgia mórbida". Nem tô aqui para ressuscitar "biz words". Mas alguns fatos e coincidências inspiraram este post. E o título.

Semana passada, em um grupo de discussão, uma pessoa reclamou a autoria de um treinamento que fora oferecido por outra pessoa. Mostrou as provas e, em seu pleno direito, solicitou a interrupção da divulgação daquele curso. "Pirataria" de conteúdo programático. Coisa feia, realmente. E bobinha, já que em tempos de Internet mentiras não têm mais pernas.

Já aconteceu comigo. Um "prestador de serviços" paulistano surrupiou integralmente uma apresentação minha e lançou como um curso próprio. Isso foi bem antes d'eu conhecer (e entender) as licenças Creative Commons. Fiquei chateado, claro, mas não reclamei como o colega do parágrafo acima.


Foi antecipado para este último final de semana (5/out) o lançamento oficial de "Tropa de Elite". Recorde absoluto de bilheterias, no Rio e em Sampa. A justificativa para a antecipação foi a "pirataria", que ganhou proporções impressionantes (3 milhões de DVD's piratas, além de transmissões via GatoNet e até cineminhas improvisados em feiras). Apesar da pirataria, um recorde de bilheteria. Outra leitura: por causa da pirataria, o recorde de bilheteria. Uma variação do tal efeito "because", explorado por JP Rangaswami em seu "Confused of Calcutta".

Ontem mesmo, no Jornal da Cultura, pintou uma entrevista com um recordista de audiência no YouTube. Tupiniquim, é um diretor de curtas. Não conhecia o YouTube quando um curta seu parou por lá e fez tremendo sucesso. Sua primeira reação? "É pirataria!". Hoje ele usa o YouTube (em suas palavras, "mais poderoso que qualquer canal de televisão"), para divulgar seu trabalho. Praticamente de graça! Mas a questão não é essa, e sim os 40 milhões de pessoas que puderam conhecer seu trabalho. Quando ele conseguiria isso nas mídias tradicionais? (Leia-se TV's e cinema).

Mesmo que exemplos pipoquem diariamente, ainda predomina o raciocínio da "proteção doentia de propriedade intelectual". Uma lógica que gera aberrações como DRM e afins. Nos exemplos acima todos estão ganhando dinheiro. Aliás, provavelmente estão fazendo mais dinheiro do que fariam sem a tal "pirataria".

Ou seja, não tem nada de "papo de comunista" aqui não. Estamos falando de um novo Capitalismo. Que, ao que tudo indica, é mais inteligente que sua versão anterior. Sendo prático:

Nosso colega do 2º parágrafo, por exemplo, perdeu a chance de vender seu curso. Direta ou indiretamente. Caramba, se ele montou um conteúdo tão legal, por que não vendê-lo ou licenciá-lo? Colocando de outra forma: o que ele ganhou com o "fechamento" do conteúdo? Nadica de nada...


"Os ativos intelectuais, ao contrário dos ativos físicos, aumentam de valor com o uso."
– James Brian Quinn

Ele atende pelo nome de Alexandre Cruz e é presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade. Para nossa tristeza (de todos que gostariam de ver um combate inteligente contra a pirataria e ilegalidade), o Sr Alexandre se provou um tipo de DRM. Um tipo de carne e osso. Um Digital Rights Manager. Que, como na versão software, só sabe dar tiro no pé. E quantos tiros!

Não gosto muito do papo do Jô Soares, mas no tema pirataria ele deu show. Algo como: "Você não acha que software custa caro demais?". Sr Alexandre "DRM" Cruz sempre dizia: "Sim, mas..." Jô repetiu a pergunta (no programa de ontem, 01/out) umas três vezes. "Sim, mas..."

"Mas" o que, cara pálida?

Coitado, o "DRM" Cruz carregou uma cruz que não é dele. E foi bombardeado.

