Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

Visite a nova versão em pfvasconcellos.net

O best-seller de Stephen Covey, "Os 7 Hábitos das Pessoas Muito Eficazes", tem me assombrado nos últimos dias. Um colega o elogiou em um blog. Desastrado, fui lá e coloquei um comentário 'azedo' sobre o título. Meu colega apagou meu comentário!?! hehe...

Desde então, penso sobre o ocorrido. Penso sobre o livro que folheei - não ultrapassando o 1º hábito - há uns 11 anos. Sou um cético que adora detonar livros que recebem o famigerado rótulo de "auto-ajuda". Sinto um aperto no coração toda vez que vejo o entrelaçamento entre 'auto-ajuda', 'esoterismo' e 'administração'. Neste balaio entram Covey, Tom Peters e aquele que talvez seja o mais perigoso de todos, Deepak Chopra. Mas é preciso muito cuidado para não ser enganado pelos rótulos. Por exemplo: na lista dos livros mais vendidos da Veja desta semana, o primeiro colocado da seção "Auto-Ajuda e Esoterismo" é "A Arte da Guerra", de Sun Tzu. Seguido por "O Segredo"...

Há 10 anos a Editora Campus publicou um 'guia' que ajuda muito a separar "escolas". O livro se chama "Os Bruxos da Administração" (do original "The Witch Doctors") e foi escrito por dois membros da equipe de editores da The Economist, John Micklethwait e Adrian Wooldridge. Saca só seu subtítulo: "Como Entender a Babel dos Gurus Empresariais". É fantástico! A Campus deveria editá-lo novamente. Ele nunca foi tão necessário.

E ajuda a entender porque Stephen Covey ficou milionário com "Os 7 Hábitos...". Saca só:

Para homens e mulheres movidos a ansiedade, os livros de administração oferecem uma rara fonte de segurança. Os beneficiários mais óbvios são os pensadores que se concentram no indivíduo, e não na organização: daí o charme da psicoterapia new-age de Stephen Covey.
Depois, num capítulo intitulado "Na Contramão do Bom Senso", a dupla caçadora de bruxos resume suas impressões sobre o trabalho de Covey:

As seis primeiras palavras de "Os 7 Hábitos..." são: 'Aos meus colegas, no poder e a caminho dele'. O pior ainda está por vir. O primeiro dos sete hábitos de Covey é 'seja proativo'; o sexto é 'estabeleça sinergias'. (Em uma conversa com Covey, 'sinergia' disputa com 'mudança de paradigma' o lugar de expressão favorita.)

Esse é um território perturbador. Como respeitar um indivíduo que reconta a fábula de Esopo sobre a gansa que põe um ovo de ouro como 'o equilíbrio produção / capacidade de produção'? Pode-se realmente levar a sério um indivíduo que alega, com toda seriedade, ter identificado 'o sistema de valor universal de toda a humanidade'?
Bom, como os próprios autores reconhecem, Covey foi competente na administração de seu próprio negócio. Começou com 2 funcionários. Dez anos depois, tinha mais de 700 e faturava mais de US$ 100 milhões. Levou suas 'preces' até para as equipes de Bill Clinton e Tony Blair. Vivemos realmente num mundo de 'ansiosos'.

.:.

Só pra variar, este post tomou um rumo diferente depois que comecei a escrevê-lo. Queria mesmo falar sobre hábitos de pessoas eficazes. Dois hábitos que, tenho observado, andam raros. Hábitos que fazem toda a diferença nos dias de hoje, ainda mais em tempos bicudos. Talvez sejam tão óbvios como os 7 (8!) do Covey, mas prometo despi-los de qualquer toque 'psicoterápico new-age motivacional banban'. Vamos lá:
  1. Ler! Muita gente, mas muita gente mesmo, não tem o hábito de ler. Como é possível que um trabalhador do conhecimento sobreviva sem o hábito de ler?
    Não falo de ler bullshitagens em blogs bobinhos como este; nem artigos na Internet e zilhões de mensagens de email, por favor! Tô falando de leitura de verdade: ler livros, revistas especializadas (e não superficiais), jornais...
    Por mais 'verba' que tenha para gastar com treinamentos e afins, você não pode abrir mão do aprendizado via leitura. Ninguém pode!

