Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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eCommerce

03 outubro 2007

Em três anos e meio de Graffiti, acho que é a primeira vez que uso o termo eCommerce. Será que sua sensação é a mesma que tive? O termo envelheceu: decrepitude acelerada. Resultado de seu uso abusivo. Ficou gasto.

No meio daquele 'boom' eu mergulhava em referências. Ainda guardo aqui algumas relíquias como "Clientes.com", da Patricia Seybold, "Loyalty.com", de Frederick Newell e "Cyber Rules", do Tom Siebel. Fora uma série de artigos sobre "a nova era dos negócios". Tudo envelheceu. Tudo menos o "Cluetrain Manifesto".


Acabei de dar uma olhada em "Fast Forward", uma compilação de artigos que tem a intenção de ensinar como lidar com as "constantes mudanças". A publicação começa lembrando que já temos mais de uma década de "Internet comercial". É voltado para design, da forma mais ampla possível. Então discute hábitos de consumo, tecnologia, consumidores-produtores de conteúdo e um tanto de etc.

Cumprirá sua promessa (de nos ensinar a lidar com as mudanças)? O tempo dirá. É mais fácil ele figurar, daqui uns 5 anos, no meio daquela listinha de livros que citei ali em cima. De qualquer maneira, é leitura obrigatória para todos interessados na Web, marketing, consumo e lucros.

Surrupiei o gráfico acima por causa da provocação: quando pesquisando um produto, quem te influencia mais? Saca só o gráfico! Dá pra fazer uma tese só com ele: experts (21%), iguais (55%).

E o Estadão (expert pra c******) jogando ovos e tomates.. hehe.

Ele atende pelo nome de Alexandre Cruz e é presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade. Para nossa tristeza (de todos que gostariam de ver um combate inteligente contra a pirataria e ilegalidade), o Sr Alexandre se provou um tipo de DRM. Um tipo de carne e osso. Um Digital Rights Manager. Que, como na versão software, só sabe dar tiro no pé. E quantos tiros!

Não gosto muito do papo do Jô Soares, mas no tema pirataria ele deu show. Algo como: "Você não acha que software custa caro demais?". Sr Alexandre "DRM" Cruz sempre dizia: "Sim, mas..." Jô repetiu a pergunta (no programa de ontem, 01/out) umas três vezes. "Sim, mas..."

"Mas" o que, cara pálida?

Coitado, o "DRM" Cruz carregou uma cruz que não é dele. E foi bombardeado.

Jô: "Aqueles avisos que aparecem antes do filme, em DVD's, falam em cadeia. O pior é que a gente não consegue nem avançar.. pular aqueles avisos..."

Cruz: "Sim, mas...". Aí ele caiu na besteira de lembrar que existe uma coisa chamada "fair use". Lembrou que a gente pode, SIM, copiar um DVD nosso. Para fins de backup. Lógico que o Jô lembrou que nada disso vem escrito naqueles maravilhosos e irritantes dizeres que abrem todos os DVD's e aparecem assinados pelo FBI. "Sim, mas..."

Ainda no tópico DVD's, Jô aproveitou para dizer que as propagandas anti-pirataria são uma idiotice. Não usou a palavra, mas disse isso. Comparando copiadores com ladrões de carros.. A pior é daquele molequinho que colou na prova e disse que era "pirata". Campanha emburrecedora, nada esclarecedora e inútil.

Mas o Sr Cruz insistia em dizer que o problema da pirataria é uma questão de "desconhecimento". Concordo. Mas não do público. O público sabe o que é pirataria e conhece os "contras". Trata-se de desconhecimento (ou "teimosia burra" mesmo) da indústria. É o preço, cara pálida! É o preço!!

Cruz "DRM" confessou não saber nada sobre software e puxou o papo para outro lado. Falou dos riscos dos brinquedos chineses!??! Céus! Será que ele falou que Mattel, Estrela e afins são piratas?

Enrolado em sua falta de informação, restou ao "DRM" Cruz criticar a "carga tributária".

Ou seja, no final da história, pirataria é 100% culpa dos outros. De quem compra. Quem produz. Quem governa. As empresas de produtos "oficiais", como deusas intocáveis, não têm culpa nenhuma.

.:.

A entrevista anterior foi com José Padilha, diretor do "popular" e "polêmico" "Tropa de Elite". Saca só esse link aí para a Wikipedia. Lá consta que o filme foi lançado no dia 24/ago. Padilha disse que o lançamento nacional acontecerá no próximo dia 12/out! Padilha também disse que estima que cerca de 3 milhões de cariocas já viram o filme. Inclusive em "cinemas piratas" e na GatoNet. Ou seja, o filme já passou até na televisão!!

É um caso diferente de pirataria. Alguém roubou uma cópia intermediária do filme. Como naquelas gravações "oficiais" da polícia carioca, há muita "curiosidade" em torno do tema. Daí o barulho todo. Padilha tem medo de perder público? Que bobeira... um filme nunca teve tanta divulgação gratuita. Só não vai no cinema quem não pode pagar R$ 15 pelo ingresso. O cara não vai deixar de ir só porque viu uma cópia mal feita de uma montagem intermediária.

