Ele atende pelo nome de Alexandre Cruz e é presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade. Para nossa tristeza (de todos que gostariam de ver um combate inteligente contra a pirataria e ilegalidade), o Sr Alexandre se provou um tipo de DRM. Um tipo de carne e osso. Um Digital Rights Manager. Que, como na versão software, só sabe dar tiro no pé. E quantos tiros!
Não gosto muito do papo do Jô Soares, mas no tema pirataria ele deu show. Algo como: "Você não acha que software custa caro demais?". Sr Alexandre "DRM" Cruz sempre dizia: "Sim, mas..." Jô repetiu a pergunta (no programa de ontem, 01/out) umas três vezes. "Sim, mas..."
"Mas" o que, cara pálida?
Coitado, o "DRM" Cruz carregou uma cruz que não é dele. E foi bombardeado.
Jô: "Aqueles avisos que aparecem antes do filme, em DVD's, falam em cadeia. O pior é que a gente não consegue nem avançar.. pular aqueles avisos..."
Cruz: "Sim, mas...". Aí ele caiu na besteira de lembrar que existe uma coisa chamada "fair use". Lembrou que a gente pode, SIM, copiar um DVD nosso. Para fins de backup. Lógico que o Jô lembrou que nada disso vem escrito naqueles maravilhosos e irritantes dizeres que abrem todos os DVD's e aparecem assinados pelo FBI. "Sim, mas..."
Ainda no tópico DVD's, Jô aproveitou para dizer que as propagandas anti-pirataria são uma idiotice. Não usou a palavra, mas disse isso. Comparando copiadores com ladrões de carros.. A pior é daquele molequinho que colou na prova e disse que era "pirata". Campanha emburrecedora, nada esclarecedora e inútil.
Mas o Sr Cruz insistia em dizer que o problema da pirataria é uma questão de "desconhecimento". Concordo. Mas não do público. O público sabe o que é pirataria e conhece os "contras". Trata-se de desconhecimento (ou "teimosia burra" mesmo) da indústria. É o preço, cara pálida! É o preço!!
Cruz "DRM" confessou não saber nada sobre software e puxou o papo para outro lado. Falou dos riscos dos brinquedos chineses!??! Céus! Será que ele falou que Mattel, Estrela e afins são piratas?
Enrolado em sua falta de informação, restou ao "DRM" Cruz criticar a "carga tributária".
Ou seja, no final da história, pirataria é 100% culpa dos outros. De quem compra. Quem produz. Quem governa. As empresas de produtos "oficiais", como deusas intocáveis, não têm culpa nenhuma.
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A entrevista anterior foi com José Padilha, diretor do "popular" e "polêmico" "
Tropa de Elite". Saca só esse link aí para a Wikipedia. Lá consta que o filme foi lançado no dia 24/ago. Padilha disse que o lançamento nacional acontecerá no próximo dia 12/out! Padilha também disse que estima que cerca de 3 milhões de cariocas já viram o filme. Inclusive em "cinemas piratas" e na GatoNet. Ou seja, o filme já passou até na televisão!!
É um caso diferente de pirataria. Alguém roubou uma cópia intermediária do filme. Como naquelas gravações "oficiais" da polícia carioca, há muita "curiosidade" em torno do tema. Daí o barulho todo. Padilha tem medo de perder público? Que bobeira... um filme nunca teve tanta divulgação gratuita. Só não vai no cinema quem não pode pagar R$ 15 pelo ingresso. O cara não vai deixar de ir só porque viu uma cópia mal feita de uma montagem intermediária.
Se o Padilha fosse um diretor moderno como o Steven Sorderbergh, por exemplo, ele lançaria simultaneamente um DVD duplo recheado de extras. Não no dia 12/out, mas logo após o "roubo". Coitado do Padilha. É o tipo de decisão que não depende dele. Depende daquelas grandes empresas que não entendem nada de público. De freguês.
Engraçado: ontem mesmo, um pouco antes do Jô, no Jornal da Globo, a Pelajo mostrou (com uma dose de espanto) o lançamento do novo disco do
Radiohead: modelo parecido com o de um restaurante daqui de Minas: você paga o quanto acha que o produto/serviço merece. Se achar que não vale nada, pode baixar as músicas de graça.
"Cruz Credo", né Cruz? Quanta gente desinformada, não acha?