Jô: "Aqueles avisos que aparecem antes do filme, em DVD's, falam em cadeia. O pior é que a gente não consegue nem avançar.. pular aqueles avisos..."

Cruz: "Sim, mas...". Aí ele caiu na besteira de lembrar que existe uma coisa chamada "fair use". Lembrou que a gente pode, SIM, copiar um DVD nosso. Para fins de backup. Lógico que o Jô lembrou que nada disso vem escrito naqueles maravilhosos e irritantes dizeres que abrem todos os DVD's e aparecem assinados pelo FBI. "Sim, mas..."

Ainda no tópico DVD's, Jô aproveitou para dizer que as propagandas anti-pirataria são uma idiotice. Não usou a palavra, mas disse isso. Comparando copiadores com ladrões de carros.. A pior é daquele molequinho que colou na prova e disse que era "pirata". Campanha emburrecedora, nada esclarecedora e inútil.

Mas o Sr Cruz insistia em dizer que o problema da pirataria é uma questão de "desconhecimento". Concordo. Mas não do público. O público sabe o que é pirataria e conhece os "contras". Trata-se de desconhecimento (ou "teimosia burra" mesmo) da indústria. É o preço, cara pálida! É o preço!!

Cruz "DRM" confessou não saber nada sobre software e puxou o papo para outro lado. Falou dos riscos dos brinquedos chineses!??! Céus! Será que ele falou que Mattel, Estrela e afins são piratas?

Enrolado em sua falta de informação, restou ao "DRM" Cruz criticar a "carga tributária".

Ou seja, no final da história, pirataria é 100% culpa dos outros. De quem compra. Quem produz. Quem governa. As empresas de produtos "oficiais", como deusas intocáveis, não têm culpa nenhuma.

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A entrevista anterior foi com José Padilha, diretor do "popular" e "polêmico" "Tropa de Elite". Saca só esse link aí para a Wikipedia. Lá consta que o filme foi lançado no dia 24/ago. Padilha disse que o lançamento nacional acontecerá no próximo dia 12/out! Padilha também disse que estima que cerca de 3 milhões de cariocas já viram o filme. Inclusive em "cinemas piratas" e na GatoNet. Ou seja, o filme já passou até na televisão!!

É um caso diferente de pirataria. Alguém roubou uma cópia intermediária do filme. Como naquelas gravações "oficiais" da polícia carioca, há muita "curiosidade" em torno do tema. Daí o barulho todo. Padilha tem medo de perder público? Que bobeira... um filme nunca teve tanta divulgação gratuita. Só não vai no cinema quem não pode pagar R$ 15 pelo ingresso. O cara não vai deixar de ir só porque viu uma cópia mal feita de uma montagem intermediária.

Se o Padilha fosse um diretor moderno como o Steven Sorderbergh, por exemplo, ele lançaria simultaneamente um DVD duplo recheado de extras. Não no dia 12/out, mas logo após o "roubo". Coitado do Padilha. É o tipo de decisão que não depende dele. Depende daquelas grandes empresas que não entendem nada de público. De freguês.

Engraçado: ontem mesmo, um pouco antes do Jô, no Jornal da Globo, a Pelajo mostrou (com uma dose de espanto) o lançamento do novo disco do Radiohead: modelo parecido com o de um restaurante daqui de Minas: você paga o quanto acha que o produto/serviço merece. Se achar que não vale nada, pode baixar as músicas de graça.

"Cruz Credo", né Cruz? Quanta gente desinformada, não acha?

graffiare #442

01 outubro 2007

"How many billions has the industry spent on DRM schemes that the bad guys break in weeks? How many perfectly legitimate users has the industry annoyed and driven away? How many lost DVD sales has it caused? How many lost sales of Microsoft's Media Center software and Windows Vista has it caused because the DRM subsystem randomly decides that you must be a criminal?"

- Jesper Johansson (ex-funcionário da MS)

Apple, Mon Amour!!

