Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

Visite a nova versão em pfvasconcellos.net

A Vida Começa aos 40?

29 outubro 2008

Se sim, então devemos esperar belas novas no dia 29 de outubro de 2009. Nossa querida, indispensável, ubíqua, instável, temida e mal entendida Internet estará completando seu 40º aniversário.

Sim, hoje é aniversário da Internet. Não vi velinhas, mas não posso deixar de registrar. Da mesma forma que o fiz tempos atrás. Mostrando sua certidão de nascimento (o primeiro log)...



... e o primeiro retrato:

Diz aí, não era uma gracinha?

Hoje, balzaquiana, segue bonitona. E indispensável, ubíqua, instável... promissora. Ninguém mais saberá viver sem ti, adorável coroa!

Tenho consumido alguns poucos minutos diários com a leitura de "Os Homens que não Amavam as Mulheres", best-seller de Stieg Larsson muito comentado nos últimos tempos. É a primeira parte de uma trilogia chamada "Millennium". E a primeira vez que pego um livro da moda desde "O Código Da Vinci". Bem escrito, bem sacado e grudento, parece um mix de Agatha Christie, Dan Brown e William Gibson (de "Reconhecimento de Padrões"). Da primeira o "whodonit"; de Dan o passeio descrito com certa minúcia; e de Gibson a antena e a personagem Lisbeth Salander (mal identificada na nossa mídia como uma 'hacker'. Simplista, pra variar).

Bom entretenimento. Mas existem dois outros fatores que merecem destaque. Aliás, que merecem ser tratados aqui no Graffiti.

O primeiro é a excelente tradução de Paulo Neves - que não partiu do original sueco e sim de uma versão francesa do romance. Seu cuidado, particularmente com os termos técnicos, deveria ser observado por aqueles que traduzem livros de negócios e informática aqui em Pindorama. Paulo Neves soube distinguir termos que mereciam tradução daqueles que deveriam ser mantidos em sua forma original. Critério simples: qual forma está no nosso dia-a-dia? Sem inventar roda, deu um show de tradução.

Destaco este ponto porque estou com o saco cheio de ver "business process" virar "processo comercial", "commodity" virar "mercadoria", XP virar "Programação eXtrema", "cloud computing" virar "computação nas nuvens" ou "de nuvens" e outras cagadas de igual calibre. É impressionante o relaxo de gente de nome como Editora Campus, Bookman, Abril e outras. Se não conseguem encontrar bons tradutores, que publiquem então as versões originais. Atenção: um bom tradutor de livro técnico deve ter formação técnica e viver no meio. Não basta saber inglês, ok?

Segundo ponto. Saca só um trechinho:

Se um repórter, no Parlamento, realizasse sua tarefa do mesmo modo, sustentando sem a menor crítica cada moção proposta, ainda que totalmente insensata, ou se um jornalista político carecesse de uma forma semelhante de julgamento, esse jornalista seria despedido ou pelo menos transferido a um serviço no qual ele ou ela não pudesse causar prejuízos. No jornalismo econômico, porém, não é a missão jornalística natural que prevalece, ou seja, oferecer aos leitores análises críticas e um relato objetivo dos resultados. Não, aqui se celebra o vigarista mais bem-sucedido. E é assim que o futuro da Suécia está sendo moldado, minando-se a última confiança ainda depositada nos jornalistas como categoria profissional.
O texto acima é de um livro que o protagonista de "Os Homens...", Mikael Blomkvist, publicou. Mikael, vale citar, é o alter-ego de Stieg, que também foi um ativista político e jornalista econômico. Por que o trecho merece destaque?

Oras, troque "jornalismo econômico" pela prensa que cobre nosso mercado (TI). Troque Suécia por Brasil. Está ali uma visão bem clara de nossa prensa que se diz especializada. Duvida?

graffiare #465 - Tudo Azul?

28 outubro 2008

Many developers who attended the October 27 unveiling of Azure at the Microsoft Professional Developers Conference in Los Angeles are still trying to get their heads around what Azure is and how it will work.

Mary 'Jo Jo Gunne' Foley na ZDNet.


Só pra variar, parece que a MS (Mon Amour!) deu um show de desinformação no PDC de ontem. Requentando idéias e um slide que, salvo engano, já rola por aí tem uns 3 ou 4 anos:


Tá certo, ficou menos poluído. Mas a confusão é a mesma. Tanto que o Ballmer pode tentar utilizar a mesma explicação de 2004:

It's about connecting people to people, people to information, businesses to businesses, businesses to information, and so on.

Caramba, o defeito da bússula da MS é tão medonho que até em campanhas publicitárias (caso Seinfeld) eles andam barbeirando feio. E olha que era só pra vender PC (e Vista). Imagina agora, que devem explicar algo tão complexo como a "computação na nuvem"...

Começaram bem: e um gênio marketeiro achou que "Azure" (Azul) tinha tudo a ver. Hehe... tem sim. No mundo MS não há nuvem nenhuma!! É o céu do Brigadeiro Ballmer...

