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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

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graffiare #444

09 outubro 2007

Estou aqui para falar para vocês que não caio mais nessa armadilha. Se as gravadoras estão oferecendo seu conteúdo para que o Yahoo! coloque barreiras contra os usuários, eu não estou interessado. Faça o que você quiser com seu negócio, serei educado, agradecerei, mas não assino o acordo. Não deixarei o Yahoo! investir mais grana alguma em incoveniência para usuários.

...

Pessoalmente não tenho mais tempo e não aguento mais ver grana sendo torrada em tentativas de controlar, e não para construir valor para o usuário. A vida é curta. Eu quero é encantar os consumidores, não controlá-los.

- Ian Rogers (funcionário(!) do Yahoo!)

Semana passada, "eCommerce". Hoje, "Nova Economia". Não, não estou atravessando uma séria crise de "nostalgia mórbida". Nem tô aqui para ressuscitar "biz words". Mas alguns fatos e coincidências inspiraram este post. E o título.

Semana passada, em um grupo de discussão, uma pessoa reclamou a autoria de um treinamento que fora oferecido por outra pessoa. Mostrou as provas e, em seu pleno direito, solicitou a interrupção da divulgação daquele curso. "Pirataria" de conteúdo programático. Coisa feia, realmente. E bobinha, já que em tempos de Internet mentiras não têm mais pernas.

Já aconteceu comigo. Um "prestador de serviços" paulistano surrupiou integralmente uma apresentação minha e lançou como um curso próprio. Isso foi bem antes d'eu conhecer (e entender) as licenças Creative Commons. Fiquei chateado, claro, mas não reclamei como o colega do parágrafo acima.


Foi antecipado para este último final de semana (5/out) o lançamento oficial de "Tropa de Elite". Recorde absoluto de bilheterias, no Rio e em Sampa. A justificativa para a antecipação foi a "pirataria", que ganhou proporções impressionantes (3 milhões de DVD's piratas, além de transmissões via GatoNet e até cineminhas improvisados em feiras). Apesar da pirataria, um recorde de bilheteria. Outra leitura: por causa da pirataria, o recorde de bilheteria. Uma variação do tal efeito "because", explorado por JP Rangaswami em seu "Confused of Calcutta".

Ontem mesmo, no Jornal da Cultura, pintou uma entrevista com um recordista de audiência no YouTube. Tupiniquim, é um diretor de curtas. Não conhecia o YouTube quando um curta seu parou por lá e fez tremendo sucesso. Sua primeira reação? "É pirataria!". Hoje ele usa o YouTube (em suas palavras, "mais poderoso que qualquer canal de televisão"), para divulgar seu trabalho. Praticamente de graça! Mas a questão não é essa, e sim os 40 milhões de pessoas que puderam conhecer seu trabalho. Quando ele conseguiria isso nas mídias tradicionais? (Leia-se TV's e cinema).

Mesmo que exemplos pipoquem diariamente, ainda predomina o raciocínio da "proteção doentia de propriedade intelectual". Uma lógica que gera aberrações como DRM e afins. Nos exemplos acima todos estão ganhando dinheiro. Aliás, provavelmente estão fazendo mais dinheiro do que fariam sem a tal "pirataria".

Ou seja, não tem nada de "papo de comunista" aqui não. Estamos falando de um novo Capitalismo. Que, ao que tudo indica, é mais inteligente que sua versão anterior. Sendo prático:

Nosso colega do 2º parágrafo, por exemplo, perdeu a chance de vender seu curso. Direta ou indiretamente. Caramba, se ele montou um conteúdo tão legal, por que não vendê-lo ou licenciá-lo? Colocando de outra forma: o que ele ganhou com o "fechamento" do conteúdo? Nadica de nada...


"Os ativos intelectuais, ao contrário dos ativos físicos, aumentam de valor com o uso."
– James Brian Quinn

Era Ursinho Puff, não era? Acho que no meu tempo era. Agora parece que ele se chama Pooh. Por razões que não merecem espaço, ele pode custar US$2,5 bi para a Disney. O processo gira em torno da mesma coisa que, desde ontem, é publicamente reclamada pela Viacom: COPYRIGHT.