19 setembro 2007

Confesso, sou infiel. Melhor, virei polígamo. Depois de três anos destilando minhas juras de amor - tag: ms_mon_amour - resolvi "me juntar" com outra "parceira": Apple. Minha maçã do amor! Decisão difícil.

Afinal, não foram poucas as vezes que derramei elogios para a empresa de Cupertino. Sigo achando a Apple o melhor exemplo de inovação em TI. Seguirei babando pelo design de seus produtos. Mas não aguento mais as práticas arrogantes e imbecis dos caras.

Quando era só uma questão de DRM, até que tudo bem. Todo mundo erra. Jobs até confessou que se tratava d'uma bela cagada. Mas não fez muito para nos livrar daquele mal. Tudo bem.. relevei.

Chamei o cara de mentiroso, mas bastou ver o iPod Touch para esquecer. Já tava até preparando a encomenda: seria meu presente de aniversário.

Até que o Cory nos contou que os novos iPods não podem se relacionar com meu querido Amarok. Aliás, não funcionarão em nada no Linux. Nasceram com a missão de espalhar ainda mais o tal iTunes.

Eu sei, é o tipo de bobeirinha que logo será driblada por hackers mais espertos. Outra bobeirinha insana. Mais grana no ralo. Mas a questão não é essa.

Não dou um centavo meu para qq empresa que não me deixe usar seus produtos com liberdade. Não dou um mísero centavo para qq empresa que force vendas casadas. Enfim, não torro 1/2 pataca em empresas de 1/2 tigela que não respeitam sua única razão de exitir: o freguês.

Portanto, amada Apple, a partir de hoje és minha nova cônjuge. Apple, mon amour!

Join an international coalition of environmental and social justice groups in signing this statement condemning DRM and Vista.

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DRM and Vista are bad for you, the environment, and the public. Join the Green Party, New Internationalist, Friends of the Earth International, People and Planet, the Free Software Foundation, and the DRM Elimination Crew by signing a statement that rejects DRM, Vista, and encourages the adoption of free software.

Vista was engineered from the ground up as a Digital Restrictions Management (DRM) and Treacherous Computing (TC) platform. This makes unnecessarily steep hardware requirements for users. As a result, Microsoft has taken a disposable computer mentality, forcing users to buy new computers if they want to run Vista.

What's worse is that Vista is designed to monitor what people do, and to limit what they can do with digital media files. These limits obstruct common and legally protected uses like sharing news story clips and copying text from government documents.

Read more.

In solidarity,

Josh, John, Peter and the DRM Elimination Crew.

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Viram aquela "feature" que faz a performance da rede cair cerca de 50% quando um media player está sendo executado no Vista? Sabiam que a única explicação técnica para tamanha bizarrice é o draconiano esquema DRM do Vista? Então... não se esqueça:
  • DRM é péssima para consumidores
  • DRM é um desastre para artistas e gravadoras
  • DRM é ruim para toda a sociedade
  • DRM está no núcleo do Vista
  • DRM é e continuará sendo um pesadelo para a Microsoft
Por que você embarcaria nessa barca furada?

Redes P2P são um Perigo

25 julho 2007

Segundo um político estadunidense, elas "ameaçam a segurança nacional"! haha..

O autor da pérola é do Partido Democrata, e da Califórnia (leia-se Hollywood). Lógico que P2P é um problema para eles. Mas não de segurança nacional, né? Mas, como o próximo presidente (presidenta?) com certeza será Democrata, podemos esperar um horizonte nada belo para eMulas, eBurros e afins.

Quanto mais você apertar suas mãos, Tarkin, mais sistemas estelares escaparão por entre seus dedos.

- Surrupiado do badcoffee - um excelente post sobre o último Harry Potter.

graffiare #429

12 julho 2007

Jobs: Um Brincalhão

06 junho 2007

A questão foi colocada d'outra forma, em março. Muita água passou debaixo da ponte desde então. Para surpresa de muitos, a EMI topou vender músicas sem DRM na lojinha iTunes. Com uma pequena taxa de 30%. "A liberdade tem seu preço", diziam.

