Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

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Graffiare #478

07 junho 2010

Quando a patuleia vê qualidade, paga. Pão dormido, só de graça.

- Elio Gaspari

Na Folha de ontem, ao comentar o iPad e toda a revolução que ele começou a causar no mercado editorial.

Seis Anos!

11 maio 2010

Hoje o Graffiti completa 6 anos de vida. Quase uma eternidade em se tratando de TI. Só é uma pena que ele siga tão abandonado. O trampo e o finito (quem também é trampo), além de uma equilibrada agenda, impedem que eu passe mais tempo por aqui. Desconfio que o Graffiti esteja enfrentando uma séria crise de meia-idade. E de identidade.

Duas alternativas no curto horizonte:

  1. Promover uma fusão dele com o finito.
    Isso reduziria seu "escopo de atuação" ao mesmo tempo que ampliaria um pouco a alça de mira do finito. Também obrigaria uma redação mais contida e serena. Eu filtraria daqui alguns artigos que fazem muito sentido no blog mais profissa. 
  2. Fechar o Graffiti.
    É triste, mas todo blog tem sua hora. 
Claro, ele também pode continuar como está, com posts bastante esporádicos. Mas acho que um safanão faria muito bem neste sexto ano.

Por hoje, para comemorar, que venham dois goles e dois goles.

Bom entendedor se contentou com meio gole, certo?

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O mês ou as novas? Ambos! E o Graffiti merece 1% do meu tempo.

Jobs: Open, Open, Open em Carta Aberta

Como é estranho ver o Steve Jobs falando sobre "padrões abertos". Mas ele diz a pura verdade em sua carta aberta: Flash é tecnologia proprietária, insegura e dos tempos do PC (leia-se teclado+mouse). Antes, fez questão de lembrar o quanto já foi bom o relacionamento da Apple com a Adobe. O fato é um só: a Adobe dormiu no ponto e perdeu o bonde (da mobilidade). RIP Flash! Já vai tarde.


HP salva a Palm ou vice-versa?

Boa a pergunta da ZDNet. Ok, a HP tá longe de precisar de salvação. Mas, há tempos - desde a época da Carli (aquisição da Compaq, lembram-se?) - ela precisa de um safanão. Êta empresa paradona (apesar dos bons produtos). Mas, sei não. Acho que a aquisição da Palm acontece com uns 3 ou 4 anos de atraso.

Ballmer no Brasil...

... Para anunciar um produtinho (Messenger) que estará disponível sabe-se lá quando?!? E com "diferenciais" que estão no Digsby há tempos!?! O povo de Redmond arrumou um jeito de tirar Ballmer do caminho por uns tempos. Só pode ser isso.

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O Rio tá de Bode

17 março 2010

O Rio de Janeiro continua lindo... e cheio de problemas.

O alívio dos incompetentes é um bode expiatório de impopularidade inconteste. O Rio encontrou o seu: a divisão dos royalties do ouro negro proposta numa tal emenda do Ibsen. Agora ficou fácil:

Quanta violência! - culpa da emenda do Ibsen.
Falta escola! - culpa da emenda.
Chove alaga tudo! - culpa da emenda.
O Dodô perdeu 2 pênaltis! - culpa da emenda.
Não tem mais Copa! - culpa da emenda.
Não tem mais Rio 2016!! - culpa da emenda
O Love ama a Rocinha!! - culpa da emenda.

O Steve Jobs falou que não abre loja da Apple no Rio nem sonhando! Culpa da...

Ops! O Jobs tem outro alvo: "as malucas taxas de importação" de nosso querido Brasilzão. Mas não deve faltar gente com o dedo duro apontando para a emenda do Ibsen.

Precisam avisar o Jobs que a coisa vai piorar. A OMC deu ganho de causa para o Brasil no caso dos subsídios pagos pelos EUA para seus produtores de algodão. A primeira parte do pacote de maldades (retaliações) foi meio nonsense: sobretaxar trigo!?!

A segunda parte faz mais sentido: cinema, música e software entram na lista de produtos sobretaxados.

Jobs seguirá distante. Assim como o Rio seguirá lindo... e cheio de problemas.

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Upgrade na Marra

03 março 2010

Se eu fosse marqueteiro de alguma empresa fornecedora de sistemas operacionais e browsers ia sugerir uma 'blitzkrieg' (ataque relâmpago) em várias emissoras de TV. Não para pegar cópias piratas ou algo do tipo. Mas para fazer um upgrade nos sisteminhas utilizados pela maioria delas.

Incomoda ver, particularmente na ESPN Brasil, os caras ainda utilizando XP com IE6. Que lixo! Sei que se trata de um canal fechado. Ou seja, não tem audiência de folhetim das nove nem de porcarias como BBB. Mas tem um público seleto e muitas vezes formador de opinião. Já imaginaram o impacto que teria uma tela modernosa, como os cubos giratórios do Kubuntu/KDE 4? Só no Linha de Passe, por exemplo, a tela é mostrada umas 4 vezes. 4 inserções de mais ou menos 30" num canal com público tão especial? Caramba! Só a exposição já pagaria o investimento. Sim, eu daria as cópias e até os micrinhos para as emissoras.

