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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
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graffiare #286

03 maio 2006






pv: A Intel deve morrer de saudades daqueles tempos.



Tags:graffiti

O David Berlind (ZDNet) publicou ontem um artigo com o seguinte título: "JavaDB: An idea whose time has finally come?". Ele fala algumas maravilhas do bichinho de código aberto, e 'lança-o' como a peça que faltava no quebra-cabeças das soluções thin-client. Saca só o parágrafo final:

"Furthermore, software developers have no motivation to turn those database technologies into file systems for storing productivity documents since, because of their limitations, they'll never be ubiquitously supported and the ROI of adding such a feature would be quite questionable. But, given it's dynamic nature, the ubiquity of browsers, and it's OS-agnosticism (by virtue of using a JVM), JavaDB could turn into that technology if only a few key developers prototyped the possibilities."

Há uns 4 anos mais ou menos estive envolvido num projeto que tinha entre seus requisitos principais:

  • Capacidade de operar off-line...;
  • ...em máquinas "antigas";
  • E utilizar o mesmo código na solução on-line.
Tratava-se de uma solução para a sofrida área de seguros. Milhares de corretores de seguros, espalhados por todo o território nacional, deveriam ter condições de elaborar orçamentos e propostas no canal de sua preferência: web, kit de cálculo (off-line) ou telefone. Até hoje, em grande parte das seguradoras, cada canal significa uma solução diferente. Não é raro encontrarmos tecnologias totalmente diferentes também. Um urubulino me contou que em uma grande seguradora existem 18 (dezoito!) aplicações diferentes implementando as mesmíssimas regras de negócio (no caso desse negócio, regras de cálculo)!!

Nossa solução deveria demolir uma torre de babel semelhante, criando um único ponto para a criação/manutenção das regras. Qualquer dia conto mais detalhes sobre este projeto. O que importa aqui (neste post) é o desenho da arquitetura da solução. Tínhamos um produto de seguro (real) implementado em VB. Ele foi reescrito em Java e em C# para testes de laboratório. Nossa principal preocupação: encontrar o melhor desenho para o módulo off-line. O gráfico abaixo mostra nossas descobertas (tempo de cálculo em segundos - a menor barra indica o melhor resultado):



O HyperSonic era um SGBD (Sistema Gerenciador de Bases de Dados) 100% puro Java. Como é o JavaDB da Sun (que é uma derivação do Derby da Apache). Nosso projeto planejava sua utilização como um gerenciador de conteúdo não-estruturado também. Aliás, como um sistema de arquivos mesmo. As classes Java (para desespero de alguns puristas) residiriam no BD (para facilitar o gerenciamento de mudanças - vigências das regras de cálculo - que são um pesadelo para todos que lidam com projetos semelhantes).

Vendo hoje a atenção que o Berlind deu ao tema reforço minha crença: nosso projeto era e ainda é "visionário", hehe. Tanto nos aspectos técnicos quanto naqueles 'de negócio' (converse com qq corretor de seguros e vc entenderá).

Mas um dia, no meio do caminho (repleto de pedregulhos), ele foi cancelado. Um futuro artigo no finito tentará mostrar algumas das lições aprendidas. Aviso quando estiver pronto. Aqui, com a tag rendiconti (prestação de contas) que inauguro com este post, falarei mais deste e de outros projetos.


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Ufa.. quase achei que tinha dado algumas belas 'varadas n'água' em minhas palestras do ano passado, quando usei muitos exemplos da Web (hoje: Web 2.0) para ilustrar vantagens de uma SOA (Arquitetura Orientada a Serviços). É o seguinte: há alguns dias tá rolando um debate meio estranho na ZDNet, 'comparando' as duas modas mais quentes da área. O problema começa quando o articulista (blogueiro), dando uma de Gandour, compara alhos com cebolas e, perdidaço, não sabe o que fazer com a malagueta.

Pegar o aspecto 'social' da Web 2.0 e tentar vinculá-lo ao tema SOA é um belo desperdício de tempo e espaço. Além de criar uma bela confusão nos nossos belos e confusos deptos de TI. Saca só o gráfico abaixo (malagueta surrupiada daqui):


Wikis e blogs não têm nada a ver com SOA. KM 2.0 (Deus nos livre!) idem. Social networking?!?!
Taí o tipo de coisa que afasta investimentos sérios.