De leigo para leigo: acabo de cometer o mesmo crime do YouTube! Não obtive legalmente o direito de exibir a imagem acima. A Google, que é dona do Blogger, pode ser processada pelo meu crime? Ela sabe que este tipo de uso, indevido, é possível. Mas ela pode ser responsabilizada por isso?

A Viacom acha que sim. Por isso tá pedindo a bagatela de US$1 bi por 160 mil vídeos que foram exibidos indevidamente por 1,5 bilhão de vezes no YouTube. Detalhe muito legal revelado num imenso e inconclusivo artigo do David Berlind (ZDNet): a Viacom montou um departamento inteiro que tem uma única responsabilidade: ficar o dia inteiro assistindo vídeos no YouTube! Hahaha. Bela forma de combater o desemprego! Manda todo gigante de mídia ficar vigiando a Internet inteira! Acaba com todo o desemprego do mundo em um segundo!!

Voltando ao assunto, que detesto, mas que é importante demais na nossa vida (digital!) para ser ignorado. Vamos lá.

Aprendi com o Lorenço (que não cerca, ensina), que há 10 anos os imensos fiéis-depositários de propriedade intelectual brigaram no congresso para criar uma bobeirinha chamada DMCA (Digital Millennium Copyright Act). É, trata-se da mesma coisinha que aquela turma legal-radical da DefectiveByDesign.org tá pedindo para o Steve Jobs ajudar a combater.

Tem uma "saída estratégica pela esquerda" no DMCA que tem um nome técnico (jurídico) que não vem ao caso. A saída é parecida com uma que protegeu a Sony quando ela estava sendo processada pela Universal: quem fabrica gravadores e vídeo-cassetes pode ser penalizado se algum consumidor usa os equipamentos para fazer pirataria?

A Sony ganhou. Ficou mais rica do que era. A Universal quebrou. A Sony comprou a CBS. Hoje a Sony tá no outro time. E já não é tão rica...

Atualizando o caso para o nosso Milênio Digital, a alegação do YouTube (Google) é a mesma: não pode ser responsabilizada se algum pentelho resolveu fazer o upload daquele clipe medonho do Green Day. Amparando-se no que diz o DMCA, o YouTube pode sair ileso. Antes vai ter que provar que pirataria não é a maioria no YouTube. E que atende todas as reclamações de violação no ato. Mas o buraco é mais embaixo...

E os advogados da Viacom fizeram curso com o Ronaldinho Gaúcho: driblam bem. Parece que o caso não invoca o DMCA, só a lei anterior de Copyright. Aqui entra na parte chata que só advogado pode gostar (e entender). Deixa pra lá.

O que importa é que nesse jogo não tem bonzinho, inocente: parece o Santos X São Paulo do último domingo. A Google realmente tira proveito do capital (intelectual) dos outros para movimentar seu negócio (propaganda). A Viacom, muitos suspeitam, só está fazendo pressão para conseguir um acordo melhor com a Google. Pensa bem: US$ 1 bi por 1,5 bilhão de exibições faz com que cada vídeo custe menos que uma musiquinha no iTunes, US$ 0,66. É mais fácil elas chegarem num acordo do que o caso virar uma daquelas lenga-lenga de justiça.

Ou seja, ao contrário do que o Berlind acredita, não acho que estamos num momento 'divisor de águas'. Não creio que existirá um evento assim, volumoso e bilionário o suficiente para marcar o dia em que resolvemos definitivamente o que é o tal de 'direito de cópia' e como ele deve ser na vida digital.

Da mesma forma que os reis deixaram de autorizar publicações de livros há alguns séculos; do mesmo jeito que todo mundo pôde comprar gravadores, VCRs e DVRs; lenta e consistentemente os direitos dos consumidores prevalecerão. Sou um otimista.

E como eu também acredito que partes da história se repetem, vale a pena pensar nos vencedores e perdedores em batalhas similares: foram os fiéis-depositários ou os veículos? Foi a propriedade ou a tecnologia? Surrupiarei Nando Reis: "O mundo é bão, Sebastião!"


ps: Ué... que que a MS tá fazendo no título? Pergunta para o Berlind: de que lado ela está?

Quando você 'patenteia' ela? Ou seria a 'patente das piadas' uma piada em si?

É de morrer de rir. Mas se a gente parar pra pensar um pouquinho, o riso ficará amarelo. Até que ponto chegará essa obsessão pela proteção de "propriedade intelectual"?