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Teoria: EXAME #960 (27/jan/2010)

Marcel Telles, um dos controladores da Inbev, lê "Dobre seus Lucros - 78 Maneiras de Reduzir Custos, Aumentar Vendas...", de Bob Fifer, a cada dois anos.  A 'máxima' número 1 destacada no artigo é: "Corte primeiro e pergunte depois... Se você reduzir demais, sempre terá chances de corrigir o erro. Gaste muito e aquele dinheiro terá sido perdido para sempre".

Prática: EXAME #962 (24/fev/2010)

A Inbev é matéria de capa: "Estilo brasileiro na maior cervejaria do mundo". O artigo, de Tiago Lethbridge, tem 10 páginas! Como prometido na chamada de capa, mostra com detalhes "os bastidores da gestão dos brasileiros da InBev na Anheuser-Busch, um ícone dos americanos".

O tal estilo brasileiro, aplicado por Carlos Brito, é resumido num belo gráfico que ocupa as páginas 28 e 29. Principais destaques:

  • Compra da Anheuser-Busch por US$ 52 bi.
    A InBev teve que pegar US$ 45 bi emprestados.
  • Um mês depois da aquisição, em dezembro de 2008, 1400 funcionários são demitidos.
  • Jan/2010: As vendas caem 12,2%.
  • Aumento de 5% no preço das cervejas.
  • Em nov/2009 os custos "cortados" já somavam US$ 875 milhões.
  • Antes, no mesmo ano, vendeu subsidiária coreana e participação numa cervejaria chinesa. Conseguiu algo em torno de US$ 2,4 bi.
O que a matéria mostra com mais detalhes é como foi realizado um "massacre cultural". Desde um parque da cidade, St. Louis, que era mantido com grana da Bud até as cervejinhas que eram distribuídas para funcionários. Tudo foi jogado fora. Mas o item mais caro que foi para o lixo foi o orgulho daquela que era a capital nacional da cerveja.

Uma das metas da alta direção é o corte de US$ 1 bilhão em custos. A recompensa a ser compartilhada por 40 executivos é paga na forma de ações. Alguns analistas acreditam que os executivos podem ganhar até US$ 2 bilhões. Isso mesmo, dois bilhões de dólares. Só Carlos Brito, o principal responsável pela operação, ficaria com US$ 200 milhões.

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A InBev fez inimigos em toda a cidade e em todo o país. Destruiu ícones e costumes como se eles não fossem nada. Depreciou o patrimônio e se desfez de negócios em lugares (China!) tidos como estratégicos para quase todo mundo. E ainda pode pagar 2 dólares para cada dólar economizado. Eu sei, contabilmente são granas diferentes. A ação é, de certa forma, uma grana 'de mentirinha'. Mas que pode ser convertida em grana real em questão de milésimos de segundos, independente da contrapartida.

Eu só não entendi a conclusão do artigo:

A cultura de gestão dos brasileiros da ABInBev nasceu em Wall Street, deu a volta ao mundo e veio parar nos Estados Unidos - mas chegou num momento em que o sucesso está totalmente fora de moda.

Sucesso?!?

Resta torcer para que não seja este realmente o "estilo brasileiro de gestão" que estamos exportando. De brasileiro ele não tem nada. Essa maldade tão século XX tem outras origens, como as matérias citadas bem mostram. Aliás, o princípio #1 citado no início do artigo é equivocado: nem sempre é possível corrigir cortes mal feitos. Aliás, quase nunca é.

Aprenda Brincando

25 fevereiro 2010

Depois de quase 3 anos circulando apenas com o FAN, programa para Formação de Analistas de Negócios, eu não via a hora de mudar um pouco de assunto. Mas, caramba, não é nada trivial a criação de um curso. E no dia em que eu engatar o automático, pegar um assunto da moda e transcrevê-lo em algumas dezenas de slides, definitivamente terá chegado o momento de pendurar chuteiras e mouse.

Desta vez eu coloquei novas restrições: não queria um formato tradicional de oficina (ou workshop, como queira). Tenho vários desejos e ideias quando penso em eventos. Algumas malucas: uma peça de teatro; standup comedy; talk show... Loucas o suficiente para permanecer como um post-it no meu quadro "eureka!".  Ainda não chegou a hora delas.

Quando eu coloco o desafio ele gruda no cérebro como aquelas musiquinhas que a gente faz força para parar de cantarolar. Vira e mexe reaparece, sabe-se lá d'onde. Também não sei dizer de onde aparecem as ideias. Mas, algumas delas quando chegam, parece que já veem mastigadinhas e prontas para uso. Foi o que aconteceu com os 2 novos eventos que acabo de disponibilizar. Ambos compartilham o mesmo formato e nome: O Jogo dos 7 Erros.

Sim, surrupio daquele joguinho infanto-juvenil o formato. Naquele o jogador deve encontrar 7 diferenças entre 2 desenhos. Na oficina homônima os participantes não se limitarão a identificar enganos. Devem trabalhar também na elaboração de uma solução. Foi uma maneira diferente que encontrei para tratar de temas que aporrinham dois profissionais: o Líder de Projetos e o Analista de Negócios. Cada um terá uma oficina só sua.

