Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Como estava meio 'unplugged' em Sampa ontem, foi no Conta Corrente da Globo News que fiquei sabendo do novo plano da Google para conquistar o mundo: um sistema operacional. A primeira coisa que pensei foi "hmm, tem cheiro de vingança boba - resposta pouco pensada para o último ataque da MS ao mundo da busca, o Bing". Afinal, quem precisa de um novo SO?

Antes de escrever (muita) besteira, resolvi ler o anúncio oficial que a Google publicou na noite de anteontem (7/jul). Saca só o trechinho-chave:

Speed, simplicity and security are the key aspects of Google Chrome OS. We're designing the OS to be fast and lightweight, to start up and get you onto the web in a few seconds. The user interface is minimal to stay out of your way, and most of the user experience takes place on the web. And as we did for the Google Chrome browser, we are going back to the basics and completely redesigning the underlying security architecture of the OS so that users don't have to deal with viruses, malware and security updates. It should just work.


O negrito é meu. O tapa com luva de pele de antílope albino do centro-oeste neozelandês* é de Sundar Pichai, VP de gestão de produtos e de Linus Upson, diretor de engenharia, os autores do post. Ahã (limpando a garganta): Pichai deveria ser nome de quem escreve no Graffiti; Linus?!? Esse é mesmo o nome do cara???? Provocação pequena é perda de tempo e grana...

O Chrome OS é baseado no Linux. E promete um novo conceito de OS. Desconfio que será uma versão "despida" do OS que a Google utiliza internamente. Sim, acho que o Chrome OS já existe tem um tempão. Mas só agora a Google percebeu que precisa de um novo tentáculo em sua estratégia. Precisa mesmo?

Segundo pesquisas recentes, o Chrome não teria nem 2% de share na guerra dos browsers. Seu comunicado fala em 30 milhões de downloads e coisa e tal. É muito pouco. Surpreendentemente pouco, porque o Chrome é realmente muito superior ao IE e muito mais leve e rápido que o Firefox. Então a Google resolveu entrar ainda mais nos micros e mentes. A pergunta é: por quê?

Com certeza a resposta está no desmembramento de sua Missão: "Organizar todas as informações do mundo e facilitar o acesso a elas". Mais precisamente, está na segunda parte da declaração: "facilitar o acesso". Velocidade, simplicidade e segurança são os três requisitos derivados desta parte. Ok, mas o que ela ganha com isso? Essa é mais fácil: amplia muito o escopo de suas ofertas - de espaço publicitário e oportunidades de uso deste espaço.

Hora então de olhar para o outro lado, que dá título ao post: Quem precisa de um novo OS? Segundo a Google, todo mundo! Saca só:

We hear a lot from our users and their message is clear — computers need to get better. People want to get to their email instantly, without wasting time waiting for their computers to boot and browsers to start up. They want their computers to always run as fast as when they first bought them. They want their data to be accessible to them wherever they are and not have to worry about losing their computer or forgetting to back up files. Even more importantly, they don't want to spend hours configuring their computers to work with every new piece of hardware, or have to worry about constant software updates. And any time our users have a better computing experience, Google benefits as well by having happier users who are more likely to spend time on the Internet.


É claro que estão mirando os 90% e tantos de share do Windows. Difícil dizer se serão bem sucedidos. Mas o tiro acertará em cheio em outros lugares: Ubuntu, Novell, Fedora, Debian...

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* Será que esse bicho existe?

Segurei mas não aguentei: será que o Chrome OS terá alguma coisa de SOOS?

Para uma opinião menos "chutada" que a minha, não deixe de ler o post do Antonio Fonseca sobre o mesmo assunto.

Quem diria? Algumas idéias do SOOS começaram a pintar... ainda distantes, mas promissoras.



Quem diria? Aparece ali naquela página quem detém o Copyright: MS!

SO's em Crise

06 maio 2008

Eu deveria grafar SOS mesmo! Save Our Systems!!

Desnecessário falar sobre o Vista, o maior pesadelo da MS (e de algumas centenas de milhares de apressadinhos). A decepção é tão grande que 48% das pessoas que responderam a uma "enquete" da ZDNet disseram que ficarão com o XP até 2014!?!? Santa Fidelidade...

Mas quem disse que SO bugado é uma exclusividade de Redmond? Oras, Cupertino também falha. E falhou tanto na última versão do Mac OS que mereceu uma depreciativa comparação: Mac OS 10.5.2 = Apple Vista?



Bom, a turma da Apple pode dizer que a comparação é injusta. Afinal, eles não geram "Blue Screens of Death". Saca só a tela acima. Modernosa, estilosa, bem Apple, né? Mas é pau!

E não dá nem para livrar a cara de meu querido Kubuntu. Apesar de estável e rápido em meu desktop, ele segue dando dor de cabeça no note. Parece ser incompatibilidade de gênio com o Firefox. Não importa, é bug!

Sinal de que já atravessamos, todos, o limite do possível (e da paciência). Há quase um ano eu encerrava uma série sobre um novo tipo de Sistema Operacional: mais leve, mais modular, mais personalizável e, principalmente, mais inteligente.

Bill Gates torrou US$ 5 bi para parir o Vista. Agora que ficou com US$ 50 bi de bobeira, bem que ele podia provocar o mundo, começando o desenvolvimento de um SO novinho em folha. Do zero! Mas não na MS, né?

MS Surface

31 maio 2007



Ok. Cool. Parece que todo mundo adorou o brinquedinho. Mas ele nos deixa muito mais próximos de 'Minority Report' do que de '2001'.

SOOS :: Índice

11 maio 2007

Foto da Tanakawho.


  1. Estopim: O SO do Século XXI
  2. Faísca, Fumaça e Fogaréu
  3. Definindo o SOOS
  4. SOOS :: Conexão
  5. SOOS :: Arquitetura, Serviços e Grana
  6. SOOS :: Caras, Bocas e Ouvidos

Continuação de "SOOS :: Arquitetura, Serviços e Grana", que é parte da série "Fumaça, Fogo e Fogaréu".

