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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

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(Virando um) Urtigão

02 setembro 2008

Urtigão ou neo-neo-ludita... qualquer coisa do tipo. Não conheces o Urtigão, meu caro? Na América do Bush ele é conhecido como Hard Haid Moe. Um tipinho ultra-reacionário que detesta tudo que esteja fora de sua rocinha. Lembra também o Unabomber, mas é mais simpático e menos belicoso. Pois é, ultimamente não sei se temo ou desejo me transformar num tipinho assim, que aqui nas Minas sem-pré-sal a gente chama de "bicho do mato".

A motivação pr'aquele desabafo de ontem não tem nada a ver com o resultado final. Ia lamentar meu último upgrade. Mas aí desatei a falar das teles e reparei que meu(s) problema(s) é(são) pititico(s). Mas vale(m) um chororô. Saca só:

A Motorola me obriga a utilizar o Windows Media! Sim, se eu quiser transferir algum sonzinho para meu celularzinho, só com o Windows Media Player 11. Na caixa esse 'detalhe' não aparece como pré-requisito - parece ser só uma 'feature'. Mas não: é pré-req!?!

Meu heróico modelo anterior, um V300, relacionava-se bem com o Kubuntu. Existe aqui um tal Moto4Lin que me permite fazer tudo com o aparelhinho. Confiei nesta informação (não formalizada por ninguém em lugar nenhum) na hora que optei por um novo Motorola. Nokia já estava fora da lista porque ela não esconde que usa e abusa de 'features' DRM. A Nokia é mais honesta que a Motorola.

Ok, esqueça o meu caso (break: temo que o Graffiti acabe se tornando um Procon-Apócrifo! haha).
Pense só na lógica!

A Motorola usa e abusa do Linux em seus aparelhinhos. Faz boa grana com eles. E um relativo bom serviço. Então o que explica o aprisionamento ao Windows Media? Eles pensaram nos clientes? Claro que não. Pensaram apenas em não desagradar os papas da grande mídia. E trancaram seus aparelhinhos no único media player que não desagrada estúdios e gravadoras: aquela coisinha da MS que perde feio para Amarok, WinAmp, iTunes, MonkeyqqCoisa e um monte de etc.

Só fiz o upgrade porque meu V300, em mais de 3 anos, deu o que tinha que dar. Mas ele me permitia o gerenciamento de contatos no micro. Transferência de fotos, personalização de toques etc etc. Com o upgrade eu andei pra trás... Aliás, como várias coisas no mundo TIC... Andamos pra trás! Porisso é que ando com uma vontade danada de virar um Urtigão. Criador de galinhas e plantador de ervas (medicinais).

O Céu das Teles é Aqui

01 setembro 2008

Nossa liberdade virou moda. Que todos os celulares sejam desbloqueados! Hoje, em alguns lugares (DDD's) de 7 estados, "estréia" a portabilidade de nossas identidades telefônicas. E a maioria das operadoras, com mantos samaritanos, prometeu a isenção da simbólica taxa de R$ 4 a que elas teriam direito a cada 'deserção'. As campanhas publicitárias de algumas teles não deixam dúvidas: elas já reservaram seu lugarzinho no céu. Santas, suas auras são imensas, inversamente proporcionais à aura de suas redes 3G.

Claro!, devem torcer para que o porteiro do céu, assim como os pobres mortais, não tenham o costume de ler as notinhas minúsculas dos rodapés de seus contratos. Rezam para que ninguém repare nas cláusulas de lock-in e na submissão cega da Anatel. Rogam aos céus para que nenhum representante ou juiz tenha a infeliz idéia de vincular o 'aprisionamento' à qualidade do serviço prestado. E, Oi!, seguem crentes de que a EXAME nunca considerará o número de reclamações no Procon na hora de selecionar as primeiras na fila para o céu, as 500 Melhores & Maiores.


Vivas ao Freguês, Vivo ou morto. Mas, uma vez aprisionado, resta-lhe o inferno dos telemarketings e das chamadas e mensagens não solicitadas. Tem Telefonica no inferno? Parcial... só um monte de orelhão a cartão com seus leitores devidamente danificados por chiclés de enxofre. Ah.. mas tem internet. Speedoza na Veloxidade d'um cágado com cãibras. E estável como um personagem feminino do Almodovar. Certa como uma declaração do Caetano. (Ou não). Oras.. nada que impeça o ingresso no paraíso. Afinal, em solo tupiniquim, internet não é serviço essencial. O senado tava muito preocupado em vigiá-la, não em torná-la essencial. O céu das teles é aqui.