Eu ainda quebro a regrinha #1 do Hugh MacLeod para a Criatividade: "Ignore Everybody" (não por acaso, título de seu livro). Eu não comecei com uma folha em branco. Não podia ignorar algumas demandas ou reclamações comuns. Por exemplo, muita gente pede pra ver estudos de caso. Gosta de debater situações reais. E de aprender com os erros dos outros, que é uma maneira muito econômica e eficaz de aprendizado. Levei tudo isso em consideração. Mas, por outro lado, não queria fazer um evento 'chatinho' baseado num estudo de caso. (Alguns eventos do tipo são um verdadeiro pé no saco). Não, eu queria algo leve, divertido. Esta era a palavra: divertido. Por isso me veio a ideia do jogo.

Em cada oficina serão apresentados 7 casos reais, devidamente maquiados de forma a não ferir suscetibilidades*. Para cada um será apontado um tema - a figura onde o erro se encontra. Todos os exercícios serão individuais. Mas o encerramento de cada um será marcado por um debate com toda a turma. Cada tema merecerá 60 minutos, que serão distribuídos mais ou menos assim:
  • Apresentação do Caso: 10'
  • Exercício: 20'
  • Debate: 25'
  • Conclusão: 5'
O formato exige que tudo - sala, material didático, slides e instrutor - esteja muito 'redondinho'. Por isso o evento foi lançado com a tarja "BETA" e um precinho especial. Em Sampa, nos dias 12 e 13 de março, acontecerão os primeiros testes. Claro que compartilharei aqui os achados e perdidos. Se você quer saber um pouco mais sobre os eventos, consulte o finito. Ou fale comigo, aqui mesmo, via comentários.

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* Veja um exemplo, "O Assassinato de um Projeto pelo Covarde seu Moreira".

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Quem faz leitor são os pais. Os jovens leitores são filhos de leitores. Dificilmente aparece uma criança ou adolescente que não tenha os pais leitores. A grande campanha que na minha opinião deveria ser feita pelo governo é mais ou menos assim: "Se você não lê, como quer que seu filho leia?"

- Pedro Herz, dono da Livraria Cultura (na Folha de Domingo, 21/fev)

Talento X Comprometimento

11 fevereiro 2010

Depois que até o Mestre Jacobson apelou para metáforas ludopédicas, é claro que não vou furar a bola alçada pela dupla que comanda a seleção canarinho, né? Ao tentar justificar a lista de convocados nesta semana, o auxiliar-técnico Jorginho disse mais ou menos o seguinte:

A técnica apenas não basta. É preciso mostrar comprometimento.

Com certeza é isso que justifica a presença de Felipe Mello, Josué, Júlio Batista, Elano, Gilberto e outros caras que mal conseguem se firmar em seus clubes mas merecem espaço na nossa seleção. E é a mesma desculpa para a ausência de Ronaldinho, Neymar, Hernanes, Elias etc etc etc. Nosso campo é outro, verde em outro sentido. E o que quero propor é um papo sobre o conflito Talento X Comprometimento.

Numa época em que o mercado cobra Inovação e Criatividade, é possível que uma empresa se dê bem apostando no comprometimento em detrimento da técnica, do talento? Basta ver quantas empresas por aí, particularmente de TI, pastam para sobreviver. Seria por falta de comprometimento de seus colaboradores? Na minoria dos casos, posso garantir. Mais do que comprometimento, lhes falta talento. Carecem de pessoas criativas. Ou, principalmente, de não-processos e não-políticas que valorizem os criativos.

O que nossa comissão técnica e muitas das nossas empresas não explicitam é um medo e uma incompetência. Medo: Os caras mais talentosos são mais rebeldes e contestadores. Incompetência: Não sabem gerenciar gente talentosa. O que fazem, então? Não convocam ou não contratam gente que possa representar perigo.

Romário, crucial no Tetra de 94, fugia da concentração para suas gandaias. O que é estranho, no caso da seleção, é que tanto Dunga quanto Jorginho estavam lá. Anjinhos, claro. Mas teriam coragem de "queimar" o Baixinho? Hehe.. eles são bobos mas não são burros.

Agora, por favor, não me interpretem mal. Não estou propondo que as empresas virem o caos absoluto com trilha sonora do samba do nerd mucho-loco. O que estou dizendo é que, enquanto as empresas insistirem nessa coisa limpinha, chata e previsível de seus processos elas seguirão pastando para pagar as contas. Chega de invejar os números de uma Google da vida mas não copiar umazinha de suas boas ideias em gestão de talentos. Basta de mediocridade!

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E a seleção? Já perdi qualquer esperança. Em 94 tínhamos 8 chatos e 3 talentos em campo: Romário, Bebeto e Tafarel. Bastaram para aquele título feio, chato, quadradinho e que só veio nos pênaltis. Hoje só temos um talento de verdade. No gol!?! É pouco. Muito pouco. Como já disse lá nas previsões para a próxima década, nosso Hexa virá em 2014, em casa. E com o Dunga exilado lá na Patagônia, secando os talentos num radinho de pilha.

