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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
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A matéria de capa da InfoCorporate do mês passado (set/04) trata do "Fim da TI como a conhecemos". E pergunta: "Como fica o CIO?"

Antes da tal matéria vc se depara com Nicholas Carr: "É o fim dos executivos de TI?". Coitado, a exemplo do Michael Hammer no início dos anos 90, Carr tá condenado a passar a próxima década justificando sua tese. Ciente de que o barulho (e a consequente fama) é fruto de uma má compreensão (má expressão?) de seu artigo prá HBR, agora ele tem que segurar a peteca. Pelo menos ele tem muito apoio. Um deles da própria InfoCorporate, que precisa justificar sua (do Carr) contratação. Pois veja bem:

A matéria de capa, extensa, chama-se "Tempestade à Vista". Alerta no início que não se trata de "apocalipse, catastrofismo". Incoerente? Muito. Ainda na página de abertura lê-se "Prepare-se, CIO, para se reinventar". Bullshitagem...

Eduardo Vieira, autor da matéria, baseou-se em estudos recentes da McKinsey e do Gartner. As previsões:

1. O depto de TI como o conhecemos deixará de existir;
2. Infraestrutura de TI é commodity;
3. TI deixa de ser área de suporte aos usuários;
4. Não há mais espaço para profissional eminentemente técnico; e
5. Ou o CIO torna-se um "executivo de processos de negócios" ou segue gerenciando ativos de TI, tornando-se, assim, um ser em extinção.

Hehe. Catastrofismo pouco é bobagem. Mas estranho mesmo é ler a matéria e todos os depoimentos coletados (Unilever, Itaú, Aventis, VR, Petrobras) e não encontrar praticamente nada que ampare tamanho alarmismo (e boa parte das "descobertas" acima. Executivo de processos de negócio? Fala sério!). Muito menos o texto apresenta algo que sustente a tese do Carr. Mesmo assim, o Eduardo encerrou o artigo dizendo "Cá entre nós: não é que o Nicholas Carr estava certo?"

Todos os cases descritos (pelos próprios 'donos') mostram apenas 2 fatos:

I - TI se desloca para as áreas de negócio, particularmente aquelas tidas como estratégicas. Prá que? Num movimento claro de busca desesperada de "alinhamento estratégico". A "verticalização" pode assumir formas um pouco distintas. Mas se trata de um novo movimento de descentralização da TI. Versão 2.0 duma história mal escrita. Principal razão? A baixa responsividade de TI. O "desalinhamento estratégico". Só isso...

II - Infra de TI é commodity. É mantida centralizada ou, preferencialmente, na mão de terceiros especialistas. T'aqui o único ponto de concordância com o Carr. Convenhamos, não é nada de novo. Infra de TI só não ganhou tal "rótulo" antes pq vivemos 2 décadas de gastança desenfreada (ou, prá ficar mais bonitinho: exuberância irracional). Agora q tá todo mundo vendo que deste mato (infra de TI) não sai mais coelho, joga um rótulo diferente lá e tenta vender "serviço"... hehe. Cruel mas é só isso tb.

Se "IT doesn't matter", pq tanta gente brigando por ela? Pq ela tá se deslocando pros "fazedores de dinheiro/diferença" e tem tanto alarmismo e chororô na própria matéria?

2 responses to "Guia de Sobrevivência"

  1. Mestre Paulo,

    Sei que você não concordará comigo, mas esses caras (o Carr, o Eduardo e afins) estão ganhando dinheiro, não para realatar realidades, mas para constatar o óbvio com um enfoque apocalíptico.

    Longe de concordar com o tom "catastrófico" deles - isto só aumenta o valor $$$ das palestras do Carr. O fato é que a TI como um "TODO": nasce, cresce, morre e se recompõe. Ou melhor: é vantagem, é condição necessária, vira commodity e, por fim, é relançado ou reinventado.

    Assim os componentes de TI (CIOs, CTOs, DBAs, técnicos, infra, processos, negócios e etc) sempre estarão no processo cíclico de suas existências.

    É assim na natureza, não é?

    Ronan Barrufini Cunali

  2. Mestre Ronan,

    concordo em parte contigo. Com a parte $$.

    Não concordo com "é assim a natureza". A natureza evolui! TI repete erros... Vide meu post sobre "BPM"...

    Paulo Vasconcellos

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