  2. Colaborar e Participar! Muita gente adora escrever hieroglifos pós-modernos em orkuts e afins - aquela linguagem criptografada que também infesta IM's (MSN e afins). Mas pouquíssima gente participa em fóruns e grupos de discussão. Preferem ler, observar. Mas raramente participam. O que explica tal timidez?
    Desconfio que muitos se censuram porque têm medo de escrever errado. E uma coisa caracteriza todo mundo que escreve mal: lê pouco!
    (Por favor, eu sei que escrevo mal pracas! Sou viciado em vírgulas desnecessárias; cometo vários erros de concordância e tals. Leio pouco também. Bem menos do que gostaria. Mas me esforço).

Em tempos de consumidores-produtores (prosumers), os dois hábitos acima são fundamentais. Trabalhador do conhecimento que os ignora é trabalhador de segunda categoria. Em tempos bicudos, são os primeiros que dançam.

6 responses to "Hábitos de Pessoas Eficazes"

  1. Direito de resposta:

    Paulo, meu blog recebe tantos SPAMS que desisti de olhar a lista enorme que chega todos os dias. Agora que vi alguns comentários seus, e de outros internautas sobre o blog. Na boa, não esperava participação de outras pessoas, estou muito feliz, vou ler a dita todos os dias agora. Tem até uma de um profissional pedindo informações sobre análise de negócios que eu não havia visto.

    Seus comentários foram aprovados!

    Aqui está o post com o comentário.


    Sobre o livro, é muito bom sim. Ele tem alguns paralogismos, mas os conceitos de pró-ação (da qual ele não requisita a autoria) e dos círculos da preocupação versus o círculo da influência estão me ajudando muito.

    Como disse no meu post: "Não leia um resumo, não faça o curso, LEIA O LIVRO, se você não entender ou não gostar da idéia do primeiro hábito, pode desistir e continuar na mesma, não tem problema, agora, se o primeiro hábito cativar você como me cativou, siga em frente que vale a pena."


    Sobre os dois hábitos, concordo plenamente! E concordo fazendo, eu leio e participo!

    Se você não lê, não sai da caixinha, fica no mundo das idéias fáceis e de segunda mão.
    As idéias que estão na TV ou nos blogs mesmo quando são bem intencionadas não trazem todo aprofundamento e reflexão trazidas por 200 ou mais páginas de raciocínio estruturado.

    Kerber

  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    neideroberta

  3. Uai Neide, não entendi.

    Acabei de ler seu comentário, muito bom e fundamentado, e quando chego aqui para respondê-lo... cadê ele? Por que você o deletou?

    Abraços,

    Paulo

    ps: Claro, não vou cometer a falta de educação de pegar meu 'backup' e restaurá-lo aqui. Respeito sua vontade. Mas reforço que sua opinião enriqueceria demais o debate aqui.