Mas, por outro lado (o lado de baixo - tecnicamente falando), Web 2.0 e SOA têm tudo a ver. Quando uma empresa torna 'Público' (externo) um Serviço ela está, de certa forma, criando uma interface Web 2.0. Se uma terceira empresa utilizar Serviços Públicos de duas outras entidades, criando assim um terceiro serviço, ela está realizando um "mashup corporativo". Assim, tecnicamente falando, é fácil ver onde SOA e Web 2.0 se encontram. Melhor ainda: são complementares!

O meu 'ufa' lá de cima foi por causa deste artigo de Jason Kolb. Saca só um trechinho:

The real point is, the software needs to be written as a service. If it's built properly (and this is very important, as certain Web 2.0 companies 37signals have basically derided proper, loosely coupled, software architecture as limiting) you can throw another interface facade on top of the logic code an expose your service whichever way you want. Hell, if I decide I want to expose my service via smoke signals tomorrow, all I have to do is write a smoke signal interface for the business logic layer of my application. Not that there's anybody to consume it, but hey, when the smoke signal guys get all up in arms about it I can be the first vendor to embrace their standard :)

E o graffiare de encerramento do Kolb:

The real problem is people who don't understand both camps trying to have a debate about why they're right and the other guy is wrong. How can you debate something you don't understand? You're both saying the same thing, just in a different language.

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Da InformationWeek, sobre o último relatório financeiro da MS:

"The revenues looks good…but your expenses are more than $2.4 billion more than I estimated....There's something really big here. It sounds like you're building a Google or a Yahoo and Ray Ozzie has said this is really expensive. It looks like you're ramping up your online business and the decision is to take the benefits of next year's product cycle to gear up for a battle in the online market."


Mais divertida (e informativa) é a análise do MiniMSFT. Esticando o assunto (e tentando achar os ralos que drenam tanta grana), Mini transcreve algumas citações sobre projetos recentes da MS. Saca só:

Sobre o Vista/Berrante (de um ex-Microsoftie):

"Vista isn't neutered and delayed because of any lack of people. It is a mess because of middle management. [...] At least at the time I left (6 months ago), I saw very little evidence that the management of these failed projects was getting any kind of a slap on the wrist. The problem is that in an org that large with that my dependencies, it was impossible to tell which team was actually mismanaged, and which team just was dragged down by the other mismanaged teams."

Sobre o Visual Studio:

"What developer wants to waste time with this crap? It is embarrassing (for Microsoft) that I've had such better experiences with Sun's JDK and Eclipse. Sure, VS is faster, but what good is faster, when it doesn't work?"


Uma coisa é certa. A MS, seguindo o mesmo caminho de sua coleguinha Intel, distribuirá um número considerável de 'bilhetinhos azuis' (aka Cartas de Demissão). Eles deveriam começar por aquele cara que só sabe destruir cadeiras e fazer apresentações desastrosas.




update (15h25): Alguém lembrou que o memo ("Don't Panic!! uarrrr!!!!!") que o Ballmer enviou para seus funcionários é deveras parecido com aquele enviado pela Carly Fiorina poucos meses antes de sua 'partida' da HP. Que maldade...


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"Quem menos se aflige pelo amanhã trilha verdadeiramente o caminho da virtude e da profunda sabedoria... Renderemos homenagens a quem souber nos ensinar a colher a hora e o dia com virtude, à gente maravilhosa capaz de tirar um prazer imediato das coisas, os lírios do campo que não semeiam e não fiam... Nesse meio tempo não fará nenhum mal pôr em ação algum modesto preparativo para o que é o nosso destino, encorajando e experimentando as artes da vida não menos do que as atividades que hoje definimos como sérias e socialmente úteis".

- John Maynard Keynes


"Eu creio que nesse mundo se trabalha demais e que males incalculáveis têm origem na convicção de que o trabalho seja coisa santa e virtuosa... A técnica moderna tem tornado possível diminuir, em grande medida, a quantidade de esforço necessária para assegurar a cada um os meios de sustento... O caminho para a felicidade e a prosperidade encontra-se, entretanto, numa diminuição do trabalho."

"Existe uma técnica para as férias, mas ninguém nos ensinou: aprendemos com os nossos pais a calcular o que o ócio nos faz perder, não aquilo que ele nos dá a ganhar. Hoje devemos aprender de novo a relaxar. É uma tarefa como qualquer outra, até mesmo uma vocação, também... O ócio exige também as virtudes do trabalho: a cultura do espírito, da alma e do olhar, ter gosto pela meditação e pelo sonho, assim como ter serenidade, todos eles valores raros nos dias de hoje."

- Bertrand Russell

pv: uma singela (contra)homenagem ao Dia do Trabalho.


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