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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Provocação (graffiare) para este post, de Seth Godin:

Organizing the world's information is a laudable goal.
But we're only an inch down the road.

Seth fala dos mecanismos de busca, e sua ineficácia quando queremos fazer buscas "horizontais" - alternativas, sugestões, conjuntos lógicos. Seth não fala sobre a principal barreira para a implementação de buscas mais ricas: nossas informações são burras. Elas não se conhecem e não se explicam. Sim, estou (de novo!) falando de meta-dados, web semântica e afins. E o Seth acertou no diagnóstico: caminhamos só alguns centímetros nesta estrada de milhares de quilômetros.

Geralmente sou um otimista mas, neste caso, nada abala meu ceticismo. Vou dar alguns exemplos práticos:
  • Quando você ripa um CD, ele busca informações (nome da música, artista, álbum, ano...) em uma base de dados disponível na Web (CDDB, FreeDB...). Não raro, alguma informação vem incorreta. Na realidade, o próprio modelo do banco é falho (discos duplos são um pesadelo que, pelo que eu saiba, só o Amarok soube resolver). Estatística pessoal: de cada 10 CD's que ripo, uns 4 demandam correção de tags.
  • Músicas baixadas então, são um show de desinformação (particularmente aquelas compartilhadas por tupiniquins). Não raro, não há nenhuma tag preenchida.
  • Gosto do exemplo das músicas porque é o tipo de mídia que mais circula na Internet. Se as tags não estão legais, seu iPod ou qualquer media player fica, literalmente, perdidinho. E você também. Mostro o que estou ouvindo até aqui no Graffiti. O "dedo-duro" é a last.fm. Se as tags estão erradas, o serviço simplesmente recusa a faixa enviada. Mas vamos sair das músicas.
  • O MS Office e seu irmão legal, o OpenOffice, permitem a colocação de tags em todos os documentos. Chute: nem 5% dos usuários utilizam o recurso. Então, quando fazemos uma busca por determinado tipo de conteúdo, o mecanismo tem que ralar olhando "dentro" do documento.
  • 5% é um número otimista. Se 5% de todo o conteúdo disponibilizado na web estivesse devidamente classificado, já teríamos algumas buscas mais ricas.
  • Como eu disse em outra oportunidade, nunca haverá um esforço estruturado para "organizar" a web. A coisa acontecerá "de baixo para cima", de forma totalmente voluntária. Del.icio.us, Flickr, YouTube e outros serviços são os melhores exemplos.
  • Mas, saca só minha "nuvem de tags". Mesmo o chato e sistemático aqui conseguiu fazer uma bela zona. Tags são abandonadas. Algumas têm uma grafia só entendida pelo seu autor. Como é algo orgânico (humano) e totalmente livre, eu nunca terei uma "nuvem perfeita".
  • O que não será necessariamente um problema, no dia em que TODO MUNDO tiver sua "nuvem de tags". As ligações entre páginas e tags serão a principal variável dos mecanismos de buscas. Mas quanto TODO MUNDO terá sua "nuvem"?
  • As maiores interessadas deveriam ser as empresas. Alguém aí conhece alguma que tenha seu "del.icio.us" particular?
  • Sem um rico catálogo de meta-dados, falar em business intelligence, data mining e afins, é tão esperançoso quanto querer ganhar o mundial de Fórmula 1 com a Honda e o Rubinho.
.:.

Encerrei o post e pintou uma dúvida: por que o Google não gosta de tags? Uma suspeita: num mundo de informações "organizadinhas", o Google perde muito de seu apelo. Ou seja, a bagunça lhe interessa.

Era Ursinho Puff, não era? Acho que no meu tempo era. Agora parece que ele se chama Pooh. Por razões que não merecem espaço, ele pode custar US$2,5 bi para a Disney. O processo gira em torno da mesma coisa que, desde ontem, é publicamente reclamada pela Viacom: COPYRIGHT.