Lá nos idos de 19/jul a Oi havia informado que o "trabalho de manutenção" duraria até o dia 31/jul. Entre a última sexta (1/ago) e o dia 6/ago a instabilidade de seu serviço Velox persistia. Na terça, 5/ago, boa parte de Varginha sofreu um apagão total que durou cerca de 3 horas. Não sei dizer qual a amplitude do problema. Mas nosso colega Antonio Fonseca, lá de Belém do Pará, já reportou problemas semelhantes.

Considerando a distância entre Belém e Vga. Considerando o nível do atendimento da Oi/Telemar. Podemos dizer que é quase um caso de calamidade pública, certo? Alguém liga? Sim... os telefones fixos ainda funcionam... Aliás, como já disse no meu chororô anterior, só a telefonia fixa é "protegida" pela nossa legislação. Sua indisponibilidade se torna, de fato, um caso de calamidade. Internet e telefonia móvel são tratados como 'luxo' - são supérfluos (para a nossa legislação).

Isso se reflete nas políticas de empresas como a Oi. Saca só: dada a irritante instabilidade do serviço, contatei-os para solicitar que o período em que o serviço não estava disponível seja abatido da próxima fatura. Fui informado que, como sou assinante do plano "Oi Conta Total", o serviço Velox é um "benefício"! Se entendi bem, eles disseram que é "de graça"? Que não caberia um desconto?!? Muito menos a obrigação de sua disponibilidade? Para encerrar o bolo, uma cereja: a atendente se recusou a informar o telefone da Anatel: "Liga 102".

E por falar em Anatel: aquela agência, que deveria nos proteger, foi desenhada com todas as proteções possíveis para as operadoras. Razão de minha conclusão: ao registrar uma reclamação, não nos é oferecido nenhum recurso para acompanhar o processo. Não merecemos uma mísera vírgula da comunicação que ocorre (ocorre?) entre Anatel e operadora. Só um número de protocolo que não serve para nada...
Outro presente da privataria dos nossos serviços de comunicação. Ê vida de gado...

Restam então dois alertas:

  1. Cuidado Paulistas: a Oi tá chegando por aí;
  2. Cuidado Brasil: a fusão da Oi com a Brasil Telecom só vai aumentar o vermelhão daquele mapinha ali em cima.

Desde ontem, quando minha conexão com a Internet simplesmente sumiu, destilo veneno elaborando este post. Se você é muito sensível ou anda muito satisfeito com sua prestadora de serviços de comunicações, poupe seu tempo.

Eu estava em São Paulo, mais precisamente em Pinda, quando aconteceu o "apagão" da Telefonica. Me afetou pouco já que, quando em trânsito, normalmente fico totalmente offline. Mas fiz questão de guardar todas as notícias publicadas sobre aquela imensa cagada da empresa espanhola. Esperava ter um tempinho para publicar meus comentários. O tempinho não apareceu até ontem, quando a Oi (Telemar) resolveu mostrar que é tão incompetente e pouco respeitosa quanto a Telefonica.

Não, (ainda) não aconteceu um "apagão" da Oi. Ou melhor: seu "apagão" se dá aos poucos - quase que seletivamente. Serei breve na cronologia dos fatos:

  • Na noite de sábado, quando retornei de Sampa, minha conexão se mostrou instável e relativamente lenta;
  • Na manhã de domingo não existia mais conexão;
  • A Oi oferece três números de telefone para atendimento. O 0800 do suporte nunca atende. Então você aprende que deve ligar para o 10331 e pedir a transferência.
  • Com um detalhe: peça para a moça aguardar que o pessoal de suporte atenda. Senão o suporte não atende e a ligação cai.
  • Em suma: são necessárias umas 7 ligações para você ser atendido de fato, e não por uma "simpática" atendente virtual;
  • Tentativa #1: desconecta os cabos;
  • Tentativa #2: idem, reinicia o computador;
  • Tentativa #3: idem, idem e enfim um porém: "senhor, acabo de verificar que há um trabalho de manutenção na sua região. Ele começou no dia 5/jun e a previsão de encerramento é para o dia 31 de julho".
  • Detalhe: cada tentativa significava uma nova ligação, um novo atendente.
  • Ao último atendente tentei explicar que na minha região, na minha rua (!), apenas eu estava sem conexão. A gráfica dos meus irmãos fica na mesma rua, 2 quadras de distância. E a conexão lá (aqui, onde sou obrigado a trabalhar hoje) estava perfeita. Meu mano caçula mora na outra direção, também na mesma região. Também com uma conexão sem problemas. Adiantava explicar isso para o atendente? Lógico que não.
  • Olha que legal: ele perdeu a paciência e desligou o telefone na minha cara! Só porque solicitei suporte no local (um atendimento que é pago, diga-se de passagem).
  • Liguei para a Anatel: ela só atende de 2ª a 6ª! Não é fantástico?
  • Segunda de manhã: nada de conexão. Litros de suco de maracujá foram consumidos para garantir que eu estaria calmíssimo no momento do primeiro contato com a Oi. Pedi que a 1ª atendente me "acompanhasse" até que o pessoal de suporte atendesse. Ela disse que este é o procedimento. Alguém deveria ensinar isso para os atendentes do domingo.
  • A doce Monique, ao contrário do cavalo dominical, foi super anteciosa. E prontamente abriu um chamado para atendimento in loco. Foi agendado para amanhã.
  • Mesmo assim não deixei de formalizar minha reclamação na Anatel. Protocolo 678781.2008. A Oi tem um prazo de 5 dias úteis para me atender...
Pois é... é tudo o que nós, consumidores, recebemos. Monopólios e "agências reguladoras". A privatização das teles nos deu isso tudo aí. [Vish.. q post mais chato. Tentarei ser mais "construtivo"].

