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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

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graffiare #448

04 dezembro 2007



O projeto de laptop da Mandy, 8 anos. Conheça outras propostas.

O que nosso mercado costuma fazer quando algum termo sai de moda? Inventa outro - e sai remarcando os velhos produtos com o novo rótulo. A maior vítima da dos últimos 8 anos foi o tal CRM. Com volúpia e um imediatismo absurdos, provedores de soluções para call-centers, help-desks e automação de força de vendas saíram rebatizando seus rebentos. Confusão comprada por alguns, o que gera um ciclo destrutivo. Até hoje ninguém tem uma solução CRM de verdade (com o cliente colocado como ponto de partida de todos os processos primários de uma organização). Mas isso é tema para outro paroletion.

O "meenrolaqueeugosto" de hoje é "Inteligência Corporativa". Nosso mercado nunca foi tão abusado-ousado.. e mentiroso.

Nome novo para vender datawarehouses, data-mining e coisinhas do tipo. E dá-lhe $$...

Uma empresa nacional de porte considerável "sentiu" que precisava d'uma mega-super-hyper solução de BI ("bi-ai" para os letrados). O principal produto da fase de "incepção-elaboração" (o projeto morreu ali) mereceu lugar de destaque na principal sala de reuniões daquela empresa. Coisa de deixar Picasso com inveja: o diagrama (impresso em A3), apresentava mais de uma centena de "entidades do negócio". Linhas ligavam praticamente todo mundo com todo mundo. Não sei porque cargas d'água aquele "retrato do inferno" era considerado tão especial. Se aquilo ali era o supra-resumo do "bi-ai"... ai ai..

Tempos depois visitei um fornecedor de soluções de BI (leia-se: tinha alguns modelinhos especializados em determinados ramos de atividades). Qual não foi minha surpresa quando vi em sua principal sala de reuniões um quadro igualzinho àquele do parágrafo acima? Hahã... sem querer descobri o autor da proeza. E, de repente, nossa reunião ali perdeu todo o sentido. E eu sofrendo pra segurar o riso...

Sei nada de "bi-ai". Aliás, sei de nada não. Mas desconfio de muita coisa*. E desconfio que não pode ter "intelligence" um diagrama ilegível.

Desconfio que enquanto uma empresa não tratar de explicar todos os seus dados com novos dados (ou meta-dados), ela não conseguirá extrair muita coisa de seus imensos repositórios. Coitados dos usuários que seguirão em filas, gerando backlogs, clamando por novos relatórios todos os dias.

Tem um tempinho que a Web nos ensinou a criar meta-dados. O Del.icio.us talvez seja o maior exemplo: nós nunca conseguiremos explicar tudo num esforço concentrado. Seria caro e esquisito demais. Mas Del.icio.us, Flickr, Gmail e várias outras ferramentas nos ensinaram como fazer: deixa o povo etiquetar e batizar à vontade. O tempo será uma peneira e controle de qualidade natural. Assim, de forma orgânica, talvez um dia uma empresa possa dizer com orgulho: tenho uma boa solução de Business Intelligence.

Por enquanto, tudo o que elas exibem é uma boa (e cara) memória. E nada de raciocínio...

.:.

Pô, foi só lançar a série paroletion e já encontrei outro concorrente de peso: The Encyclopedia of Business Cliches, organizada pelo Seth Godin. Beleza.. será uma boa fonte de bullshitagens também.

Para quem chegou agora: o primeiro verbete examinado nesta série foi "Business-Driven CIO". Será que ele é um early-adopter de soluções de BI de última geração?!?! Aposto que sim...

* Guimarães Rosa é o autor da frase original.

Na estréia da série Paroletion, o Marco "Boo-Box" Gomes citou outro projetinho (no bom sentido) seu: o oportuno FaxïnaR. Hehe, a idéia é melhor do que o gerador automático de missões corporativas, do Dilbert.

Mas, caramba, ô Marco: pode apertar a torneira aí. O 3º parágrafo da Paroletion, redigido para soar muito idiota, ficou só com 2,74% de idiotice!!! Caramba... onde foi que eu errei?

