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Graffiti \Graf*fi"ti\, s.m.
desenhos ou palavras feitos
em locais públicos. 
Aqui eles têm a intenção de 
provocar papos sobre TI e afins.

O Graffiti mudou!

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Foi o Feio quem me alertou: com exatos 34 (trinta e quatro!) anos de atraso, finalmente é lançado em PT-Br (português do Brasil) o clássico de Fred Brooks, "The Mythical Man-Month". Aliás, "O Mítico Homem-Mês". O lançamento é da Elsevier. Em março de 2006 lancei uma série de artigos para comemorar os 30 anos da obra. Acho que foi lá mesmo que eu disse que, apesar do atraso, a publicação em PT-Br ainda valia a pena. Então, parabéns Elsevier pela coragem.

Como a capa indica, trata-se da tradução da edição comemorativa de 20 anos, lançada em 1995 pela Addison-Wesley. Além do original de 1975, o livro apresenta uma série de artigos publicados posteriormente por Brooks, inclusive o também clássico "No Silver Bullet", de 1987.

Parece estranho ou surreal o fato de um livro sobre informática de 1975 permanecer atual, não? Bom, para quem não sabe, o livro trata especificamente de projetos de software. E se ele permanece atual, é porque não evoluímos tanto assim nessa saborosa área. Se você ainda não conhecia essa obra-prima, agora não tem mais desculpas.

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Assim como a Editora Atlas não tem desculpa por não publicar uma 5ª edição de "O Analista de Negócios e da Informação", de José Roberto Saviani. Permita-me explicar. Eu achava que meu atrasadíssimo livro seria o primeiro na língua de Camões sobre e para os Analistas de Negócios. Depois de 2 anos circulando com essa mentirinha, me alertaram sobre a existência do livro do Saviani. O fizeram através de nosso grupo de discussão. E foi uma correria só atrás do livro... em sebos! Sim, porque o livro está esgotado. Foram 4 edições, em 1992, 95, 96 e 98. Justo agora, que o tema está "na moda", a Atlas come bola.

Eu nunca tinha visto a teoria da "Cauda Longa" tão na prática. Nem "best seller" de sebo! O fato é que o livrinho se esgotou em várias lojas. Só consegui um porque a Suzandeise (IIBA-SP) me emprestou.

O livro é curto (100 páginas) e relativamente distante do meu enfoque. Mas é atual, simpático e honesto. Aliás, depois da busca pelo livro, o que alguns membros do grupo querem é conhecer o Saviani. Não conseguimos encontrá-lo. Será que alguém que por aqui passa teria alguma pista?

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Como o assunto é livro e "coisas estranhas", não poderia deixar de comentar a última piada DRM: a Amazon "queimou" cópias de "1984" e "Animal Farm" (ambos de George Orwell) que estariam indevidamente armazenados em Kindles. As cópias seriam ilegais (em território estadunidense), e a empresa se achou no direito de eliminá-las. Sem dó nem piedade...

Quem conhece os títulos, particularmente "1984" (Big Brother!) e viu a história da Amazon não sabe se a vida imitou a arte ou se a arte imitou a vida. Mas ficou com uma certeza: DRM é serviço de porco!

graffiare #471

16 junho 2009

Estamos trabalhando em engenharia ou na indústria da moda?
Ivar Jacobson (no artigo "In need of a theory for software engineering")

O artigo é longo. Mas merece ser lido. Inclusive os comentários (que não são poucos). Num dos primeiros, Mr. Jacobson nos brinda com o seguinte:
Eclipse OPenUP has inspired by us introduced a precise practice concept. Problem is that this practice concept is designed to make process engineers happy, but not to make the developer community happy. It still has the flavor of old RUP. Although RUP includes many good ideas, it failed unfortunately dramatically in implementation.
...
I feel I have the right to critisize my own work. RUP was my baby so I have taken the responsibility to correct it in its basics.
É de chacoalhar bases... até porque nunca elas foram sólidas mesmo.

Michael Hammer

01 outubro 2008

Abril de 94. Só sei a data porque na época tinha a mania de anotar na primeira página dos livros a data de aquisição E leitura [1]. Já ia para o meu 8º ano de carreira e o 1º na Coopersum - Cooperativa Regional do Sul de Minas. Sua matriz ficava em Elói Mendes, a popular "Mutuca", distante 15km de Varginha e com cerca de 18 mil habitantes. Pela primeira vez eu tinha necessidade de entender melhor um negócio. Até então, desenvolvendo sistemas que cuidavam exclusivamente de processos de apoio [2], os negócios pareciam todos iguais. Agora não: era uma Cooperativa de leite, um "trem" complexo que além do leite (comprado e vendido), envolvia também um supermercado, duas lojas de produtos agroveterinários, um posto de combustível e outras coisinhas. Milhares de itens em estoque. Um produto principal que se perdia em um dia. E uma clientela principal bastante particular: todos eram donos do negócio também - os cooperados. O que eu sabia sobre sistemas não bastava.

