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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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BizWord da Hora: Clowd

13 junho 2008

Da hora, do mês ou do ano. Quem sabe?

O problema é que, se "cloud" já criou tanta confusão, o que será da "clowd"?

Reparem: ela é tão nova que nem na Wikipedia pintou ainda. Segundo Seth Godin, "clowd" é um remix de "cloud" (nuvem) e crowd (multidão). Jóia...

Mas, será que vão tentar traduzir? Vish... "nuvão" ou "multivem"? hehe...

Acho que "Computação no Nuvão" fica legal.

A blog without comments is like Amazon without user reviews.

- Jeff Atwood, do Coding Horror.
.:.

Como diria o Lars, "Sad but true". O 'slogan' do Graffiti, desde o início dos tempos, é "Let's talk about IT". Apesar de ser um fanzaço do Seth Godin, pra mim um blog sem área para comentários não é um blog. Blog com comentários moderados não é blog. Blog é uma ferramenta de comunicação - obrigatoriamente com duas vias. Obrigatoriamente aberto.

Mas, sabe-se lá pq cargas d'água, o povo daqui não é muito chegado neste tipo de papo. Minha média no Graffiti deve ser de 1 comentário para cada 20 posts. É baixíssima. No finito a coisa é um pouquinho melhor - quase 1 comentário para cada post (0.84 para ser mais exato). Mas eu acho que está muito longe do ideal - que seria algo em torno de uns 10 comentários para cada post, no mínimo.

Ok, talvez o pessoal não goste deste canal. Mas, como a interação - particularmente o retorno (feedback), me é muito importante, não posso esperar. Há um ano, quando lancei o programa FAN (Formação de Analistas de Negócios), montei um grupo de discussão (quase) exclusivo para os participantes. 250+ pessoas aceitaram o convite. Desde então já trocamos cerca de 1700 mensagens. 10 vezes o número de comentários recebidos via finito! Mas são menos de 7 mensagens por participante. Se considerarmos minhas interações então, a média é ainda menor...

Com o objetivo de melhorar as conversas (organizando-as), há duas semanas coloquei um Fórum no ar. Utilizei outra pequena grande maravilha do universo do software livre chamada phpBB. Ficou uma beleza - tecnicamente falando. Mas, depois de 15 dias, a coisa nem engatinha direito. Eu sei, o processo é lento (tão lento quanto o crescimento da audiência do blog). Mas acho que algumas conclusões eu já posso tirar:
  1. O pessoal não gosta de "conversar" assim, de forma remota. Há uma certa "timidez" moderna;
  2. Que demora muito para ser debelada;
  3. Conversar (escrevendo) via IM ou Orkut é uma coisa (que tem língua própria). Conversar em blogs, fóruns e grupos de discussão é outra coisa. Mesmo que a linguagem seja natural, ela assusta;
  4. Mas os Analistas de Negócios (foco principal do grupo e do fórum) devem saber escrever muito bem. Ou seja, está ali uma chance de exercitar - e por isso eu devo teimar...
  5. ... sem ser burro. É claro que não dá pra perder tempo. Então, novas ferramentas são necessárias;
  6. Novas? Tão velhas quanto andar pra frente: o papo "cara a cara" é realmente imbatível.
  7. Ou seja, nada de podcasts, videocasts e afins. Minha próxima iniciativa (para obter mais e melhores papos) deve ser a viabilização de encontros reais com toda aquela turma (e as novas que chegam).
  8. Claro, sem deixar de teimar para que o povo se acostume com a comunicação via Internet, com a comunicação escrita.
Ok, para os papos levados no finito, a lista acima é uma beleza. Mas e os papos daqui, do Graffiti?

Só pensando alto. No mesmo mês em que Gates esvazia gavetas, Jobs enche cabeças (e noticiários e, claro, seu bolso). Saca só a matéria da Time: citam até Bukowski! Saca só a capa ao lado: não era de se esperar que ambos ainda seguissem brigando, palmo-dólar a palmo-dólar?

A decisão do Gates é velha, mas ainda não entrou na minha cabeça. E, acho, também não entrou na cabeça de muitos. O cara é novo; segundo consta, está longe de ter problemas de saúde como aquele que chateou Jobs; sua empresa, para o bem ou para o mal, ainda "manda". Então, por que tirar o time de campo?

Imagina a cabeça dele, vendo o Jobs lançando o novo iPhone. Será que ele sente inveja? Será que ele se sente como o Luxa vendo o Felipão assinando contrato com o Chelsea? Será que ele se sente como o FHC assistindo a sorte do Lula? Acho que sim...

Essa "inveja", bem canalizada (e tratada), faz muita gente virar o mundo de cabeça pra baixo. A competição, as inevitáveis comparações, deveriam fazer o cara dar tudo de si. Agora! Não necessariamente na MS. Talvez ele pudesse começar tudo de novo, do zero. Com uma brilhante startup. Mas não, o cara resolveu se aposentar.

Assistirá, bem de longe, o próximo grande duelo da área: sim, a briga agora é entre Apple e Google. Não falo só de dispositivos móveis, mas principalmente do tal "mercado na nuvem". O MobileMe, o .Mac revisto, briga pelo mesmo espaço (bem) ocupado por diversos serviços Google (free). Ambas empresas estão com praticamente todas as peças no tabuleiro. O jogo começou. E o Bill se aposentou. Deixando a MS.

