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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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graffiare #473

15 setembro 2009

The people who make desktop software are making themselves obsolete. When you start developing on the web, your default is to be smart, to interact and to be open (with other software and with your users). Desktop software (like Word) is insanely unaware of what I do, why I do it and who I do it with. Right now, the desktop folks have the momentum of the incumbent. Not for long. Time to hurry.

- Seth Godin, em "The End of Dumb Software"

graffiare #471

16 junho 2009

Estamos trabalhando em engenharia ou na indústria da moda?
Ivar Jacobson (no artigo "In need of a theory for software engineering")

O artigo é longo. Mas merece ser lido. Inclusive os comentários (que não são poucos). Num dos primeiros, Mr. Jacobson nos brinda com o seguinte:
Eclipse OPenUP has inspired by us introduced a precise practice concept. Problem is that this practice concept is designed to make process engineers happy, but not to make the developer community happy. It still has the flavor of old RUP. Although RUP includes many good ideas, it failed unfortunately dramatically in implementation.
...
I feel I have the right to critisize my own work. RUP was my baby so I have taken the responsibility to correct it in its basics.
É de chacoalhar bases... até porque nunca elas foram sólidas mesmo.

Nossa área é única no mau uso de boas idéias. CRM, SOA e BPM estão aí para mostrar que não minto (sozinho). O que dizer então quando adotamos péssimas idéias? A mais daninha-danosa delas atende pelo nada singelo pseudônimo de "Fábrica de Software".

A infelicidade já começa no nome: "Fábrica"? Um termo centenário, nos remete ao início da famigerada era industrial [1]. "De Software"?? A 'alma' das empresas (e de várias outras coisas, do refrigerador ao carro) do século XXI. Os dois termos são incompatíveis. Distantes no tempo, representam dois mundos muito diferentes. Quem teve a infeliz idéia de juntá-los?

Não importa. O que importa aqui é o tamanho do estrago que a triste idéia está causando. Nos últimos anos tive a chance de conhecer vários exemplos. Desde pequenas 'fábricas' no interior até mastodontes transnacionais em algumas capitais. Independente do porte ou localidade, quase todas compartilham duas coisinhas:

  • Clientes insatisfeitos; e
  • Processos quebrados.
Qual a razão da insatisfação dos clientes? Oras, a péssima qualidade dos serviços prestados pelas fábricas. E por que então os clientes não buscam outras alternativas? Alguns buscam... outras fábricas. E descobrem que o problema é generalizado. Que, no popular, estão 'num mato sem cachorro'. Em alguns casos ficam aprisionados na fábrica "menos pior". E sabe por que ela é menos pior? Porque contratou ex-funcionários de seus clientes, gente que manja um pouco daquele negócio e seus 'sistemas legados'.

O cliente merece o inferno que vive. Afinal, terceirizou a criação e manutenção de um de seus principais ativos - o Software. Ele não percebe que aquele tanto de código que ele 'embarca' em seus processos de negócio é puro conhecimento. É conhecimento destilado, fino, sensível e abrangente. É conhecimento sobre suas estratégias, regras e recursos. Enfim, este cliente não entendeu ainda que Software é um Ativo. Um ativo que deveria merecer, no mínimo, o mesmo tratamento dispensado aos ativos tangíveis (seus caminhões, servidores, grampeadores...). Pensando bem: tire o "no mínimo". Melhor, tire a comparação com ativos tangíveis. Software é um ativo que deveria ser tratado como a grana que o negócio guarda em caixa (1 e 2) e nas contas bancárias.

Obs.: Não estou dizendo que toda terceirização é ruim, pelamordedeus! Mas é preciso saber O que Não Terceirizar [2].

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E por que o processo das fábricas é quebrado? Oras, dá pra confiar no processo d'uma empresa que nem soube definir sua razão social? De uma empresa que achou chique entrar na moda das "fábricas"? Colocando d'outra maneira: é possível que exista uma Fábrica de Software?

Ficando no básico: fábricas, em seu conceito original, reutilizam peças e componentes. Está aqui um dos elementos fundamentais de uma fábrica. Nossas fábricas reutilizam alguma coisa? Oras... nem o CMMI nível 5 sabe o que é reuso! Mas o buraco é mais embaixo. Bem pra baixo...

As fábricas pressupõem a desumanização de um típico trabalhador do conhecimento. Traduzindo: esperam que os programadores não pensem, ou pensem o mínimo. Algumas, no íntimo, torcem para que chegue logo o dia em que os macaquinhos gerarão código em troca de bananas. Seriam mais úteis para seus clientes e para a sociedade se investissem grana na automação das partes repetitivas do trampo do desenvolvimento de software. Se pesquisassem e gerassem excelentes frameworks e geradores de código. Mas a maioria preferer pagar '3 mínimos' para um moleque de 18 anos realizar 3 CRUD's [3] por dia...

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As fábricas de software têm um irmão: os serviços de telemarketing. O supra-sumo da idiotice de um século que insiste em não acabar [1]. Com eles as empresas terceirizam alguns de seus processos primários mais vitais: o relacionamento com clientes. E terceirizam boa parte de seu cérebro para as fábricas. Talvez percebam o tamanho da imbecilidade no dia em que restar apenas o departamento financeiro... Será? Sei não...