Para complicar, e para quem não se lembra ou viveu, é a época da implantação do Real. As mudanças eram drásticas não só nos sistemas e processos. Nossa cultura de "inflação" (e correção monetária e índices para tudo) ainda era vivíssima. Meus conhecimentos sobre sistemas, definitivamente, não bastavam.

Também não era era de Internet. Aproveitei um passeio por Varginha para uma visitinha na então única livraria da cidade, a Livraria do Estudante. Como hoje, as seções de TI e Negócios ficam na mesma prateleira. Ignorei os dBase, Basic, Wordstar, Unix e afins. Pela primeira vez eu queria um título que me ensinasse *negócio*. Minha visita deve ter durado uns 90 minutos (minha média até hoje em livrarias). Folheei algumas dezenas certo de que levaria o primeiro livro que peguei: "Reengenharia: Revolucionando a Empresa", de Michael Hammer e James Champy (Editora Campus, 1994). (Coloquei o link, mas a livraria tá informando que o título está esgotado).

Estranha opção já que, considerando alguns de meus critérios da época, o livro representava o oposto: breve (180 páginas); pouco visual (só 2 diagramas!); e muito atual (ou seja, carecia do 'estofo' que só o tempo dá). Por outro lado o livro parecia muito objetivo, prático mesmo. A linguagem não me assustou, pelo contrário. Não havia ali um mísero termo técnico estranho ou que não fosse bem explicado (para um leigo). Então eu comecei a aprender sobre negócios no eXtremo. Saca só o sub-título: "Revolucionando a Empresa!". O apelo definitivo, que me fez desconsiderar alguns títulos de Peter Drucker, foi escrito pelo mesmo no topo da capa: "A reengenharia é o novo e precisa ser realizada". Corrigindo: apelo definitivo mesmo estava no rodapé da capa: "Esqueça o que você sabe sobre como as empresas devem funcionar: quase tudo está errado!". Wow!!! Pra que então eu compraria um livro 'antigo' ou 'errado', certo?

Hoje, 14 anos depois, "Reengenharia" (o livro) aparece em vários pontos do meu trabalho para Formação de Analistas de Negócios: nos conceitos de processos de negócios, no diagnóstico das doenças que acometem processos etc. Como John Sculley previu na contra-capa, ele virou sim uma "bússola e mapa-múndi empresarial do século XXI". Mas nem sempre foi assim.

O termo *reengenharia* foi eleito o bode expiatório de um monte de cagadas realizadas por grandes empresas na época. O confundiram com 'confusores' como downsizing, rightsizing e outras propostas que não ditavam nada que não fosse o corte sumário e imediato de mão-de-obra. Reengenharia virou palavrão, bafo de alho ... moda tão efêmera quanto a lambada.

Os autores, principalmente Hammer, ficaram marcados. Boa parte de seus trabalhos seguintes pareciam tentar corrigir ou justificar suas propostas. Mesmo aqueles que 'esticaram' o tema não receberam uma migalha da atenção que recebeu a obra-prima. Pra ter uma idéia: meu livro, adquirido pouco após o lançamento, já era a 12ª edição!

Só fiquei sabendo na semana passada que no último 3/set Michael Hammer se foi, com 60 anos. Se foi sem o devido reconhecimento de sua obra. Se foi sem saber que um projeto na pequena Mutuca só deu certo porque seu livro me fez *ver* um negócio. Me fez entender que um negócio não é representado pelo seu organograma, mas pelo Mapa de Processos - sua parte dinâmica, viva.

Finalmente, para entender porque seu trabalho continua tão atual, basta dizer que apenas um ERP tupiniquim sabe "fazer" ABC (Custeio Baseado em Atividades) - o resto se limita à secular contabilidade "por centros de custo". Basta dizer que uns 80% de nossos negócios ainda não entendeu que já entramos na era da concorrência baseada em processos. E que nem metade dos que entenderam conseguiram de fato implantar uma visão de processos. Compartilho a certeza do Hammer: cedo ou tarde o farão, por bem ou por mal.


Notas:

  1. Atualmente não consigo mais manter o 'E'. Entre a aquisição e a leitura, meses se vão. E não sei se estou comprando mais do que consigo ler ou lendo menos (ou mais devagar). Pena.