Em 18/jan eu pedi uma semana para encerrar esta série. Estiquei um pouco a saborosa pesquisa (sci-fi na véia veia) e a história quase caiu no esquecimento. Quando estava quase terminando a faxina radical em minhas gavetas, apareceu o pobre SOOS, com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança. Lógico que eu preciso tentar dar um final digno para a séria série. Tentarei hoje, comemorando os 3 anos de vida do
Graffiti.

Criativa foto de Steve Jurvetson.

Todas as outras partes desta série falaram mais da arquitetura, dos fundamentos do SO do século XXI. Ficou para agora, o último capítulo, a única porção do SOOS que interagirá diretamente com a gente. E as mudanças, em relação ao cenário atual, devem ou deveriam ser drásticas.

Há quanto tempo estamos limitados ao teclado e ao mouse? Mais de vinte anos*! Vinte anos, no mundo da tecnologia, é uma vida inteira. Vimos nascer os processadores de 32 e 64 bits. Os monitores ficaram fininhos e ecologicamente corretos. Os celulares ficarão mínimos em tamanho e bonitinhos. A Web apareceu para mudar tudo. Mas seguimos limitados ao teclado e ao mouse.

Eu sei, a IBM (com o ViaVoice) e mais recentemente a MS fizeram alguns avanços no campo do reconhecimento de voz. Mas é muito pouco. Já era para a gente estar conversando com nossas máquinas há muito tempo. Eu disse *conversando*, e não apenas falando. Ou seja, não basta que as máquinas ouçam. Faz todo o sentido que elas respondam da mesma forma. Seria o mesmo protocolo e a mesma língua, certo?

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Em 1968, há quase 40 anos, nós conhecemos o HAL 9000. Ele era o protagonista (?) de "2001", uma das obras-primas do Kubrick. Tão significativo que Arthur C. Clarke esperou o filme ficar pronto para encerrar seu livro. HAL conversava com seus usuários. E enxergava tudo que ocorria em seu ambiente (no caso, uma nave espacial). Vamos desconsiderar o lado mau (persistente?) do HAL. O fato é que a interação com ele é muito natural.

HAL ganhou uma espécie de 'irmã' no filme "Alien", de Ridley Scott. Estamos em 1978. A interface era muito semelhante. E seus usuários a chamavam de "Mãe". Estranho, mas depois disso, de certa forma, os computadores perderam um pouco de inteligência e de charme. Em 1982, em "Blade Runner" do mesmo Ridley, um computadorzinho especialista limita-se a ouvir os comandos de Harrison Ford. É especializado em análise de imagens. Um tipo de scanner vitaminado. E a história se passa em 2019.

Sci-fi fica em baixa por uns tempos. Saltamos diretamente para 1999, para "The Matrix". Fica difícil falar sobre interação aqui. Afinal, Matrix é um universo todo. E as poucas interfaces que aparecem são meramente decorativas. Ou alguém acredita na usabilidade / legibilidade daqueles caracteres de fósforo verde que despencam na tela? Como dica cultural, fica o seguinte: uma das melhores coisas de Matrix é "Animatrix". "O Recorde Mundial" e "Uma História de Detetive", dois de seus 'programas', contribuem mais para a saga do que qualquer uma das duas seqüências que foram filmadas.

Finalmente chegamos em 2002, ano do lançamento de "Minority Report", de Steven Spielberg. De todos, foi o único que envolveu cientistas de verdade. Spielberg promoveu uma gigantesca sessão de "toró de parpite" (aka Brainstorming) com vários especialistas para tentar projetar como seria o mundo em 2054. Os jornais recebem notícias em tempo real. As vitrines conversam com clientes em potencial. A metrópole se transforma num imenso Big Brother: todo mundo é vigiado e rastreado. Mas, na hora de manipular um micro, Tom Cruise parece estar fazendo algum tipo de malabarismo!?! Com o auxílio de umas feias luvas, ele arrasta janelas, minimiza-as, dá zoom. Será o nosso futuro tão horripilante? Será que os especialistas em usabilidade que ele chamou são os projetistas do Aero 3.0? (hehe.. brincadeirinha...)

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Como fiz em todas as partes desta série, vou surrupiar alguns trechos de "A Vida Digital", livro que Nicholas "XO-1" Negroponte lançou em 1995:

Trinta anos atrás, usar um computador, assim como dirigir um módulo lunar, era coisa para poucos versados na parafernália necessária para pilotar essas máquinas, às vezes com o auxílio de linguagens primitivas ou linguagem nenhuma (apenas interruptores e luzes piscando). Na minha opinião, havia um esforço subconsciente de manutenção do mistério, como o monopólio dos monges ou algum bizarro rito religioso da Idade das Trevas.
Estamos pagando por isso até hoje.

...

As futuras interfaces homem-computador serão baseadas na delegação de tarefas, e não no vernáculo da manipulação direta - menus que descem, pipocam, cliques - e do comando por mouse. A 'facilidade de uso' tem constituído uma meta tão obrigatória que, às vezes, nos esquecemos de que muitas pessoas simplesmente não querem usar a máquina: querem que ela desempenhe uma tarefa.
Não tenho dúvidas, o SOOS será o primeiro a romper com a idade das trevas-dos-cliques-menus-e-travas. Ainda que um teclado e um mouse estejam disponíveis para quem quiser usar. O próprio Negroponte diz, "não há solução 'melhor' no desenho de interfaces". Ou seja, o SOOS será multi-caras e multi-modos.

Quando estou deitado na rede, folheando a Wired, não quero clicar num controle remoto para o Amarok (ou iPod) mudar de Beth Orton para Aimee Mann. Deveria bastar uma breve *ordem*. Falada. Se não tiver entendido, o SOOS pergunta: "Aimee Mann ou Pearl Jam?". Sacana... "Então toca 'Black' e depois vai direto para 'The Forgotten Arm', ok?"

Ninguém mais se lembra, mas o SOOS não seria uma exclusividade dos computadores. TVs, celulares, media players, liquidificadores**, automóveis... O SOOS - que não é um monopólio e sim uma plataforma comum e ABERTA - estaria em tudo.

.:.

Há poucos dias eu comentei que só faltam duas coisinhas para o Ubuntu (ou qualquer distro Linux decente) cair no gosto das massas: distribuição e uma revolução em termos de usabilidade. O primeiro desafio começou a ser vencido, com o acordo assinado com a Dell. Era o mais fácil.