Só quando outra categoria passa a usar e se lambuzar com um termo só seu é que a gente entende o tanto que irrita uma língua própria e fajuta, né? Variações de "alavancar" estão por todo lado desde que o Muro-do-Bushinho caiu - desde que a crise financeira mundial explodiu. Alavancar? Alavancagem?!? Bom, ainda bem que o Aurélio é antenado:

Alavancagem sf. 1. Ato ou efeito de alavancar. 2. Econ. Proporção de recursos de terceiros na estrutura de capital de uma empresa.
Ah bom: significa que nosso caixa é formado por grana que não é só nossa, grana que de uma forma ou d'outra é emprestada. Ah... Agora fica mais fácil entender os dizeres d'uma economista muito bonitinha que apareceu num programa de TV ontem. Com sua língua própria ela explicou que médias e pequenas empresas do ramo de serviços passarão por maiores dificuldades nos próximos meses. Razão? São muito "alavancadas"! E seriam muito "alavancadas" porque lidam com um custo fixo muito alto. No popular: custo fixo = mão-de-obra. Ah...

Mas qual a origem das dificuldades? Os bancos estão segurando as alavancas... se borrando de medo de emprestar grana e ficar com o papagaio na mão... Ah... Os mesmos bancos que acabaram de divulgar lucros recordes? Sim! Ah...

E qual a solução da economista bonitinha? Que o governo estique os prazos para recolhimento de impostos; que o governo reduza impostos; que o governo...

A gente até se esquece que quando falam em GRANA DO GOVERNO estão falando em GRANA NOSSA, né? Então os bancos podem seguir sua política, comprando TÍTULOS DO GOVERNO ao invés de IRRIGAR o mercado? E nós pagamos duas vezes por isso?!? Que mundo maluco...

.:.

Mas eu abri este post com outras intenções. Pequenas e médias empresas de serviços. Hmm... pega em cheio nosso mercadinho de TI, não? Pega sim, um considerável universo de empresas Alavancadas & Ferradas. Empresas que nos últimos tempos iniciaram um belo processo de auto-limpeza: começaram a registrar funcionários, eliminando PJ's e afins... Essa gente, covardemente alavancada, é que começará a sofrer com a queda do muro-do-bushinho...

Break! Não tô aqui, em tom apocalíptico, negando o que escrevi na última sexta-feira. Mantenho o otimismo que, eu disse lá, não é babão/bobão. Isso não significa que devemos ignorar a tal "Economia Real" (como se qq outra não fosse uma imensa bullshitagem-sacanagem). O problema é sério.

E pega em cheio algumas de nossas últimas ondas: fábricas de software e serviços de telemarketing. Empresas "alavancadas" por natureza. Não ligo se elas se forem. Melhor dizendo: torço para que modelos de negócio mais criativos e modernos sejam desenhados com suas cinzas.

O problema é que várias empresas que não têm nada a ver com isso devem sofrer também. Com serenidade, não há melhor momento para rever modelos e planos. Com serenidade e otimismo. Um bom começo é a busca de alavancas alternativas. Um bom papo com o gerente do banco, cortando aqueles produtos-gracinha que pareciam ter sentido mas que custam grana. Sejamos criativos. O Criativo cria a si mesmo. O Criativo usa alavancas criativas. Não muletas!

Parece que foi ontem. Mas foi em 2/dez do ano passado. Ontem foi outro dia.. O Dia da Ressaca do Ano! Ressaca justa: o Timão encerrou suas férias da primeira divisão. O Coringão voltou!

Não era surpresa pra ninguém. Mas o que explica aquela festa toda, toda aquela comoção no sábado? O que explica aqueles generosos minutos no JN, Esporte Espetacular, Fantástico et cetera? O que explica a paixão d'um Louco?

Foto surrupiada de Daniel Kfouri.

Nada. Ninguém explica. Se você é Louco, sente. Se não, fica aí com cara de bobo... e, quem sabe, uma pontinha de inveja. Só o Timão é uma torcida que tem um time. Isso faz uma diferença danada. Uma diferença que apareceu nos 32 jogos do time na segundona.

Como pedi no terrível 2 de dezembro de 2007, tive minh'alma Louca lavada com Q'Boa. O time, os 39 caras que passaram por lá, mais a mão firme do Mano, souberam nos respeitar. Foram dignos e respeitaram também os outros 21 adversários. Mal informados falarão que foi fácil. Foi não. Uma ponta de amargura existiu em cada jogo. Amargura, Angústia, Ansiedade... quem disse que isso é fácil? Foi fácil não.

E é por isso que, apesar de inexplicável, é compreensível o que aconteceu no último sábado. Uma nação com trinta e tantos milhões de habitantes estava desabafando 10 meses e alguns dias de amargura, angústia e ansiedade...

[Lá pelas tantas, 21hs, depois de rodar por 3 lugares, depois de litros de cerveja, sem achar meu lugar e a correta expressão do que eu sentia, reclamei com meu irmão: "Ainda não me deixaram chorar..."]

Agora, devidamente vestido com as roupas e as armas de Jorge, ouso repetir o que pedi naquele fatídico 2/dez: em 2010, no ano do centenário, queremos Libertadores e o Mundial. Pois é: somos um bando de loucos! E como é gostosa essa loucura...