O lance aí do lado é um dos mais reprisados na história do futebol. O Pelé perdeu o gol. A seleção de 1982 é lembrada e celebrada até hoje nos 4 quantos do mundo. Não ganhou nada. No final das contas, o que fica é o talento. E a história que ele ajudou a criar. O resto é o resto.

Novas Profissões

10 fevereiro 2010

Uma brincadeira que fiz no finito me empurrou para cá - aquela sobre o "Crítico de Oficinas". O tema me incomoda desde que comecei a reparar que uma famosa publicação adora anunciar novas profissões em TI que são um tanto esotéricas e estranhas. Detetive de redes sociais, por exemplo. Não dá pra crer na viabilidade ou longevidade de muitos chutes que aparecem lá e em outras paradas. Assim como é impossível apostar em qualquer profissão que possa ser facilmente trocada por aplicações, como é o caso do "detetive" em questão. Há tempos sabemos que as profissões mais quentes e promissoras, particularmente em TI, são aquelas que dependem demais do intelecto e do talento, da criatividade e da sensibilidade. Características que, até onde sei, ainda estão muito distantes de sistemas, robôs e afins.

Mas é ainda mais gritante o fato de algumas das profissões mais atraentes e necessárias serem sumariamente ignoradas pela grande mídia tupiniquim. Não por acaso, também são aquelas que nunca aparecem em anúncios de vagas. Dúvida tostines aqui: não há oferta porque não aparecem na mídia ou não aparecem na mídia porque não existem ofertas?

Não, não estou falando dos Analistas de Negócios. De certa forma eles apareceram (CIO Maganize, IDGNow etc) e cresceram. Empresas como Bradesco, Embraer, Net, Oi e JBS Friboi, dentre várias outras, já têm seus times de analistas de negócios. Os problemas com esta profissão são outros, e merecerão outro espaço e tempo.

O que não aparece no meu radar mesmo, por exemplo, é um cara que faça design. Não estou falando dos "designers" de interfaces nem de artistas pós-modernos. Penso no criador, no arquiteto de produtos. Nunca na nossa história esse tipo de design foi tão necessário. Falamos de inovação e de criação de produtos e serviços "matadores". Pensamos no iPhone e no Facebook, por exemplo. Nos lembramos também dos carros da Toyota, apesar dos recentes pesares. São todos exemplos de um bem sucedido trabalho de design.

Dos outros não sei quase nada, mas na Toyota cada carro é arquitetado (projetado / desenhado) por um engenheiro-chefe. Na Apple parece claro que há um cara que tem a primeira e a última palavras sobre seus novos produtos e serviços. Cadê os nossos "designers"? Se eles existem, onde são formados? E, se existe procura por eles, onde ela é manifestada?

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Eu ia esticar o papo, tentando ilustrar a relevância desses caras em bancos, seguradoras e empresas de TI. Aguardarei algum feedback antes de prosseguir. Enquanto isso, deixo uma sugestão de leitura que explica bem a relevância do design no século XXI e os desafios deste novo profissional:
  • Subject to Change - Creating Great Products and Services for an Uncertain World
    Peter Merholz, Brandon Schauer, David Verba e Todd Wilkens
    O'Reilly - 2008




Quem Precisa do iPad?

28 janeiro 2010

Ok, não é nada para me orgulhar. Mas em dezembro eu escrevi que "os Tablets serão o netbook dos anos 2010-2011". Lógico que eu dava como fava contada um tablet da Apple. Assim como é óbvio que eu esperava ver o brinquedinho em todos os noticiários, escalada do Jornal da Globo, primeira página da Folha etc. Desconheço outra empresa que consiga tanta publicidade gratuita de seus produtos. Vou dar um chute aqui: ela ganha, no mundo todo, mais de US$ 200 milhões em exposição. E não é qualquer cantinho de página não. Só na Folha de hoje ela ganhou 2/3 de uma página do caderno Dinheiro. Mas eu abri o post para falar de outra coisa: Quem precisa do iPad?

Vi por aí muita gente reclamando que já tem gadgets demais para carregar. Claro, tem gente que exagera, né? Dois celulares, iPod, notebook, eReader... Desconfio que existam mais viciados em brinquedinhos eletrônicos do que em crack. Bom, quem sou eu para julgá-los? Eles com certeza comprarão uma mochila um pouquinho maior (e mais chique) para hospedar seu novo iPad.

Me interessam os usuários "normais". Eles precisam do iPad? Vou aumentar o escopo: eles precisam de um tablet? Há pouco mais de 6 meses convivo com um, da HP. Por enquanto há apenas uma "killer aplication" que me faz tolerar o Vista e utilizar o brinquedinho: o OneNote, da MS. (Pois é, consegui elogiar alguma coisa vinda de Redmond!). Em 80% do tempo eu vou de Ubuntu mesmo - sem as funcionalidades do Tablet. Neste sentido eu acho que poucas pessoas veriam utilidade em um gadget sem os arcaicos teclado e mouse.

Mas a proposta da Apple é muito diferente. É um iPod Touch com tela de quase 10 polegadas. O iPad não brigará com notebooks. Mas desafiará os netbooks (utilizados exclusivamente para navegação na internet), os e-readers (Kindle) e desconfio que até canibalizará um pouco a demanda pelo iPod Touch. Os preços anunciados (de US$ 500 a US$ 1000) reforçam ainda mais minha suspeita.