Estava tudo 'mais ou menos' bom demais para ser verdade. A esmola nem era assim tão grande, mas mesmo os não-mineiros tinham motivos para desconfiar. Como alguém que se acha no direito de plantar "rootkits" em nossos micros, da noite para o dia, resolve promover a liberdade total de seus produtinhos?

Pois é: de novo os consumidores seriam enganados. Conseguiram inventar um tipo bem simples de DRM: gravar o nome do consumidor em cada faixa adquirida. Assim, se aquela faixa aparecer misteriosamente em local escuso (no lombo da eMula, por exemplo), ficaria mais fácil para a gravadora levantar um belo processo.

Apple e EMI querem garantia absoluta de que ninguém vai piratear nada? Então vou dar uma dica: por que não gravam também o número do cartão de crédito do consumidor? hehe...

Coisa de palhaço. Que não vai funcionar. É fácil "cortar" bytes de qualquer tipo de arquivo. MP3 do Raulzito para Apple e EMI: "Tente outra vez!"

Pintou aqui no Graffiti, há 3 anos:

É a Liberdade, estúpido!

Se a lógica definida para o mercado de DVD's fosse aplicada aos livros, você não poderia ler em Varginha um livro adquirido em Miami.

Mas a escalada da estupidez parece não ter fim. A MS vem trabalhando (ou seja, despejando milhõe$) em uma iniciativa chamada DRM (Digital Rights Management).

Veja aqui pq:


1. DRM não funciona
2. DRM é ruim para a sociedade
3. DRM é ruim para os negócios
4. DRM é ruim para os artistas
5. DRM será péssimo para a MS
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Quase três anos depois, Bill e Jobs passaram a concordar com os dizeres do (nada cerca) Lorenço Lessig. Deve ser um caso único na nossa história: um advogado mais visionário do que dois papas de tecnologia.

Quando cheguei na metade do artigo do Roberto X de hoje, pensei estar testemunhando o batismo do mais novo "killer service" da Web. Ele tá falando de vídeo na Web, e sobre como uma empresa israelense, a Hiro Media, parece ter descoberto o modelo de negócio definitivo. (Nota: entenda que "definitivo", nos novos tempos, pode durar uma década.. hehe).

A Hiro pega o óbvio e implementa: "se não pode vencê-los, junte-se a eles". Traduzindo: usa todo o ferramental e cultura dos "piratas" (redes P2P, Torrents, eMule e afins) para promover a distribuição de vídeo. Por que os donos do conteúdo não reclamariam? Estariam faturando com vendas de espaços de publicidade da mesma forma que o fazem na TV aberta.

Com uma vantagem indiscutível: os 'reclames' não repetiriam como acontece na TV aberta. Haveria uma inteligência mínima que tentaria indicar o melhor comercial para aquele determinado momento. (Pensou Google? Acertou).

Se é tudo tão lindo e maravilhoso, por que o "quase" do título? Resposta em três letrinhas: DRM. Roberto X não tratou do assunto, mas no site da Hiro eles falam de um tal "DRM Positivo". Céus: nossa área adora oxímoros. Não existe DRM positivo. Parece que a Hiro perdeu os últimos 3 meses de história (com Bill Gates e Steve Jobs detonando o DRM).

Eles chegam a destacar como características do produto as seguintes possibilidades:

  • Bloqueio do conteúdo por região geográfica (alguém já tentou isso nos DVD's e passou vergonha);
  • "Bomba relógio": o conteúdo torna-se indisponível após determinado número de exibições ou depois de um certo tempo (copiaram o DRM do Zune).
Não tenho dúvida de que a publicidade é a resposta para o mercado de músicas, jogos e vídeo. Enfim, para todo o mercado de entretenimento. Sem o DRM, a Hiro Media pode facilmente se tornar um YouTube "sério". Com DRM, é outro produto desenhado para a chacota e para a diversão de alguns crackers.