Já tem um tempinho que ensaio criar uma nova série (de duração indeterminada, a la graffiare) aqui no Graffiti. Sem numeração ou qualquer ordem lógica. Pra variar, tava debaixo do nariz a deixa: nossa área (mais que as outras), adora neologismos e afins. Cria termos e combinações risíveis. O último, que vi na última semana não sei onde, foi o estopim que eu precisava:

Business-Driven CIO

Aparece em boa hora para nos lembrar que, ao contrário do que se imagina, nem todo CIO liga muito para o negócio que banca seus brinquedinhos. Portanto, para delimitar a necessária diferenciação, surgem os fantásticos Business-Driven CIO's!

Orientados pelo negócio do negócio; motivados pela obtenção e manutenção de vantagens competitivas sustentáveis; comprometidos com metas de todas as unidades de negócios; alinhados ao negócio como "unha e carne"; e dispostos a cortar 50% do budget toda vez que alguma BU faz uma "cagada daquelas". Não é fácil a vida do Biz-Driven CIO. Mas ele não inveja seus co-irmãos. Muito pelo contrário.

Antônios e Antônimos

Mirror-Driven CIO: é aquele que todo dia aparece na frente do espelho e questiona: "Espelho, espelho meu, tem no mundo um CIO que apareça mais na mídia do que eu?"

Supplier-Driven CIO: um dos mais antigos. Da época de slogans como "ninguém é demitido por comprar IBM". O fornecedor mudou, o CIO não.

Fashion-Driven CIO: desfilam como Bündchens com seus gadgets de última geração. Claro que boa parte de seus budgets são dirigidos para a última moda em caixinhas.

CEO-Driven CIO: "se o CEO der um mergulho, o CIO morre afogado". Quando o CEO faz coisinhas pouco legais, o CIO é o primeiro a ir para o xilindró.

MIS-guided CIO: não deixe a sigla te enganar. Significa mal guiado mesmo. Um CIO amparado por uma equipe de técnicos mais perdidos que FDP em dia dos pais.

Os evangelistas estão chegando
Estão chegando os evangelistas

Eles são espalhafatosos e barulhentos
Moram bem longe dos homens
Escolhem com carinho a hora (qq hora é hora)
E o tempo do seu precioso trabalho
São impacientes, assíduos e perseverantes
Executam, segundo regras esqueléticas
Desde a trituração a fixação
A enrolação e a iteração
Trazem consigo livrinhos
Telhados de vidro, verdades de louça
Todos bem, e iluminados
Buscam qualquer relação com pessoas
Que espalhem a evangelização

Os evangelistas estão chegando
Estão chegando os evangelistas

.:.

Perdão grande evangelista Jorge Ben, pelo sacrilégio. Teus alquimistas estão bem preservados aqui. Mas não resisti quando vi, logo cedo, um subject que dizia: "somos todos evangelistas". Please... me inclua fora dessa... hehe...

Mas tem coisa pior que um evangelista de plantão. Os gurus!! Não é mera coincidência: em dez/2004 eles também mereceram uma homenagem musical do Graffiti.

Quem diria que patentes e leões gerariam piadas? Há três meses rolou uma. Hoje pintou inspiração para outra. Como se eu não tivesse nada pra fazer. Mas, como dizia um velho VP, "SEXta é FODA"[1]. Vamos lá:

.:.


Num futuro não muito distante, tá lá o molequinho na frente do micro. Para desgosto dos pais, ele passa dias e noites ali. Olhos vidrados, bebericando Purple Cow[2], levando seu avatar para passear nos maravilhosos cabarés romenos da Life 3.0. Há três meses tenta encontrar o avatar da Anya, uma garota de programas virtuais que é um remix de Angelina Jolie (boca), Jennifer Connelly (olhos e cérebro) e Camila Pitanga (todo o resto).

Purple Cow, que a massa gosta de chamar de "drink da vacaloca", é uma mistura de café ultraforte com pinga extralight, ambos de Varginha. É exportado para todo o mundo. Ambientalistas reclamam do nome e questionam a fórmula: dizem que tem algumas gotas de "tesão de vaca", um tipo de hormônio usado por veterinários para combater a mansidão bovina. O fato é que basta uma latinha de 250ml para o cara ficar 10 dias ligadão... sem um pingo de sono. Combinação perfeita para a agitada e insone Life 3.0.

João, o molequinho, tá perto de encontrar Anya. Recebeu uma dica valiosa de um cafetão virtual búlgaro: "siga o coelhinho branco". Cansado de escutar "Anya" (um instrumental do Deep Purple), nosso herói coloca uma versão remixada de "Future Days" (Can, 1973) para tocar. "Kraftwerk é para principiantes", ele dizia. Seu avatar, MC Selim [3], é ultracool. Um coelho branco. Seguir o coelho branco.