Só aprendi depois do "apagão" da Telefonica que o provimento de serviços Internet não tem o mesmo "status" dos serviços telefônicos "tradicionais". Eles não são tratados como essenciais em nossa legislação. Por isso Telefonica, Oi e porcarias afins são tão relaxadas.

O infeliz mineiro senador da República, Sr Eduardo Azeredo, antes de se preocupar com o policiamento do uso da Internet, deveria garantir que tenhamos acesso. Senão daqui uns dias ele não terá quem vigiar! A cagada é do partido dele: é da época de Serjão e Mendonção, dois ministros das comunicações que não anteviram, em meados dos anos 90, que a Internet teria essa importância toda. Caro (e põe caro nisso!) Eduardo: serviços de conexão com a Internet devem ter o mesmíssimo "status" dos outros: sua indisponibilidade deve ser considerada uma "calamidade pública".

Aliás, será que alguém se lembra que a Internet foi inventada, há 4 décadas, exatamente para ser um serviço de comunicação sempre disponível - até no caso de uma hecatombe nuclear?

O que aconteceu em São Paulo, está acontecendo aqui em MG e vai acontecer em todo o Brasil: as teles estão vendendo mais do que conseguem entregar. Sua infra é capenga e eles estão sendo desonestos com todo mundo. É caso sim de abertura de processos judiciais. Oi, Telefonica e afins estão, literalmente, NOS ROUBANDO.

Não esperavam que se vendesse tanto micro no Brasil? Não esperavam tamanho crescimento? Ema ema... cada um com seus "pobrema".

O nosso é o seguinte: permitimos a criação de monopólios. Mansos como vaquinhas no pasto. Tá na recém-publicada "Melhores e Maiores" da EXAME: Telefonica e Oi faturaram US$ 12 bi em 2007. US$ 12 bi cada uma! O lucro líquido (ajustado) de cada uma foi de US$ 1,3 bi!! São as "maiores" de Pindorama na área de serviços. Sabe de onde vem cada centavo do lucro líquido delas? Da economia na prestação de serviços. Da péssima qualidade dos serviços prestados. Do terrível estado de seus sistemas de informação. Etc etc... Como já disse Seth Godin:

Monopólios trabalham para manter uma coisa que eles não teriam se a gente tivesse a chance de começar tudo de novo.

Bem, a gente não tem a chance de começar de novo. O estrago tá feito. E será bem mais feio se:
  1. Os interesseiros e outros eiros com muitas eiras e beiras permitirem a fusão da Oi com a BrT;
  2. Arthur Badin não for escolhido para a presidência do CADE (um cara que, tenho certeza, brigaria muito contra a fusão acima);
  3. A legislação não for alterada para garantir o mínimo do mínimo para os consumidores;
  4. Continuarmos mansos como vaquinhas no pasto.

.:.

Atualização: quem não chora não conecta, certo? Pois bem, no final da tarde de hoje minha conexão foi reestabelecida. Explicaram que se tratava de um "problema na central". Desconfio que a iniciativa foi motivada pela reclamação formalizada na Anatel. Não importa. E fiquei curioso: será que o sisteminha deles cancelará o atendimento in loco solicitado? Amanhã eu conto procês, hehe..

Mas a "solução" não me fará retirar uma vírgula do que escrevi acima. Pelo contrário, mal comecei minha saga contra Oi e afin$.

Atualização (22/jul): Bom, pelo menos o técnico não perdeu seu tempo vindo até aqui. Não sei se se tratava da mesma pessoa que ligou ontem, informando a misteriosa solução do enigmático problema.

E por falar em enigmas: não conta para a Oi não, mas minha conexão está apresentando o dobro da velocidade que apresentava antes do 'apagão'. Será que ganhei um upgrade? Ou eles estão criando condições de quebrar a ridícula norma que diz que eles só têm obrigação de me entregar 10% da banda nominal contratada?