Como todos esperavam, uma grande gravadora resolveu jogar sua pá de cal no DRM. Trata-se da EMI, que vai liberar sons LIVRES via iTunes. Eric Nicoli, CEO da EMI, soltou uma pérola quando deveria escrever o epitáfio do DRM:

"Estamos comprometidos em aceitar a mudança, e com o desenvolvimento de produtos e serviços que os consumidores realmente querem comprar."

Tsc, tsc. Tiraram as travinhas fajutas e melhoraram a qualidade das músicas (para 256kbps) Batizaram de 'Premium'. Isso vai custar US$ 0,30 mais caro!! Lembra-se que eu falei aqui que seria o maior 'recall' da história da Internet? Que mané recall que nada. Quem quiser "consertar" as músicas adquiridas anteriormente, deve pagar o "upgrade"!! Impressionante...

Tão ridículo quanto o fato de as músicas "DRMzadas" seguirem nas vitrines do iTunes, mais baratas que as que receberam carta de alforria.

[segurando gargalhadas]

Se a economia estadunidense, particularmente aquela parte resguardada por MPAA (filmes) e RIAA (música), depender de alguns cronistas de TI...

O John "Sasha" Carroll insiste que DRM é uma coisa boa. Na verdade, admite que não é tão boa assim, mas não é criativo o suficiente para colocar nada no lugar. E chora: "vai diminuir o número de bandas". Céus! John deveria pedir demissão da MS, reclamar parentesco com o Lewis e (re)escrever sua obra prima: "Alice nas Correntes do País das Maravilhas".

Mas a falta de criatividade do John "Maynard" Carroll não é tão nociva quanto a imensa criatividade de seu guruzão, John "Agripino Mala" Dvorak. Vou resumir a maravilhosa estratégia sugerida por ele. Saca só:

  1. Matar a pirataria organizada. Como? Liberando geral a pirataria desorganizada (leia-se P2P).
  2. Monitorar o tamanho do rombo causado pelo passo 1. Em Hollywood e na indústria da música.
  3. O rombo é feio? Entre formalmente no 'mercado' desorganizado. Como? Comprando sites (?).
  4. Controlando os 'centros de distribuição' abrem-se oportunidades mil: i) Derrubar os sites; ii) Pegar dados dos usuários e processá-los; ...

Não é genial? Não sei como ninguém pensou nisso antes, sinceramente. John "Walter Mercado" Dvorak deveria ser indicado para o Nobel de economia. Ou da Paz, sei lá. Mesmo que os observadores um pouco mais atentos alertem para o fato do John "Ice cube" Dvorak estar comentendo um auto-plágio. Explico: a fórmula acima é uma cópia da sugestão que ele deu para a MS acabar com o Linux. Tipo: "entre naquele mercado e o imploda!". Hehe.. conservadores extremistas são um perigo!
Principalmente os mais criativos.

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E eu nunca vejo ninguém questionar aquelas fortunas que vão parar nos bolsos dos executivos e de estrelas efêmeras, insípidas e nada criativas. Para encerrrar: querida Alice, você não entende nada de rock'n'roll ou da indústria da música. São as grandes gravadoras que diminuem o número de ofertas. São elas que impedem que muitos bons trabalhos sejam conhecidos. Impediam... o mundo tá mudando. Apesar da dupla "Bruno Carroll & Dvorak Marrone".

A Musicload, da Deutsche Telekom, é uma das maiores lojas virtuais de música da Europa. Acaba de reportar que 75% das reclamações de seus consumidores tem origem no DRM. O restante fala que Britnéia, Justin, Calypso e Bruno&Marrone são duros de aguentar... hehe... brincadeirinha.