De repente, sua mãe entra em prantos em seu quarto. João detesta quando entram sem avisar, mas não teve tempo para reclamar. Sua mãe dizia, chorosa: "A polícia federal tá aí na porta, vieram te prender". Ela mal terminou a frase e João já estava devidamente imobilizado pela algema-gargantilha. Totalmente imobilizado, foi levado para o camburão por dois 'polícia'. Só no interior da Fiorino 98 um policial apertou um botãozinho da gargantilha que liberava a fala. João foi logo dizendo: "Pô mano, que foi que eu fiz?"

"Mano é o senhor seu irmão. Aliás, foi ele quem confirmou: o senhor é um usuário de Linux, certo?"

"Linux?!? Eu... não... eu adoro o..."

"Tudo o que você disser será usado contra tu memo, sacô? Seguinte: não sou preconceituoso, compreendo tua pobreza, mas... você tá ferrado mano. Usar o Linux sem o cupom é crime federal e global. Tu tá ferrado mermão". O guarda falou travando novamente a gargantilha. Queria uma viagem tranquila até o DP.

O delegado, no DP tragando um Derby, foi logo dizendo: "Prezado João, pois é, tu tá ferrado mermão. Olha, não sou preconceituoso, fico sensibilizado com sua lamentável situação financeira, mas... tu tá ferrado mano. Linux sem cupom?!? tsc, tsc..."

João: "Mas... cara. Veja bem, foi um deslize. Eu juro, nunca mais vou fazer isso. Se você me liberar agora eu juro que paro na primeira banca e compro uns cupons pré-pagos, de 2 horas... E prometo que vou fazer uma poupancinha pra comprar o Vistoso 4.0... eu quero tá dentro da lei e...". Pfiu... gargantilha travada novamente. João foi atirado numa cela com outros 57 violadores da lei global de patentes de software. No cantinho, ao lado do vaso sanitário, dois piratas jurássicos: usuários do eJumento que ainda baixavam músicas e filmes pela internet. No caso deles será pena de morte, todo mundo sabe. Mas e o João? Qual seria seu julgamento?

Três anos, dez meses e vinte e sete dias depois, João foi levado para a sala de tele-julgamento. Passara esse tempo todo numa prisão de segurança máxima, numa solitária. Sem suas doses regulares de Purple Cow, chegava a dormir por 46 dias sem parar. Olhos marcados por sono e choro, encara o tribunal naquela bela telona de 103 polegadas. Seu advogado, nomeado pelo juiz, tá lá também, ao lado do júri. Fazendo tchauzinho. João estremece e o juiz começa a falar:

"Olha João, tenho outros mil e cinquenta e nove casos para julgar ainda hoje de manhã. Então vou direto ao ponto, ok? Seguinte: não sou preconceituoso e vivo comovido pela lástima situação de vocês miseráveis. Mas Linux sem cupom é o fim da picada, né? O desrespeito pela lei global de patentes de software não tem desculpa não: pena de morte!"

João não pôde se manifestar - a gargantilha travava tudo. Menos o **, que deu aquela apertada. Seu advogado só deu outro tchauzinho, com cara de piedade. João foi imediatamente levado para a arena de execuções.

Maracanã lotado. O cartaz prometia mais de mil execuções naquela tarde, a maioria inspirada nas inspiradas obras do mestre Tarantino [4]. João era o último da fila. E assistia, quase conformado, aquele desfile de atrocidades que passava ao seu lado: pedaços de corpos, espadas ninja cheias de sangue e orelhas, muitas orelhas. Seu personal-carrasco tinha a instrução de ouvir um último pedido e liberou a gargantilha. Mal João começou a chorar e o carrasco disse:

"Olha João, num sô preconceituoso e, como tu, vivo na merda. Mas nem por isso eu vou usar Linux sem cupom, né mané? Tu tá fudido mermo". Encerrou a frase arrastando nosso combalido herói para o meio do campo. No caminho o carrasco tratou de explicar: "Seguinte, esgotamos todo o estoque de Tarantino. Fizemos uma enquete pela Internet e a maioria votou na opção ROMA. Acho que é porque tem que digitar menos. Ou então é sadismo mermo... sei lá... mas eu curto a ROMA porque não sobra muita coisa para limpar no campo..."