Se o Padilha fosse um diretor moderno como o Steven Sorderbergh, por exemplo, ele lançaria simultaneamente um DVD duplo recheado de extras. Não no dia 12/out, mas logo após o "roubo". Coitado do Padilha. É o tipo de decisão que não depende dele. Depende daquelas grandes empresas que não entendem nada de público. De freguês.

Engraçado: ontem mesmo, um pouco antes do Jô, no Jornal da Globo, a Pelajo mostrou (com uma dose de espanto) o lançamento do novo disco do Radiohead: modelo parecido com o de um restaurante daqui de Minas: você paga o quanto acha que o produto/serviço merece. Se achar que não vale nada, pode baixar as músicas de graça.

"Cruz Credo", né Cruz? Quanta gente desinformada, não acha?

graffiare #442

01 outubro 2007

"How many billions has the industry spent on DRM schemes that the bad guys break in weeks? How many perfectly legitimate users has the industry annoyed and driven away? How many lost DVD sales has it caused? How many lost sales of Microsoft's Media Center software and Windows Vista has it caused because the DRM subsystem randomly decides that you must be a criminal?"

- Jesper Johansson (ex-funcionário da MS)

Uma cara tá bem documentada no Flashback do mês. Desatualizada? Então saca só um trecho de um anúncio de um evento tupiniquim sobre SOA:

Em um mercado feito de buzzwords, a palavra da vez é SOA. Nos últimos anos, a popularidade da arquitetura orientada a serviços cresceu dramaticamente e as taxas de adoção também vêm aumentando significativamente. Localização geográfica, porte ou segmento de atuação não interferem, todos querem SOA.


Os negritos não são meus!

A cara tupiniquim tá com uns 2 anos de atraso. Cágados míopes e mancos? Pode ser. Resta torcer para que não repitam o caminho que o Zapthink acaba de comentar em "Who's Killing SOA?". Saca só o trechinho sobre CIO's:

You'd think that every CIO would be all over SOA. After all SOA can reduce integration cost, increase business visibility and agility, increase asset reuse, and ease regulatory compliance. What's not to love? For any organization that faces any or all of these problems, SOA is a no-brainer. And yet, the CIO is rarely the SOA champion for the IT organization.

The reasons for this lack of insight are many and varied. Many CIOs are nontechnical, and as a result don't understand, and often fear, architecture of any kind. Others are so driven by quarterly results that a long-term, iterative initiative like enterprise SOA is out of the question. Still others insist on project-based IT funding to meet the needs of individual lines of business, a funding mechanism virtually guaranteed to slow down any initiative that seeks to reuse assets across the IT organization the way that SOA encourages.

Fortunately, you can recognize clueful CIOs because they understand the business value SOA can provide, they are willing to fund initial SOA iterations, and as the IT organization delivers value with those early projects, the CIO authorizes more of the same. Unfortunately, however, such executives are few and far between.



Enquanto a outra cara falou que "não há espaço para profissional (CIO) eminentemente técnico", saca só o trecho com negrito (meu).

Da série Flashback (ou "Graffiti - Ano III").

Esse negócio de previsões, particularmente no mundo de TI, é muito bom. Principalmente pq parece que ninguém cobra suas realizações. Então tem empresa aí que vive de "chutes". Renova-os diariamente, sem que ninguém se preocupe em validar a "pontaria".

Em outubro de 2004, no Gartner Symposium, disseram que SOA atingiria "massa crítica" em 2007. Meu comentário só teve uma palavrinha: "Exagero". Mas eu juro que não esperava ter que usar o binômio "cágado míope" para criticar a lenta adoção daquela proposta.

Na mesma época a InfoCorporate falou sobre BI e BPM. Em sua tradicional linha "jabá-quase-sem-querer" ou "engana-que-cio-gosta":

"O amadurecimento do BI e a chegada do BPM vão se tornar a mais nova aposta do mercado para conseguir justificar os investimentos em TI e fazer a tecnologia, finalmente, falar a língua dos negócios. Não é exagero dizer que o BI e o BPM devem se transformar quase em redentores dos CIO's, uma vez que prometem aumentar a performance operacional enquanto maximizam o valor dos sistemas já existentes nas empresas."

Saca só o trechinho em itálico. Ainda hoje, 3 anos depois, não consigo segurar a gargalhada. Redentores de CIO's?!? É o fim. Ou melhor, deveria ser.

Mas, como coerência e pontaria são raríssimas em nossa área, também em outubro de 2004 rolou o seguinte papo (na mesma InfoCorporate*):

  1. O depto de TI como o conhecemos deixará de existir;
  2. Infraestrutura de TI é commodity;
  3. TI deixa de ser área de suporte aos usuários;
  4. Não há mais espaço para profissional eminentemente técnico; e
  5. Ou o CIO torna-se um "executivo de processos de negócios" ou segue gerenciando ativos de TI, tornando-se, assim, um ser em extinção.
1.095 dias depois, o que mudou?

.:.

* Uma coisa mudou: parei de ler a InfoCorporate...