Chegou a hora de desafiar a mesmice dos cliques e menus (que pipocam). Aero, Exposè, Beryl e Compiz são bonitinhos, mas não têm nada a ver com os verdadeiros desafios. Que nossos novos cientistas saibam ignorar as bobeirinhas de "Minority Report" e "Matrix", e consigam nos dar um HAL 'do bem'.

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* O primeiro mouse foi patenteado pela Xerox no dia 17/nov/1970!! Sua primeira versão comercial foi lançada em 1981. Mas foi Steve Jobs, com o primeiro Mac, que popularizou o brinquedinho.

** Liquidificadores sempre aparecem em meus exemplos. É que Varginha é o maior fabricante mundial. Não tem nem pra China! Só que eles ainda não saem de fábrica com o SOOS... tsc, tsc...

XIOS: Bom de Marketing

13 março 2007

“We’re going to do for software what Skype did for telephony”.

Assim, sem falsa modéstia, a Xcerion apresenta sua visão. Me preocupa mais o slogan: "Every computer is my computer"!! Como o Meira falou que parte da turma aí veio de Redmond, confesso que deu um frio na espinha: 'my' de quem, cara-pálida?

Só fiquei tranquilo quando vi o 'ovo de colombo' dos caras: "Free Software and OS as a service". Um sistema operacional que depende de um browser...

Ou seja, um sistema operacional de mentirinha. Quando fica alardeando que recebeu US$ 10 milhões em investimentos, comprova que não é nada tão grande assim. Nada que tire o sono de Google e MS. O Meira acha que o XIOS "detona, na boa, a tentativa do google fazer algo parecido". Céus, lembra-se quanto A Google pagou pelo YouTube? US$ 1 bilhão e quantos mesmo? tsc, tsc..

Vou ficar só no lado financeiro da coisa. Quando a poeira marketeira passar (e os caras liberarem betas), talvez eu comente a porção técnica do XIOS. Que não tem nada a ver com o SOOS proposto aqui. Nadica de nada.

A Matrix nascerá em 2029

16 fevereiro 2007

Bom, um tipo de Matrix. Matrix 4? "Matrix Getting Real"? Ou, na nomenclatura menos sci-fi, Web 4.0.



A previsão é de Nova Spivack. Exercício legal, lógico. Mas, como ele mesmo diz, um trabalho em desenvolvimento.

Ele diz que a Web 3.0 nascerá em 2010 ("O ano em que faremos contato"?). Eu já chutei, enigmaticamente, que o ano é 2009. Pouca diferença. O que importa é o que de fato nascerá. Muita gente ainda nem sabe direito o que é a tal Web 2.0 (para o David Berlind da ZDNet, por exemplo, é todo site onde o botão "back" do browser não funciona - hehe).

Seguirei com meus enigmas (na verdade uma procura insana por blocos de construção que ainda estão fortemente desaclopados). Mas posso adiantar alguns achados (para 2009-2010): o browser começará a perder importância. Cada aplicação fará uso direto da Web, como já ocorre hoje com o Amarok e o Democracy TV. Cada vez mais os serviços disponibilizados na Web exigirão canais - front-ends e devices - mais especialistas, menos generalistas. Os browsers simplesmente não aguentam mais tanto penduricalho.

Mas isso é só um aspecto da Web 3.0. Um aspecto que se entrelaça com o SOOS*...

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*Que vergonha: mais de um mês de atraso para encerrar a séria série.

2009 não é o Ano 'A'

14 fevereiro 2007

Não para a MS. Aquilo que foi registrado aqui, segundo a própria MS, é bullshitagem. Parece coisa de coordenador de projeto júnior, mas quem disse que 2009 era o ano foi um VP! Rapidinho a MS tratou de descredenciá-lo. Assim:

The launch of Windows Vista was an incredibly exciting moment for our customers and partners around the world, and the company is focused on the value Windows Vista will bring to people today. We are not giving official guidance to the public yet about the next version of Windows, other than that we’re working on it. When we are ready, we will provide updates.


Se não têm a mínima idéia do que precisa ser feito, como saberiam fixar um prazo? Como eu disse, coisa de PM júnior-pressionado-pelo-chefinho-com-conta-no-vermelho.

2009 é realmente o Ano 'A'?

12 fevereiro 2007

Em 28/nov/06 eu afirmei por aqui: 2009 é o ano 'A'! Comentava um artigo do Erik Smith, CEO da Google.

Um dos dois lados da briga acaba de confirmar meu chute: o Windows 7 deve ser lançado em 2009.

Como a MS é péssima em estimativas, melhor eu não contar muita vantagem não. Ainda não. Até porque parece que ninguém sabe o que será o Windows 7. E, aqui em Minas, 7 é conta de mentiroso. Melhor se tivessem mantido o codinome "Vienna".


Obs.: Passa da hora d'eu encerrar a série sobre o SOOS, né? Quem sabe mando umas idéias lá pra cima, hehe.

graffiare #392

25 janeiro 2007

What we need is:
  • an email client that is smart about what I'm doing and what my opted in colleagues are doing. Once that gains traction, plenty of vendors will work to integrate with it.
  • a cell phone and cell phone provider that is not just a phone.
  • a word processor that knows about everything I've written and what's on the web that's related to what I'm writing now.
  • moves by Google and Yahoo and others to make it easy for us to become non-anonymous, all the time, everywhere we go.
- Seth Godin (em seu blog)

Não sei se se trata de sincronicidade<>coincidência ou se ando prestando mais atenção no assunto. Será que o papo sobre "tornar nossas máquinas mais inteligentes" é um novo padrão<>tendência?

Seth Godin fala aqui sobre Web 2.0, 3.0 e a sua Web4. O exemplo prático que ele dá parece um exercício que fiz lá nos primórdios do Graffiti (sorry.. deu preguiça de procurar o post. Fico devendo). Outra provocação muito legal é este artigo do Misternet (?), mostrando como seria o Apple iPhone realmente inteligente. Só faltou algum deles falar sobre o SOOS!