João: "ROMA?...". Carrasco: "Pois é... acho que é sardosismo do pessoal. Roma antiga, saca? Aquele lance de leão?"

João é levado para o meio do campo. O carrasco remove a gargantilha (ela deve ser reutilizada) e enterra João numa cova. Só o pescoço e a cabeça ficam para fora. João não sabe se grita ou chora, enquanto vê a multidão da arquibancada gritar: "lê leu... lê leu... usou linux sem cupom e se (pim)". Como o evento está sendo transmitido ao vivo, o sensor de palavrão é ativado no próprio estádio. Toda hora: "pim". Mas a multidão não tava nem aí. E urra de alegria quando vê, saindo do vestiário, um imenso leão.

O leão tem pressa porque este post tá ficando grande demais. E corre em direção da cabecinha do João, com a bocarra aberta. Ele saliva e não pisca. João vê toda a sua Life 3.0 passar em questão de segundos. Se lembra da Anya e deixa cair aquela que deve ser sua última lágrima.

Acontece que o gramado do Maraca já estava em estado deplorável por causa das outras 999 execuções e do show religioso que tinha acontecido na noite anterior. E quando o Leão tentou brecar, deu uma derrapada de um metro. Sua boca passou raspando pela cabecinha do João. Sua genitália ficou colada na boca do João. Nosso herói não pensou duas vezes: tascou-lhe uma mordida não imaginada nem mesmo pelo Tarantino. O leão uivou de dor. E a galera das arquibancadas e das numeradas não se segurou:

"Pô pirata filho da (piimm)... vê se joga limpo!!!"


.:.


  1. Pensou que era sacanagem, né?
  2. Homenagem ao Seth Godin.
  3. Homenagem ao Miles Davis.
  4. Detesto Tarantino.

... é bom não se esquecer dos clássicos trabalhos da Despair, Inc.



Além dos posters, agora tem bloquinhos, xícaras. Itens essenciais em ambientes pouco civilizados. Hmm.. não. Ainda não tem sacos de pancada com rosto personalizável. Taí, boa idéia!

O titulo aí aparece no serviço Web de maior popularidade nas últimas semanas: o ARSE: Asshole Rating Self-Exam.

A séria brincadeira é outra ferramenta de marketing que ajuda na divulgação do livro "The No Asshole Rule", de Robert Sutton. Saca só o sub-título do livro: "Construindo um ambiente de trabalho civilizado ou sobrevivendo num que não é". Não precisa dizer que virou best-seller, né? Tem muito 'workplace' pouquíssimo civilizado por aí. Em tempos de "cada um por si e deus-chefes contra todos", o que não falta é asshole.

Btw, êta palavrão chato de traduzir, né? Acaba virando só um "idiota". Ficaria mais legal se virasse "energúmeno" (que perde a razão e se torna possesso). Tem muito "enfestador" (trapaceiro) também. "Engabelador", cheio de promessas vazias. Hehe.. olha que fiquei só na letra "E" do "Dicionário Brasileiro de Insultos", do Altair J. Aranha. Faz parte do kit básico de sobrevivência em ambientes hostis. "The No Asshole Rule" é o mais novo item do kit. Não vá para o trabalho sem o seu. Nunca se sabe quando um novo asshole será contratado ou promovido.

Para encerrar, outro brinquedinho marketeiro legal do livro: o ArseMail. Diverta-se. Mas vê se não sacaneia!

Update: Dá pra fazer um 'test-drive' do livro. Tinha esquecido de indicar: Há um 'manifesto' do Bob Sutton no ChangeThis. Aliás, o ChangeThis é obrigatório em qualquer kit de sobrevivência. Tem seus 20% de bullshitagem mas, no geral, o conteúdo é muito bom.

Quando você 'patenteia' ela? Ou seria a 'patente das piadas' uma piada em si?

É de morrer de rir. Mas se a gente parar pra pensar um pouquinho, o riso ficará amarelo. Até que ponto chegará essa obsessão pela proteção de "propriedade intelectual"?

.:.

Enquanto dá tempo* - e aproveitando que hoje é sexta:

Dois leões, cansados da mesmice do Zôo-Sampa, e de toda a violência que imperava naquelas redondezas, resolveram fugir. "Vamos voltar para a África, nosso verdadeiro lar." O outro concordou na hora: "Que idéia maravilhosa - imagina aquele tanto de zebra dando sopa!" Dois dias de planejamento ágil e zip! Zarparam.

