Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

Visite a nova versão em pfvasconcellos.net

Deu na Veja da semana: precisamos que um professor estadunidense, Sr Martin Carnoy, pise em Pindorama e assista aulas de professores tupiniquins para dizer basicamente o seguinte: "Tá tudo errado!"

Os professores devem ser treinados para ensinar - e não para difundir teorias genéricas.

Nossos professores trabalham como se estivessem no século XIX. Aliás, Nicholas Negroponte já havia falado sobre isso em "A Vida Digital". E não se referia aos professores brasileiros não. Mas aqui a coisa é desesperadora mesmo. Alunos passam uma vida inteira tendo aulas de ciências, mas muitos nunca viram um laboratório. Temos muitos trabalhos em grupo, muita coisa a copiar das lousas, indisciplina demais e bons professores de menos. Carnoy estima que 30% do tempo das aulas seja simplesmente desperdiçado.

E não se trata de uma particularidade das escolas públicas. O problema é geral e irrestrito.

Os exames internacionais da OCDE mostram isso com clareza. Os alunos brasileiros que aparecem entre os 10% melhores são, afinal, menos preparados do que alguns dos piores estudantes da Finlândia.

Conheço pais que gastam pequenas fortunas anuais com a escola dos filhos. Passa da hora de dedicar algo além da grana.

7 responses to "Vergonha"

  1. Leia isso então:

    Why Send Kids To School?
    “The single biggest problem in American education is that no one agrees on why we educate,” observes Diane Ravitch. ”Faced with this lack of consensus, policy makers define good education as higher test scores.” -- I have long felt that our obsessive focus on testing a league tables degrades education rather than improves it. Young adults leave school with great scores yet still need extensive training and apprenticeship before they can enter the workforce. It's time we raised the value of apprenticeship within mainstream education.

    by: webmink

    antoniofonseca

  2. O pior é a famosa teoria sem prática.
    São poucos as escolas que possuem laboratórios (escolas públicas então, nem se fala).
    Desta poucas ensinam os alunos a trabalhar deduções e a criatividade do processo científico e de criação.
    Absorvemos muito, mas somos pouco incentivados a expulsar esse conhecimento na forma de coisas novas.

    Fabricio Buzeto

  3. Olá Antonio,

    Sim, os problemas são muito maiores. Mas os nossos são mais críticos que os deles, não acha?
    Essa mania de provas e certificações nos afeta também. Nossa área então...

    Oi Fabricio,

    Nem sei se "absormemos muito", como você diz. Sem a prática, essa absorção, em muitas disciplinas, é só uma questão de "fé" - de acreditar ou não no professor. Triste...

    Abraços e muito obrigado pelos comentários,

    Paulo

    Paulo Vasconcellos

  4. Opa,

    Ter saído na veja, quase descredencia a matéria, a Veja é um lixo... Temos que ter cuidado com os extremos...

    Professor treinado para ensinar? Professor tem que entender como as pessoas aprendem e organizar o máximno de situações de aprendizagem (laboratório, textos, atividades, etc).

    Mas com o número médio de alunos que um professor atende é muito fácil "satanizar" o professor como o maior culpado pela educação.

    Veja, eu acho que uma parte da crítica do Prof, é correta, Não dá só para ficar com teorias de aprendizagem! Mas treinar o professor para ensinar é um retrocesso ao tecnicismo dos anos 70!

    abs

    Sérgio Lima

  5. Sérgio,

    Eu adoro detestar a Veja. Se leio, é pq não sou daqueles que só lê o que teria escrito, o que agrada. Se não conheço e acompanho "o outro lado", não tenho como combatê-lo. Ok?

    A matéria é boa e não vejo o risco do 'tecnicismo' dos anos 70, como vc.

    E não é uma questão de 'demonizar' professores. Tá tudo errado. Como eu indico no texto, o ponto de partida é a família, são os pais!

    Abraços e obrigado pela participação.

    Paulo

    Paulo Vasconcellos

  6. OLá :)
    Concordo com o Sérgio, inclusive sobre a fonte do artigo. E acrescento: condições para que se possa aprender-ensinar são essenciais. Escolas sem estrutura física, sem laboratórios, sem material de apoio + professores mal pagos, com jornadas de trabalho absurdas, no meu entender, são parte da responsabilidade por formação precária.
    Por outro lado, a mania por escores tem afastado as crianças da arte, da educação física e de outras áreas do conhecimento que garantem uma formação completa, integral.
    Agora, ... mudar as condições apenas, não garante uma transformação na educação, mas é um bom começo, pois garante o espaço e o bem estar para pensar mudanças. abraço!

    Suzana Gutierrez

  7. Wow! Há tempos o Graffiti não hospeda papo tão acalorado. Tks!

    Só quero deixar claro que não apontei o dedo exclusivamente aos professores. Inclusive, preciso falar que me vejo como um, de certa forma.

    Reafirmo também que não dá pra resolver o problema desqualificando a fonte. Os dados da OCDE, por exemplo, são isentos e estão aí para qualquer um ver. Que tal debatê-los? Particularmente aquela parte que fala que nossos 10% melhores são piores que os piores da Finlândia...

    Abraços,

    Paulo

    Paulo Vasconcellos

Leave a Reply