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Notas:
  1. Leia qualquer livro do Domenico De Masi para entender pq a era industrial é famigerada (e pq o século XX demora pra acabar). Pode ser qualquer um mesmo... é que ele é meio repetitivo...
  2. Nome de um pequeno artigo publicado em "E-Business e Tecnologia", uma coletânea da HSM Management publicada em 2001 pela PubliFolha.
  3. CRUD (Create, Retrieve, Update, Delete), termo que utilizamos para identificar aquelas telinhas para manutenção em tabelas.

Como alguém já deve ter falado, se faz grana com tudo. Até com lixo. E lixo de código (aka Bugs). O Vulnerability Discovery and Analysis (VDA) Labs, que tem só 4 meses de vida, pode fazer fortuna com os bugs alheios. Mas seu modelo de negócios é do tipo que aqui em Pindorama o povão chamaria de FDP (ou algo parecido). Saca só:

Eles descobrem um bug e notificam o autor. Se o cara não pagar, eles oferecem para os concorrentes. Se o bug não deu ibope, os caras o tornam público. Simples assim...

Dada a qualidade de muito software, sites e gadgets que a gente vê por aí, não vou estranhar se os caras ficarem ricos rapidinho.

Sinceridade é isso aí

10 agosto 2007

Internal Error

Apologies, it seems something is horribly wrong with our code.

If you keep receiving this message, please send us a message with the offending URL.



Gosto do Del.icio.us por 'n' fatores. Um é a estabilidade. Tanto que, em uns 2 anos, é a primeira vez que vejo uma mensagem de erro deles. "Algo horrivelmente errado com nosso código!?!". Ah, se todos fossem assim tão abertos e sinceros. Lembra o "Mentiroso" do Jim Carrey? Então, se sinceridade máxima fosse norma, numa certa plataforma veríamos mensagens assim:

"Fatal Internal Error
Caraca véio! É a 17ª vez hoje, né? Pedimos desculpas. Acontece que nosso código é tão bugado que fica difícil segurar essa demanda teimosa. Tamo dando conta não de tanto crash. Faz o seguinte: dá um tempinho d'uns 30 dias pra gente. Te mandaremos um email informando a data do próximo Service Pack. Tks!

Btw, hoje é SEXta. Cai fora e diz pro chefão que a culpa é nossa!

Obs: se nosso site de metereologia estivesse funcionando eu até te diria se dava pra pegar uma prainha hj..."

Tempos Modernos

10 julho 2007



"Todos os dias, Morina liga seu computador às 8 horas da manhã e começa a digitar uma infinidade de linhas de código - uma seqüência de números e caracteres que para um leigo faz tanto sentido quanto grego. Como fios que costuram uma roupa, essas linhas indecifráveis, juntas, darão origem a um sistema coeso, como um internet banking, por exemplo. Dessa mesma maneira são feitos os programas que controlam as chamadas telefônicas das operadoras, administram a frota de uma companhia aérea ou organizam o fluxo de pedidos de uma siderúrgica. Sistemas são essenciais para companhias de todos esses setores, mas desenvolver linhas de código não é a atividade principal de nenhuma delas. À medida que as empresas terceirizam essa função, fornecedores especializados contratam mais e mais gente."

Assim começa a matéria da EXAME sobre 'Fábricas de Software'. Dá uma tristeza. Não dá vontade de comentar. Nem de perguntar o que acontecerá quando a automação chegar nas fábricas...

Mas juro que bateu uma vontade danada de fazer um remake do clássico do Chaplin.

Todo mundo que passa por aqui já deve estar sabendo que o Charles Simonyi, ex-desenvolvedor líder da MS, foi para o espaço. O cara é uma peça raríssima. Os itens eternamente destacados em seu currículo são o MS Word e o Excel. Grandes trabalhos. Mas agora ele deve ficar marcado como o programador-húngaro-milionário que pagou US$ 25 milhões para dar umas voltinhas na órbita terrestre.



A última vez que o Simonyi pintou por aqui foi por causa da Intentional (o nome mais safado - Rational! - e a logomarca mais quadrada dos últimos 20 anos). Sua intenção é mais ambiciosa que o vôo espacial: tornar obsoletas todas as linguagens de programação que conhecemos. Se você ficou curioso, dá uma olhadinha no site deles. Ele pintou na MIT Technology Review de janeiro. No blog ele fala que tá indo bem, "apesar dos céticos".

Excentricidade por excentricidade, prefiro o Simonyi na Soyus.

graffiare #405

13 março 2007

...a plataforma .Net está ficando cada vez mais aberta, cada vez mais flexível, cada vez mais... parecida com sistemas em UNIX.

- Phillip "Shoes" Calçado (em "Acorda, Maria Bonita")


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Phillip é muito conhecido no mundo Java. Figura muito ativa nos JUGs e grupos de discussão. Saca muito do que fala. Por isso seu 'wake up call' para a comunidade Java é muito relevante. Na minha leitura, pra lá de preocupante: como uma coisa aberta (e de certa forma livre) pode ser ao mesmo tempo fechada? Leia o texto do 'Shoes' e você entenderá.