O plano: descer a Anchieta ou a Imigrantes (a que estivesse menos engarrafada), e cair direto no porto de Santos; entrar sorrateiramente em qualquer navio com uma bandeira MUITO colorida e que tivesse um nome cheio de vogais. Pronto: "Mama África ou nada!" Lembrete do leão 1 para o leão 2: "abaixa a calda!"

Lá se foram. E, como em todo plano, um imprevisto: é sexta, véspera de carnaval. A saída de Sampa tá do jeito que o diabo e os promotores de arrastões gostam. O leão 1 perde o leão 2 de vista. Mas segue o plano, confiando na fome e no senso de direção do segundo.

[Seis meses depois... na velha jaula do Zôo-Sampa]

"Entra aí e fica quietinho!" Era um daqueles soldados barrigudos, despejando o leão 1 em sua velha casa. Ainda atordoado pela quantidade de suco de maracujá (in natura) que teve que engolir, voltando da África, o leão 1 vasculha triste sua triste cela. E qual não foi sua surpresa quando viu ali, gordo como ele, o velho amigo leão 2: "Caramba mano! Você sumiu!! Que que houve?".

Leão 2, com um sorriso de satisfação, respondeu: "Pôxa, você viu aquele engarrafamento todo? Então.. cansei de andar. Nada passa naquele pedágio desgraçado. Parei pra descansar um pouco dentro dum buzão que tava vazio. Achei até que iam tocar fogo nele ou algo do tipo. Na calmaria, dormi."

"Ahn, mas, e aí? Te trouxeram pra cá?"

"Nada... Quando acordei o buzão tava numa daquelas avenidas largas daqui, do lado dum rio fedorento. Chamam ela de 'marginal' não sei porque. A avenida não tem nada a ver com isso. O motorista aproveitava a solidão e descia o bambu. Na primeira reduzida eu pulei fora. Não dá pra confiar em motorista de buzão animado com a sexta de carnaval, né?"

"E tu ficou ali?"

"Então mano... não quis dar bandeira. Tinha umas torres bem bonitas bem do meu lado, meio abandonadaças. Com umas letrinhas brilhantes no topo. Uma maravilha. Entrei quietinho e fiquei lá..."

"Até a 4ª feira de cinzas?"

"Que nada. Até ontem!"

"Caramba! Até ontem?!? Não te acharam lá?"

"Pra começar, a garagem daquilo é um mundo. Bem depressivo, mas um mundo. Fácil se perder naquilo. Como era escurinho e coisa e tal, me escondi ali mesmo. E, pra variar, peguei no sono. Péssimo costume que adquirimos em jaulas. Perdi a noção dos dias e noites. Começou a bater uma baita fome quando o lugar começou a ficar cheio de gente. Cara, que cardápio!"

"Conta, conta..."

"Tinha uns tipos que, quando em duplas, falavam um monte de coisa num inglês esquisitinho. Cheios de pose e gesticulações. Cheios de siglas e, quase sempre, carregando uma latinha de Coca Light. Gostava deles porque já vinha com o refresco, hehe. Tinha os solitários também, que andavam com umas cordinhas saindo do ouvido. Quando não ensaiavam passinhos de dança, cantarolavam alguma musiquinha. Só evitei os mais gordinhos... cê sabe né? Não dá pra comer tanta gordura com essa idade..."

"Mas você comeu todos?"

"Pois é... só foram descobrir que tinha algo errado na garagem quando esgotei os tipos 'chiques' e comecei a comer as tiazinhas que servem café lá em cima..."

.:.

* Se eu tiver que pagar royalties pela piadinha acima, é para o Marinelli. A única adaptação que fiz foi com a localização. Na versão dele, o leão 2 foi parar na 23 de Maio...

graffiare #402

26 fevereiro 2007





Muito jóia. Surrupiado do haha.nu

graffiare #400

15 fevereiro 2007



Eu tava mesmo esperando uma provocação bem legal para colocar aqui no graffiare nº 400. Conheça o INDEXED! Criativo e provocador.

