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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Pré-História - Tomo II

24 junho 2008

Pois é, demorou! O Tomo (ou Volume) I é do dia 17abr08. Segue nossa pré-história:

Mais que as reuniões periódicas de cientistas, seria a segunda iniciativa que tornaria o Círculo Matemático de Palermo uma associação memorável. Guccia, o idealizador, fundador e principal patrocinador, como vimos no episódio anterior, montou uma tipografia na sede do círculo. Não era uma 'gráfica' comum. Era especializada em 'escritos' matemáticos - dotada de recursos técnicos que permitiam a correta composição e impressão de fórmulas, gráficos e dos mais diversos símbolos matemáticos. Lembrem-se, estamos no final do século XIX - mais precisamente, em 1893. Ou seja, ainda não existiam impressoras a 'laser' e afins.

Rendiconti - este é o nome da segunda atividade do Círculo. Segundo Edmund Landau, a "melhor revista de matemática do mundo" [1]. A gráfica montada por Guccia servia quase que exclusivamente para a impressão da Rendiconti.

Na revista eram publicados os resumos de todas as reuniões do Círculo e, principalmente, artigos técnicos. As colaborações vinham de todo o mundo, inclusive dos EUA. Era uma época quente, politicamente falando (pouco depois estouraria a 1ª guerra mundial). Mas isso não impedia que ingleses, franceses, alemães, russos e italianos convivessem naquele mesmo espaço.

Guccia estava "pessoalmente a par de todos os campos das ciências matemáticas". Sendo assim, ele trabalhava como editor - avaliando cada contribuição. Em 1914 as Rendiconti tinham cerca de 800 páginas. E eram impressas cerca de 1250 cópias. Os assinantes, assim como os colaboradores, estavam espalhados por todo o globo. O Círculo, vale notar, cuidava da redação, publicação e comercialização da revista.

Veio e guerra e a sede do círculo foi bombardeada. Guccia havia morrido um pouco antes, também em 1914. A publicação das Rendiconti seria retomada apenas nos anos 1950, "para satisfação dos maiores cientistas do mundo. Von Neuman [2] escreveu: 'A Rendiconti certamente ocupa um lugar único entre as publicações matemáticas internacionais; além disso, é muito satisfatória a circunstância na qual ela continua a se desenvolver, segundo as grandes tradições'".

Notas:

  1. Toda a pré-história, incluindo citações e imagem, foi surrupiada de 2 livros de Domenico de Masi:
    • A Emoção e a Regra - José Olympio Editora (1989);
    • Criatividade e Grupos Criativos - Sextante (2002).
  2. Está aí um nome, o húngaro Von Neuman, que liga nossa pré-história com a história.
  3. Relíquias? Antiguidade? Modernidade! O Círculo Matemático de Palermo e as Rendiconti possuem características que são muito valorizadas (e procuradas) atualmente. Encerrarei esta trilogia, com o próximo artigo, comentando essas particularidades. E o epílogo tentará mostrar a razão para tanta (pré) história. Inté!

It's sobering to realize that during Ballmer's term as CEO, MSFT has underperformed almost all of its top tech peers (including AAPL, IBM, HPQ, SAP, INTC, CSCO, SYMC, NOK, ORCL, ADBE, RIMM, QCOM, Ebay, and AMZN), and badly lagged the major averages. We may even see our third plunge to test the 2000 lows during his watch. Unbelievable. There may be another major technology CEO with an equivalent or worse track record who is still in power, but a name doesn't come readily to mind. Indeed, it’s instructive to note the four companies who didn’t make my list above: DELL, YHOO, Sony and Sun. In other words, four well-publicized flameouts/turnaround stories (depending on your perspective), all of which have new CEOs. Go figure.

- MSFTextrememakeover (jogando a toalha, em "Eight Years of Wrongness")


O artigo é longo
, mas merece seu tempo. Principalmente se você tem fichas apostadas na MS. Destilo meu "amor" pela MS, particularmente por Ballmer, desde o início dos tempos do Graffiti. Sei que minha retórica cansa e é estéril. Inútil porque o debate é puramente religioso - e eu não soube sair da armadilha-religião. Já o Extreme, que confessa no artigo já ter sido um defensor do Ballmer, foi pragmático e duro. Além de um compreensivo inventário das principais cagadas da administração Ballmer, ele descasca o jogo do "me-engana-que-eu-gosto" engatado pela MS desde 2007. Saca só as "mentirinhas" que ele escancara:
  • O Vista é um sucesso
  • Temos uma sólida estratégia para a Internet
  • Estamos ganhando esta geração de 'videogames'
  • Podemos atingir 40% de market-share em smartphones
  • Temos o melhor Browser
  • O Zune é um sucesso


Quem se assusta então com o gráfico ao lado? Oras, ele só retrata os sucessivos fracassos da era 'Ballmer'. Não viu quem não quis ver. Não vê quem adora o jogo do "me-engana-que-eu-gozo".
O Extreme caiu na real, e tá caindo fora.
Antes tarde do que na bancarrota, né?

