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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
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em locais públicos. 
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01 setembro 2009

Perdão. Off-topic. Faço isso em ocasiões especiais.





Hoje é um dia especial. Pelo menos, para uns 30 milhões de brasileiros. O Sport Club Corinthians Paulista está complentando 99 anos de vida. Não conheço outra agremiação, de qualquer lugar do mundo, que mereça a seguinte dúvida: é um time com uma torcida ou é uma torcida que tem um time? O Timão é sua torcida. E, para o bem ou para o mal, é do Brasil a torcida mais brasileira. Maloqueira? Sim. Banguela? Dente sim, dente não. Sofredora? Campeonato sim, campeonato não. Brasileira? Brasileiramente linda (sorry Belchior).

No caso deste sofredor que vos escreve, uma torcida acidental e improvável. Meu velho era flamenguista doente. Todos os meus irmãos o seguiram. Mas meu velho já havia traído seu pai, botafoguense d'outras épocas (menos choronas). E teve que testemunhar minha vira-casaca no momento mais improvável: o Mengão era o melhor do mundo em 1981. Tinha um time que eu aprendi a respeitar e escalar decor (Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico). Mas alguma coisa aconteceu no meu coração...

O Timão tinha terminado o 1º turno do Paulista na lanterninha. Contra todos os prognósticos, venceu o 2º turno. Mas perdeu a final. Sei lá quanto disso é memória real ou memória romantizada. Mas me lembro perfeitamente da torcida fazer uma festança: comemorando o vice-campeonato?!? Aquilo mexeu comigo. Ou seja, não foi o time que me atraiu... foi a torcida!

Logo depois vi um time que também era muito diferente. Tinha um Doutor no meio-campo. Um cabeludão roqueiro no ataque. Um bigodudo baixinho com a camisa 10. Um lateral esquerdo inteligentíssimo e bom de bola. Um maluco de cabeleira esquisita que era pura raça. Aos 11 ~ 12 anos de idade, aprendi o que era democracia com meu time. Sim, o Timão já era "meu time". E me recebeu com um título no ano de minha maior decepção futebolística: 1982.

De lá pra cá, para cada tristeza, centenas de berros de "gool". Mais de uma dezena de títulos. E centenas de tardes e noites de uma alegria que pode até parecer comum entre todos os amantes do futebol. Mas, tenho certeza, é saboreada de forma diferente pelos corinthianos. Ela é mais saborosa pra gente que teve que aprender a saborear momentos sofridos. Mas isso não se explica. Se sente.

Parabéns Timão!

Parece que foi ontem. Mas foi em 2/dez do ano passado. Ontem foi outro dia.. O Dia da Ressaca do Ano! Ressaca justa: o Timão encerrou suas férias da primeira divisão. O Coringão voltou!

Não era surpresa pra ninguém. Mas o que explica aquela festa toda, toda aquela comoção no sábado? O que explica aqueles generosos minutos no JN, Esporte Espetacular, Fantástico et cetera? O que explica a paixão d'um Louco?

Foto surrupiada de Daniel Kfouri.

Nada. Ninguém explica. Se você é Louco, sente. Se não, fica aí com cara de bobo... e, quem sabe, uma pontinha de inveja. Só o Timão é uma torcida que tem um time. Isso faz uma diferença danada. Uma diferença que apareceu nos 32 jogos do time na segundona.

Como pedi no terrível 2 de dezembro de 2007, tive minh'alma Louca lavada com Q'Boa. O time, os 39 caras que passaram por lá, mais a mão firme do Mano, souberam nos respeitar. Foram dignos e respeitaram também os outros 21 adversários. Mal informados falarão que foi fácil. Foi não. Uma ponta de amargura existiu em cada jogo. Amargura, Angústia, Ansiedade... quem disse que isso é fácil? Foi fácil não.

E é por isso que, apesar de inexplicável, é compreensível o que aconteceu no último sábado. Uma nação com trinta e tantos milhões de habitantes estava desabafando 10 meses e alguns dias de amargura, angústia e ansiedade...

[Lá pelas tantas, 21hs, depois de rodar por 3 lugares, depois de litros de cerveja, sem achar meu lugar e a correta expressão do que eu sentia, reclamei com meu irmão: "Ainda não me deixaram chorar..."]

Agora, devidamente vestido com as roupas e as armas de Jorge, ouso repetir o que pedi naquele fatídico 2/dez: em 2010, no ano do centenário, queremos Libertadores e o Mundial. Pois é: somos um bando de loucos! E como é gostosa essa loucura...