PopSexyCool

23 janeiro 2007

A tag+título acima 'apareceu' num comentário que fiz no blog do Nelson Biagio Jr. Falávamos da turma que compra o tal PC Popular e troca o Linux por Windows (a maioria, uma versão pirata mesmo). Escrevi lá que enquanto não existir uma rede dando cursinhos básicos de Linux, o mal continuará. Em todo canto deste país 'continental' você encontra escolinhas de informática. TODAS ensinam Windows, MS Office e afins. Mas o assunto aqui é outro: é o apelo "PopSexyCool" do Linux. Ou a falta dele.

Uma turma tá anunciando uma reunião e a criação de uma "Fundação Linux" para, segundo o IDG Now, "acirrar a competição com a MS". Dois itens que deveriam estar no topo da lista de prioridades são: Educação e Marketing - o que estou chamando de apelo PopSexyCool. Para entender a tríade:

  • Pop: É simples e fácil de usar. Também é completo no sentido de oferecer tudo que é necessário em determinado contexto: num micro caseiro, por exemplo.
  • Sexy: É elegante e, de certa maneira, um luxo. Cria o que eu chamo de 'efeito iPod': "eu também quero!". Ou seja, é atraente!
  • Cool: Entende a 'customização em massa'. Traduzindo: todo mundo quer, mas todo mundo quer personalizá-lo de tal forma que ele seja único. É extensível e bastante aberto.
Até hoje o Linux fica devendo nas três características acima. Ele ainda é percebido como algo complexo, feito "por nerds - para nerds". A percepção não é totalmente verdadeira, mas a culpa também é da comunidade, que (ainda) não tem uma comunicação legal. O melhor exemplo de equilíbrio PopSexyCool é o MacOS X. Saca só esta história da Erica Jonietz, editora da MIT Tech Review: foi testar e comparar o Vista com o Mac OS X e acabou apaixonada. Pelo segundo: "Windows é complicado. Macs são simples."



Mas já surgem boas novas no front Linux. O Ubuntu, a melhor distribuição no quesito PopSexyCool, inova de novo, agora com o UbuntuStudio. Com lançamento programado para abril, promete ser um 'Media Center' bem vitaminado. Sua grande vantagem em relação ao equivalente de Redmond: você não é só um consumidor, mas um potencial CRIADOR!

Colocando na escala: ferramentas como amaroK*, Audacity*, Cinerrela e Wired são POP. Relativamente fáceis de usar e bastante completas. Aliás, o pacote UbuntuStudio é muito completo. POP!



Logo, visual... SEXY! "Eu também quero!" Se alguém achar que não é COOL o suficiente, tente remixar "Kind of Blue" do Miles com qualquer bolacha do Morcheeba, hehe..

Continuação de "SOOS :: Conexão", que é parte da série "Fumaça, Fogo e Fogaréu".

Neste penúltimo capítulo, tremendamente ajudado/influenciado pelos lançamentos da última semana, falaremos um pouco mais sobre a arquitetura do SOOS, particularmente sobre sua 'alma': os Serviços. Trataremos antes de diferenciar o SOOS de algumas propostas que existem por aí.

Foto surrupiada da Tanakawho, uma das mais ativas e criativas figuras do Flickr.

O SOOS tem pouco ou quase nada a ver com o WebOS, muito menos com os pioneiros que já estão disponíveis na Internet (YouOS, Goowy, DesktopTwo e GravityZoo). Essas propostas são na verdade "web desktops", que implicitamente acreditam em clientes redondamente estúpidos. Clientes no caso não são usuários, ok? Estou falando de máquinas cliente (micros, celulares etc). Eles só exigem um browser. O SOOS, como já vimos em todos os capítulos anteriores, parte de um princípio totalmente diferente: os Clientes serão muito inteligentes. Mesmo quando pequenininhos, como o Apple iPhone, por exemplo. Um browser não bastará.

Como bem lembrou o Braga em um comentário deixado no capítulo anterior, o SOOS "lembra" o Jini. O Jini era uma simpática idéia da Sun que hoje deve trilhar novos caminhos. Mas ela se prende na parte "conexão" que falamos no capítulo anterior. No SOOS, tão importante quanto a "vida em sociedade", é a capacidade de aprendizado do SOOS. E qual não foi minha surpresa (e, confesso, grande satisfação) quando vi o iPhone e todos os seus 'sensores'? Ainda não é 1% do aprendizado de verdade que espero ver num SOOS, mas já é muito mais inteligência do que aquela que vemos e suportamos em nossos celulares/iPods atuais. Mas minha maior alegria foi ver como o iPhone reforça a tendência da total Orientação a Serviços, o foco deste nosso estudo. iTunes, Google e Yahoo serão os primeiros provedores de serviços. Esperem por uma enxurrada de novos serviços e provedores tão logo o iPhone chegue ao mercado. Mas, afinal, o que é a tal "Orientação a Serviços" do nosso SO do século XXI? O que a caracterizará?


