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Boo Box: Caixa Aberta

24 outubro 2007

Sou fã do boo-box desde o dia em que conheci o projeto. Grafitteiros de longa data sabem que a entrevista com os dois criadores, Marco e Rafael, foi a única que pintou por aqui. E o Marco, vira e mexe (e pula), deixa umas pichações por aqui. Mas tenho que confessar: quando pintou a notícia de que eles haviam recebido um "aporte de capital", fiquei meio cabreiro.

Claro, a notícia é boa. Um projeto com os objetivos e ambições do boo-box carece de grana. Muita grana. Mas, por outro lado, eu sei o quanto um "sócio capitalista" pode ser nocivo para um projeto criativo. Conhecendo um pouquinho o perfil da dupla dinâmica, particularmente o Marco, temi por um choque cultural daqueles.

Mas eis que pinta a seguinte notícia: boo-box abre API para desenvolvedores. Caros, que alívio!

Há poucos dias, falando do Facebook e similares, eu disse que o primeiro tem uma grande vantagem por ser uma PLATAFORMA. Quero dizer, não é uma caixinha fechada (como o Orkut, por exemplo). Uma plataforma (um serviço Web que expõe serviços - ou API's, interfaces programáveis) é como um Lego. Você "ganha" várias peças. E pode combiná-las com uma liberdade incrível. Pra quê? Oras, para criar novos serviços, novos brinquedos. Hoje a gente chama isso de "mashups". Eu preferia que o termo fosse "remix". Mas não importa.

E agora aparece o boo-box oferecendo suas peças de Lego. Que coisa mais moderna para nossa travadinha Pindorama! Saca só: até Submarino e Americanas, meio antiguinhas, serão beneficiadas pela iniciativa da boo-box.

Aí pergutaram para o Marco que tipo de coisa (aplicação) ele espera que surja agora. Nasceu um graffiare:

Não pensei no que usuários podem fazer com a API. A massa de desenvolvedores é muito mais criativa que eu.


Acredito muito na criatividade dos programadores brasileiros. Em pouco tempo a gente deve testemunhar o nascimento de muita coisa jóia. Graças à caixa aberta do boo-box. Parabéns meus caros. Pela visão e pela realização.

Nos dias de hoje é assim: você pensa no problema e a solução aparece: A Google, com a Carnegie Mellon (!), tá trabalhando em um mashup de redes sociais. Cool. Mas Yahoo! (leia-se Flickr e Delicious), Facebook, MySpaces e outras vão detestar a idéia.

Claro, será o mesmo efeito dos portais e leitores de feeds: roubarão audiência direta. Ao surrupiar leitores a Google reduz o potencial de publicidade de todos os outros. Ainda é cedo - o projeto está em desenvolvimento - mas podemos esperar algum barulho por aí. O potencial de geração de negócios dessas redes não é nada desprezível.

.:.

Aliás, por falar em mashups, pouco antes de ler a matéria da Info eu estava viajando numa idéia maluca (e recorrente): mashup de blogs. Ok, eu sei que alguns leitores de feeds já possibilitam algo parecido. Mas eu imaginei algo maior e desenhado por editores, não por leitores.

Por exemplo, ando embasbacado com o Zumo. Blog profissional de cabo a rabo. A revisão que eles fizeram do Ubuntu 7.10 é nota 10. Isso sem falar na entrevista com Gerry Carr, o cara que cuida do marketing da Canonical. Foi aí que comecei a viajar. Falta ao Zumo um toque feminino. E o toque ideal poderia vir do Favoritos, da Luiza Voll. Joga ali também uma pitada de humor criativo como o da Jessica Hagy, do Indexed. Pronto: temos o núcleo de um blog-revista que deixaria muita publicação tupiniquim morrendo de inveja.

Mudando de público, dá pra montar também um excelente mashup sobre desenvolvimento de software, gerenciamento de projetos e afins. Eu colocaria o Fragmental, do Philip "Shoes", o José Papo WebLog e, claro, o meu finito. Faltaria aqui um cartunista canhoto* e, de novo, um toque feminino. Taí: nesta seara não conheço nenhum blog tupiniquim escrito por uma mulher. Cadê vocês?

Cada blog permaneceria independente, claro. O blog-revista pode ser montado de forma automática, utilizando vários recursos que já estão por aí (Y!Pipes não me sai da cabeça, apesar d'eu viver adiando seu uso). Por enquanto não pensei muito em grana. Mas sei que o modelo pode garantir as Originais dos finais de semana.

.:.

* E por falar em cartunista canhoto! Caramba, há 4 anos tenho uns personagens aqui só aguardando um desenhista. Personagens e roteiros. A área é rica: desenvolvimento de sistemas. Saca só:

  • Alfredo "Fredo" PittyCock: coordenador de projetos (bem) acima do peso e um tanto estressado. Adora uma cascata e montanhas de documentos. Detesta programadores que usam rabo-de-cavalo e ouvem Radiohead o dia todo. Detalhista e medroso. Tem piriri toda vez que um milestone "foge".
  • Ifidênio Elsébio: programador-júnior-estagiário que acabou de chegar do interior. Frase preferida: "E se...". Não acredita em especificações, duvida do cliente e dos analistas. Só acredita no Fredo. Por ser o único, virou seu braço direito.
  • Anna Listta: simpática, atraente (gostosona mesmo), loira e QI 185. Sente-se discriminada pelo resto da equipe. Na verdade ela não sabe que todos morrem de medo dela. Se não levasse tantas cantadas, o levantamento de requisitos seria mais eficiente.
  • Xistu Prudêncio: o menino do dedo vermelho - ninguém digita mais rápido que ele. Adivinha: tem rabo-de-cavalo e quando não tá com Radiohead no iPod, tá ouvindo Metallica. No último!
  • Marcus III: o dono da "TopDown Systems" e chefe da patota acima. Tem apelido de "Porta", mas não sabe disso. É o único autorizado a precificar propostas. Só não conta seu segredinho: tem uma balança de alta precisão para pesar RFP's: 100 gramas = projeto de 3 meses (R$ 40 mil).
  • Roger Rocket: no LinkedIn aparece que ele é o dono da "TopDown". Não é, mas ninguém sabe o que ele faz (fora puxar o saco do Marcus). É vendedor, coordenador, gerente de infra e organizador de happy hour. Lema preferido: "todo mundo tem seu preço". Ou seja: ele compra mais do que vende.
Céus... quanta bullshitagem para um post só. Explicação: tô adiando algo que não pode ser adiado...

Carroças, bois...

23 julho 2007

... e uma agradável e perigosa tendência.



Dion Hinchcliffe, da ZDNet, escreveu um artigo muito bom sobre mashup's em empresas. Ou, como ele sugere/pergunta, um novo "modelo para desenvolvimento de aplicações".

É muito jóia ver as massas tentando se liberar dos monolitos e planilhódromos. Mas saca só o gráfico acima: quantos usuários têm acesso aos web services, API's, códigos e widgets da própria empresa?

Alguém aí disse 1/2 dúzia? Hmm... otimista você, hem?