Não poderíamos esperar outra coisa do maior mecanismo anti-consumidor da história do capitalismo. Hmm... peraí. Acabou de cair uma fichinha. Qual a segunda maior invenção anti-consumidor da história? Se você respondeu "telemarketing", acaba de ganhar meus parabéns.

DRM + Telemarketing? Ninguém merece. A Musicload acaba de descobrir.

- Mas o senhor não pode tá copiando a música!
- Uai... mas eu só queria escutá-la no meu iPod!
- O senhor não pode tá escutando no iPod!

Era Ursinho Puff, não era? Acho que no meu tempo era. Agora parece que ele se chama Pooh. Por razões que não merecem espaço, ele pode custar US$2,5 bi para a Disney. O processo gira em torno da mesma coisa que, desde ontem, é publicamente reclamada pela Viacom: COPYRIGHT.



De leigo para leigo: acabo de cometer o mesmo crime do YouTube! Não obtive legalmente o direito de exibir a imagem acima. A Google, que é dona do Blogger, pode ser processada pelo meu crime? Ela sabe que este tipo de uso, indevido, é possível. Mas ela pode ser responsabilizada por isso?

A Viacom acha que sim. Por isso tá pedindo a bagatela de US$1 bi por 160 mil vídeos que foram exibidos indevidamente por 1,5 bilhão de vezes no YouTube. Detalhe muito legal revelado num imenso e inconclusivo artigo do David Berlind (ZDNet): a Viacom montou um departamento inteiro que tem uma única responsabilidade: ficar o dia inteiro assistindo vídeos no YouTube! Hahaha. Bela forma de combater o desemprego! Manda todo gigante de mídia ficar vigiando a Internet inteira! Acaba com todo o desemprego do mundo em um segundo!!

Voltando ao assunto, que detesto, mas que é importante demais na nossa vida (digital!) para ser ignorado. Vamos lá.

Aprendi com o Lorenço (que não cerca, ensina), que há 10 anos os imensos fiéis-depositários de propriedade intelectual brigaram no congresso para criar uma bobeirinha chamada DMCA (Digital Millennium Copyright Act). É, trata-se da mesma coisinha que aquela turma legal-radical da DefectiveByDesign.org tá pedindo para o Steve Jobs ajudar a combater.

Tem uma "saída estratégica pela esquerda" no DMCA que tem um nome técnico (jurídico) que não vem ao caso. A saída é parecida com uma que protegeu a Sony quando ela estava sendo processada pela Universal: quem fabrica gravadores e vídeo-cassetes pode ser penalizado se algum consumidor usa os equipamentos para fazer pirataria?

A Sony ganhou. Ficou mais rica do que era. A Universal quebrou. A Sony comprou a CBS. Hoje a Sony tá no outro time. E já não é tão rica...

Atualizando o caso para o nosso Milênio Digital, a alegação do YouTube (Google) é a mesma: não pode ser responsabilizada se algum pentelho resolveu fazer o upload daquele clipe medonho do Green Day. Amparando-se no que diz o DMCA, o YouTube pode sair ileso. Antes vai ter que provar que pirataria não é a maioria no YouTube. E que atende todas as reclamações de violação no ato. Mas o buraco é mais embaixo...

E os advogados da Viacom fizeram curso com o Ronaldinho Gaúcho: driblam bem. Parece que o caso não invoca o DMCA, só a lei anterior de Copyright. Aqui entra na parte chata que só advogado pode gostar (e entender). Deixa pra lá.

O que importa é que nesse jogo não tem bonzinho, inocente: parece o Santos X São Paulo do último domingo. A Google realmente tira proveito do capital (intelectual) dos outros para movimentar seu negócio (propaganda). A Viacom, muitos suspeitam, só está fazendo pressão para conseguir um acordo melhor com a Google. Pensa bem: US$ 1 bi por 1,5 bilhão de exibições faz com que cada vídeo custe menos que uma musiquinha no iTunes, US$ 0,66. É mais fácil elas chegarem num acordo do que o caso virar uma daquelas lenga-lenga de justiça.