Orientação a Serviços

Surrupiei parte dos conceitos que apresento aqui de uma proposta relativamente recente chamada SOA (Service-Oriented Architecture)*. Ela trata especificamente de aplicações de uso corporativo. Mas algumas de suas sugestões fazem muito sentido em um Sistema Operacional. São elas:
  • Acoplamento Fraco: praticamente não deve existir uma relação de dependência entre os serviços. Eles não devem ser "amarrados" entre si. E uma relação, quando existir, ocorrerá em "tempo de execução" (runtime). Isso facilitaria muito a adaptação do SOOS para qualquer tipo de dispositivo. É o que impede a MS, por exemplo, de colocar um mesmo SO em diferentes locais (XBox, micro, portáteis etc): tudo no Windows é "fortememente acoplado". Lembram-se que ela falava que seria impossível "desamarrar" o IE do Windows? Pois é...
  • Contratos: Todo serviço possui um Contrato. Um documento com finalidade idêntica aos contratos do mundo real, ou seja: um acordo entre duas ou mais partes. O contrato de um serviço determina como, quando, onde e por quem ele (o serviço) pode ser usado. Usuários poderão ter contratos 'guarda-chuva' com provedores de serviços ou contratos específicos para cada serviço.
  • Repositórios: Todos os serviços residirão em algum lugar na Web, em Repositórios. Todo provedor de serviços terá o seu. Um repositório será uma espécie de dotMac, devidamente anabolizado. Se parecerá um pouco com daqueles utilizados pela dupla apt / Synaptic (do Linux). Quando o usuário solicitar um serviço novo, o SOOS buscará na Web as alternativas e as apresentará (devidamente resumidas e na língua do usuário). Na verdade ele apresentará as vantagens e restrições (e preços) de cada opção - informações estas que foram obtidas nos contratos.
  • Independência de Tecnologia: Os serviços serão totalmente independentes de tecnologia. Restrições existirão para alguns dispositivos - questão de bom senso. Mas, como regra geral, eles não "escolherão" uma plataforma específica. Inicialmente alguns fornecedores até tentarão amarrar seus serviços em algumas plataformas. Mas a tendência é a total independência. Até porque a grana estará nos serviços. E limitar o mercado não parece ser uma decisão muito inteligente. Quanto a loja iTunes deixaria de faturar se o software iTunes rodasse só em Macs? Mais sobre $grana$ no próximo sub-capítulo.
Cabe aqui ressaltar outra característica do SOOS citada no capítulo anterior. Toda instância do SOOS (do micro, da TV, do media player...) terá uma versão 'virtual', uma cópia integral que viverá na Web. MS, Apple e Google já trabalham em algo do tipo. Mas ainda enxergam apenas uma extensão de nossos discos rígidos. No SOOS o conceito será mais amplo. Suas 'cópias' manterão uma relacionamento perene na Web. Trocarão experiências, serviços e conteúdo. Aliás, conteúdo e serviços nunca serão redundantes. Desde que o contrato permita, todo conteúdo e todos os serviços estarão disponíveis para todos os dispositivos que tenham condições de executá-los / acessá-los.


Serviço = $grana$

A resposta para a questão que deixei no capítulo anterior é óbvia demais: A Grana estará praticamente toda nos Serviços. As versões do SOOS que não forem gratuitas justificarão seu valor pelos serviços adicionais que oferecerão de forma nativa (serviços residentes). Mas, de uma maneira geral, o SOOS acentuará uma tendência que testemunhamos há tempos: os dispositivos serão gratuitos ou serão vendidos bem abaixo de seu preço real; E os usuários viverão bombardeados por várias ofertas de serviços - em vários casos eles deverão assinar contratos de serviços (com faturamente mínimo fixado) para obter aquele determinado bem com preço 'promocional'. Nós já vemos isso a todo instante no mercado de celulares. O próprio iPhone será lançado com um modelo de negócio parecido: o valor (US$600) será condicionado à assinatura de um contrato com a operadora de celular (Cingular) com duração de 2 anos e com valor mínimo de US$ 80 mensais (ou algo parecido - ainda é só especulação de minha parte).

Existirão 3 tipos básicos de serviços quando o assunto for 'grana':
  • Gratuitos (com segundas intenções): é o que a Google faz hoje. Entrega-nos (bons) serviços de graça, mas aproveitam o espaço e a oportunidade para fazer propaganda. Seus serviços que não fazem propaganda (particularmente aqueles que são instalados em nossas máquinas, como o Google Desktop) têm uma terceira intenção: nos conhecer melhor. Para personalizar ainda mais os futuros comerciais. Ou seja: raramente veremos algo 'de graça' que esteja só fazendo graça. Todos buscam grana.

  • Transientes (ou temporários): são serviços que não precisam residir permamentemente em nossos micros, celulares e outros dispositivos. Existirão duas modalidades de cobrança:
    • Aluguel: onde é determinado um tempo de uso - 30 dias, por exemplo. Serão aplicados em serviços sazionais e/ou esporádios (declaração do imposto de renda, guia de viagens, etc).
    • Pay-per-Use: serviços de uso ainda mais esporádico ou indeterminado serão vendidos a granel e pagos por uso.
    É claro que será fácil criar modelos híbridos. Um aluguel com uma taxa mínima e os opcionais sendo vendidos por uso, por exemplo.

  • Residentes (ou permanentes): equivalem às licenças de uso que compramos atualmente. Aquele serviço "viverá" (ou "morará") em nossas máquinas por tempo indeterminado. Editores de textos, planilhas eletrônicas e afins serão vendidos assim.
Ou pagos por uso. A flexibilidade dos serviços é bastante interessante. Creio que muita gente deixará de comprar coisas 'permanentes' e optará por pagar por uso. Faz mais sentido e para a maioria das pessoas (e empresas), será uma modalidade mais econômica. TCO (Custo Total de Propriedade, em inglês) deixará de ter a importância que tem hoje nos departamentos de TI.

Mas é importantíssimo lembrar de que não se trata de simplesmente fazer o download de um serviço. Já se compra software assim há um bom tempo. Nossos serviços serão a consolidação de uma tendência que hoje, em seus primórdios, estamos chamando de RIA (Rich Internet Applications, ou Aplicações Internet Ricas). O conceito vai evoluir um pouquinho. O browser deixará de ser um requisito para RIAs. Mas agora já entramos no tema "Interfaces". Isso já é assunto para nosso último capítulo. Semana que vem, finalmente, termina a saga do "SO do Século XXI".

Ou eu deveria dizer que começa a verdadeira saga?

Meu 'sumiço' por dois dias, de novo, é culpa do finito. Estou correndo atrás do (incomensurável) prejuízo, tentando fechar até o final desta semana a versão 2007 do meu folder de serviços. No final das contas, o 'sumiço' acabou sendo positivo para outras coisas também.

A semana que passou trouxe uma tsunami de informações. E de mudanças! A carinha bonita do iPhone foi parar até na capa da Veja. Como sempre, boa parte da nossa prensa - inclusive ou principalmente a que se acha 'especializada' - ficou na nata. Explico: apegou-se no 1cm visível das novas e ignorou por completo os xKm de profundidade das propostas. O tal 'sumiço' acabou sendo muito útil para digerir tudo. Para uma melhor compreensão do que será escrito abaixo, receito o sonrisal que me ajudou: a última coluna do Roberto X e este artigo do Dana Gardner.