.:.

Enquanto dá tempo* - e aproveitando que hoje é sexta:

Dois leões, cansados da mesmice do Zôo-Sampa, e de toda a violência que imperava naquelas redondezas, resolveram fugir. "Vamos voltar para a África, nosso verdadeiro lar." O outro concordou na hora: "Que idéia maravilhosa - imagina aquele tanto de zebra dando sopa!" Dois dias de planejamento ágil e zip! Zarparam.

O plano: descer a Anchieta ou a Imigrantes (a que estivesse menos engarrafada), e cair direto no porto de Santos; entrar sorrateiramente em qualquer navio com uma bandeira MUITO colorida e que tivesse um nome cheio de vogais. Pronto: "Mama África ou nada!" Lembrete do leão 1 para o leão 2: "abaixa a calda!"

Lá se foram. E, como em todo plano, um imprevisto: é sexta, véspera de carnaval. A saída de Sampa tá do jeito que o diabo e os promotores de arrastões gostam. O leão 1 perde o leão 2 de vista. Mas segue o plano, confiando na fome e no senso de direção do segundo.

[Seis meses depois... na velha jaula do Zôo-Sampa]

"Entra aí e fica quietinho!" Era um daqueles soldados barrigudos, despejando o leão 1 em sua velha casa. Ainda atordoado pela quantidade de suco de maracujá (in natura) que teve que engolir, voltando da África, o leão 1 vasculha triste sua triste cela. E qual não foi sua surpresa quando viu ali, gordo como ele, o velho amigo leão 2: "Caramba mano! Você sumiu!! Que que houve?".

Leão 2, com um sorriso de satisfação, respondeu: "Pôxa, você viu aquele engarrafamento todo? Então.. cansei de andar. Nada passa naquele pedágio desgraçado. Parei pra descansar um pouco dentro dum buzão que tava vazio. Achei até que iam tocar fogo nele ou algo do tipo. Na calmaria, dormi."

"Ahn, mas, e aí? Te trouxeram pra cá?"

"Nada... Quando acordei o buzão tava numa daquelas avenidas largas daqui, do lado dum rio fedorento. Chamam ela de 'marginal' não sei porque. A avenida não tem nada a ver com isso. O motorista aproveitava a solidão e descia o bambu. Na primeira reduzida eu pulei fora. Não dá pra confiar em motorista de buzão animado com a sexta de carnaval, né?"

"E tu ficou ali?"

"Então mano... não quis dar bandeira. Tinha umas torres bem bonitas bem do meu lado, meio abandonadaças. Com umas letrinhas brilhantes no topo. Uma maravilha. Entrei quietinho e fiquei lá..."

"Até a 4ª feira de cinzas?"

"Que nada. Até ontem!"

"Caramba! Até ontem?!? Não te acharam lá?"

"Pra começar, a garagem daquilo é um mundo. Bem depressivo, mas um mundo. Fácil se perder naquilo. Como era escurinho e coisa e tal, me escondi ali mesmo. E, pra variar, peguei no sono. Péssimo costume que adquirimos em jaulas. Perdi a noção dos dias e noites. Começou a bater uma baita fome quando o lugar começou a ficar cheio de gente. Cara, que cardápio!"

"Conta, conta..."

"Tinha uns tipos que, quando em duplas, falavam um monte de coisa num inglês esquisitinho. Cheios de pose e gesticulações. Cheios de siglas e, quase sempre, carregando uma latinha de Coca Light. Gostava deles porque já vinha com o refresco, hehe. Tinha os solitários também, que andavam com umas cordinhas saindo do ouvido. Quando não ensaiavam passinhos de dança, cantarolavam alguma musiquinha. Só evitei os mais gordinhos... cê sabe né? Não dá pra comer tanta gordura com essa idade..."

"Mas você comeu todos?"

"Pois é... só foram descobrir que tinha algo errado na garagem quando esgotei os tipos 'chiques' e comecei a comer as tiazinhas que servem café lá em cima..."

.:.

* Se eu tiver que pagar royalties pela piadinha acima, é para o Marinelli. A única adaptação que fiz foi com a localização. Na versão dele, o leão 2 foi parar na 23 de Maio...