Houve um tempo em que eu esperava que celulares e iPods oferecessem aplicações parecidas com aquelas que tenho no laptop ou desktop. Ultimamente ando ansioso para ver portados para estas plataformas algumas aplicações que só vejo no iPod Touch, como a incrivelmente boa e bela "Awesome Note". Ou seja, a Apple merece todo o destaque que recebe da mídia. Seguirá merecendo enquanto continuar reinventando a forma como convivemos com tecnologia. O iPad é outro marco. Previsível e simples. Mas um marco.

Caixa Preta... e Suja

26 janeiro 2010

Quem é de fora quase sempre classifica TI como uma "caixa preta". Uma imensa e cara "caixa preta". Já tem um bom tempo que muita gente séria trabalha para reduzir a distância que existe entre uma organização e seu braço de tecnologia da informação. Infelizmente, o lado obscuro e exotérico prevalece.

Se em empresas privadas essa densa cortina causa danos óbvios, é na administração pública que fica escancarado o quanto TI pode ser mal utilizada. Colocando de outra maneira: fica claro como TI pode ser utilizada para outros fin$.

Para ficar só em casos recentes: no caso do mensalão do DEM no DF fala-se em R$ 400 milhões gastos em um "moderno sistema de informatização". Põe no bolso, literalmente, os fabulosos US$ 90 milhões gastos por uma ex-estatal na implantação de seu ERP; o "Cartão do SUS", um projeto de um imenso banco de dados criado em 2001, já consumiu cerca de R$ 500 milhões e ainda não "deu as caras". Segundo Elio Gaspari, na Folha do dia 20/jan, de 1937 máquinas utilizadas em um projeto piloto, apenas 7 estão funcionando.

É sabido que projetos de TI fracassam com frequência vergonhosa. Mas os exemplos acima nos fazem suspeitar de alguma coisa além de nossa tradicional incompetência. No popular: tem gente mamando!

Prestadores de serviços de TI dependem demais de um único ativo: confiança. Quando se metem em gambiarras de (des)governos devem estar cientes do tanto que comprometerão sua posição no mercado. Empresas sérias não gostam de se envolver com gente enrolada.

graffiare #476

15 janeiro 2010

A sociedade organizada pode ser protagonista da sua transformação.

- Zilda Arns

Pois é, cá estou novamente brincando de bidu. Meus tiros configuram mais uma lista de desejos do que "previsões" propriamente ditas. Portanto, se acerto ou erro, não faz muita diferença. Acertei, por exemplo, que a Sun não chegaria como empresa independente no final de 2009. Chutei Cisco como a 'comedora' - deu a óbvia e gulosa Oracle. Deve ter gente lá cantarolando um pré-histórico não-sucesso do Genesis, "In the Cage", que fala: "I got SUNshine at my stomach". Haja estomazil! Mas, como sempre, é o lado mais fraco da corda que arrebenta. Que o digam os usuários e fãs do MySQL.

Mas, como a titia Marília Gabriela me lembra quase diariamente, errei tremendamente ao desejar o passamento (sem choro nem vela) de todas as grandes empresas tupiniquins de TI. Elas estão aí, firmes (como prego n'angu) e fortes (como certeza de palmeirenses). E corretíssimas! Não no sentido que nos leva ao DF, obviamente. Estão corretas em suas ofertas - naquela carteira (de produtos) que eu desejei ver num aterro sanitário. Basta ver a lista dos 100 principais CIO's de Pindorama e seus principais "desafios" para 2010. O critério do ranking, segundo a Computerworld, são os "projetos e desafios". Veja os tais projetos e desafios. Avalie a frequência das letrinhas ERP e similares e tire suas próprias conclusões.

Esqueçamos os 20 anos de atraso. Interessam aqui os próximos 10 meses e os próximos 10 anos. Sem ordem ou critério de seleção objetivo como um Caetano. E farei a lista como entradas num microblog que não merecerão - pelo menos não de minha parte - sobrevida no Twitter. Saca só:

  • O CADE só aceitará na boa a fusão Casas Bahia + Pão de Açúcar se os franceses do Carrefour decidirem o que vão fazer da vida.
  • Wal-Mart tem a solução na ponta da caneta.
  • Dona Luiza seguirá procurando sua Lagoa Azul, já que o Oceano não está para peixe (pequeno).
  • (Taí: por que não Brooke Shields de garota propaganda? )
  • A B2W (leia-se Americanas, Submarino e Shoptime) ainda não tem com o que se preocupar. Ao contrário do Bradesco.
  • A B2W só se sentirá ameaçada quando a Amazon e equivalentes estrangeiras resolverem que Pindorama é praça de verdade. Coisa de 2 anos.
  • Ou quando Pão de Açúcar + Casas Bahia aprenderem a vender e atender pela web. Coisa de 4 anos. 
  • Acontece que no país da piada velha, onde varejista oferece micrinho de 800 contos em 24 parcelas de R$ 99,99 com Win Vista Starter Edition (aka Win 4 $less people), tudo é possível.
  • Até uma estatal que garanta banda larga do Oiapoque ao Chuí. 
  • Caminho mais curto seria a reestatização da Embratel. Caminho mais inteligente seria uma privatização menos indecente. 
  • Caminho mais eficaz seria uma revisão do marco regulatório e de todos os contratos dos provedores de serviços de telecomunicações. 
  • Mas, pelo andar das carruagens brasilienses, teremos mesmo uma nova estatal.
Já que falo de (des)governos...
  • O próximo também tentará promover uma "Reforma Tributária". Governadores mais fracos e / ou aprisionados tendem a aceitar a manutenção da falsa federação.
  • Aliás, cabe dizer que o próximo governo será apenas transitório. Rito de passagem para papo mais sério e polarizado que só acontecerá em 2014.
  • A instabilidade acontecerá apesar do crescimento médio do PIB de 5% ao ano.
  • O bolo crescerá bem, naturalmente (e com polvilho barato). É sua divisão que forçará uma polarização.
TI Tupiniquim:
  • A inevitável seca de alguns mercados obrigará o desenho de soluções pouco ortodoxas. As grandes serão as primeiras a buscar novos mercados.
  • Metade delas será 'vaga lembrança' na Olimpíada de 2016.
  • Metade da metade não será mais tupiniquim.
  • Apesar da taxa extra para remessas de lucros e de receitas com royalties que o próximo governo vai criar. Ou exatamente por causa disso.
  • A falácia do déficit de 200k profissionais / ano finalmente será desnudada. 
  • Independente disso, a partir de 2012 ficará mais visível a falta de profissionais. Campanhas tentarão atrair a molecada, mas o estrago de 5-10 anos já estará feito.
  • Instituições de ensino que entregam profissionais fraquíssimos (sem noções básicas de OO, por exemplo) começarão a ser processadas por ex-alunos que têm seus currículos sistematicamente recusados.
  • Desenvolvedores e engenheiros chineses, chilenos, argentinos e até indianos serão relativamente comuns em empresas de todo tipo e porte.
  • Empresas chinesas e indianas serão relativamente comuns em concorrências e licitações de todo tipo e porte.
  • Voltando aos profissionais, para encerrar o tópico: uma mesma função pagará salários entre R$ 1200 e R$ 6200. A distorção só fará aumentar. Culpa das escolas e empresas que compartilham um mesmo lema: "Os enganamos e vocês gostam!"
  • Os poucos realmente bons não precisarão brigar pelos salários mais altos. Na realidade, as poucas empresas realmente boas brigarão por eles. 
 TI Global:
  • Novo soluço de crise no mundo desenvolvido. Menos acachapante que o último, mas mortal para alguns ramos de atividade.
  • Fronteira entre conteúdo e meio cairá como um muro de Berlin. Megafusões serão a primeira resposta. E Jobs vai se aposentar gargalhando.
  • Dell, Acer, Lenovo e HP. Escolha duas.
  • A Oracle comprará a SAP antes de ser obrigada, pela União Européia, a se desmembrar em 4 empresas independentes.
  • Uma delas se transformará na coqueluche da década, especializada no tratamento e revitalização de ativos de software e sistemas legados.
  • Será aquela onde Larry não terá depositado um mísero cent.
  • Será aquela que concorrerá diretamente com a IBM. 
  • Ballmer se aposentará sem deixar saudades. Nem nos funcionários, muito menos nos acionistas.
  • Cairá por teimar em áreas que sempre deram prejú. E por deixar suas vacas sagradas pastarem no brejo. 
  • Será possível que a Adobe seguirá livre, leve e solta nos próximos 10 anos?!? Já prometi no ano passado, não falo mais sobre ela...
  • Aliás, não deveria ter falado sobre o Ballmer também. Mas não resisto... E agora a chance de erro é zero! 
  • O Google ChromeOS não terá 8% de 'share' até 2012. Se a empresa for teimosa o suficiente, vai saborear 28% de 'share' em 2016.
  • Somados ChromeOS e Android, significará dizer que a Google comandará o acesso a Internet de mais da metade da população economicamente ativa do planeta. 
  • Incomodará tanto e gastará tanto tempo tentando provar que "não é má" que esbarrará no limite das viabilidades técnica e econômica. Por vontade própria, abrirá mão de alguns negócios.
Brinquedinhos:
  • Tablets serão o Netbook dos anos 2010 ~ 2011. 
  • E a Apple só não jogará o Kindle para escanteio porque falhará na hora de licenciar conteúdo.
  • Não fará muita diferença, já que seu Tablet mira uma imensidão de outros usos.
  • Uma imensidão que, medida, bate nos 7 dígitos. E não estou falando de money. Estou falando de mini (até US$5), micro (até $100) e macro-aplicações.
  • Duas grandes lojas (e plataformas de desenvolvimento) concentrarão corações e mentes: AppStore da Apple e a "lojinha" do Android / ChromeOS.
  • Vários desenvolvedores, em todo o mundo, trocarão suas carreiras pela renda das 'lojinhas'. Desenvolverão mini e micro aplicações. Os melhores embolsarão mais de US$150k / ano.
  • Até 2014 alguém tentará levar o mesmo modelo para o mundo dos videogames. Não deve ser Sony, MS ou Nintendo.
Assuntos aleatórios:
  • O Timão ganhará a Libertadores. (Pelo menos uma nos próximos 10 anos...)
  • O site que venderá ingressos para os próximos shows do U2 no Brasil vai cair.
  • O U2 lançará uma nova coletânea (The Best of 2000 - 2010).
  • O Brasil perderá dois reis, um sete de copas e um ás de espadas.
  • Perderá também a Copa de 2010. Para uma seleção que subirá no topo pódio pela primeira vez.
  • Perderá 2010 para ganhar em 2014. Dunga, exilado, não comemorará.
  • Ah... o mundo não vai acabar em 2012.
  • Aliás, agora que Copa e Jogos Olímpicos são nossos, seria o cúmulo da piada de mau gosto o fim do mundo em 2012, né? 
  • Ou não... 

