Sobre

Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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O tema me incomoda há tempos. Acho que desde que uma patroa achou que a solução para todos os seus problemas era a contratação de um farsante motivacional. Desde lá comecei a prestar atenção na franca e constante evolução dessa indústria - a indústria da Motivação.

Claro, na incansável busca por oceanos azuis, nem todos gurus motivacionais se apresentam assim. Inovam. E se apresentam como revolucionários da arte da gestão de empresas, mestres em montagem de equipes invencíveis, mágicos-cantores-roedores dos queijos dos outros, ultra-especialistas no número 7 e consumidores ávidos de livros de auto-ajuda: bebem na fonte. Embebedam-se... Amam Tom Peters, mesmo que não entendam lhufas daquele papo de "(re)imagine all the people...". Quando perdidos, acham-se na sabedoria de Deepaks e afin$. E vendem seus achados, claro.

Houve um tempo em que o nicho era ocupado exclusivamente por psicólogos, filósofos desempregados e picaretas. Há quem diga que todos são picaretas. Acho que 1/2 dúzia se safa. Mas esses gatos pingados perderam seu espaço quando super-técnicos, apresentadores de tv, big brothers e políticos descobriram que esse negócio de "fazer palestras" dá uma grana boa pra c*****. Depois de uma matéria que mereceu capa na Folha de ontem, os gatos pingados resolverão reabrir seus consultórios. E tratar de loucos curáveis e depressivos incuráveis. É que a Folha disse que a última moda desse rico mercado é contratar policiais do BOPE. Isso mesmo, a "Tropa de Elite" invade empresas.

Banners com o "caveirão" servem para cuspir palavras de ordem como "missão dada é missão cumprida". É o fim do mundo... Na matéria descobrimos que 2 funcionários d'uma distinta empresa "pediram para sair" logo após uma palestra-treinamento. Eu os contrataria. Ainda mostram sinais de lucidez.

Se a onda toda ficasse limitada a um ou dois eventos anuais, servindo mais como entretenimento do que qq outra coisa, tudo bem. Mas não é o caso. A infantilização e idiotização se espalham como o mosquito da dengue no Rio. Numa multinacional, por exemplo, fizeram os candidatos a uma vaga se deitar no chão e formar a logomarca da empresa. Em outra empresa fizeram aquele exercício de soltar o corpo, de costas, para um colega pegar. Quem insiste neste exercício de "prova de confiança" não deve ter assistido "A Isca Perfeita". Mas, como explicar, assistiram "Tropa de Elite" e acharam que aquilo ali tem tudo a ver com suas empresas... É o fim do mundo. Deveriam ir direto para "Cães de Aluguel". Faria mais sentido.

Eu achava que a área de TI e de projetos era, de certa forma, imune. Claro, com exceção daquela ex-patroa que de TI não sacava nada. Achava... até pegar a última edição de uma das mais caras revistas de nossa área e ver, lá pelas tantas, um cara vendado, de quatro, criando ou descobrindo algo no chão. Era um treinamento de gerenciamento de projetos?!?! É o fim do mundo... pára ele que eu quero descer. Tô fora!

Mas seguirei torcendo para que a via não seja de mão-dupla. Traduzindo: torço para que os "nossos" palestrantes não sejam contratados pelo BOPE. A tropa de elite viraria um jardim da infância...

... No caso da indústria de software, a proteção [intelectual] é inimiga da diversidade e da inovação.

...

Os estudos sobre o assunto mostram que a proteção intelectual se provou desastrosa para a indústria de software por uma razão: esse não é propriamente um campo que vive de grandes descobertas, mas sim de uma série de pequenas inovações cujo mérito é justamente aprimorar o que já existe. Para dar vida a uma nova idéia, portanto, o inventor precisa necessariamente ter acesso livre ao que já existe. A imitação é um fator fundamental para a inovação, e as patentes se transformam em óbvios obstáculos. Depois da lei de proteção intelectual dos Estados Unidos, houve uma desaceleração no ritmo de evolução dos programas de computador. Liberar a pirataria, nesse caso específico, teria sido uma solução mais lucrativa para o país. Há ainda outras situações em que a lei de patentes no mundo tecnológico não chega a atrapalhar, mas em compensação não surte efeito algum - é apenas obsoleta e inútil.

...

Certas empresas na área de tecnologia já optam por não patentear seus inventos, porque eles estão se tornando ultrapassados da noite para o dia. Não compensa, portanto, enfrentar toda a burocracia por algo que logo se torna desprovido de valor. A discussão sobre patentes que faço aqui ajuda a reforçar a idéia de que a interferência do estado em algumas áreas parece vital, mas é, para o dizer o mínimo, desnecessária, quando não claramente prejudicial.

- Eric Maskin (Nobel de Economia em 2007, na Veja da Semana).



Em "A Sentinela" (The Sentinel), um conto, ele "inventou" os satélites. Em "2001: Uma Odisséia no Espaço", o livro que foi criado em paralelo com o grande filme de Kubrick, ele inventou HAL - o computador que ainda não conseguimos criar. Destaques de uma obra que tem mais de 70 livros, entre ficção e não ficção. Sir Arthur nos deixou hoje, aos 90 anos.