  2. Processos de apoio (ou secundários) são todos aqueles que uma empresa paga para não ter - justamente porque não faz grana com eles. Por isso são os primeiros a ser terceirizados. Em todo o meu início de carreira, eram o único alvo dos sistemas de informação: Contabilidade, Folha de Pagamento, Contas a Receber e Pagar etc. A turma de hoje é feliz e não sabe quanto, informatizando processos primários (70%) e de gestão (20%). Obs: os percentuais são só chutes deste que aqui pixa.

A sociedade está se aprimorando em selecionar o que presta e o que deve ser jogado fora, e um novo tipo de percepção vem se desenvolvendo... Cada vez mais as pessoas pensam: Meu tempo - e não meu dinheiro - é a coisa mais preciosa que possuo. Vou protegê-lo daqueles que pretendem roubá-lo de mim... Isso afeta a vida das empresas. Elas devem ter certeza de que não estão fazendo ninguém perder o tempo.

David Brooks (jornalista do NYT - citado no livro que dá título ao graffiare).


O livro de Normann Kestenbaum, lançado pela Campus agora em 2008, tem exatas 108 páginas. Começo assim o elogio ao trabalho para mostrar como Normann é objetivo em sua mensagem. Caramba! O livro deveria ser obrigatório em todas as empresas, particularmente as prestadoras de serviços de TI.

São 14 capítulos. Apresenta uma metodologia e ricas dicas para a Expressão Visual. Ensina o essencial sobre apresentações baseadas em Powerpoint, por exemplo. Mas o livro trata, principalmente, da valorização de nosso maior ativo: o Tempo!

O estilo de redação do Normann me tirou um imenso peso das costas. Mas isso é outro assunto. O importante aqui é destacar o quanto seu texto é agradável, leve (apesar do pesado tema). E, como diz Paulo Novis no prefácio, "o livro é escrito em português, não em bullshitol".

Um monte de gente vive dando desculpas para ler tão pouco (ou nada). A mais frequente é a falta de tempo. Deveriam tentar ler pelo menos este livro.

Welcome!

04 junho 2007

My name is Marc Andreessen. Welcome to my blog.


Pois é. Quem tá vivo sempre aparece. E Marc "Netscape" Andreessen tardou mas não falhou: virou blogueiro também. Com um estilo "tiro curto" (telegráfico) bem legal. Deve ser fã do James "Dália Negra" Ellroy. Copia até o estilo "venenoso":


I am frankly still not sure why anyone would run Vista, at least outside of a Media Center system.

Microsoft Office for the Mac -- oh my god, is it painful.

Someone's been smoking something...

O titulo aí aparece no serviço Web de maior popularidade nas últimas semanas: o ARSE: Asshole Rating Self-Exam.

A séria brincadeira é outra ferramenta de marketing que ajuda na divulgação do livro "The No Asshole Rule", de Robert Sutton. Saca só o sub-título do livro: "Construindo um ambiente de trabalho civilizado ou sobrevivendo num que não é". Não precisa dizer que virou best-seller, né? Tem muito 'workplace' pouquíssimo civilizado por aí. Em tempos de "cada um por si e deus-chefes contra todos", o que não falta é asshole.

Btw, êta palavrão chato de traduzir, né? Acaba virando só um "idiota". Ficaria mais legal se virasse "energúmeno" (que perde a razão e se torna possesso). Tem muito "enfestador" (trapaceiro) também. "Engabelador", cheio de promessas vazias. Hehe.. olha que fiquei só na letra "E" do "Dicionário Brasileiro de Insultos", do Altair J. Aranha. Faz parte do kit básico de sobrevivência em ambientes hostis. "The No Asshole Rule" é o mais novo item do kit. Não vá para o trabalho sem o seu. Nunca se sabe quando um novo asshole será contratado ou promovido.

Para encerrar, outro brinquedinho marketeiro legal do livro: o ArseMail. Diverta-se. Mas vê se não sacaneia!

Update: Dá pra fazer um 'test-drive' do livro. Tinha esquecido de indicar: Há um 'manifesto' do Bob Sutton no ChangeThis. Aliás, o ChangeThis é obrigatório em qualquer kit de sobrevivência. Tem seus 20% de bullshitagem mas, no geral, o conteúdo é muito bom.

graffiare #395

02 fevereiro 2007



Excelente idéia. Uma Tabela Periódica dos Métodos de Visualização! Serve até para confirmar a inutilidade de alguns métodos (e diagramas).