Graffiare #475

16 dezembro 2009

Cada vez mais, as pessoas não se preocupam em ter amigos, ser amadas e ter bons relacionamentos pessoais. Querem ser admiradas, bajuladas e ter ótimas relações profissionais. Só pensam na carreira e no sucesso.

A troca maquiavélica de favores é caminho para a corrupção, outra praga nacional. O corrupto se relaciona muito bem com outro corrupto. Adoram trocar panetones.

O corrupto costuma ser tão social, tão gentil, que até parece ser sério. Para diminuir bastante a corrupção, não bastam duras leis. É necessário também diminuir a promiscuidade social.



- Tostão, na Folha do último domingo, 13/dez/09.

O Custo "São Paulo"

08 dezembro 2009

Há tempos convivemos com o termo "Custo Brasil". Ele sempre foi usado para justificar a falta de investimentos ou o preço abusivo de alguns produtinhos. Também era utilizado de maneira simplista e arriscada para sugerir uma drástica redução da carga tributária. Grande parte dos proponentes nunca se preocupou em explicar como teríamos mais e melhores professores, policiais e infraestrutura etc etc. Importa, para eles, dividir menos e ganhar mais. Viajei...

Eu quero falar mesmo é do Custo São Paulo. Pelo Twitter, neste exato momento, vejo o depoimento de vários colegas falando de caos, apagão, vias alagadas... o inferno de quase sempre. Os problemas de todo período de chuvas, neste ano piorados pela volúpia "obreira" do (des)governo de SP.

Muitas empresas, particularmente do mundinho de TI, são irritantemente guiadas exclusivamente pelo 'cara do financeiro'. Aquisições e contratações parecem ter um único guia: o preço.

Pois bem, tá na hora dessa turma considerar o custo de se viver e trabalhar em São Paulo. Abre aí uma planilhinha excel e começa a contar toda a grana que vai para o ralo porque:

  • Os colaboradores gastam horas no trânsito;
  • Colaboradores não conseguem chegar no trabalho;
  • Colaboradores fazem hora extra para compensar atrasos;
  • Colaboradores rendem pouco porque estão preocupados com os efeitos da chuva;
  • Colaboradores estão infelizes.
Parece coisa subjetiva mas não é não. Se for o caso, se você não consegue medir produtividade, então considere apenas os 3 primeiros itens da lista. Mas faça a conta!

Garanto que concluirão que São Paulo não vale a pena. Colocando de outra forma: São Paulo se tornou cronicamente inviável.

Trampo remoto e mudança para o interior são as duas principais alternativas. Deveriam ser consideradas por todo mundo. Ou alguém aí acredita que aquela obra (de R$ 1,3 bi!) na marginal adiantará alguma coisa?

Papo fantástico rola neste momento no "Linha de Passe" da ESPN Brasil. Papos fantásticos o título do Mengo tá motivando. Tese do quase sempre certeiro Trajano: o Mengo foi campeão porque seus jogadores são mais felizes. E são mais felizes porque têm mais liberdade.

A liberdade que o Adriano mereceu. O comportamento humilde e sereno do Andrade. O tratamento dado ao Pet. São várias as "provas" da liberdade que gerou a felicidade do Mengo. Felicidade retribuída na forma de felicidade para a maior torcida do Brasil.

Juca Kfouri e PVC ajudaram a lembrar outros momentos do futebol onde a felicidade (produto da liberdade) rendeu frutos ou, melhor dizendo, troféus. Romário no Barcelona e na Copa de 94; a Democracia Corinthiana; O Botafogo mágico de Nilton Santos e Garrincha etc.

Trago o papo para nosso mundinho (raramente feliz). Dias atrás folheei um livro dedicado a CIO's. No capítulo sobre Desenvolvimento o autor resumiu assim suas dicas: Contrate bons programadores e trabalhe para mantê-los felizes. Não vou me lembrar agora do título ou do autor (o livro é fraquinho). Mas a dica acima vale muito.

E o que vemos por aí, como práticas default de nosso mercadinho? Programadores engravatados em pleno verão de 32°C de média em Sampa; Profissionais aprisionados por horários fixos de entrada e variáveis na saída (comumente estendidos e transferidos para um banco de horas que raramente será convertido em grana); Estilão "comando & controle" na condução de projetos de desenvolvimento; Esquemas draconianos que impedem que profissionais do conhecimento possam utilizar a Internet; Projetos malucos e atividades caducas que só fazem sentido no Pinel ou em filmes do Buñuel; Planos de longo prazo e promessas tão críveis quanto aqueles de nossos amados políticos...