    Paulo Vasconcellos

  4. Desculpe, Paulo! Mas eu tinha entrado pela conta errada. Segue comentário!

    Olá, Paulo! Tudo bem? Concordo com a superficialidade da maioria dos livros de auto-ajuda e também não gosto desse tipo de literatura. Entretanto, há que se perceber que eles têm sua utilidade. Um grande número de pessoas que, como você mesmo cita, não têm o hábito da leitura, ou aquelas que não tem paciência para ler um bom livro técnico, conseguem ler e entender algo que trate de coisas simples, da sua vida, com palavras e pensamentos igualmente descomplicados, um escrito que as faça se sentir melhor e especiais. É o mesmo mecanismo da religião, que embora não seja o meu forte, tem meu reconhecimento quanto a sua utilidade social.
    O que venho fazer, em realidade, é uma ressalva quanto à grandiosidade de “os bruxos da administração”. Respeito a sua opinião, contudo acredito que esse livro, assim como a avaliação dos autores para a teoria da administração, é imaturo. Ainda que tenha muita informação útil em relação às práticas das empresas de consultoria e dos gurus para enriquecer e quanto a falta de consistência de algumas dessas supostas teorias que pairam nos tempos atuais, existe uma confusão com o que é a Administração como ciência e o que são algumas das produções contemporâneas dessa área.
    Além de apresentarem contradições (que eles tanto apontaram dos escritores dos quais falaram), os autores carregaram o texto com inúmeras expressões entre aspas e com os preconceitos individuais a cerca de pessoas que não só conseguiram destaque profissionalmente como financeiramente - realizando uma correlação de seu despeito por eles com a ciência que eles dizem praticar.
    John e Adrian também colocaram, ali, a sua dificuldade de compreensão da Teoria Geral da Administração. E com sua boa escrita jornalística, determinaram que a Administração, em realidade, não é ciência (contrariando os estudiosos, os acadêmicos e, enfim, toda a comunidade científica da humanidade que aceitou a cientificidade da Administração), mas sim arte.
    Sobre criticar teorias infundadas, concordo. Sobre mostrar a realidade das consultorias e até mesmo de alguns teóricos oportunistas, concordo. Quanto a generalizar (na maioria das passagens) a situação desses, para toda a história da administração e reduzir a importância dessa ciência, bem como de suas teorias, é absurdo. Primeiro porque sua competência acadêmica não os qualifica para isso, já que não são nem sequer mestres em administração e não tem o entendimento completo do que se configura o aprendizado administrativo científico. Segundo porque assim como falam dos que “armam” para ganhar dinheiro através dos livros, eles também anunciaram um título voltado para administração, que poderia atrair muitos distraídos que estivessem procurando livros a cerca de teorias, e acaba não apresentando nada de especial, ou seja, fala sobre outras pessoas, sobre outras teorias, mas não agrega a ponto de merecer ser comprado, principalmente porque os argumentos que utilizam, em muitas partes do texto para desmerecer os autores de antigas teorias, poderiam ser facilmente aplicados em outras áreas científicas (acho que eles aprenderam com os futurólogos...rss). E por último, porque, embora critique autores de auto-ajuda, ele não passa de um livro de auto-ajuda, já que, assim como eles mesmos falam, o livro serve, entre outros públicos, àqueles que não compreenderam porque suas empresas implantaram tal prática, ou aqueles que não conseguiam entender as besteiras das teorias da administração e sentiam-se ansiosos, e blá, blá, blá.
    Se nos unirmos a essa vertente, algum dia estaremos queimando livros em praça pública ou fazendo renascer a inquisição! Por isso, viva a liberdade de expressão!
    Beijos e uma ótima semana!

    neideroberta

  5. Desculpa a atrapalhação,não sei bem como funciona esse site, mas entro com a minha conta e sempre sai a de minha mãe. Mas tudo bem! Outro abraço,rss, Iole!

    neideroberta

  6. Ah, Neide, que alívio. E não se preocupe com a confusão... n

    Concordo em parte com sua avaliação sobre "Os Bruxos...". Mas, olha só, eu acho que 97,5% dos livros sobre administração podem ser considerados imaturos - no sentido destacado por ti.

    Administração, Economia, TI... todas são consideradas ciências exatas. São? Não se considerarmos a exatidão de um 2+2=4. São ciências? Sem dúvidas. Mas ciências extremamente dependentes de uma porção humana, de um lado que, de tão subjetivo, é confundido com arte.

    Confesso uma forte tendência pela polarização. Se de um lado estava "7 Hábitos...", optei pelo seu oposto, "Os Bruxos...". E nesse sentido mantenho minha recomendação.

    Ciente de que bons leitores, como você, são céticos por natureza. Desconfiados e questionadores. Só assim nossas leituras são realmente úteis, não?

    Beijos e ótima semana para ti também.

    Paulo

    Paulo Vasconcellos

Leave a Reply