Aquele papo de 1% do mercado de celulares (cerca de 10 milhões de aparelhos) é balela. Melhor colocando: meia verdade. Só uma meta (modesta) para os 7 primeiros meses de vida do iPhone (jun-dez/2007). Aliás, o nome iPhone também é uma balela. Para que a Apple usaria uma marca registrada de outra empresa, no caso a Cisco? Publicidade grátis! O aparelho chegará ao mercado em junho com o nome Apple Phone. Do mesmo jeito que a antiga iTV virou Apple TV. Por causa de uma empresa que, segundo Roberto X, custaria para a Apple os lucros do iTunes em um final de semana. A tal empresa tem um produto chamado EyeTV. E a primeira balela?

Bem, a Apple tem um trauma histórico. Ela não aceita o fato de nunca ter possuído míseros 10% do market-share do mercado de micros. Esse trauma faz com que a Apple entre com ambição total (full-throttle) em cada novo mercado. A dupla iPod+iTunes é o melhor exemplo da blitzkrieg que a Apple implementa de uns tempos para cá. Já já nós veremos "grandes" livros de "célebres" gurus narrando a "Estratégia Apple no Século XXI". Bem, o Apple Phone desafia / condena todo o mercado de comunicação móvel que conhecemos. Não se trata (apenas) de desafiar Nokia, Motorola e Sony/Ericsson. Aliás, o aparelho em si mal deve representar 20% de toda a grana que o Apple Phone vai gerar. São as operadoras as maiores desafiadas. Particularmente aquelas que ainda não assimilaram o termo "convergência".

dotMAC, iTunes, Apple Phone. Serviços adicionais oferecidos por dois inimigos mortais (Google e Yahoo). Conteúdo fornecido por gente como Paramount, Disney e vários outros estúdios e gravadoras. Contratos de longo prazo e (aparente) exclusividade com operadoras. Aliás, contratos que são belos exemplos de relação "ganha-ganha". Convergência é costura bem feita. O resto é colcha de retalhos.

Quando citamos a Apple como exemplo de criatividade e inovação sempre pensamos no design perfeito e na rica usabilidade de seus produtos. Quase nunca nos lembramos de que são a inovação e criatividade de seus modelos de negócios que garantem o que os letrados chamam de "crescimento sustentável". O Apple Phone, assim como o iPod, mudará todo trimestre (ou mês). O modelo de negócios que o suporta, assim como as suas 'costuras', são coisas desenhadas para ter uma vida longa.

SOOS :: Conexão

05 janeiro 2007

Continuação de "Definindo o SOOS", que é parte da série "Fumaça, Fogo e Fogaréu".

Finalmente chegamos ao ponto que mais gerou debates até agora. Como a série também está sendo publicada no Blog.MacMagazine, o debate fica persistido lá mesmo. As 5x1/2 dúzias de leitores do Graffiti detestam deixar comentários por aqui, tsc tsc. Mas vamos lá. O artigo de hoje tratará do segundo "anel" de serviços do SOOS, que estamos chamando de "Conexão". O primeiro, apresentado no artigo anterior, foi chamado aqui de "Auto-gestão".


"connected" foi surrupiada da Nada Abdalla no Flickr. CC(by), é claro.


Era uma vez um terminal. Ele só tinha um teclado e um monitor monocromático. Todo mundo chamava ele de "burro". Coitado, sem uma conexão direta com o computador central, ele não conseguia fazer nada. Nem um 2+2. Não era "burro" - era acéfalo mesmo. Aí apareceram seus primos ricos que ficaram conhecidos como PCs - computadores pessoais. Dotados de CPU e memória, nasceram autônomos. Quando começaram a ligá-los em torno de computadores centrais, praticamente decretaram a extinção dos pobres terminais. A única satisfação que restou aos "bobinhos" foi ver a longevidade de seus irmãos que, apesar de igualmente "burros", estão em todo lugar até hoje: os aparelhos de televisão. Há mais de uma década fala-se de uma geração inteligente - a TV Digital - mas a "burrice" persiste. (Parafraseando / Plagiando Nicholas Negroponte: "e olha que não estou falando da programação das TVs, ok?").

Quando falamos de *conexão*, a visão que impera até hoje é identificada por duas palavras e um sinal: "Cliente / Servidor". Nossos terminais, PCs e TVs são "clientes". Grandes computadores e emissoras de TV são "servidores". A parte minúscula e ignorada na definição, a barrinha "/", é a rede: a Conexão entre clientes e servidores. Como eu já escrevi em outro ponto desta série, tudo mudou. Mas a visão "cliente / servidor" segue aí. Qual o problema com ela e o que isso tem a ver com o SOOS?

Os papéis de "cliente" e "servidor" estão deixando de ser uma posição, um "cargo vitalício". O que determinará quando um dispositivo está servindo ou sendo servido é a transação em si. Um iPod, por exemplo, pode ser o "servidor" de músicas em uma casa ou escritório. Em outro momento ele pode ser servido por um micro, para ser devidamente "reabastecido".

Colocando de outra forma: a inteligência não estará mais centralizada. Marvin Minsky (em "The Society of Mind", de 1987), diz que "a inteligência não estará num processador central, mas no comportamento coletivo de um grande grupo de máquinas de usos mais específicos e altamente interconectadas". É por isso que a visão de um SO que funcione como um "Media Center" é de sucesso bastante duvidoso. Home theather, micro, DVD, iPod, videogame, cafeteira e nossa aguardada TV inteligente (e digital) não precisarão de um controle central. Demandarão, isso sim, uma "alta interconexão".

Como eu escrevi no artigo anterior, não é necessário que exista um único SO (um mega-monopólio) para todos os aparelhos inteligentes. O que importa é que eles compartilhem uma série de características essenciais mínimas. Creio que isso só será possível com a adoção de padrões abertos. Mas isso é outro assunto (veja nota no final do artigo).

Os padrões e protocolos de comunicação que existem atualmente já são suficientes para atender essa nova visão. A questão está mesmo em nossos SOs, em sua passividade e uma certa "burrice" (os terminais riram agora, babando veneno).


Viver em Sociedade

Quando falamos em serviços de Conexão do SOOS, queremos tratar de sua capacidade de viver em sociedade. Ele saberá identificar potenciais clientes e servidores, pares e semelhantes, amigos e inimigos. Lembrem-se que um componente (serviço) deste anel é exatamente a Segurança. O SOOS saberá evitar maus elementos e indivíduos que, desprovidos do SOOS, vivem doentes (infectados por vírus e semelhantes). Soou meio fascista mas, no mundo das máquinas, a coisa será assim mesmo. Questão de sobrevivência. Lembram-se que no artigo anterior eu falei que o SOOS "defende a sua existência"?