O Zumo, que tratou a coisa como 'novela', acha que sim. Eu, que usei e abusei da imagem ao lado, acho que em nosso mercado nada é definitivo. Aliás, acho que nada é definitivo.

E o negócio é pequeno (uma "ficadinha"), nada parecido com a fracassada tentativa (de "casório") da MS. O Yahoo só terceirizou a parte mais "nervosa" de seu negócio para seu maior concorrente! Leia a frase de novo. Eu espero......Então, nosso mercado não é realmente único?

O fato é que Yang e seu Yahoo ganham fôlego e tempo para fazer sabe-se lá o quê.

E o Page sorri como nunca enquanto seu sócio vai passear no espaço. A Google nada de braçadas. Ainda confunde, mas nada parece atingi-la. Por enquanto...

Então dá tempo de brincar com idéias para o próximo roteiro:

  • MS Solteirona sequestra dálmatas;
  • Brin: "Googleplex, we have a problem";
  • Ballmer vai passear no espaço em nave russa - e não volta;
  • Ballmer descobre um monolito em uma lua de Júpiter, vai estudá-lo e não volta;
  • Ballmer encontra Brin em um anel de Saturno e atira-lhe cadeiras;
  • Ballmer descobre que o monolito de Júpiter roda Windows - e finalmente entende o significado de "Blue Screen of Death!";
  • Ballmer reaparece em Varginha, devolvido por ET's que quebraram por sua causa;
  • Page e Yang se casam em San Francisco, mudam-se para uma ilha do caribe e mandam tudo para o espaço (d'onde Brin não voltou);
  • Bill, sem saber que Ballmer foi preso em Varginha e transportado para Campinas, embarca para Júpiter e pede para Jobs tomar conta do negócio;
  • Jobs, cansado de tanta ficção científica e bobagens afins, banca a clonagem de Douglas Adams. Encomenda-lhe uma sequência do "Guia do Mochileiro das Galáxias" para dar de presente para Bill;
  • Ballmer encontra Page e Yang passeando alegremente em Campinas e joga cadeiras neles;
  • Jobs, cansado de tanta bullshitagem, pergunta se eu não tenho nada melhor para fazer.
Tenho!

If Microsoft gets only 20 percent of any market it enters, they consider that effort a failure and it would be, because Microsoft's business is scaled and its cost structure is optimized for really, really big numbers of mindless and fairly undemanding customers, most of whom wouldn't pay $99 per year.

That takes care of Microsoft, but here's the real beauty of this Apple strategy: it takes care of Google, too.

Though Google has a very different approach than Microsoft does to almost every product and market segment, in this one aspect they are identical. Google, too, aims for maximal market share, which means they can't expect customers to pay and their cost structure has to be maintained such that they make a profit without being paid.

Which leaves a lucrative niche all to Apple.

- Roberto X Cringely (em "MeMobile, You Kaput")


ps: O negrito no primeiro parágrafo, claro, é meu. Mindless customers?!?

Nevermind: e não deixe de ler todo o artigo do Roberto. Vale 10x o batido artigo da Veja da semana, sobre as "inovações" da Apple. Babação de ovo repetitiva pracas...

Começa hoje a 55ª edição do Festival de comunicação publicitária de Cannes. Deve entrar para a história não por alguma peça revolucionária, mas por um estranho marco. Ezequiel Triviño, sócio da agência estadunidense Wikreate, explicou para a Folha (de hoje):

A maior agência de propaganda do mundo não foi nenhum grupo de comunicação no qual brilham publicitários, mas sim o Google. O site de buscas faturou US$ 16,6 bilhões em 2007 com publicidade, enquanto o grupo Omnicom, o maior entre todos, teve receita de US$ 12,7 bilhões.


Antenado, Triviño ilustra o caminho das pedras da Google:

Quem olha os links patrocinados do Google lembra a comunicação da idade da pedra. Mas eles superaram as agências em menos de 10 anos porque desintermediaram a comunicação, dando ferramentas de controle ao consumidor


Sem antenas, Renato Loes - presidente da Leo Burnett Brasil, além de dizer que a Google concorre apenas com os meios de comunicação, e não com agências, viajou:

Para a agência, o que interessa é colocar o anúncio no lugar mais adequado e o Google pode ser um deles.


Será que o Renato não sabe dos movimentos da Google no universo dos dispositivos móveis, no rádio, na TV e na mídia impressa?

O fato é que a Google não 'rouba' todo o mercado de agências. Ela não cria. Mas decide, sim, o lugar mais adequado para anúncios. Se esta é a maior fatia do bolo (do faturamento) de uma agência, então é hora de soar alarmes.

Por fim, uma curiosidade: não sei se a Cristiane Barbieri, repórter da Folha enviada a Cannes, fez por querer. Mas ela escreveu que "as discussões sobre o Google, no entanto, são apenas o topo da montanha que aparece escondida por nuvens".