Ou seja, ao contrário do que o Berlind acredita, não acho que estamos num momento 'divisor de águas'. Não creio que existirá um evento assim, volumoso e bilionário o suficiente para marcar o dia em que resolvemos definitivamente o que é o tal de 'direito de cópia' e como ele deve ser na vida digital.

Da mesma forma que os reis deixaram de autorizar publicações de livros há alguns séculos; do mesmo jeito que todo mundo pôde comprar gravadores, VCRs e DVRs; lenta e consistentemente os direitos dos consumidores prevalecerão. Sou um otimista.

E como eu também acredito que partes da história se repetem, vale a pena pensar nos vencedores e perdedores em batalhas similares: foram os fiéis-depositários ou os veículos? Foi a propriedade ou a tecnologia? Surrupiarei Nando Reis: "O mundo é bão, Sebastião!"


ps: Ué... que que a MS tá fazendo no título? Pergunta para o Berlind: de que lado ela está?

Há quase um mês, dia 8/fev, comentei aqui a carta aberta publicada por Steve Jobs, detonando o DRM. Demorou, mas a turma da FSF (Free Software Foundation) - mais especificamente o pessoal que cuida da campanha "DefectivebyDesign.org" - deu sua resposta. Também na forma de uma carta aberta.

Demorou porque a turma estava aguardando as ações do Jobs. Mas até agora ele não deu uma mínima prova de seu comprometimento com a eliminação sumária do DRM. Como diria o Vicente Matheus, "quem entra na chuva é pra se queimar". Agora, para evitar ser chamado de BRINCALHÃO (como diria o Neto - camisa 10!), Jobs tem até o dia 1º de abril (para quem não sabe: dia da MENTIRA) para fazer 3 coisinhas básicas:

  1. Eliminar o DRM de todos os artistas independentes comercializados pelo iTunes;
  2. Eliminar o DRM de todos os arquivos com vídeos e filmes da Disney;
  3. Bancar ($$) uma campanha contra o DMCA (Digital Millenium Copyright Act's).
Só isso. Todo mundo tá convidado para assinar a carta aberta.

Um documento que poderia ter como título o nome de um sonzão do Marillion: "Script for a Jester's Tear". E aí, Jobs é papo firme ou só um descuidado Jester (prank, brincalhão etc)?

Quando você 'patenteia' ela? Ou seria a 'patente das piadas' uma piada em si?

É de morrer de rir. Mas se a gente parar pra pensar um pouquinho, o riso ficará amarelo. Até que ponto chegará essa obsessão pela proteção de "propriedade intelectual"?

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Enquanto dá tempo* - e aproveitando que hoje é sexta:

Dois leões, cansados da mesmice do Zôo-Sampa, e de toda a violência que imperava naquelas redondezas, resolveram fugir. "Vamos voltar para a África, nosso verdadeiro lar." O outro concordou na hora: "Que idéia maravilhosa - imagina aquele tanto de zebra dando sopa!" Dois dias de planejamento ágil e zip! Zarparam.

O plano: descer a Anchieta ou a Imigrantes (a que estivesse menos engarrafada), e cair direto no porto de Santos; entrar sorrateiramente em qualquer navio com uma bandeira MUITO colorida e que tivesse um nome cheio de vogais. Pronto: "Mama África ou nada!" Lembrete do leão 1 para o leão 2: "abaixa a calda!"

Lá se foram. E, como em todo plano, um imprevisto: é sexta, véspera de carnaval. A saída de Sampa tá do jeito que o diabo e os promotores de arrastões gostam. O leão 1 perde o leão 2 de vista. Mas segue o plano, confiando na fome e no senso de direção do segundo.