Quem diria, a MS como mera coadjuvante do melhor filme dos últimos 13 anos. Será por isso que ele tirou o time de campo?

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Não é por acaso que insisto que erra quem acha que Bill e Steve são dois lados de uma mesma moeda. Nunca foram! Compartilham sim um doentio apego por "coisas proprietárias e fechadas". Mas o Jobs entrega - realiza. E nunca tirou o time de campo, mesmo quando teve todos os motivos do mundo para fazê-lo.

"Desconfio muito dos boards e CEOS deste país, mas até eu estou abismado com a forma como Jerry Yang e seu board se atravancaram!". Hehe, a tradução foi pra lá de livre, mas foi mais ou menos isso que Carl "I CAN!" Icahn falou para o Wall Street Journal.

A ZDNet foi mais direta: Icahn não quer ver Yang nem pintado de petróleo... nem com aquele tubinho vermelho-paixão-do-dia-dos-namorados...

E eis que nossa querida, acossada e desejada Maryahoo periga ganhar novo shape, nova cara.

Enquanto isso, lá pelos lados de Seattle, onde Robinho desfilava como um tupiniquim anônimo, Ray Ozzie dizia que o Yahoo apenas "aceleraria" a estratégia da MS para publicidade online. Ou seja: todo o resto do Yahoo iria parar, em vôo sem escalas, na cesta seção. Cesta sem SEX, Cesta de lixo mesmo. Mais um motivo para Yang e sua trupe técnica querer evitar a todo custo a fusão com a MS. E o Carl ainda acha que quem está sabotando o negócio é a turma do Yahoo?!?

Típica comédia romântica estadunidense: sempre tem um bobo.

Há pouco tempo, quando aparecia grande ou médio empresário falando que atingiríamos um défict de 200k programadores no curto prazo, eu zombava, ria, ignorava. Acontece que eles sempre falavam do mercado externo. Um mercado que, ano após ano - número após número, praticamente inexiste. Relevante para poucos, nunca geraria aquele monstruoso déficit.

Mas atingimos o ponto em que o sinal amarelo fica vermelho. Cadê os desenvolvedores? Testemunhei uma empresa correndo atrás, com ofertas interessantes, buscando gente de todo tipo: Java, C#, PHP... e nada. Ou melhor, uns poucos currículos fracos. Cadê os desenvolvedores?

Não creio no mercado externo, mas se o Brasil seguir crescendo no ritmo atual, periga que o número de vagas não preenchidas esbarre realmente em 5 ou 6 dígitos! Pena, mas não terei tempo de pesquisar estatísticas. Não sei quantos "desenvolvedores" as escolas despejam no mercado por ano. O número parece muito pequeno, só pra variar. Os programas dos cursos técnicos e, principalmente, das faculdades parecem desenhados para espantar "gente comum". Aquele tanto de cálculo em 'Sistemas de Informação' é coisa de maluco. Mas isso é outro assunto. O fato é que, por baixo, 60% dos matriculados em cursos que proveriam desenvolvedores vazam: Mudam, desistem ou piram. E o mercado só faz crescer.


Esse papo todo me fez lembrar do início da nossa história. Imagina lá nos anos 1950 e 60, quando (quase) ninguém estudava para virar programador. A história está muitíssimo bem documentada em "From Airline Reservations to Sonic the Hedgehog - A History of the Software Industry", de Martin Campbell-Kelly (MIT Press - 2003). As empresas montavam bancas em várias cidades dos EUA, recrutando todo tipo de pessoa que poderia virar um "programador". Buscavam craques em matemática, mas a coisa era tão crítica que valia tudo: quem tocava violão, jogava xadrez, gostava de quebra-cabeças...

É desse tempo que surge o simpático Dr. Bauer (será avô do Jack?), retratado no anúncio acima. Sua segunda lei: "O talento vai onde a ação está". Atualíssima, não? O anúncio é tão jóia que tem até PS: "Caso interesse, a 1ª lei do Dr Bauer é: se o programa tem um bug, o computador o encontrará." hahaha! Dr. Bauer é o máximo!

E o anúncio, tão cheio de texto, mira dois coelhos: vende os serviços da empresa (Informatics Inc.) e também recruta "talentos". E avisa, no terceiro parágrafo: "Esse tipo de talento não é barato. (Veja nossa folha de pagamentos e plano de incentivos, únicos na indústria de software)".

Caraca! Ele convida clientes e candidatos a olhar a folha de pagamentos?!? Quem faria isso nos dias de hoje? Aliás, quem tem coragem de mostrar a folha? Aliás, quem está utilizando o mesmo artifício (nobre) para atrair e reter talentos de verdade?

Porque, se tem uma lei que ninguém quebra, é a lei da oferta e procura. Talentos de Pindorama, atenção: chegou a hora de recuperar tudo que foi perdido desde 98!

Fábricas e bódechôppes tupiniquins, atenção: o talento vai onde a ação e a grana boa estão! Podem chamar de "2ª Lei do Bauer - 2.0".