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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
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em locais públicos. 
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Escrever é Chato?

07 julho 2009

Chico Buarque, na última FLIP, disse que sim. E gerou uma certa polêmica. No Painel do Leitor da Folha de São Paulo teve gente falando que os livros do Chico são chatos. Céus! O cara deve gostar de Paulo Coelho. Ou de Dan Brown, sei lá. Mas o papo aqui é outro: escrever é chato?


Só quando tudo o que você não quer fazer é escrever. Só quando escrever é só uma obrigação. Assim, lógico, o ato de escrever se torna a coisa mais chata do mundo.

Sempre gostei muito de escrever - apesar da nítida falta de domínio da principal ferramenta do escritor: a língua. Mas é por gostar de escrever, por ser teimoso e cara de pau, que tento manter 'n' blogs, twitters, grupos de discussão e afins. E por isso prometi um livro. Aqui começa o problema.

Já é famosa a "briga" de Chico com seus editores. Sempre há um prazo. E Chico é um perfeccionista. Se não existir um prazo, ele nunca terminará um livro. Um prazo, um compromisso, é sempre necessário. Mas o preço é caro: a obrigação, aquele deadline, pode tornar o processo de criação uma chatice.

Já escrevi 4 vezes o mesmo livro. Poucos puderam ver uma primeira versão. Os mesmos viram alguns capítulos da última versão. Ou seja, as outras duas versões foram parar no lixo! Mas, creia, esse processo todo é muito legal, até prazeroso. O problema é a eterna sensação de que muita coisa ainda pode ser melhorada. "Escrever é editar", disse Scott Berkun. Eu completaria: "e editar, e editar e editar ...". O problema está nas reticências. Até quando?

Como não tenho editor, trabalho sem prazo. Já caí na bobeira de colocar um. Três vezes! Agora desisti. Mas entendo que existe 1/2 dúzia de colegas ansiosos pelo meu "primogênito". E é essa pressão - as vezes tácita, de vez em quando explícita - que torna o processo um "pé no saco".

Culpa de quem promete prazos. E não os cumpre!

graffiare #467

14 janeiro 2009

Hoje, sua empresa tem processos de negócios do século XXI ativados pela Internet, e processos de gestão de meados do século XX, todos baseados em princípios de gestão do século XIX.

- Gary Hamel (em "O Futuro da Administração", Elsevier-Campus (2008)).

.:.

Este é o segundo graffiare que surrupio do livro do Hamel. O outro foi o #464, sobre gerenciamento e liderança. Poderia extrair centenas! O livro inteiro é uma imensa provocação. Muitos consideram "Competindo pelo Futuro" (1994), que Hamel escreveu com C.K. Prahalad, o livro mais influente de meados da década de 90. "O Futuro da Administração" é tão radical que talvez seja ignorado. Mas já é um dos melhores livros sobre administração do novo século.

É o Negócio, Beócio!

03 dezembro 2008

Frase-projétil muito útil em debates com pessoas que iniciam projetos com ferros, caixinhas e código.

"É o Negócio, Beócio!"
também é o codinome de meu livro, que finalmente tem uma data de lançamento: 25 de março de 2009.

Mais detalhes? Só no finito.

Tem duas coisinhas erradas na carreira que desenvolvo há dois anos e pouco. Ambas estão explícitas na forma como me apresento: "Consultor" e "Independente". O problema com a primeira é conhecido: Consultores, assim como os gurus, têm uma fama ruim. Não raro ouvimos por aí que eles (nós) ganham (os) "muito dinheiro por nada". Que também costumam fazer "muito barulho por nada". E por aí vai. Nada mais mentiroso. Mas a maioria sempre paga pelos "extremos". Mas eu abri este post para falar do outro probleminha: minha falsa "independência".

Nunca na história da humanidade houve independência de verdade. Nem o Urtigão, em sua casinha no alto do morro, era totalmente independente. Quando anexei o adjetivo à minha proposição de função, imaginei passar a seguinte mensagem: "Não tenho rabo preso com ninguém. Ao sugerir ou te ajudar no desenvolvimento de uma solução, ninguém (a não ser você) influenciará no desenho da solução". É uma mensagem legal e gosto de reforçá-la. Comissões e afin$ não são receitas previstas no modelo do finito . Mas, caramba, como eu sou dependente.

