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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Quando cheguei na metade do artigo do Roberto X de hoje, pensei estar testemunhando o batismo do mais novo "killer service" da Web. Ele tá falando de vídeo na Web, e sobre como uma empresa israelense, a Hiro Media, parece ter descoberto o modelo de negócio definitivo. (Nota: entenda que "definitivo", nos novos tempos, pode durar uma década.. hehe).

A Hiro pega o óbvio e implementa: "se não pode vencê-los, junte-se a eles". Traduzindo: usa todo o ferramental e cultura dos "piratas" (redes P2P, Torrents, eMule e afins) para promover a distribuição de vídeo. Por que os donos do conteúdo não reclamariam? Estariam faturando com vendas de espaços de publicidade da mesma forma que o fazem na TV aberta.

Com uma vantagem indiscutível: os 'reclames' não repetiriam como acontece na TV aberta. Haveria uma inteligência mínima que tentaria indicar o melhor comercial para aquele determinado momento. (Pensou Google? Acertou).

Se é tudo tão lindo e maravilhoso, por que o "quase" do título? Resposta em três letrinhas: DRM. Roberto X não tratou do assunto, mas no site da Hiro eles falam de um tal "DRM Positivo". Céus: nossa área adora oxímoros. Não existe DRM positivo. Parece que a Hiro perdeu os últimos 3 meses de história (com Bill Gates e Steve Jobs detonando o DRM).

Eles chegam a destacar como características do produto as seguintes possibilidades:

  • Bloqueio do conteúdo por região geográfica (alguém já tentou isso nos DVD's e passou vergonha);
  • "Bomba relógio": o conteúdo torna-se indisponível após determinado número de exibições ou depois de um certo tempo (copiaram o DRM do Zune).
Não tenho dúvida de que a publicidade é a resposta para o mercado de músicas, jogos e vídeo. Enfim, para todo o mercado de entretenimento. Sem o DRM, a Hiro Media pode facilmente se tornar um YouTube "sério". Com DRM, é outro produto desenhado para a chacota e para a diversão de alguns crackers.

A TV do Século XXI

16 fevereiro 2007

Ando falando muito sobre televisão nos últimos dias. Teve aquele papo da Google, de que a Internet não vai aguentar. Ontem eu mostrei a Democracy TV, alternativa legal que já está no ar.

Faltou dizer uma coisinha: a Democracy TV precisará de uma outra casa, além dos micros. Se ela quiser ser relevante, terá que virar uma "Setup Box". Não conheço os planos do projeto, mas me parece primordial que eles já estejam conversando com fabricantes dispostos a desenvolver um 'turner' (ou 'video extender') - um aparelhinho que conectaremos nas nossas TV's de plasma (ou LCD ou CRT mesmo), abrindo-as para o admirável novo mundo da Internet. Aliás, se eu fosse engenheiro eletrônico em Santa Rita do Sapucaí, começaria agora a desenvolver algo parecido. Utilizando a Democracy TV, obviamente. Eles já fizeram aparelhos PABX com Skype (que é proprietário). Parece fácil fazer uma "setup box": afinal, ela é só um micro. Um pouquinho mais especialista.

Sua maior concorrente está saindo do forno: a Apple TV. Se o Roberto X estiver certo em seus chutes, a Apple tem um maravilhoso plano de negócio. Se a Apple não tinha pensado em tudo que o Roberto falou, então ela acabou de ganhar o presente do século! Um presentinho de bilhões de dólares.

Mas o Roberto X nunca esteve amparado em evidências tão claras: o vínculo Apple + Google (via Eric Schmidt); o conteúdo da Disney e afiliadas; a arquitetura da Apple TV (e seu disco rígido); Jobs clamando pelo fim do DRM. Junte os pontos. Acabou de nascer a TV do século XXI.

Democracy TV

15 fevereiro 2007

Enquanto a turma do andar de cima decide como será nossa TV via Internet, nada impede que a gente já curta coisas muito legais que estão rolando.



Não exagero quando digo que o Democracy TV é o melhor player de vídeo que existe. Ele simplesmente 'entende' qualquer formato. Está disponível para um grande número de plataformas. E, claro, é mais um produto oriundo do universo do Software Livre.

Enquanto alguns desenham caixinhas (software e hardware) e outros tentam virar o monopólio da publicidade, a Participatory Culture Foundation foi direto ao ponto. O ponto que segue ignorado pelos gigantes: deixamos de ser apenas consumidores. Também criamos. Também queremos criar. Qualquer um pode abrir um canal de TV e divulgá-lo via Democracy. O que já tem de conteúdo, inclusive tupiniquim, é surpreendente. Tem muita coisa boa, particularmente em curtas de animação, noticiários independentes e afins. Os canais são uma espécie de blogs, vitaminados pelos múltiplos meios.

Um dia o Bruce Springsteen reclamou que tinha "centenas de canais e nada para assistir". Em pouco tempo teremos milhões de canais. Com uma diferença básica daqueles que não cativaram o Bruce: feitos por gente como a gente. Especialistas, direcionados, verdadeiramente interativos.

Antes de encerrar, uma questão técnica. Na discussão "escala x não escala", o Roberto X sugeriu que o formato P2P (via Torrents) pode ser uma solução. Não por acaso é o formato utilizado pelo Democracy TV para obtenção de vídeos.

IPTV: Escala ou não Escala?

12 fevereiro 2007

Engraçado, mas até hoje eu só tinha visto aquele "alerta" do Google sobre a falta de escalabilidade da Internet para entrega de vídeos no Jornal da Globo. Como se trata do tema do Roberto X Cringely nas últimas semanas, lógico que ele comentaria o "alerta". Não se assuste com o título da coluna. É que ele começa falando do Jobs anti-DRM. Mas termina escancarando as segundas intenções do Google quando o assunto é vídeo:

But first Google has to make itself indispensable to European cable companies, to get a toehold in their market. Only when they are totally dependent on Google ad services will the search giant reveal its true video ambitions in Europe.... and the world.


De todas as ondas de convergências, esta (vídeo+web) parece ser realmente a mais dolorida e, de certa forma, nebulosa (tecnicamente falando). Bill Gates fez a abertura da CES (Consumer Electronics Show) mostrando um pouco da estratégia da MS para a IPTV: o XBox vira uma espécie de 'sintonizador'; com a HP eles estão desenvolvendo um home server, um imenso 'gravador'.

As preocupações do Google são totalmente diferentes: eles querem levar a Internet (particularmente sua infra e lógica para geração inteligente de comerciais) para os canais de TV. Experiências parecidas eles já fazem até com emissoras de rádio.

São duas frentes totalmente diferentes. Mas não são paralelas - as visões são conflitantes. O discurso (alerta) do Google na semana passada jogou um pouco de areia nos olhos da MS. Roberto X tratou de devolver um pouco da areia. E, neste início de história, estamos todos com a vista embaçada.