Novos dispositivos e novos protocolos continuarão surgindo. Quando um cara novo aparecer, como por exemplo o barman D2C (equipamento especialista em caipirinhas - dose dupla!), falando uma nova língua, ele instruirá os outros equipamentos de seu meio (micro, geladeira e afins) onde buscar o serviço que "ensina" aquela nova língua. O SOOS buscará aquele novo serviço e começará a falar instantaneamente com o querido barman: "Capitão, manda mais zuma caipira caprichada!". Ok, é quase a mesma maneira como o Neo (Matrix) aprendeu Jiu-Jitsu. Só que o SOOS não precisará de disquetes ou cartuchos, né? Ele simplesmente pega o serviço na rede. Pronto.

Tudo no SOOS estará conectado com o mundo externo. Mesmo aqueles serviços de "auto-gestão", que descrevi no capítulo anterior, dependerão da Conexão. É como se todo dispositivo possuísse um irmão gêmeo virtual, um 'avatar'. O primeiro benefício óbvio é o backup - uma cópia de segurança. Se você trocar seu micro, por exemplo, não precisará ensinar tudo de novo para ele. E o aprendizado adquirido por um dispositivo estará disponível para todos os demais. Por "aprendizado" entenda não só aquela parte de "conhecimento do dono", um serviço do primeiro anel, mas também todos os Serviços que o SOOS "aprendeu" durante sua vida em um determinado dispositivo.

Este conceito valerá tanto para funcionalidades (serviços) quanto para dados e informações. Se você comprar um editor de textos, por exemplo, ele estará disponível em seu micro mas também na sua TV. Não sei porque você utilizaria um editor de textos em uma TV, talvez para compor um email ou uma mensagem SMS (argh!) que você quer mandar para aquele apresentador 'bacana'. Você também pode adquirir uma música ou um filme. Aqui o exemplo faz mais sentido. Aquela música estará disponível para todos os seus dispositivos que saibam tocar músicas. Engraçado é que quem desenhou algumas implementações do quase-finado DRM tentava evitar exatametne isso: que você pudesse escutar sua música onde fosse mais conveniente e confortável. Não importa (mais). O fato é que você não precisará se preocupar em fazer cópias e mais cópias. Sua música (ou filme, livro, serviço) estará disponível em qualquer dispositivo. Instantaneamente.


Online X Offline

Boa parte dos debates que rolaram desde o início desta série girou em torno do duelo "online X offline". Como eu escrevi acima, o SOOS estará conectado 24x7x365 (24horas por dia, 7 dias por semana, o ano todo). Ou seja, ele será naturalmente online. Chegará o dia em que não falaremos mais tanto da tal Internet, assim como hoje não falamos da energia elétrica. Nossos filhos ou netos não darão tanta importância para ela porque ela será uma coisa natural, que "sempre esteve aí". E a ubiqüidade da rede, sua presença em tudo (do boné ao Porshe, do serviço público ao menor servicinho privado), a torna invisível. O SO do século XXI verá a Internet da mesma forma: como uma coisa natural. Lembrará sorrindo do tempo em que seus vovôs faziam conexões "dial-up".

Mas isso não significa que todos os usos que faremos de nossos dispositivos ocorrerão obrigatoriamente online. Como eu disse em uma das discussões, é uma questão de conveniência e conforto. Dados e informações serão filtrados e depositados em nossos dispositivos. Alguns serão temporários, outros com prazo de validade indeterminado (como as músicas, por exemplo). Com os serviços deve ocorrer a mesma coisa. Aquele "agente" que ajudará a fazer a declaração do imposto de renda não precisa ocupar espaço durante todo o ano. Até porque ele muda todo ano. Já os serviços de edição de textos e planilhas eletrônicas podem residir indefinidamente em nossos discos.

Acho que chegou a hora de falar um pouco mais sobre Orientação a Serviços, o OS ou SO do SOOS (sigla chique fica inalterada em inglês ou português, hehe). Como esse artigo já ficou longo pra chuchu, e já são 19hs de uma SEXta-feira, fica para a próxima.

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Sobre Padrões (Sistemas) Abertos

Vou surrupiar o penúltimo parágrafo da página 47 de "A Vida Digital", único livro publicado pelo Nicholas Negroponte. Literatura obrigatória se você gosta da vida no século XXI. O livro é de 95. Vamos lá:
O conceito dos 'sistemas abertos' é vital, um conceito que exercita a porção empreendedora de nossa economia e desafia tanto os sistemas proprietários quanto os monopólios mais amplamente regulamentados. E ele está ganhando. Num sistema aberto, competimos com nossa própria imaginação, e não contra uma chave e uma fechadura. O resultado não é apenas um maior número de companhias bem-sucedidas, mas também uma gama maior de alternativas para o consumidor e um setor comercial cada vez mais ágil, capaz de rápidas mudanças e de um veloz crescimento. Um sistema aberto de verdade é de domínio público, está totalmente disponível na condição de uma fundação sobre a qual todos podem construir.

Haverá um MacSOOS, WinSOOS, SOOSix etc. Mas todos serão construídos sobre uma base totalmente aberta e livre. Dada a amplitude e relativa complexidade do SOOS, não vejo ele acontecendo de outra forma que não seja como um Sistema Aberto.

"Competimos com nossa própria imaginação". Onde ocorrerão as diferenciações? Em que campo se dará a concorrência no SOOS? Ou, colocando de outra maneira, onde estará a grana no SOOS? O próximo artigo responderá.

Definindo o SOOS

27 dezembro 2006

ou, "Fogaréu!*"

Parte da série "Fumaça, Faíscas e Fogaréu", que discute o SO do século XXI. O capítulo anterior tentou definir Faíscas e necessidades. Começamos agora a parte que interessa (e compromete...).

Foto surrupiada da Kaylin.