Dizem que a continuação do Poderoso Chefão é melhor que o primeiro. Empatam. Mas você só entenderá este post se ler a primeira parte antes. Shit... quanta obviedade e enrolação... Vamos lá:


Como um Garrincha, que sempre achava espaços, nosso herói Ballmer consegue jogar golfe em sua micro sala! Reparem bem: ele tem uns 50cm entre a bola e a caçapa... Caçapa!?! Ok, sei nada de golfe. Melhor deixar pra lá. Vamos para os segredinhos e dicas.

Detalhe surrupiado em seu white board [1]: GREAT JOBS!!! Isso sim é que é mensagem subliminar. Quando o Gates o visita, ele diz que tá tratando de "grandes trabalhos". Mas, quando isolado (90% de seu dia útil), ele vive babando pelo Grande Jobs: "aquilo sim é que é inovação, criatividade!". Duvida?

Então vamos direto para a evidência nº 3: quem é o bonequinho*? Elvis? Maradona? Tarcísio Meira? Que nada.. é o próprio Jobs. Saca o estilo e o penteado. Não tem erro.

Não satisfeito? Então saca a prova nº 4: um Ipod Shuffle?!? Pois é. Acabamos de descobrir que não é só o Jim das Selvas que é fã da Apple lá nos cafundós de Redmond. Ballmer, Ballmer...

Para encerrar, mais dois detalhes (agora sem demo): quando assumiu a presidência, o Fernando Collor adorava "passar mensagens" através dos livros e revistas que carregava debaixo do braço. Ele nunca lia nada. Bastava aparecer numa foto com aquela edição da Exame sobre nossas "carroças" e pronto.. a mensagem tava passada. Saca só o livrinho [2] na mesa do Ballmer. "SIMPLICIDADE". Vai dizer que foi acidental? Bullshit!! E o Mini deve ter adorado. E o alerta vermelho só vai soar quando pintar um Lair Ribeiro ou Deepak Chopra naquela mesa. hehe...

Eu não aguentei. Tenho que perguntar: o que que o Datena tá fazendo ali?!?!

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* Bonequinho na mesa é coisa de Otávio Mesquita, né? Que coisinha mais anos 90... e infantil...

O Ballmer é pop. Se fosse tupiniquim, estaria direto na 'Caras'. Daria entrevistas exclusivas para a Ana Maria Braga. O Ballmer é um show-man. Foi num post da coleguinha Luciana que descobri a matéria bem "você s.a." que o New York Times fez com o Ballmer. É uma pena que o slideshow fastfood do NYC não aproveitou a oportunidade para analisar melhor o cotidiano e os segredos do grande Steve. Sorte sua que existe o Graffiti, né? Aqui o demo não fica escondido nos detalhes. A gente escancara ele. Saca só:


Todo mundo reparou e comentou: "caramba, que escritório mais pititinho!" Legal né? O que diria aquele ex-chefão de um grande portal da internet tupiniquim que tinha uma sala com uns 100m2? Mas nossa preocupação aqui são os detalhes e os segredos. Mesmo na solidão de sua micro-sala, nosso querido Ballmer vive rodeado de sorrisos [1 e 2]. Btw, quem é o sujeito na foto 2? Roberto Leal? Peter Frampton? O próprio Ballmer?!?

Como a sorrisoterapia não é 100% eficaz, será que o Ballmer mantém um etílico plano de contingência? Dá uma sacada no detalhe #3. Será um belo vinho californiano? Ou uma garrafa de dreyer? Deu duro? Se ele fosse tupiniquim, poderia ser uma garrafa de jurubeba também... Segredos!

Uma coisa que não dá pra esconder é o site que ele tá visitando [4]. "Pô, as ações caíram de novo!?!?" A solução para quando ele tá beirando um ataque de nervos o pessoal de Redmond já encontrou: cadê as cadeiras? Nas outras fotos do NYC você vai reparar que elas foram trocadas por poltronas que pesam 200kg. E ficam soldadas no chão!

Por fim um brinquedinho que ele rapidamente escondeu na primeira gaveta [5]. Mas ele garante que não revela o nome da persona non grata nem no spa de Guantanamo. Quem será? Page ou Brin (Google)? Ozzie? O Mini-Microsoft? Ninguém nunca saberá. Mas eu posso garantir que o Steve Jobs não é. No próximo capítulo eu explico.

graffiare #391

24 janeiro 2007



Kkk.. do concurso "O próximo produto da Apple", promovido pelo sempre bom Worth1000.

