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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
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Alavancadas & Ferradas

28 outubro 2008

Só quando outra categoria passa a usar e se lambuzar com um termo só seu é que a gente entende o tanto que irrita uma língua própria e fajuta, né? Variações de "alavancar" estão por todo lado desde que o Muro-do-Bushinho caiu - desde que a crise financeira mundial explodiu. Alavancar? Alavancagem?!? Bom, ainda bem que o Aurélio é antenado:

Alavancagem sf. 1. Ato ou efeito de alavancar. 2. Econ. Proporção de recursos de terceiros na estrutura de capital de uma empresa.
Ah bom: significa que nosso caixa é formado por grana que não é só nossa, grana que de uma forma ou d'outra é emprestada. Ah... Agora fica mais fácil entender os dizeres d'uma economista muito bonitinha que apareceu num programa de TV ontem. Com sua língua própria ela explicou que médias e pequenas empresas do ramo de serviços passarão por maiores dificuldades nos próximos meses. Razão? São muito "alavancadas"! E seriam muito "alavancadas" porque lidam com um custo fixo muito alto. No popular: custo fixo = mão-de-obra. Ah...

Mas qual a origem das dificuldades? Os bancos estão segurando as alavancas... se borrando de medo de emprestar grana e ficar com o papagaio na mão... Ah... Os mesmos bancos que acabaram de divulgar lucros recordes? Sim! Ah...

E qual a solução da economista bonitinha? Que o governo estique os prazos para recolhimento de impostos; que o governo reduza impostos; que o governo...

A gente até se esquece que quando falam em GRANA DO GOVERNO estão falando em GRANA NOSSA, né? Então os bancos podem seguir sua política, comprando TÍTULOS DO GOVERNO ao invés de IRRIGAR o mercado? E nós pagamos duas vezes por isso?!? Que mundo maluco...

.:.

Mas eu abri este post com outras intenções. Pequenas e médias empresas de serviços. Hmm... pega em cheio nosso mercadinho de TI, não? Pega sim, um considerável universo de empresas Alavancadas & Ferradas. Empresas que nos últimos tempos iniciaram um belo processo de auto-limpeza: começaram a registrar funcionários, eliminando PJ's e afins... Essa gente, covardemente alavancada, é que começará a sofrer com a queda do muro-do-bushinho...

Break! Não tô aqui, em tom apocalíptico, negando o que escrevi na última sexta-feira. Mantenho o otimismo que, eu disse lá, não é babão/bobão. Isso não significa que devemos ignorar a tal "Economia Real" (como se qq outra não fosse uma imensa bullshitagem-sacanagem). O problema é sério.

E pega em cheio algumas de nossas últimas ondas: fábricas de software e serviços de telemarketing. Empresas "alavancadas" por natureza. Não ligo se elas se forem. Melhor dizendo: torço para que modelos de negócio mais criativos e modernos sejam desenhados com suas cinzas.

O problema é que várias empresas que não têm nada a ver com isso devem sofrer também. Com serenidade, não há melhor momento para rever modelos e planos. Com serenidade e otimismo. Um bom começo é a busca de alavancas alternativas. Um bom papo com o gerente do banco, cortando aqueles produtos-gracinha que pareciam ter sentido mas que custam grana. Sejamos criativos. O Criativo cria a si mesmo. O Criativo usa alavancas criativas. Não muletas!

Marolinha é na Google

17 outubro 2008

O Lula falou, o Lula avisou que a tsunami econômica por aqui seria só uma 'marolinha'. Não será. Não sou pessimista, mas a gente sabe que Pindorama não é essa Fortaleza toda.

Por enquanto, marolinha mesmo só na Google. Aliás, como eu já havia chutado por aqui em 21/dez/07:

As ações da Google não devem se sustentar no padrão atual, mas a queda não deve ser muito significativa. Na verdade vai ter gente vendendo ações de outras companhias para colocar a grana em terreno fértil. E, há 10 anos, terreno fértil é a Google.


Anunciando lucros de 26% e com ações abaixo dos US$ 400? Aposto que ainda hoje a Google ficará mais cara. Mas, de qq forma, a previsão acima estava certa também!

Ontem (16/out/08) a Reuters publicou o seguinte:

But investors said Google appeared to be alone in its ability to weather the economic storm.

Crises assim, que secam grana, servem para a criação de uma nítida fronteira entre empresas-joio e empresas-trigo. Em TI, estamos vendo, a crise separa empresas do século passado daquelas que se desenham para um novo tempo.

Consequências naquele museu de grandes novidades de Redmond:

Ballmer fala e fala e fala. Num momento em que tudo o que se espera é ação. E silêncio.