Nossa definição padrão para um Sistema Operacional, generosamente persistida na Wikipédia, é a seguinte:
Um Sistema Operacional (SO) é um programa de computador que gerencia os recursos de hardware e software de um computador. Ele executa tarefas básicas como o controle e a alocação de memória, prioriza processos, controla dispositivos de entrada e saída, facilita a conexão com outras máquinas e gerencia arquivos. Ele também pode fornecer uma interface gráfica para o usuário.
No mesmo artigo da Wikipédia aprendemos que um SO oferece 7 tipos principais de... pasmem... SERVIÇOS! São eles:
  1. Processos
  2. Memória
  3. Discos e Arquivos
  4. Rede
  5. Segurança
  6. Interface
  7. Dispositivos
Então todo SO já é, por definição, orientado a serviços? Não. Não no conceito "novo" de orientação a serviços (que ainda mostrarei em algum ponto desta série levemente acoplada). Todo SO *oferece* ou *executa* uma série de serviços. Talvez eu devesse batizar essas idéias aqui compiladas de SOOU: SO orientado a Usuários! Mas soaria (sorry) demagogo e estranho demais.

Afinal, todo SO existe para funcionar como uma ponte entre a máquina e seus usuários. Essa é e deveria ser a única razão de sua existência. Mas nossos SO's preocupam-se mais com as máquinas do que conosco. Reparem novamente na listinha de 'serviços' acima. E na definição mais acima. Cadê o Usuário? Ele é opcional...

Podemos dividir a lista acima em três grandes grupos de serviços (anéis):
  • Auto-gestão: Processos, Memória, Discos e Arquivos
  • Conexão: Rede e Segurança
  • Interação: Interface e Dispositivos
Optei por 'Auto-gestão' como nome do primeiro anel justamente para indicar que no novo SOOS se trata de ir um pouco além dos Processos, Memória, Discos e Arquivos. O SO do século XXI incluirá dois novos Serviços neste primeiro grupo:
  • Gerenciamento do Estado: como uma pessoa adulta, o computador (ou iPod, celular, TV, geladeira...) saberá dizer o que está sentindo. Sempre que se tratar de algo que ele mesmo não possa cuidar. Caso contrário, ele não deve incomodar seu proprietário. Vale para baterias vazias ou discos cheios, aquecimento de mais ou carinho de menos. O computador, assim como um robô do Asimov, deve proteger sua própria existência (lógico, desde que isso não represente nenhum tipo de problema para o seu usuário).
  • Conhecendo e Aprendendo com o Usuário: uma máquina, assim como um cachorro, deve conhecer seu dono. Na nova geração de SOs, os serviços básicos de aprendizado e de conhecimento do dono devem ficar no núcleo do SO. Num primeiro momento, a máquina deve conhecer seu usuário: sua voz, rosto, impressão digital, forma de uso do teclado e do mouse (é canhoto?) etc. Simultaneamente ele também deve aprender e memorizar os hábitos de uso de seu proprietário: horários, dias, duração das sessões, perfil das sessões por horário e dia, períodos de 'hibernação', e um imenso etc. Cada nova interação é uma nova oportunidade de aprendizado. E depois de um certo tempo, o computador (ou iPod, iTV, celular, liquidificador...) deve ser um amigo íntimo de seu dono. Deve conhecê-lo até mais que o próprio esposo ou amante. Aliás, o computador saberá da(o) amante)! Brincadeirinha...
    O importante aqui é indicar que a próxima geração de SO's deve tornar nossos equipamentos menos passivos, menos estúpidos. A tecnologia tá toda aí. Só falta implementar.
    Reparem também que se trata de um serviço básico. As interfaces seguem em outro anel. Aqui a máquina está preocupada em conhecer e aprender com seu usuário. Mas não é esse serviço que "conversa" com o usuário. A "conversa" segue no terceiro anel, que será apresentado mais tarde.
É neste primeiro nível (anel) que a MS apresenta uma inovação de gosto e eficácia muito duvidosos em seu recém-lançado Windows Vista. A parte que trata de discos e arquivos inclui agora mecanismos de proteção de propriedade intelectual genericamente chamados DRM (Digital Rights Management). Este estudo do Peter Gutmann (citado no graffiare de hoje) fala do "suicídio" que tal implementação pode representar. Engraçado é que não tem muito tempo que o próprio Bill Gates disse que DRM é um grande erro (em outras palavras, mas disse). Gastaram tempo e uma fortuna implementando uma 'inovação' que não foi solicitada por nenhum usuário - só pelas grandes gravadoras e estúdios de Hollywood. E não gastaram um mísero cent nos dois tipos de serviços apresentados acima.


Falarei sobre o segundo (conexão) e terceiro (interação) anéis nos próximos capítulos da série.

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* Fogaréu é o apelido que escolhi para o SOOS. Além da brincadeira com a 'Fumaça' e as 'Faíscas', ele tem um sentido: Seja num palito de fósforo ou num grande e tenebroso incêndio, o fogo é sempre fogo. É assim que eu vejo o SOOS, um carinha que mantém suas características fundamentais esteja ele num micro, iPod, TV, freezer etc. Não precisa ser o MESMO SO. As características básicas é que devem ser iguais ou compatíveis. Além, obviamente, dos protocolos de comunicação. Mas este é assunto do próximo post.

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Update (28/dez): O IDGNow! de hoje fala sobre o mesmo estudo do Gutmann que citei acima. E toca num ponto que eu ignorei, mas que pode ser ainda mais representativo: o sistema de proteção do Vista (aka DRM) também afeta drivers (ou motoristas, hehe). De uma forma que pode comprometer o funcionamento de vários periféricos e componentes centrais (como as placas de vídeo, por exemplo). Até o IDGNow! sugeriu o seguinte: as 'brincadeirinhas' da MS...

..."podem se provar um catalisador contra a Microsoft para aumentar a popularidade de sistemas como o Linux ou o Mac OS, da Apple, entre desktops domésticos".

Somando DRM, WGA (Windows Genuine Advantage) e os novos requisitos de hardware, não é difícil fazer algumas previsões 'nebulosas' sobre o futuro do Vista. Mas o perigo real e imediato é outro, ainda distante do Linux e da Apple: o XP terá vida longa, especialmente nas empresas. Para desgosto da turma de Redmond.