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Veremos em tudo quanto é canto: "o maior/melhor escritor de ficção-científica". Rótulo fácil e enganador. Esse negócio de "o maior", "o melhor" é coisa de simplificadores. Sir Arthur foi um dos grandes. Meu favorito continua sendo Philip K. Dick. O que não significa que era "o maior".
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Mas é impossível ignorar a obra de Sir Arthur. Para minha despedida, vou destacar só um pequeno detalhe.

Stanley Kubrick, que é para o cinema o que Beethoven é para a música, queria criar um divisor de águas quando resolveu fazer "2001". Até então, filmes de ficção-científica eram todos "B" (ou "C"..."Z"). Discos voadores e monstros intergaláticos eram a matéria prima de simpáticos engraçadinhos, como Ed Wood. Kubrick queria o conhecimento e a imaginação de Sir Arthur.

Sir Arthur sabia que "2001" poderia ser sua obra-prima. Não sei dizer - ninguém saberia - qual foi seu sentimento-motivação quando resolveu revisar e reescrever seu texto no set de filmagens. Gosto de pensar que foi a simples necessidade de ver (e tocar) tudo aquilo que, até então, estava só em sua imaginação.

Dois gênios, trabalhando em conjunto, criando o mesmo mundo e demonstrando-o em diferentes mídias. Torço para que, no mínimo, uma parte desta experiência esteja documentada no recém-lançado DVD especial de "2001". Para quem gosta de estudar *criatividade*, este evento é quase único em nossa história.

HAL, que ainda não nasceu, acaba de perder seu segundo pai. Em março de 2108 (ou 2099), quem sabe, ele estará organizando uma bela festa para Clarke e Kubrick. Não será só pós-IBM (como provoca seu nome), mas também pós-MS, pós-Apple... pós-todos que perderam a oportunidade de criar um computador mais humano. O computador que Sir Arthur imaginou.

[Merchan] Agenda finito

18 março 2008

Redundância e forçação (sic) de barra, eu sei. Mas o Google Analytics me contou que nem todos os visitantes deste Graffiti conhecem o finito. Então, claro, justifica-se o reclame.

A oficina "Engenharia de Requisitos" tem duas datas nas próximas semanas. Dia 28/mar (sex) ela acontece em Florianópolis. Organizada pela Innovit. Na semana seguinte, dia 3/abr (qui), tem a 3ª turma em São Paulo. Lá a organização é da Tempo Real Eventos.

Esta oficina (ou workshop, como queiram) é bastante dinâmica. Metade do evento (de 7hs) é composta de exercícios práticos, em grupo. Treinamos o desenvolvimento de requisitos, lançando mão de técnicas como entrevistas, sessões JAD (Joint Application Development) ou workshops, baterias de "torós de parpite" (também conhecidos como brainstorming), prototipação etc. Vemos também como a estruturação dos requisitos, sem burocracia, pode melhorar consideravelmente a execução e o gerenciamento de um projeto.

Para a execução dos exercícios os participantes recebem alguns notebooks especiais. Os notebooks finito:

Bloco para a Especificação de Casos de Uso.


Notebook especial para exercícios de prototipação.

Em maio, finalmente, o finito dará as caras no Rio de Janeiro. Mais precisamente no dia 28/mai (qua), no Guanabara Palace Hotel (Pres. Vargas). O evento de estréia será o FAN - Formação de Analistas de Negócios, que contempla as duas macro-disciplinas que formam o corpo de conhecimentos deste profissional: Análise e Modelagem de Negócios + Engenharia de Requisitos. A organização é da Tempo Real Eventos. Em breve falo mais sobre este evento.

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Lixo de Padrões de Lixo

17 março 2008

Joel Spolsky (JoelOnSoftware), acabou de publicar um excelente artigo sobre Padrões, IE(8), pragmáticos, idealistas e trotskyistas.

Google Maps no IE8. 80% dos sites não "funcionam" no novo browser.

Joel foi muito didático em seu texto, provando que a (tardia) promessa da MS (IE8 finalmente respeitará padrões!) só criará mais problemas. Para ela própria e claro, como sempre, para seus usuários. O texto é longo, mas vale cada frase. Aperitivo:

Almost every web site I visited with IE8 is broken in some way. Websites that use a lot of JavaScript are generally completely dead. A lot of pages simply have visual problems: things in the wrong place, popup menus that pop under, mysterious scrollbars in the middle. Some sites have more subtle problems: they look ok but as you go further you find that critical form won’t submit or leads to a blank page.

These are not web pages with errors. They are usually websites which were carefully constructed to conform to web standards. But IE 6 and IE 7 didn’t really conform to the specs, so these sites have little hacks in them that say, “on Internet Explorer… move this thing 17 pixels to the right to compensate for IE’s bug.”

And IE 8 is IE, but it no longer has the IE 7 bug where it moved that thing 17 pixels left of where it was supposed to be according to web standards. So now code that was written that was completely reasonable no longer works.

A MS pagará caro por não ter respeitado padrões desde sempre. O problema é que todos os seus usuários, como contribuintes, acabarão arcando com os custos. De novo!