Get a First Life

22 janeiro 2007



Jóia. Quem sabe nosso próximo passo não seja uma mudança para Abaetetuba, o lugar onde nossa Primeira Vida se encontra com a Segunda Vida.

graffiare #385

09 janeiro 2007



Por falar em "home server" e tudo que deve compor a nossa "casa digital", hehe.
Taí como a RAND Corporation imaginou o "home server" de 2004! Com "teletipo" e linguagem Fortran, ele seria facílimo de usar!! kkk...

Eu só queria entender pra que serve aquele volante ou timão ali do lado do tiozinho... Será o joystick do Xbox?

A-lô-Hi Tech #003

26 dezembro 2006

Do jeito que o Chefe gosta

Acabara de voltar de um período de aprendizado e deslumbramento no quartel general estadunidense. Adrenalina no 'último', não via a hora de começar a mostrar serviço. Monopolizava as reuniões contando histórias e lições aprendidas durante seu breve exílio. Gostava de repetir por 3 ou 4 vezes um mesmo 'ensinamento'. Que sempre se encerrava da mesma forma:

- É assim que se faz lá. É assim que o [nome_do_dono] gosta que seja feito!!

Sua voz grave e a forma nada sutil como ela concluia uma 'ordem' não dava margem para nenhum tipo de discussão. Ela abria a reunião, conduzia a reunião, encerrava a reunião. Era um grande monólogo. Mas, estranhamente, todos saíam delas com o espírito renovado. Com a adrenalina no 'último'.

Já se sentia devidamente adaptada mesmo quando não conseguia se lembrar do nome de metade dos colegas que participavam da reunião. Não lembrava nome, cargo, função. Descobria quando lhe era conveniente. Um mês se fora - era hora de tirar da manga seu grande plano.

Como se gerencia uma carteira de produtos quando eles são totalmente produzidos em outro lugar? Quando não se tem autonomia nenhuma para direcionar (minimamente) o desenvolvimento de um produto? Em solo tupiniquim só tem um jeito: tropicalizando-a! Mas como se 'tropicaliza' um produto de uso genérico, que não tem nada a ver com legislações e cultura locais?

Astuta, elaborou a resposta ainda durante o vôo que a trouxe de volta: vamos Traduzir tudo!

Na reunião de apresentação do grande plano havia 6 pessoas, além dela. 3 caras de sono. 2 caras de "não entendi nada". Uma cara de "vai dar merda". Mesmo assim, imperou o silêncio. Como sempre, 'seja feita a sua vontade'. As justificativas para o plano eram simples:

- Vivemos num país atrasado. Os poucos programadores daqui não sabem ler, escrever ou falar inglês. Mas temos que popularizar nossos produtos para desenvolvedores. Se a barreira é o inglês, vamos eliminá-lo!

No velho estilo do empreendorismo endinheirado e caótico, o projeto de tradução teve início: "No pacotinho para não-programadores a gente traduz tudo! É, inclusive a linguagem - os comandos, métodos e propriedades. TUDO!". "Ah, na nossa liguagem-chefe a gente começa pelo manual. Vai dar tão certo que, ano que vem, traduzimos o resto."

O plano parecia infalível. Em pouco tempo, milhões de analfabetos globais se converteriam em novos desenvolvedores de sistemas!

Mas ninguém entendeu direito quando milhares de documentos pararam de funcionar na versão 'tropicalizada' daquela ferramentinha que já era tão popular. Terror nos planilhódromos semi-formais que então eram o 'must' em pequenas, médias, grandes e incomensuráveis empresas aqui instaladas. Ops...

Mas o problema maior surgiu no outro front, naqueles pesados manuais que pela primeira vez eram liberados em língua portuguesa. Um capítulo se propunha a ensinar como se desenvolvia aplicações para a arquitetura "Consumidor/Fornecedor". Ouviu-se numa sala de aula:

- Uai! Mudaram até o nome da coisa? "Client/Server" é propriedade intelectual de alguém?

Não deu pra fingir por muito tempo que se tratava de uma pequena 'adaptação'. É que em outro trecho o manual se propunha a discutir questões sobre o "Motorista de Impressora"!?!?



Nem deu tempo da cara ficar vermelha. "Esqueçam as traduções. É que eu tenho another wonderful plan..."

"É assim que se faz lá! É assim que nosso chefe gosta que seja feito!!"