De leigo para leigo: acabo de cometer o mesmo crime do YouTube! Não obtive legalmente o direito de exibir a imagem acima. A Google, que é dona do Blogger, pode ser processada pelo meu crime? Ela sabe que este tipo de uso, indevido, é possível. Mas ela pode ser responsabilizada por isso?

A Viacom acha que sim. Por isso tá pedindo a bagatela de US$1 bi por 160 mil vídeos que foram exibidos indevidamente por 1,5 bilhão de vezes no YouTube. Detalhe muito legal revelado num imenso e inconclusivo artigo do David Berlind (ZDNet): a Viacom montou um departamento inteiro que tem uma única responsabilidade: ficar o dia inteiro assistindo vídeos no YouTube! Hahaha. Bela forma de combater o desemprego! Manda todo gigante de mídia ficar vigiando a Internet inteira! Acaba com todo o desemprego do mundo em um segundo!!

Voltando ao assunto, que detesto, mas que é importante demais na nossa vida (digital!) para ser ignorado. Vamos lá.

Aprendi com o Lorenço (que não cerca, ensina), que há 10 anos os imensos fiéis-depositários de propriedade intelectual brigaram no congresso para criar uma bobeirinha chamada DMCA (Digital Millennium Copyright Act). É, trata-se da mesma coisinha que aquela turma legal-radical da DefectiveByDesign.org tá pedindo para o Steve Jobs ajudar a combater.

Tem uma "saída estratégica pela esquerda" no DMCA que tem um nome técnico (jurídico) que não vem ao caso. A saída é parecida com uma que protegeu a Sony quando ela estava sendo processada pela Universal: quem fabrica gravadores e vídeo-cassetes pode ser penalizado se algum consumidor usa os equipamentos para fazer pirataria?

A Sony ganhou. Ficou mais rica do que era. A Universal quebrou. A Sony comprou a CBS. Hoje a Sony tá no outro time. E já não é tão rica...

Atualizando o caso para o nosso Milênio Digital, a alegação do YouTube (Google) é a mesma: não pode ser responsabilizada se algum pentelho resolveu fazer o upload daquele clipe medonho do Green Day. Amparando-se no que diz o DMCA, o YouTube pode sair ileso. Antes vai ter que provar que pirataria não é a maioria no YouTube. E que atende todas as reclamações de violação no ato. Mas o buraco é mais embaixo...

E os advogados da Viacom fizeram curso com o Ronaldinho Gaúcho: driblam bem. Parece que o caso não invoca o DMCA, só a lei anterior de Copyright. Aqui entra na parte chata que só advogado pode gostar (e entender). Deixa pra lá.

O que importa é que nesse jogo não tem bonzinho, inocente: parece o Santos X São Paulo do último domingo. A Google realmente tira proveito do capital (intelectual) dos outros para movimentar seu negócio (propaganda). A Viacom, muitos suspeitam, só está fazendo pressão para conseguir um acordo melhor com a Google. Pensa bem: US$ 1 bi por 1,5 bilhão de exibições faz com que cada vídeo custe menos que uma musiquinha no iTunes, US$ 0,66. É mais fácil elas chegarem num acordo do que o caso virar uma daquelas lenga-lenga de justiça.

Ou seja, ao contrário do que o Berlind acredita, não acho que estamos num momento 'divisor de águas'. Não creio que existirá um evento assim, volumoso e bilionário o suficiente para marcar o dia em que resolvemos definitivamente o que é o tal de 'direito de cópia' e como ele deve ser na vida digital.

Da mesma forma que os reis deixaram de autorizar publicações de livros há alguns séculos; do mesmo jeito que todo mundo pôde comprar gravadores, VCRs e DVRs; lenta e consistentemente os direitos dos consumidores prevalecerão. Sou um otimista.

E como eu também acredito que partes da história se repetem, vale a pena pensar nos vencedores e perdedores em batalhas similares: foram os fiéis-depositários ou os veículos? Foi a propriedade ou a tecnologia? Surrupiarei Nando Reis: "O mundo é bão, Sebastião!"


ps: Ué... que que a MS tá fazendo no título? Pergunta para o Berlind: de que lado ela está?