Por exemplo, eu não conseguiria nunca organizar e promover sozinho minhas oficinas (workshops) e palestras. É muito trampo. E eu precisaria de uma rede de contatos muito maior que os 5k endereços eletrônicos que consigo acessar diretamente e indiretamente (via grupos de discussão e sites de relacionamento). Reforço: entendo que é muito trampo e muito 'conhecimento'. Mas a relação é um tanto injusta. Quando muito, seu trabalho e conteúdo valem de 25% a 30% do valor total do ingresso. Consolo: plantadores de mandioca no sertão baiano ganham menos dos atravessadores que levam seus produtos para os 'centros consumidores'.

Quero crer que seja só uma fase. Falta de concorrência e falta de infraestrutura e coisa e tal. Se demorar muito, talvez nossa solução seja parecida com aquela de alguns plantadores de mandioca: formar uma cooperativa e limar o atravessador do negócio. Ainda não vale a pena. Mas, se muitos 'pseudo-independentes' reclamarem da mesma dor, talvez seja realmente esse o remédio "menos pior".
[Uma fichinha tilintou: o Hub-SP, com suas salinhas de reunião para 20-30 pessoas, será uma local muito jóia para oficinas e palestras versão "pocket"].

Mas, a gota d'água que motivou este post não tem nada a ver com os eventos. Comecei a fase em que devo me preocupar com a comercialização do meu livro. Até aqui, dependi de mais de 200 pessoas e 200+ livros e 2k artigos para desenvolvê-lo. Participantes de minhas palestras e oficinas foram convidados para um grupo de discussão exclusivo, onde o tema é debatido e amadurecido. A gráfica e editora é de meus dois manos (de sangue), Cacá e Guz Vasconcellos. Então, de certa forma, a "independência" foi preservada. Mas a distribuição e comercialização do livro é outro papo.

Tenho alguns "requisitos fundamentais" dos quais não abrirei mão:

  • O livro será publicado com licença Creative Commons. Ou seja, sua cópia e distribuição (aka Pirataria) serão liberadas.
  • Texto e todos os artefatos "periféricos" serão publicados em diversas versões, em diferentes combinações de átomos e/ou bits. Cada público merecerá uma versão específica.
  • Não espero ganhar R$ 0,01 com o livro, mas ele deve se pagar.
Pois bem, eu preciso muito de um espaço digital para realizar parte de meus requisitos. Um local que seja flexível, que consiga comercializar tanto a versão 'átomo' (impressa e encadernada) quanto a versão 'bit' do rebento.

Por incrível que pareça, não consegui encontrar tal espaço aqui no Brasil. O mais próximo que achei segue a lógica dos atravessadores: remunera o autor em 40% do preço de capa. Ok, é bem melhor que a proposta das editoras tradicionais. Mas, ainda assim, uma injustiça. Por depreciarem tanto o conteúdo, não me surpreende que tenhamos tantos livros 'descuidados'* publicados por aqui.

Pois bem, para meu desgosto, se eu quiser manter meu prazo e meus requisitos, talvez eu tenha que gerar uma graninha para a terra do Tio Sam. Só lá encontrei um serviço bem legal para a divulgação, distribuição e comercialização do livro. O Lulu. Eles embolsam apenas 20% do que eu vender. Saca só: 1/3 do que o equivalente tupiniquim cobra. Mas não é só uma questão de valor. O serviço é muito flexível e ágil. O livro é impresso por demanda! Se o corajoso leitor pedir uma capa dura, por exemplo, "no problem". Politicamente correto, o Lulu promete até uma política especial de preços de frete para a América Latina.

A dependência é inevitável. Mas ela pode ser saudável. Resta-nos escolher bem onde amarramos nosso burrinho, certo?

.:.

* Repare nas capas da maioria dos livros técnicos tupiniquins. Confira a qualidade da encadernação e da impressão. Se fosse um trabalho nota 10, talvez a remuneração fosse menos injusta.