Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Rendiconti é "prestação de contas" em italiano. Era também como se chamava o periódico criado por Giovan Battista Guccia para divulgar estudos matemáticos elaborados pelo Círculo Matemático de Palermo. A revista Rendiconti foi o primeiro repositório 'open source' do mundo da informática/matemática. Mas isso é outro assunto*. Vou usar o nome aqui para fazer a primeira prestação de contas do Graffiti. Em janeiro de 2005 publiquei uma série de 'previsões' para o biênio 2005-2006. Tá na hora de validar meus chutes.


1. Conservadorismo dos Investimentos em TI
Ainda não tenho os números, mas com certeza os investimentos em TI cresceram mais que o PIB. Eu falava de 10% ao ano (apostando em um crescimento de 5% PIB). Se ficou em metade disso, 5%, tá de bom tamanho. A questão não era o volume mas o perfil, que eu chamei de "feijão com arroz". Vimos alguma coisa inovadora saindo dos departamentos de TI de Pindorama? Pois é. Mas essa é fácil demais. Nem vou contar pontos.

2. Maturidade do Mercado
Falei que o mercado de prestadores de serviços de TI permaneceria praticamente inalterado. Apesar das imensas oportunidades e dos incontáveis boatos, foi o que aconteceu. Não sei se alguém explica porque demora tanto uma onda de "fusões & aquisições" que dê uma sacudida no mercado. Também não se sabe porque as 'gringas' optam por começar do zero quando chegam por aqui. Nossa área adora mistérios.
Mas foi neste ponto das 'previsões' que cometi um grande engano, o que me deixou muito feliz. Falei que em 2005 apenas 10 empresas atingiriam o nível 2 do CMMI. Bom, só na ISD aparecem 40 empresas nesse nível. Falei também em 2 empresas no nível 3. São mais de 12! Resta torcer para que todas recuperem os investimentos.

3. Exportação de Software
Falei que não atingiríamos 20% da meta colocada pelo Governo Federal, que era de US$ 2 bi. Ficamos em US$ 350 milhões. Mas essa também era fácil. Todo mundo sabia, menos o Governo e nossa 'prensa' especializada. 'Prensa' que insiste que a culpa é só da carga tributária e da legislação trabalhista. Assim, seguiremos insignificantes no mercado mundial de software. Gente, o que falta é PRODUTO (criatividade e inovação). E não me venham com urnas, por favor!

4. SOA (Service-Oriented Architecture)
Outra fácil: só falei que SOA não pegaria, dentre otras cositas. Mas ainda vai pegar...

5. SaaS (Software as a Service)
Disse em jan/05 que não veríamos nenhuma oferta consistente de software vendido como serviço. Fica implícito no texto que eu me referia à uma oferta genuinamente tupiniquim. Agora, no finalzinho de 2006, pintou por aqui a Salesforce. De certa forma mostrando que meu temor era verdadeiro.

6. Especialização
O mercado tá um cadinho mais exigente quando falamos de contratações, mas segue com aberrações do tipo "Analista Programador que domine Java, SOA, MDA, UML, Delphi, VB, ASP, HTML, Photoshop...". Ok, exagerei. Mas o mercado segue contratando mal. Outra fácil de se prever. Afinal, o turn-over no RH é menor que aquele das áreas técnicas...

7. Open Source X Microsoft
Hmmm, falei na MS perdendo 15% do mercado de desktops. Apostava mais na Apple do que no Linux. Errei feio: o market-share não deve ter movido um único ponto percentual. Resta ver o tamanho do estrago do Vista nos próximos anos.

8. Colcha de Retalhos
Confunde com a "previsão" #4, acima. Na verdade, mais um chororô do que uma "previsão" de verdade.

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Aliás, a lista completa é mais uma "wishlist" temperada com ceticismo do que um conjunto de previsões. Por isso acertei mais do que errei. Querendo justamente o contrário: queria que a lista provocasse. Hehe, bobinho.

Bobo mas teimoso. Tanto que ainda nesta semana publico minhas "previsões" para o biênio 2007-2008.

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* Conheci o Círculo Matemático de Palermo em duas obras de Domenico de Masi: "A Emoção e a Regra" (que trás inclusive alguns fac-símiles das edições das Rendiconti) e "Criatividade e Grupos Criativos". Já recomendei tanto a leitura de ambos que nem preciso repetir. Falta a cambada que quer exportar software entender que "o criativo cria a si mesmo".

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