Eu poderia ficar aqui por horas listando coisinhas que contribuem para a infelicidade de muitos de nossos colegas. Mas você já entendeu meu ponto. Periga até ter se lembrado, como eu, do refrão d'um som do Fagner (quem?): "Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz ..."

Olha, até que dá. Desde que você não seja palmeirense nem tenha medo de mandar seu empregador ir na esquina ver se te encontra lá. Diga para ele que, caso não o encontre, aproveite o passeio e cate latas.

Tristes Ricos Trópicos

03 dezembro 2009

Sei lá quem disse que é "triste o país que precisa de heróis". Pior é aquele que pretende educar com leis e mais leis, proibições e mais proibições. Não percebe que assim reconhece a total incapacidade de seu povo de aprender, entender e respeitar.

É curioso que exatamente neste ponto da história, em que Pindorama é celebrada pelos quatro cantos do mundo como uma Nação vibrante e atraente, internamente nossos políticos disparam uma série de travas e mordaças e afins.

Um colunista da Folha (provavelmente o Marcelo Coelho) já havia reconhecido o padrão: não tem muito tempo, o "povo" gostava de políticos que mostravam obras. Hoje parece que o "povo" tá adorando políticos que promovem leis que reduzem nossos espaços e direitos. Vide a alta aceitação das recentes leis "higienistas-facistas" do (des)governo de SP.

Percebe o tal "povo" o perigoso antecedente que abre? Claro que não. Ainda não.

Por isso o Senador Valdir Raupp (PMDB-RO) se sente no direito de criar uma lei que nos tira o direito de escolher o videogame para uso próprio ou de nossos filhos e sobrinhos. No meu mundo, meus caros, isso só tem um nome: CENSURA.

Mas parece que muitos pais e responsáveis estão adorando isso tudo: a radical terceirização da educação de seus filhos. Devem saber o que estão criando.

Precisa dizer que esse tipo de coisa nunca funciona? Precisa dizer que isso aí só faz criar um mercado negro? Claro que não, estamos carecas de saber.

Sinceramente, começo a achar perigoso demais o fato do nosso crescimento econômico não significar um crescimento como sociedade. Sei que sempre há um descompasso, mas estamos exagerando. Só espero que não estejam testando nosso limite. Porque até a mansidão bovina, que tanto nos caracteriza, deve ter um limite.

Fábrica de Estressados

30 novembro 2009

TI sempre foi uma fábrica de estressados. Seja em operações ou em projetos, a norma é sempre ver profissionais sobrecarregados, trabalhando no limite físico (e de prazos). E é muito estranho que um vergonhoso histórico de acidentes, bugs e fracassos não resulte em revisões na maneira como equipes são dimensionadas e estruturadas.




As organizações, sempre orientadas por um único fator: Custo, seguirão com a esperança de que é possível obter mais com menos (profissionais). Míopes, seguirão ignorando que acidentes, bugs e fracassos, no final das contas, custam muito mais que uma equipe um pouco maior (e melhor).

Portanto, o que estranho mais é o fato dos profissionais da área seguirem se sujeitando a práticas que vão do absurdo ao draconiano com escalas em soluções hilárias. Estranho porque, na média, estamos falando de profissionais com bom nível cultural e relativamente exigentes. São exigentes, por exemplo, em relação a flexibilização de horários de trabalho, ambiente etc. Por que, então, aceitam de cara boa responsabilidades cada vez maiores?

Há quem diga que esse espírito voluntarioso é fruto dos desafios - "nós adoramos desafios!". Outros dirão que é falta de opção: seria pegar o trampo ou ficar desempregado. Perdão, mas acho isso tudo uma imensa besteira. Existem desafios e Desafios. Mas nenhum justifica 100hs de trabalhos adicionais por mês. E quem tem medo de perder o emprego normalmente é o primeiro na fila do seguro-desemprego.

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Pra variar, desenvolvi o texto ignorando por completo o tema que o motivou. Seguinte: na Info do mês tem um artigo chamado "A Mutação do Webmaster". Citam Guilherme Ranoya, professor da FIAP:

As empresas exigem cada vez mais de uma única pessoa. Muitos estão exaustos ou assustados com o esforço que têm de realizar para acompanhar as mudanças.

Em outro trecho, um brinde da Info: "o webmaster não precisa ter diploma, mas deve conhecer pelo menos três linguagens de programação e estar familiarizado com métodos como Ajax ou ferramentas como o Flash, programar, modelar e realizar operações de banco de dados. Deve saber configurar servidores, com suas devidas extensões para programação em PHP, Ruby on Rails e Java, entre outras. Tem de configurar máquinas virtuais para montar servidores de teste, desenvolvimento e produção, configurar redes e servidores de email e gerenciar suas políticas e usuários".

Kkk... faltou pedir para ele lavar, passar e fazer um cafezinho! Pô, será que não percebem o tamanho do absurdo? Ok, eu já tinha falado sobre isso em julho. Mas acho que seguirei falando. No mínimo para ganhar mais dois ou três amigos que saibam dizer: "Não, obrigado".