[Seis meses depois... na velha jaula do Zôo-Sampa]

"Entra aí e fica quietinho!" Era um daqueles soldados barrigudos, despejando o leão 1 em sua velha casa. Ainda atordoado pela quantidade de suco de maracujá (in natura) que teve que engolir, voltando da África, o leão 1 vasculha triste sua triste cela. E qual não foi sua surpresa quando viu ali, gordo como ele, o velho amigo leão 2: "Caramba mano! Você sumiu!! Que que houve?".

Leão 2, com um sorriso de satisfação, respondeu: "Pôxa, você viu aquele engarrafamento todo? Então.. cansei de andar. Nada passa naquele pedágio desgraçado. Parei pra descansar um pouco dentro dum buzão que tava vazio. Achei até que iam tocar fogo nele ou algo do tipo. Na calmaria, dormi."

"Ahn, mas, e aí? Te trouxeram pra cá?"

"Nada... Quando acordei o buzão tava numa daquelas avenidas largas daqui, do lado dum rio fedorento. Chamam ela de 'marginal' não sei porque. A avenida não tem nada a ver com isso. O motorista aproveitava a solidão e descia o bambu. Na primeira reduzida eu pulei fora. Não dá pra confiar em motorista de buzão animado com a sexta de carnaval, né?"

"E tu ficou ali?"

"Então mano... não quis dar bandeira. Tinha umas torres bem bonitas bem do meu lado, meio abandonadaças. Com umas letrinhas brilhantes no topo. Uma maravilha. Entrei quietinho e fiquei lá..."

"Até a 4ª feira de cinzas?"

"Que nada. Até ontem!"

"Caramba! Até ontem?!? Não te acharam lá?"

"Pra começar, a garagem daquilo é um mundo. Bem depressivo, mas um mundo. Fácil se perder naquilo. Como era escurinho e coisa e tal, me escondi ali mesmo. E, pra variar, peguei no sono. Péssimo costume que adquirimos em jaulas. Perdi a noção dos dias e noites. Começou a bater uma baita fome quando o lugar começou a ficar cheio de gente. Cara, que cardápio!"

"Conta, conta..."

"Tinha uns tipos que, quando em duplas, falavam um monte de coisa num inglês esquisitinho. Cheios de pose e gesticulações. Cheios de siglas e, quase sempre, carregando uma latinha de Coca Light. Gostava deles porque já vinha com o refresco, hehe. Tinha os solitários também, que andavam com umas cordinhas saindo do ouvido. Quando não ensaiavam passinhos de dança, cantarolavam alguma musiquinha. Só evitei os mais gordinhos... cê sabe né? Não dá pra comer tanta gordura com essa idade..."

"Mas você comeu todos?"

"Pois é... só foram descobrir que tinha algo errado na garagem quando esgotei os tipos 'chiques' e comecei a comer as tiazinhas que servem café lá em cima..."

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* Se eu tiver que pagar royalties pela piadinha acima, é para o Marinelli. A única adaptação que fiz foi com a localização. Na versão dele, o leão 2 foi parar na 23 de Maio...

Viva os Piratas!

28 fevereiro 2007

Se eu entendi este post do Jason O'Grady, a Apple TV não será um sucesso porque não permitirá pirataria!?!?

Hehehe... a que ponto chegamos.

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Junkyage*: Jason brincou com o nome do Led Zeppelin no título do post: "Apple TV is a lead zeppelin". Colocou até uma nota de rodapé, surrupiada da Rolling Stone, para explicar o Led sem o "a". Explicação incompleta: Jimmy Page tirou o "a" para que os 'idiotas estadunidenses' não pronunciassem "leed" Zeppelin.

Mas a curiosidade-similaridade com o tema "Apple TV" é outra, e não foi comentada por ele. O Led só tem 12 discos oficiais. E mais de 100 discos piratas!! Todo fã do Led possui pelo menos uns 5 shows "indevidamente gravados". A tour-de-force que eles fizeram em Earl's Court em 1975 é item obrigatório: são 4 CD's, quase 4 horas de show! Hehe.. o Led também não seria o que é se não fossem os piratas.